quinta-feira, 8 de outubro de 2009

NÃO APENAS UM SONHO DE CRIANÇA

Pastor Neucir Valentim



“E mostrou-me o rio da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. Ali não haverá jamais maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão, e verão a sua face; ali não haverá mais noite, e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos.” Ap 22 ss

Para mim a morte sempre tem aquela cara feia e ameaçadora que nos lembra sempre o quão frágeis somos, e de que um dia voltaremos ao pó, sujeitos às suas garras, como nos diz a sentença de Deus proferida lá no Éden:

- Tu és pós e as pó voltarás!


Quando, porém, leio o texto bíblico de Apocalipse cap. 22, que fecha com chave de ouro as revelações de João na ilha de Pátmos, alguma coisa acontece dentro de mim que me faz ver a morte com outros olhos, os olhos da fé, que me levam a sonhar com a vida futura, prometida pelo Senhor, e que não mais nos levará as lágrimas, pois o Senhor as enxugará de nossos olhos.

Duas coisas neste texto me saltam aos olhos:
Em primeiro lugar é que não haverá mais maldição. Sim, para nós que vivemos num mundo de maldições, esta é uma realidade difícil de compreender, isto porque nascemos sob maldições: da morte, do trabalho com suor, do parto com dores, da terra que produziria cardos e abrolhos, a maldição das perdas, das dores, e dos sofrimentos, etc. Como já disse, com bastante razão o filósofo mais renomeado de nosso século, Jean Paul Sartre que, na sua completa ausência de Deus, revela uma profunda verdade existencial: Viver é sofrer!

Sim, viver neste mundo é sofrer quando não se tem a visão de algo maior, de alguma coisa transcendente, de uma realidade que seja maior do que esta vida medíocre.

A segunda coisa que me chama atenção neste texto é a presença visível, perceptível e acolhedora do cordeiro de Deus e do próprio Deus. Que coisa magnífica estar junto de Deus, da sua bondade, do seu amor, do seu carinho e da sua misericórdia, e tendo o cordeiro como o nosso eterno Sumo Pastor, que nos levará as águas cristalinas.

Lembro-me que um dia, ainda criança, sonhei que estava no céu. Hoje percebo como o céu do meu sonho se parecia com o céu de João. Chorei quando acordei porque não queria deixar aquele lugar maravilhoso.

Hoje, com o tempo já passado, lembro-me daquele sonho e, para minha alegria sei, pela fé que não era apenas um sonho de criança, mas a visão ainda que infantil daquilo que nos está prometido pelo Senhor todo poderoso, e mais, que um dia meu sonho de criança, há de se tornar um fato eterno na minha vida.

Por isso anseio o céu.
A INVEJA MATA?
Pastor Neucir Valentim

Disse Deus a Caim: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.”

Costumo definir inveja como a sensação de mal estar ante a um bem alheio...

Não é o desejo de ter o que o outro tem, mas de mal estar pelo que o outro tem, representa ou é.

Certa pessoa me contou que sofria desse problema, chegou ao ponto em que tinha um livro raro, e que daria de presente... Mostrou ao “invejoso” sem maldades. Ele não se importou com o conteúdo do livro, mas ficou querendo ter um igual, mesmo sem entender bem do que se tratava.

A situação foi tão constrangedora que a pessoa teve que ir, debaixo de muita insistência num sebo (onde se vende livros usados) para achar algo parecido para ele. Ainda que inferior, não original e sem o valor daquele livro, mas meio parecido... Para aplacar o desejo infantil, mas perigoso do “invejoso”.

Contou-me ainda que a pessoa vivia observando os seus passos, copiando seus atos, imitando até seus pensamentos, sugando suas idéias, falas e quiçá, seus ditados. Disse-me a pessoa cuja credibilidade é indiscutível e não sofre de nenhuma patologia psicótica.

“Não sossegava enquanto me via bem, criativa e com os resultados do que tinha, fazia ou era.”- Contou-me. Aliás, algo comprovado pelo que observei também.

“Ao mesmo tempo em que me admirava, me angustiava,”- sofria assim a vítima da pessoa invejosa que vivia como Caim, pois não estava satisfeita com o que tinha, mas com o que a outra tinha.

Falei para quem sofria de tal caso, que tenho medo da inveja, sim, não a mística que trás presságios, agouros ou coisa do gênero, que faz secar plantas, de olho grande ou coisa assim, não, isso não existe! Isso é crendice pagã!

Existem cercas espirituais contra o Diabo! Mas temo a inveja que se manifesta de forma operacional, como Caim que pegou um cutelo e matou o seu irmão Abel. Fez diretamente! Invejou, sentiu-se mal e matou. Pronto. Fatídico e mortal, mas real. (Gn 4:8); José também foi vítima da inveja, e acabou sendo vendido por seus irmãos (Gn 37:11) pelo mesmo motivo.

Pessoas são capazes de tudo por causa da inveja, pelo medo de não ser admirada ou sentir-se mal ante o bem alheio.

Ocorre que eu nunca tinha ouvido nada assim, tão concreto, objetivo e real, e nem acreditava em tal situação.

Psicologicamente falando, poderia dizer que o ser humano é portador da díade “Existir-Sobreviver”, daí ter um instinto de competição voraz e antropofágica, que é a competição terrível de idéias, sentimentos e prazeres. Tal competição o leva a níveis altos de tensão, que gera o distresse (estresse maligno), causador de moléstias graves de caráter psicossomático.

Tenho entendido que “A Inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais se acende o fogo, há sempre trevas espessas (...). Assiste com despeito aos sucessos dos homens e este espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício”.

Como Cristão entendo que a inveja é obra da carne, apontada por Paulo em Gálatas 5:19 a 21, e como todas elas, deve ser mortificada como os demais pecados ali listados.

Como simples mortal, tenho medo de gente assim, que é capaz de tudo por essa doença da alma. Talvez você tenha sido vítima de algo tão tangível e real e próximo ao mesmo tempo.

A pergunta que devemos fazer é: O que fazer diante de tal situação, visto que não podemos nos desprender de tais pessoas facilmente, em virtude da proximidade com que as encontramos?

Em primeiro lugar evite o juízo temerário. Cuidado, não julgue as pessoas porque visitaram, sua casa e no dia seguinte a sua planta morreu, secou ou o peixinho do aquário morreu isto é superstição do paganismo mais baixo!

Em segundo lugar, procure ver se o desejo da pessoa é por você, de forma altruísta, se gosta de você e por isso te admira tanto, ao ponto de confundir admiração com o desejo puro e simples de imitá-lo. Isso acontece sem maldades! Se você causa impressão em determinada pessoa, pode ter alguém que o copie mesmo.

Em terceiro lugar, procure entender se é uma pessoa carente e está tentando agradá-lo com os seus elogios, é mesmo um amigo que gosta sinceramente de você.

Por último, se constatar que a pessoa, tem um instinto de competição voraz e destruidor, que é a competição terrível de idéias, sentimentos e prazeres, e que tal competição o levará a níveis altos de tensão, que gera em você o estresse maligno, causador de moléstias que atingem não só sua mente e seu corpo. Tome tais atitudes:

- Ore para ver se você está julgando certo!

- Peça a Deus ajuda para compreender a pessoa e amá-la e curá-la dessa enfermidade da carne.

- Lembrando! Cuidado para não cair no paganismo. Olho grande, olho gordo, inveja não são poderes mágicos que entram na sua casa. Se você é filho de Deus, mal nenhum chegará a sua tenda, ainda que existissem dessa forma, é o que diz o salmo 91. E em números 23 a Bíblia diz que essas coisas não valem contra os servos do Senhor: “Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel. Agora se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus têm feito!”

