segunda-feira, 5 de maio de 2008


E O GATO ME MORDEU...

Pastor Neucir Valentim





Meu gato "vive" na igreja.

Ouve hinos o dia inteiro. Muitas vezes me faz companhia quando faço minhas meditações bíblicas. É amigo de minha esposa e filhas, que lhes devotam mais atenção do que eu. É um bom gato. Calmo, sereno e tranqüilo... mas, não é crente! Sim, meu gato não é crente, porque animais não podem ser ou ter sentimentos transcendentes, como fé ou introspecção, posto que não possuem espírito, aquilo que a bíblia chama de nefech, tem apenas o fôlego de vida ou ruach.


Assim como o meu gato que "vive" na igreja e muitas vezes assiste aos cultos de "camarote" pela janelinha que dá para o templo, existem muitas pessoas, que "vivem" na igreja, participam dos cânticos, ouvem a Palavra, tem manias e jeito de gente crente, mas, que a semelhança de meu gato, não são crentes, pois não têm uma profundidade maior com Deus.


A igreja e o convívio com a comunidade eclesiástica não fazem deles um novo nascido, um salvo. Entendeu? Isso mesmo, para ser filho de Deus, requer-se muito mais do que estar, ficar ou fazer coisas na igreja, é necessário ter um profundo encontro com o Senhor Jesus, numa experiência pessoal, inigualável e sobretudo, de regeneração.


Ao escrever este artigo, o meu antebraço está inchado, com dois furos na altura de minhas veias, o tendão do meu braço está ferido fazendo com que os movimentos dos meus dedos me produzam arrepios, e as minhas pernas estão arranhadas, sinto inclusive, bastante dor ao digitar as teclas do computador.


Sabe por que? Por causa do meu gato, que não é crente! Nessa madrugada quis dar um passeio para conhecer a vida noturna, estava cansado da vida da igreja, para ele sem graça e sem emoções. De repente sumiu, foi à procura de aventuras. A minha família chorou pelo seu desvio, sua ida, sem dar satisfação ou pelo menos uma despedida. Foi bastante insensível!


Lá pela madrugada, ouvi um ruído, um miado de gato, perdido na noite escura, isolado, um clamor de um felino perdido, talvez, no refeitório da igreja. Entrei no referido recinto, fechado, escuro, com ares sepulcrais.


De repente, num susto, senti suas presas e garras em cima de mim, pois apavorado e com medo, não percebeu que se tratava de um amigo, e por isso atacou sem dó nem piedade. Em poucos segundos a roupa que usava estava repleta de sangue, que incontido, não parava de jorrar da veia do braço que fora perfurada pelos seus dentes.


Uma vez identificando o seu dono, voltou para casa meio ressabiado, sem pedir desculpas a ninguém, apenas deitou e dormiu... Enquanto eu usava compressas e analgésicos!


A história contada, de alguma forma, ilustra aqueles que vivem na igreja, mas, não têm um conhecimento do Dono da Igreja. Assim como o meu gato que vivia na minha casa, há muita gente que vive na Casa de Deus e não O conhece, e por isso, na primeira oportunidade, fortuita, busca uma forma de pular o muro, a janela, a rotina eclesiástica, para achar na vida, fora dos limites estabelecidos, prazeres que o levarão a perdição. O meu gato ficou perdido numa noite escura.

Ocorre que, para seres humanos, essa noite escura pode se tornar eterna. E um pequeno desvio de rota, pode levá-los a perdição. O profeta Daniel diz que esta noite será de pavor e vergonha eterna: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno."


E a grande tragédia dessa história toda, é que, assim como, com boa vontade e ternura, busquei achar o meu gato no meio da noite, atendendo o seu clamor felino, existe um Salvador, que anda pelas noites, pelas regiões da sombra e da morte, buscando aqueles que por Ele clamam, pronto a buscá-los, como o Sumo Pastor faz com suas ovelhas: " Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? (Mt 18:12).


Mas, assim como fui mal compreendido pelo meu gato, muitos assim fazem para com Deus, e ao invés de conhecer a sua voz, confundem-se, pois não são ovelhas do Seu aprisco e por isso, não conhece a voz do pastor: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem" (Jo 10:27). E nesses casos, não importa a dor e o sangue derramado pelo Senhor, porque, por mais que se busque apanhá-las no meio da noite, e colocá-las em lugar seguro, haverá sempre uma outra ocasião para novas fugas, desvios e desencontros...


Saiba que o Senhor está sempre disposto a dar a sua vida e o seu sangue pelos que se perdem, ou melhor, pelos que nunca se acharam nele... pense nisso. Mas, é necessário reconhecer-lhe a voz.
Quanto ao meu gato. Não usarei mais de misericórdia ou farei qualquer esforço para buscá-lo, se quiser ir que vá, pois a dor que estou sentindo é muito grande agora... e ele continua dormindo cinicamente, esperando a próxima noite, a próxima fuga, e quem sabe, da ida sem volta. A bem da verdade... Não sou pastor de gatos!

Um comentário:

dio disse...

Pastor Neucir, gostei muito dos assuntos do seu blog. Ainda não tive tempo de ler todos, mas irei ler. Este do gato, tirando o ocorrido com senhor, foi muito bom!A analogia feita com a igreja foi muito verdadeira.
Que Deus continue abençoando a sua vida, mantendo esta mente brilhante! Um grande abraço!
Diolanda.