- Ore para Deus dar um basta nesse sentimento que é tão cruel que atinge aquele que o tem, o invejoso, mas que Deus te proteja. Entregue sua vida na mão do Senhor e descanse!

- Não seja tão próximo, não abra tanto as comportas do seu coração para gente assim, afinal, Jesus disse que deveríamos ser simples como as pombas, mas prudente como as serpentes. (Mt 10:16).

- Peça proteção a Deus contra atos que essa pessoa pode fazer para prejudicá-lo direta ou indiretamente.

Confie em Deus!


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O PODER DA ENTONAÇÃO NA VOZ!





Muitas vezes, temos problema no nosso relacionamento porque não colocamos bem as coisas, ou as pessoas que nos ouve, não nos ouve com a entonação certa, por isso, existe muito mal entendido nas relações entre as pessoas.

Quando nós escrevemos, a vírgula é quem determina a entonação, quando falamos, essa vírgula é a pausa que damos.

Muitas vezes falamos bem de uma pessoa para outra, mas ela repete exatamente o que falamos mudando apenas a entonação, é o pior meio de causar contenda entre irmãos e nos tornarmos abomináveis para com Deus (Pv 6:16 e 17), vejamos o exemplo através da vírgula no texto, que na verdade é a entonação que damos na voz:



Vírgula pode ser uma pausa... ou não.

Não, espere.

Não espere.



Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.

2,34.



Pode ser autoritária.

Aceito, obrigado.

Aceito obrigado.



Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve.

Isso só ele resolve.



E vilões.

Esse, juiz, é corrupto.

Esse juiz é corrupto.



Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.

Vamos perder nada, foi resolvido.



A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.

Não, queremos saber.



Uma vírgula muda tudo.



Detalhes Adicionais

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA LOUCAMENTE À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.

Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.



Viu, da próxima vez preste bem atenção, a pausa é pequena mas muda muita coisa!!!!!!!!!!!!!!!!!



Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.



Adaptado da ABL pelo pastor Neucir Valentim

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

QUANDO A ANGÚSTIA BATE A PORTA!
Pastor Neucir Valentim





Acaso contenderia ele comigo segundo a grandeza do seu poder? Não; antes ele cuidaria de mim. Jó 23: 6
Gostaria que você desse asas a sua imaginação e contemplasse o autor desta oração.
Trata-se de Jó, homem íntegro e reto, que temia a Deus e desviava-se do mal, mas que por um momento de sua vida foi vítima de uma séria de tragédias. Perdeu os seus bens, sua família, seu status, sua auto-estima e seu amor pela própria vida (Jó 10:1).

Nesta sucessão de tragédias, surgem três amigos para consolá-lo. E Deus nos livre de amigos assim, “amigos da onça”, que acusavam-no de ser o responsável pela própria desgraça, não bastasse isso, surge em Jó um tipo de doença que produziu chagas purulentas em toda extensão de seu corpo.

Neste contexto, este homem torna-se uma ilha, ninguém, compreende a sua dor, ninguém fala a sua linguagem, não há quem dimensione aquilo que vai lá dentro de seu coração ou no recôndito de sua alma.
Talvez a saudade dos filhos que se foram, vergonha, depressão, medo, e muita angústia como se vê: “E agora dentro de mim se derrama a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim “ Jó 30:6.
A pergunta que cabe aqui é: Como Jó conseguiu vencer essa feia etapa de sua vida?

No capítulo 23:2 ele descobre que há um que pode entendê-lo, compreender o seu gemido e dimensionar sua dor, esse é Deus. Então sente uma profunda necessidade de chegar-se a Ele para expor sua miséria 23:3 e 4 pois diz: Com boa ordem exporia perante Ele a minha causa (...)
Jó percebe que em alguns momentos da vida, quando parece que não somos compreendidos, que a dor é lancinante, que a aflição é profunda, importa chegar-se a Deus de forma integral. Assim descortina o poder do Todo Poderoso , sua majestade, sua grandeza, que não o intimida, antes o estimula a buscá-lo. “Segundo a grandeza do seu poder contenderia comigo? Não; antes cuidaria de mim...

O Deus a quem Jó recorreu em seu momento de angústia, dor e amargura, é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente, e está a sua disposição para ouvir a sua dor e cuidar de você.

Por isso o autor de Hebreus nos orienta:
” Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” Hb 4:16. Sim, a mesma ousadia que Jó teve ao desejar apresentar-se a Deus, e expor a sua queixa devemos ter para sermos socorridos em tempo oportuno. Chegue-se a Deus!

Pastor Neucir Valentim

segunda-feira, 27 de julho de 2009

ALERGIA ESPIRITUAL

Pastor Neucir Valentim


A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância estranha ao organismo, uma hipersensibilidade além do normal a um estímulo externo. Em palavras simples alergia é uma ação desordenada e exacerbada do organismo, que ao invés de produzir saúde ao corpo, o adoece, pensando que o está protegendo.

Uma pessoa alérgica, reage muito diferente de uma pessoa comum a presença de um simples corante no refrigerante por exemplo, ou mesmo, pode desenvolver reações violentas no simples contato com um aracnídeo chamado ácaro que só é visto à luz de um microscópio, mas está em toda parte. Um alérgico pode ter uma reação de choque anafilático e mortal até por uma simples picada de abelha. Em outras palavras, o alérgico sofre com coisas com as quais todos convivem bem, como um simples pólen de flores, mas para ele é um grande problema. Seu corpo está em constante processo de irritação e inflamação, por qualquer bobagem.

Gostaria de pensar que assim como existem pessoas acima, existem também os alérgicos espirituais, gente que tem uma resposta exagerada e desproporcional ao que lhe cerca, e faz com que seu espírito adoeça facilmente.

Assim como há vários tipos de alergia física, há muitos tipos de alergias espirituais, desde uma pessoa que se sensibiliza fácil com o que vê, houve ou sente, como reage desproporcionalmente a uma palavra, uma ação que segundo os seus estímulos hipersensíveis, logo se ofendem. Ou pessoas que sofrem demasiadamente a coisas que são tão minúsculas como um micro ácaro. Gente que se escandaliza fácil, gente que se aborrece fácil, gente que se mordida por um pequeno inseto, é capaz de sentir-se ferido de morte.

Às vezes estranhamos aquelas pessoas que são perfeccionistas, exageradamente escrupulosas, ou profundamente sistemática que não consegue viver sem sofrer, as vezes por causa de uma vírgula, de uma coisa fora de lugar, de um simples esquecimento de alguém que deveria fazer alguma coisa e não o fez, a reação dessas pessoas é a de um alérgico espiritual, supersensível a qualquer coisa que entende como sendo certo, mas que na verdade, é uma reação exagerada as coisas comuns da vida.

O alérgico espiritual sofre tanto como o alérgico físico. Ele reponde a estímulos de forma desordenada ainda que não querendo, pois o seu grau imunológico é muito alto, e daí sofre mais do que os outros também.

Assim como a alergia simples que não tem cura, assim é a alergia espiritual, ambas precisam ser tratadas, cada qual de uma forma específica, através dos chamados histamínicos, remédios esses que informam ao organismo que esta tudo bem... Que ele se acalme e volte à normalidade diante de seu sofrimento desproporcional a um simples agressor, com quem todos convivem.

Assim como oento alérgico começa na pesquisa das coisas que lhe fazem mal está na busca e na identificação do agente alérgino, assim também é o tratamento de quem tem alergia espiritual. A pergunta deve ser: O que me faz reagir assim, de forma exagerada? O que me causa problemas terríveis, mas a outros não? Por que eu tenho esse tipo de resposta onde poeira ser outra? Por que eu fico assim diante de coisas, as vezes, tão banais? E acima de tudo, qualquer alérgico deve ter em mente que o problema não está no mundo, nas coisas, nos detalhes, nos atos e fatos, está nele, no seu sistema imunológico adoecido, que lhe passa informações erradas.

Ao digitar essas palavras, o meu nariz está doendo, e acaba de pingar uma minúscula gota de sangue... Sabe por que? Eu sou alérgico. E o meu sistema imunológico não consegue viver com ácaro, mas como eu vou viver se tem ácaro em quase todos os lugares do mundo? E por que estou nesse estado? Porque as minhas reações imunológicas atentaram contra mim mesmo. Pensando em me defender, o meu sistema exagerou tanto que fez com que os cornetos do meu nariz ficassem inchados, que a adenóide ficasse com quase o triplo do tamanho, que a minha respiração se tornou um fardo. Por isso estou assim, e quando não consigo controlar mais essas coisas, elas são obrigadas a serem retiradas cirurgicamente! Quão terrível é ser alérgico! O que fazer? Em alguns casos um simples tratamento imunológico adequado resolve, ou vacinas sistemáticas, e remédios, mas uma coisa eu sei, o problema está em mim, não fora de mim. Se eu posso controlar o ácaro o farei, se não vou tentar usar remédios, caso contrário, vou parar é na mesa de cirúrgica mesmo.

Eu não gosto de ser alérgico, mas sou... Assim também como ninguém gosta de ser pecador... mas somos! Paulo, escrevendo aos Gálatas (Gl 5:19 a 21) ele enumera um monte de alergia que o nosso próprio ser produz... Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas. Sim, essas coisas são produzidas pelo homem pecador, que reage de forma errada a esses estímulos, e se agente não prestar atenção eles vão criar problemas, pois essas coisas reagem de forma errônea diante do mundo. Não é tirando o mundo que vamos resolver o problema, mas identificar “o quê” dessas coisas, nos faz enfermar.

No meu caso, como disse acima, não tive jeito, tive que ir para o bisturi, na vida espiritual é assim também, mas quem opera garante o resultado eficaz da cirurgia, não é como o meu médico, que disse que tenho 80% de chance de ficar bom, depois disso tudo, continuar tratando... na vida espiritual não é diferente.

Pense nisso, com carinho.



CONFISSÕES DE UMA VELA
Pastor Neucir Valentim

Sou uma vela de cera, tenho um pavio feito para clarear, moldada a parafina.
Sou frágil, e minha vida é fugaz. Em pouco tempo acesa a minha utilidade vai embora, e só restam ceras derretidas de mim.

Sou usada para utilidades domésticas, como, por exemplo, quando falta energia elétrica em alguma casa; se bem, que ultimamente, tenho sido substituída por luzes de emergência. Fico feliz quando numa casa, na escuridão, usam-me para iluminar o ambiente, livrar alguém de um tropeço ou mesmo tirar o medo de alguma criança.

Mas, confesso que como vela, fico muito triste, quando alguém me usa para um fim para o qual não tenho utilidade. Fui feita para iluminar a escuridão deste mundo aqui, e mesmo assim de forma muito breve, mas alguns, na ingenuidade espiritual acreditam que eu posso iluminar o caminho da eternidade, e me usam para "iluminar" o caminho de algum morto.

Ora, quanta tolice, se eu mal consigo iluminar a vida aqui, como posso entrar no indevassável mundo dos mortos! Como posso iluminar uma vida espiritual na eternidade se na vida material minha luz é tão passageira.

Certo dia uma senhora me comprou em uma loja com o objetivo de iluminar o caminho de seu filho que havia falecido.

Acendeu-me em uma praça, próxima a uma igreja, fez petições, chorou, rezou e ofereceu-me como uma luz para o seu filho que havia partido deste mundo, como ela estava triste, e como eu também fiquei.

Eu queria ser usada para um fim, de fato, útil e não para algo que não posso realizar: Iluminar o caminho eterno de alguém. Como sou tão passageira, logo que a senhora saiu, deu um forte vento e apaguei, não fui criada para uma atividade tão inútil.

Como alguém pode pensar que uma vela, como eu, cuja luz é tão breve, pode iluminar a eternidade? Amigas minhas são levadas a procissões para acompanhar imagens com o mesmo objetivo, tentar entrar no indevassável mundo dos mortais, para conseguir algum tipo de graça.

Ora que coisa mais sem graça. No dia em que a senhora que me levou para tentar iluminar o caminho do seu filho, ela recebeu um folheto que falava de umas lindas palavras da verdadeira luz: onde Jesus, dizia assim: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." Evangelho de João 8:12.


Fiquei pensando comigo mesma: como pode uma pessoa, que tem a possibilidade de ter a Verdadeira Luz do Mundo, optar por uma simples vela? Como pode alguém que em vida não conseguiu a iluminação para sua vida aqui e na eternidade, esperar que uma simples vela possa fazer alguma diferença?

Como podem me colocar no lugar de alguém cujo brilho é superior ao brilho do sol, posto ser ele o Criador do universo? Como pode alguém trocar o Senhor Jesus por uma vela? Como posso eu iluminar a eternidade de uma alma, se Ele, como diz as escrituras é a luz insubstituível para os mortos e vivos: "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela."

Sim, não há trevas que ele não ilumine! Por um momento fiquei confusa, até que entendi porque muita gente não escolhe Jesus, porque se olharem para sua luz que de fato é a verdadeira: É que as suas próprias obras serão reveladas: "
E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más." Jo 3:19.


Sim, muita gente usa a luz de uma vela porque a sua luz é incapaz, inclusive de revelar-lhes os seus próprios erros e pecados, por isso não querem Jesus iluminando e preferem uma vela, talvez apenas para aplacar seus sentimentos de tristeza, culpa e dor e nada mais. É justamente isso o que a escritura ensina: "Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Jo 3:19"

Outros fazem por ignorância mesmo, mas não tenho como falar as pessoas, até porque uma vela não fala. Mas se você é um cristão, pode ajudar as pessoas a ouvirem o que a Verdadeira luz falou: "Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." Jo 8:12.

Diga a essa gente que eu nada posso fazer para ajudá-las a iluminar o caminho de alguém. Diga-lhes que isso é tolice, e diga-lhes do Salvador Eterno, que pode iluminar dar verdadeira luz a vida, mas não se esqueça de dizer como ele ilumina nas trevas da eternidade, apenas aqueles que o conheceram aqui, uma vez que deixando esse mundo sem ele, as trevas de fato prevalecerão em suas vidas eternas, e que esses, jamais verão a luz de novo.

Façam isso, porque muitos estão perdidos sem conhecer as confissões de uma simples vela. Pregue acerca do Salvador que disse: "Eu, que sou a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas." João 12:46, e que nunca confiem na incapacidade de uma simples vela que se apaga ao vento ou se derrete a simples chama de um pavio.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

AITOFEL
Pastor Neucir Valentim


Davi Está lutando com seu filho rebelde Absalão e, reconhece que está vivendo algo que está além de suas forças, porque um inimigo novo se apresenta no contexto, com o qual ele não contava, um agente a mais para somar contra, o que torna a luta extremamente desigual.


Este inimigo tem um nome: Aitofel! Em II Samuel 15:31, diz que, quando Davi estava fugindo de Absalão, recebe uma notícia bastante desagradável: "Aitofel está entre os que conspiram com Absalão", diante do que Davi clama: "Ó Senhor, torna em loucura o conselho de Aitofel! "


Davi sabia que Aitofel era um elemento desestabilizador, uma inteligência poderosa a serviço daquele que desejava destruí-lo. Convém lembrar que Aitofel era nos dias de Davi uma mente sagaz, genial e altamente estratégica ao ponto de ser considerada a "voz de Deus", o oráculo do Senhor, tanto para Davi quanto para Absalão.


Veja o que diz II Samuel 16:23: "O Conselho que Aitofel dava naqueles dias era como se o oráculo de Deus se consultara." É por isso que Davi fica perturbado. Sua luta contra Absalão era ruim, mas era uma questão de tempo, afinal o experiente rei era perito em enfrentar inimigos ousados, mas agora é diferente; não é apenas uma peleja comum, envolve conselhos ardilosos, estratagemas, planos inteligentes de um inimigo que certamente é pior do que seu filho Absalão, e superior a sua capacidade de luta.


Muitas vezes vivemos um quadro semelhante ao de Davi; são aquelas lutas que enfrentamos e que com o tempo aprendemos a levar em banho-maria, até que um fato novo acontece e descobrimos que existe uma outra mente por trás, muito mais inteligente, mais perversa, e que certamente nos dá uma tremenda sensação de impotência. Cremos que muitos são os "aitoféis" em nossas vidas.


Eles representam aquelas possibilidades embaraçosas com as quais nem gostamos de pensar, representam os nossos medos, nossos receios ante um confronto maior, representam os nossos pontos fracos ou nosso calcanhar-de-Aquiles.


Representam também aquele tipo de situação que, em apenas imaginar, o nosso coração estremece e diz: Ó Senhor, se isso acontecer eu não agüento, desisto! Até este ponto da história, a briga era coisa de família, e Absalão não convencia a ninguém que sua batalha contra o pai era séria, mas com o conselho de Aitofel a coisa assume proporções inimagináveis.


Em II Samuel 16:20 e 21, está registrado que o conselho que Aitofel dá a Absalão é de tirar o fôlego, revelando a sua malignidade e inteligência: "Violenta publicamente as mulheres de teu pai e o povo saberá que o seu ódio é sério, e que você não está aí para brincadeira."


Nada mais perverso, mas ao mesmo tempo verdadeiro do ponto de vista político. O que Absalão promoveria seria algo tão abominável que impossibilitaria qualquer meio de reconciliação.
Assim os inimigos de Davi confiariam em Absalão e se juntariam a ele. Este tipo de mente perversa muitas vezes entra em nossos conflitos elementares, tornando coisas pequenas em problemas insuportáveis, que quebram, rompem as nossas forças e também toda chance de uma saída honrosa, de um desfecho pacífico.


Portanto, em última análise, Aitofel representa o diabo e suas astutas ciladas, as quais não podemos vencer sem o discernimento e a ajuda que vêm do alto. Ele é, portanto, a síntese do encurralamento e do estreitamento angustiante nas situações beligerantes da vida.


O que Davi faz quando está numa situação assim é apelar para aquele que é mais forte do que ele e mais forte do que seu adversário; é isso que lemos em II Samuel 15:31. Ele ora, clama a Deus diante do quadro trágico que vive e o medo que sente.


O Salmo 55 foi escrito quando Davi vivia esse momento, observe então a sua oração para sentir a angústia de sua alma: “quem me dera ter asas como pomba, então voaria e encontraria descanso, fugiria para bem longe... ” Este Salmo revela a sinceridade e o desejo de seu coração. O que é isso senão a vontade de sumir diante de algo desagradável? “Quem me dera estar longe disso tudo!" Ora, essas palavras de Davi também passam pela nossa mente e coração.


O segredo da vitória de Davi, entretanto, não está no desejo de fuga que todos nós temos quando a situação aperta, está no versículo 16 deste Salmo: “Eu invocarei a Deus e o Senhor me salvará.” Aí está a sua arma poderosa, a confiança no Deus que tudo pode e que por nós tudo executa. (Salmo 57:2). E ele, como fez com Davi, há de atender a sua oração e transformar em loucura o conselho de Ailtofel.


Ao final da história, Deus ouve a roação de Davi, vai ao encontro de seu servo, e confunde o grande "conselheiro" Aitofel, de modo que só cabe a ele o suicídio, afinal, é impossível derrotar a voz soberana de Deus quando atende aos seus filhos.


Aitofel, na verdade, acaba confundido e torna-se o primeiro homem da Bíblia a se enforcar, pois Deus dera o seu basta. "Vendo, pois, Aitofel que não fora seguido o seu conselho, albardou o jumento, dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; morreu e foi sepultado na sepultura do seu pai. Samuel 17:23."

Confie no Senhor e Ele há de derrotar qualquer Altofel da sua vida!

quinta-feira, 18 de junho de 2009


CONFLITO DE GERAÇÕES
Pastor Neucir Valentim

"Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los." Mt 23:4

Ao longo de minha vida tenho observado algumas coisas que me chamam a atenção. Entre elas está a briga de gerações. Ela está presente todo dia e em todo o lugar, mas na igreja se evidencia de maneira mais peculiar.
Dias desses dei-me contas de como somos diferentes. Usei como teste um som emitido pelo computador que somente ouve quem tem menos de 24 anos , e que em contrapartida, os mais velhos, nos quais me incluo, não ouvem.
Coloquei o tal som para tocar... Confesso que não ouvi absolutamente nada. Pensei que fosse mais uma mentira da Internet, mas quando chamei minhas duas filhas para onde eu estava fazendo o meu teste com som, elas me disseram quase que juntas: "Pai, pelo amor de Deus, abaixe esse som terrível do computador"; como tinham outros adolescentes na sala todos ouviram, menos eu.
De fato, o som criado para espantar multidões de adolescentes, para mim não fazia nenhuma diferença, devido à natureza de decibéis do meu tímpano em contraste com o tímpano com os de idade mais jovem.
O que pude perceber é que em virtude das nossas idades, o funcionamento e a reação do nosso corpo, através de seus sentidos, mudam a cada geração ou à medida que uma geração se afasta da outra.
Se não levarmos isso em consideração, numa comunidade como a igreja, que deve pertencer a todos, teremos sérias dificuldades de vivermos juntos, em outras palavras, precisamos entender que o outro nem sempre tem a mesma percepção de mundo como a nossa...
Quando eu penso em som, penso também em outras coisas típicas da juventude e que, porque já passamos por ela, esquecemos.
Lamento quando um adolescente não entende que para os nossos ouvidos, os sons que esbravejam, através de instrumentos musicais e microfones, agridem a nossa audição, ainda que eu saiba que seu tímpano, em fase de desenvolvimento peça mais som, e aí, coitado dos ouvidos dos mais velhos e da queixa dos passantes. E a lei está justamente aí para ajustar o som em 75 decibéis, no máximo, para resguardar os nossos ouvidos.
Por outro lado, fico triste com os mais velhos que não suportam as atividades dos adolescentes, saem dos cultos aborrecidos, sem nenhum tipo de piedade ou compreensão, falando um monte de palavras duras.
Se por um lado os adolescentes ainda não desenvolveram a maturidade da audição, sinto que muitos "mais velhos" não desenvolveram a maturidade da compreensão. Isto porque, vejo homens e mulheres que fizeram muita bobagem na sua juventude, agora esquecem completamente como viveram, foram barulhentos, e pior ainda, quando muitos, nem pertenciam a Cristo, usaram seus membros para perdição, agora, sem nenhuma compaixão com aqueles que estão dedicando a sua juventude a Cristo, e que deviam louvar ao Senhor porque estão vivendo uma vida diferente da de muitos outros jovens perdidos no mundo, e que, porque são mais velhos, reclamam por uma bobagem que façam, e esquecem que Deus perdoou caminhões de erros de suas vidas quando jovens.
O que proponho é que haja bom senso em nossa "guerra" de gerações. Um armistício, um desarmamento, pois caso contrário não poderemos dizer que vivemos no mesmo corpo, a Igreja.
Dessa forma, solicito aos mais velhos que por um momento lembrem-se das bobagens que fizeram na sua juventude e agradeça a Deus pelos problemas que a juventude, cheia de vivacidade produz, sem colocar sobre os mais novos um jugo que alguns sequer puderam suportar quando a viveram. Ao mesmo tempo, solicito carinhosamente aos adolescentes, jovens e afins, que entendam que os nossos ouvidos são mais sensíveis, e que o que para eles pode ser bom, para nós é uma agressão auditiva digna de qualquer bom senso. E que também atrapalha o nosso culto e o nosso bem estar.
Igreja não é lugar de uma categoria apenas, mas de várias, tanto de classes sociais, como também de grupos de gerações diferentes, enquanto não entendermos isso, estaremos colocando sobre o outro um jugo insuportável, que quando estamos em outra realidade, jamais suportaríamos.
Pensem nisso com amor.



CHORO DE RAIVA OU DE PENA?
Pastor Neucir Valentim
Estou triste,

Acordei triste hoje, e ando meio desiludido com o que vejo. Primeiro a decepção com os arraiais evangélicos, e com a própria Instituição Evangélica, que abriu mão de valores básicos e está negociando outros valores, como status, fama, poder e dinheiro.

Segundo, porque vejo na maioria das pessoas da fé, uma profunda falta de raiz com os valores que eu achava que elas tinham. Ninguém tem convicções sólidas, o relativismo de fato, ocupou a mente de quase todos.

Duas pessoas me procuraram para dizer que estavam deixando a suas “igrejas”, porque estavam com situações irregulares na vida conjugal, mas esse não foi só “o” problema. O que me deixou triste e perplexo é como acharam tão fácil renegar a fé, e a igreja, sem nenhum senso de perda.

Tudo é como se os vínculos espirituais não fossem mais nada.

Acabei de ouvir um amigo meu, veterano no evangelho dizer que está gostando muito de um pastor Adventista, que prega muito bem na TV! Fiquei curioso, porque sei que o tal pastor só prega heresias (ora bolas, o pastor é adventista...), e ele, veterano crente no seio evangélico, nem sabe mais discernir o que é certo ou errado, e o que aprendeu anos a fio, ou será que não tinha aprendido nada?

Acabei de receber um vídeo pela Internet de uma pessoa evangélica próxima: Adorou o vídeo... Mas ela não se deu conta e que o vídeo é uma pura mensagem das Testemunhas de Jeová! Não teve ou tem nenhum pouco de senso bíblico crítico.

Levei outro susto quando fui conversar com uma determinada pessoa que me disse que ia mudar de igreja, porque estava querendo variar um pouco, apenas por isso. Perguntei-lhe: Mas sua igreja está com algum problema?
Ela me disse friamente: Não, não há problemas, mas o pastor de lá me chamou para conhecer um pouco a igreja dele, e vou ver se é legal... Isso me assusta. Mudar de igreja para ver se lá é legal!

Muda-se de igreja hoje como se escolhe uma blusa, uma muda de roupa, que pode ser melhor que a usada no dia seguinte, ou uma nova lanchonete na área a ser experimentada. Onde estão as Raízes?

Em terceiro lugar, tenho visto uma profunda desvalorização do caráter, onde não escapa nem os líderes, que perderam os escrúpulos e não estão nem aí para a ética, para o “agir” bem, para o compromisso com a seriedade, aliás, acho até que alguns esqueceram o que significa essa palavra... Traem, enganam, falam mal, criam situações embaraçosas, dissimulam, fazem qualquer negócio para conquistar ou ganhar algum prestigio em troca de uma idéia nebulosa de se perpetuarem no comando ou num poder tão firme como a areia da praia e tão sólido como a neblina que se esvai com o calor do sol. Quanta tolice!

Acho que alguns deveriam refazer a matéria chamada ÉTICA nos seminários onde aprenderam a teologia... Bobagem, teologia sem ética é mais perigosa ainda...Mata!

Em quarto lugar, muitos que ainda mantinham escondidos os seus problemas e a sua pequenez, além de perderem o caráter estão também perdendo a honra. Não estão nem aí para o que os outros vão pensar do julgamento moral de seus atos, de sua postura e imagem pública. Estão olhando apenas para o seu interesse imediato, para o seu pequeno mundo de valores tão baixo.

Em quinto lugar, não consigo acreditar no que se faz em nome da fé...

Embora a história fale do que já se derramou de sangue em nome da “fé” e do “cristianismo” já era para desconfiar que não existem limites quando se quer usar a religião ou a “fé”, para fins espúrios, que vai de uma mentira banal a todo o tipo de má fé usada para que se logre êxito em qualquer coisa, nem que se negocie importantes valores espirituais, por interesses tão passageiros e ilusórios. Não há mais nada que não se negocie ou jogue fora, depois que se acabam os valores mais básicos de quem crê – a sua fé!

Pois é, está tudo mudado, não há de se apostar mais em nada, porque quando se perdem os valores, perde-se tudo, pois quando se vai a essência, o que fica é fumaça.

Mas eu ainda penso que vale a pena acreditar, ser honrado e honrar a fé, a despeito de tudo isso, afinal, Jesus já havia dito: Quando o Filho do homem voltar achará fé na terra? (LC 18:8). Cada dia fica mais difícil admitir que essa pergunta incomoda muito diante do que vemos e ouvimos.

Pense nisso.





COMO AMO ESSAS MULHERES!

Pastor Neucir Valentim

Existia um homem muito próximo a mim, éramos muito ligados! Vivíamos juntos! Não sei como, mas disputávamos, milímetro a milímetro, o mesmo lugar... Na barriga da minha mãe, compartilhando o mesmo ventre comigo, na mesma ocasião, no tempo e no espaço o tempo todo. Deve ter sido uma briga boa. Confesso que não me lembro. De verdade! Explico. Eu era gêmeo bi-vitelino, mas creio que não deu para nós dois disputarmos o mesmo ambiente, o mesmo carinho, o mesmo afeto. Era ele ou eu! E ele, então certo dia, sem falar com ninguém, resolveu sair “de casa antes”. Minha mãe pensou que tivesse perdido o seu bebê, mas era o outro que tinha vindo, que saíra antes do tempo. Não sobreviveu... Mas, para surpresa dela, e do médico, eu ainda estava lá, agora sozinho... Reinando sem nenhum concorrente por perto. Meses depois nasci para viver entre as mulheres.

Amo as mulheres, no sentido mais puro da frase.

Fui criado com mulheres. Minha mãe e três irmãs. O contato que tinha com meu pai era mais esporádico, pois ele trabalhava, saia cedo de casa, etc. Meu pai sempre foi gente boa, mas gostava de futebol, de campeonatos, e confesso que como não sou nenhum Ronaldinho, acabei não acompanhado tanto as suas atividades esportivas...

Já com minha mãe e minhas irmãs, eu era mais próximo. Dormia no mesmo quarto com minhas irmãs, não brincava “de” bonecas, mas “com” bonecas. Queria saber o que elas tinham dentro do corpo... Abria uma ou outra de vez em quando, fazia pesquisa. “Matava” as suas bonecas. Eu sei que isso é feio, mas a minha natureza era, como a dos homens, predatória.

Aceitei a Jesus muito cedo, e me tornei um “rato-de-igreja” e estava em todas as reuniões. Como na maioria das igrejas, a União Feminina é mais forte, lá estava eu, de novo, entre as mulheres... Não perdia uma reunião feminina... Conhecia o seu “moto” sua música e suas manias... Queria estar na igreja! Como naquele tempo não era comum ser crente. Havia poucos adolescentes na igreja, então acabei mesmo, ficando junto às mulheres de Deus. Com o tempo, é óbvio, as coisas mudaram, quando chegaram então os adolescentes, os jovens, etc. Me enturmei com a minha categoria.

Cedo me casei. Encontrei outra mulher, agora a minha esposa, e logo depois, chegava em minha vida outra mulher, a minha filha mais velha... Que felicidade! Na segunda gravidez de minha esposa, na ultra-sonografia a médica falou: “O papai vai ter mais uma menininha!” Um pouco encabulada. Mas para mim, quanta felicidade. Agora estava eu, de novo, cercado de mulheres.

Sempre entendi que Deus é sábio, e quando ele disse que não era bom que o homem estivesse só, e que far-lhe-ía uma adjutora - A mulher. Acertou em cheio – Aliás, Deus sempre acerta, nós é que erramos.

A mulher preenche as necessidades do homem. Deus fez assim – Homem e mulher, e não mais que isso! Fora disso não presta, e fez para o nosso bem, digo, o bem dos homens. Por isso Adão, o primeiro homem falou: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada”.Gn 2:23.

Deus ama as mulheres, de forma especial. Foi por um ventre materno que ele entrou na História do homem. Foi através das mulheres que Jesus teve a sustentação do seu ministério: “Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens.” Lc 8:3.

Foram as mulheres as primeiras testemunhas da ressurreição. Tudo bem, nenhum dos homens acreditou nelas, e Pedro teve que conferir, mas foram elas que souberam da boa notícia primeiro!

Hoje digo para os homens que são pais: o que seria de nós se não fossem as mamães. Somos tão atolados!

Mas elas são fortes! Não sentimos os enjôos da gravidez, não ficamos com varizes, não temos o nosso corpo deformado, não temos que sentir aquelas fortes dores do parto. Não temos que amamentar ninguém...

Fico imaginado os homens, tão moles e tão sensíveis como são, sobreviveriam as dores do parto, alguns que sequer agüentam uma dor de cabeça...

Bem, são as mulheres que embalam os homens no mundo. Cantam as primeiras canções, dão as primeiras lições, etc. Se existe até um dia dos pais, foi porque antes, houve um dia das mães, e uma mãe que cuidou com carinho desse pai...Que agora pode ser homenageado. Mas cá entre nós, as mulheres são as mulheres, Deus nos fez muito bem.

A minha filha acaba de ler este artigo, e com a peculiaridade da sensibilidade feminina me perguntou: “Pai, os homens não vão ficar chateados por um artigo que não fale sobre eles?” Então tive que lhe explicar uma coisa sobre os homens que, certamente ela não conheça: Nós homens não somos tão sensíveis nessa área não. Para nós as palavras não têm o mesmo significado que as mulheres (e eu conheço de mulheres, lembram?) Para nós homens, palavras deste gênero não são tão importantes assim.... Nós homens somos meio frios, mecânicos, às vezes insensíveis e durões demais para isso, mas já as mulheres... Bem elas pensam bem diferente da gente. Ainda bem!

Como amo essas mulheres.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

QUAL É O SEU MONSTRO?
Pastor Neucir Valentim


Podes tu, com anzol, apanhar o Leviatã ou lhe travar a língua com uma corda? Jó 41:2

O Livro de Jó, no capítulo  41, aponta o Leviatã como o maior dos monstros aquáticos já existentes.

No diálogo bíblico entre Deus e Jó, o primeiro revela as características do monstro, tais como: “ninguém é bastante ousado para provocá-lo; quem o resistiria face a face? Quem pôde afrontá-lo e sair com vida debaixo de toda a extensão do céu? Quem lhe abriu os dois batentes da goela, em que seus dentes fazem reinar o terror? Quando se levanta, tremem as ondas do mar, as vagas do mar se afastam. Se uma espada o toca, ela não resiste nem a lança, nem a azagaia, nem o dardo. O ferro para ele é palha, o bronze pau podre”

O filósofo inglês, Thomas Hobbes, em 1651, publicou o seu mais famoso tratado sobre Leviatã, em virtude de comparar o Caos ao monstro bíblico. Para ele, esse monstro representava toda maldade e conflitos que envolviam as sociedades, e que ninguém era capaz de domá-los.

Sendo ou não um monstro marinho antigo, Hobbes, em algum momento tem razão quando dá-lhe o nome de “caos”, isto porque o caos é o ingovernável, é a mistura de coisas em total desequilíbrio; desarrumação, confusão é a mistura de idéias, e sentimentos, confusão mental e a balburdia.

Deus faz essa pergunta a Jó, justamente porque ele estava vivendo um caos na sua vida, além de ter perdido tudo o que tinha, perdeu sua honra, sua saúde e seu rumo, na verdade a vida de Jó estava uma verdadeira balbúrdia.

O mostro marinho, poderia ser compreendido facilmente por Jó, tanto como a figura literal com o caos que se instalara em sua vida.

Depois que Deus pergunta-lhe quem pode domesticá-lo, apresenta-se no capítulo 42 como o “DEUS” que põe ordem em tudo, a tudo fez, e domina até mesmo o caos. Ele é o único que pode conter o Monstro, pois ele colocou ordem no caos quando a terra ainda era sem forma e vazia (era ingovernável e desequilibrada, imperando o caos), sim, nesse contexto de falta de governo de crise, de monstro marinho, Deus apenas com a sua Palavra, colocou ordem no caos, apenas dizendo, haja luz, e houve luz, haja separação entre mar e terra seca, e assim se fez, e ao final de cada ordem, lá no primeiro capítulo de Gênesis, ouvimos sempre o autor do livro dizendo: “e viu Deus que era isso era bom!” e repete-se essa sentença a cada coisa que Deus põe em ordem!

Minha querida, Jó conheceu o seu Monstro abissal, que lhe causava medo, sentiu o chão de sua vida ruir quando o caos de repente se instalou em sua vida. 

A confusão chegou, era notícia ruim, uma atrás da outra. Foi horrível a sua experiência, mas gostaria que você entendesse que ele também pode aprender uma coisa: Quem coloca ordem no caos é o Deus Todo-Poderoso. Pode vir a balbúrdia, pode vir a confusão, pode vir os sentimentos mais perversos, a confusão mental ou até mesmo a balbúrdia, mas ao final, quem coloca o anzol no caos é o próprio Deus, o Deus que criou o mundo, que estava em desordem sem forma e vazio, e ordenou tudo conforme a sua soberana vontade.

Não há monstro que Deus não seja capaz de domar, não há situação onde Deus não possa entrar e colocar ordem, afinal ele é o Deus criador e sustentador de todas as coisas. 

Jó so vai conhecê-lo plenamente depois que não tem mais respostas para sua vida. Que não há mais luz no fim do túnel, então, Deus abre-lhe o coração e se revela no capítulo 42 como o Deus que tudo pode! Afinal, diz o próprio senhor: “Isaías 43:13: Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” 

Ele domina qualquer monstro que possa estar lhe aterrorizando, e põe ganchos nos mais poderosos monstros da terra.

Descansa nele, como ao final, Jô o fez.


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

QUANDO CAÍ  DA ESCADA...
LIÇÕES DE UMA QUEDA!
Pr. Neucir Valentim
Estou digitando esse pastoral com dor no meu braço esquerdo, esforçando-me para fazê-la, isto porque caí, isto é fui vítima de uma queda da escada quando tentava trocar lâmpadas do lustre da minha casa, na altura de 3,60 metros, bati com minhas costas na estante que me fraturou a costela. Conseguiu formar uma pleurite com sangue no pulmão e maculou o tendão de meu ombro esquerdo.. 

Posso dizer que por fora estou bem, mas por dentro, estou quebrado. Não posso fazer nada a não ser ficar sossegado e tomar remédios, pois costelas não se engessam, nem tendões. Estou até ausente da igreja. Quedas fazem isso.
Por isso eu gostaria de tirar lições espirituais desse fato fazendo uma analogia à queda, sinônimo do pecado, que ronda a vida de todos nós (Hb 12:1), e sem saberem que estão próximos a cair, e quando mal perceberem já estarão no chão, espiritualmente falando, baseando-me nas fases do que aconteceu comigo no meu pequeno acidente:

A primeira fase para a queda está na incapacidade de saber que podemos cair, digo, na alta confiança perigosa, onde achamos que quedas só acontecem na vida dos outros e que não somos vulneráveis a ela e dizemos em nossa vaidade: "Eu tiro de letra... Não preciso de ninguém..." Cuidado com essa prepotência. Seja vigilante, porque em um milésimo de segundo você poderá estar no chão, e é mais rápido do que imagina. "Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia." I Co 10:12.

A segunda fase é ter uma obstinação cega em conquistar o alvo, no meu caso, eu queria estar acima do lustre para lá trocar as lâmpadas, querer ver o brilho delas sem saber que o olhar deve ter pelo menos três dimensões: o alto, o  baixo, e os lados. Olhe tudo, não se fixe num objetivo, por mais nobre que seja sem saber quem e o que estará ao seu lado, olhando a sua base e não se esquecendo de olhar para o céu. Muita gente cai porque olha somente para o objeto do seu desejo, o brilho ofuscante do mesmo e esquece o mundo que o rodeia: gente, pessoas amigas, pais, mães, conselhos, experiências de outros e não considera mais nada na vida, isso é um perigo, mesmo em coisas banais. Olha o que a Bíblia diz: "Onde não há conselho, frustram-se os projetos; mas com a multidão de conselheiros se estabelecem." Pv 15:22

A terceira fase é querer estar no topo a qualquer custo, no meu caso, quis subir até o último degrau, quando descobri que o lugar mais perto do topo é ironicamente o chão. Sim tem gente que faz de tudo para estar no topo, perto das luzes, acima do bem e do mal, desconsiderando às vezes, que o topo é muito perigoso, e que o lugar mais seguro na escada da vida é o meio, onde há mais segurança. Foi assim com Gideão, que se sentia o menor de todos, nas tribos de Israel e diante de Deus, mas quando  achou que era alguém importante, caiu e fez todo Israel errar: Disso fez Gideão um éfode, e o pôs na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu ali após ele; e foi um laço para Gideão e para sua casa. Jz 8:27." No topo, qualquer desequilíbrio derruba, qualquer movimento por menor que seja, abate
Aliás, a nossa sociedade vive pregando que devemos estar no topo a qualquer preço, mesmo desconsiderando os meios, pisando nas pessoas. Tolice para os que já  aprenderam como o topo é um lugar passageiro, ilusório e muito perigoso, pois nele, e só acima dele está você, e não tem ninguém com você, às vezes, você pensa que nem Deus está  acima e vive sem Ele, essa é a tragédia de quem vive querendo obstinadamente o lugar mais alto. Cuidado com esse chamariz tão propagado, onde os fins justificam os meios. Foi assim que o Diabo caiu! O fim neste caso, será inevitavelmente uma grande  queda, pois quanto maior o topo, maior o impacto da queda.

A quarta fase na queda é não entender que o conhecimento é bom, a cultura, seja ela secular, teológica ou genérica é importante, mas na hora da queda, elas não te seguram, falo isso porque caí com as costas na minha estante, cheias de  livros e de várias informações, mas foi justamente no lugar do "meu conhecimento", que me machuquei mais. 

Não acredite que já sabe tudo, que o conhecimento  intelectual pode evitar a queda, pelo contrário, em algumas horas ele machuca mais do que você imagina. Busque a sabedoria, mas não se estribe na cultura para se garantir da queda. O sabe-tudo pode ser o seu maior vilão.

A quinta fase é administrar a queda. É muito difícil - a primeira coisa que acontece é que quando batemos com força no chão, nossa voz se cala. Apesar de querermos gritar! Sim, eu chamava "alto", mas ninguém me ouvia, porque na verdade eu não conseguia gritar, e as quedas seculares revelam a nossa incapacidade de conseguir ser ouvido, pois só somos ouvidos quando estamos no alto, no chão, o som some, o grito é interno e nada mais.

A sexta fase é perceber que não conseguimos gritar, porque o ar do pulmão fica bloqueado, o ar no texto bíblico original é pneuma, representa a ausência do Espírito Santo, que foi deixado por nós, quando inspiramos outros ares, muitas vezes da arrogância, da soberba ou da vaidade, da vida que nos inflam, mas que se vão tão facilmente. Somente o Espírito Santo é o nosso Ajudador, mas na queda, e somente nela é que descobrimos que devemos orar como Davi: "Não retires de mim o Teu Espírito.."

A sétima fase é buscar levantar para procurar ajuda... Ver o que estragou e identificar a nossa impotência diante do qual frágil somos, mas por vezes arrogantes. 

No meu caso a minha filha queria me levar para o Hospital, mas... Ora bolas, quem sou eu para precisar de ajuda! Foi só questão de tempo, horas depois vi como meu braço estava paralisando, as dores aumentando e minha esposa, que estava ausente, já sem nenhuma resistência de minha parte, me levou para o médico ver o estrago... 

Por último, quando se cai da escada, se quebra a costela, há um significado importante que tiro daí. Adão disse com respeito à Eva, no projeto de Deus para a família: "Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada." O que eu quero dizer que a nossa costela quebrada representa a esposa, e por extensão os nossos filhos, ninguém cai absolutamente sozinho, sempre leva alguém a sofrer junto, no meu caso, foi minha costela que sofreu comigo, ficou fraturada, meu braço ficou machucado, enfim a família, querendo ou não sofre com as nossas quedas e falências. 

Por isso, entenda as fases da queda,  veja como funciona e aprenda como evitá-la, lembre-se e desvie delas a todo tempo, é mais fácil cair do que se imagina, eu nunca me imaginei caindo de uma escada, me achava um exímio trocador de lâmpadas! Talvez você nunca se veja caindo num pecado... Mas é muito mais  fácil do que imagina e os estragos são enormes, mas se caiu, procure ajuda, ainda que não consiga falar sussurre, clame e alguém te ouvirá, e, sobretudo o próprio Deus, mas tenha muito cuidado, o brilho das luzes encantam, e a busca do topo cega os nossos olhos quanto as possibilidades de um grande tombo. Se cair, faça da sua queda um meio para aprendizado, pois a Bíblia diz que a tribulação produz peso de glória, faça dela uma oportunidade de aprendizado: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória." II Co 4:17.
Pense nisso, e cuidado com as escadas da vida, são perigosas...


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MINHA CONVERSÃO E 
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO
 INFANTIL NA IGREJA!
Pastor Neucir Valentim


Lembro-me como se fosse hoje: Aos seis anos, andava pelos cantos de minha casa triste e chorando escondido, sem motivos aparentes para isso. Sentia vontade de expor aquela tristeza interna que marcava a minha alma, e por isso chorava muito. 
Sempre fui muito amado pela minha família, e nunca tive motivos aparentes para aquela compulsão para o choro que me vinha regularmente.  
Lembro-me que um dia, ainda  com aquela angústia na alma, fui para rua brincar, como todo garoto de minha  idade. De repente, olhei para o céu. 
Vi algo que parecia uma mão acenando para mim, chamando-me para si. Nunca havia tido tal experiência, nunca havia freqüentado a nenhum grupo religioso cuja idéia de "visões" era comum. Para mim aquilo era estranho, inusitado, mas gostoso. Incontinente, procurei minha mãe, e lhe mostrei o que estava vendo. Ela olhou para o céu e nada viu. 
A visão da mão no céu me era exclusiva. Mas, mesmo desconhecendo o fenômeno, ou o que pudera ser, deu-me ela uma grande orientação: - Meu filho, se você está vendo alguma coisa, vá para casa, dobre o seu joelho no chão e peça a Deus que Ele há de esclarecer. 
Sem mais delongas, sozinho, ajoelhei-me aos pés da cama de minha mãe, e fiz uma pequena oração, de alguém que  nem ao menos sabia orar: Em palavras pobremente  colocadas, mas numa oração sincera, pedi a Deus um esclarecimento daquilo que via. Quando então o meu coração ouviu e entendeu de forma clara o significado daquele episódio: Segurança, dizia ao meu coração - Salvação! Era isso o que eu ouvira, Era isso o que me  estava prometendo aquela mão  e o meu coração entendera bem. Pouco tempo depois, mudei-me para Niterói. 
Aquela experiência nunca mais fora esquecida, havia marcado a minha pequena existência. Certo dia, andando numa rua próxima a minha casa, ouvi uns cânticos de uma igreja evangélica na rua Visconde do Uruguai, elas me atraíram como os insetos são levados à luz. As músicas procediam de um culto infantil, com bandinha e tudo mais. Entrei meio perdido e desajeitado e fiquei para ver o que era. Ao final do culto, o pregador fez o seguinte apelo: Quem quer ter SEGURANÇA e SALVAÇÃO, somente poderá encontrá-las em Jesus! Nada mais claro em minha vida. Ele estava falando comigo sobre o que me acontecera algum tempo atrás. Para completar, o hino cantado logo após o apelo foi: "Quando Jesus estendeu A SUA MÃO, quando Ele ESTENDEU A SUA MÃO PARA MIM, eu era pobre perdido, sem Deus sem Jesus, quando ELE ESTENDEU A SUA MÃO PARA MIM..." 
Naquela hora me rendi a Cristo, indo a frente,  atendendo ao apelo do pregador e reconhecendo-me como pecador, e aquela tristeza que invadia meu  coração durante minha pequena existência fora embora instantaneamente, e nunca mais  senti aquela agonia de alma que me levava a chorar, sem saber os motivos, mas que certamente eram de alguém que precisava e queria conhecer a Cristo, ainda criança.
Convém lembrar que naquele dia ninguém anotou o meu nome ou me deu atenção, afinal, eu era apenas uma criança... mas Jesus havia anotado o meu nome no Seu Livro da Vida.
Querido irmão, essa experiência não é só minha. Segundo o "Hand Book on Children's Evangelism" de Lionel Hunt, publicado pela Moody Press, os números abaixo, revelam, de maneira inequívoca, que a melhor idade para a evangelização e a conversão de uma pessoa está na infância. Observe como os coraçõezinhos estão abertos para Cristo em tenra idade:

Antes dos 5 anos - 1%
De 5 a 15 anos - 85%
De 15 aos 30 anos -10%
Após os 30 anos - 4%

Perceba como é grande o índice de conversão nas idades de 5 a 15 anos! Segundo as estatísticas, essas conversões são genuínas e duradouras, e parte dos que se decidem por Cristo nessa idade, tornam-se crentes sinceros até o final de suas vidas.
D. L. Moody disse: "Eu creio que, se as crianças tem idade suficiente para vir à Escola Dominical, elas têm idade suficiente para vir ao Calvário. Vamos abrir nossas mentes e que Deus nos ajude a ganhar as crianças para Cristo." Observe que Moody não está apenas dizendo que as crianças devem vir à Escola Dominical, mas sobretudo, serem levadas ao Calvário. A Escola Dominical não deve ser um fim em si mesma, mas o instrumento de Deus para levá-las a cruz, caso contrário, será apenas mais um ativismo, cujo fim se perde em si. 
C.H. Spurgeon, o príncipe dos pregadores afirmou: "Geralmente tenho encontrado um conhecimento mais claro do Evangelho e um amor fervoroso na criança convertida a Cristo do que no adulto convertido. Elas não precisam abandonar a incredulidade e as noções erradas que impedem tantos de aceitar o Evangelho" e ainda acrescentou: "Uma criança de cinco anos, devidamente instruída, pode verdadeiramente crer e ser regenerada tanto quanto um adulto."

 Como seres espirituais, existe nas crianças uma profunda sede de Deus, que certamente este mundo não pode saciar. Quando o salmista diz que a alma tem sede de Deus (Sl 42: 1 e 5), está incluso todo ser humano, entre eles as nossas crianças. Que desesperadamente carecem de Deus, como todo pecador, sendo no entanto, segundo as estatísticas, mais prontas a ir às águas cristalinas da fé.
Que Deus abençoe a nossa igreja dando-nos a firmeza do ministério infantil. Que pensemos mais em nossas crianças, que elas possam ser levadas ao Calvário, numa experiência de profunda regeneração.
Lembro-me dessa canção como se fosse hoje! Veja  no vídeo o Hino na voz de Luiz de Carvalho:


sábado, 27 de setembro de 2008

IMPUNIDADE

DE HITLER AOS QUE ADULTERAM REMÉDIO
PARA GANHAR DINHEIRO
E MUITO MAIS...

Pastor Neucir Valentim

"E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. Ap 21:12"

Talvez, nenhum versículo bíblico infunde mais temor do que este, onde, revela-nos de forma clara que todos comparecerão diante do trono de Deus. No entanto, de igual forma, como nenhum outro, traduz-se numa profunda esperança, para os filhos de Deus, num mundo de impunidades. Segundo fica claro, ninguém, absolutamente, fugirá do Grande Trono da Majestade.

Foi possivelmente, esta a visão que o compositor bíblico Asafe teve, quando escreveu o Salmo 73. Neste Salmo, o autor bíblico quase entrou em perturbação mental, quando, analisando a vida, percebeu que os ímpios, os perversos, os prevaricadores, os odiosos, sempre se dão bem na vida.

Dentro de seu raciocínio humano, olhando a impunidade dos maus e a desdita dos justos debaixo do sol, tudo parecia funcionar as avessas, e que o mal é bem aquinhoado e o justo na maioria das vezes é prejudicado: "Quanto a mim, os meus pés quase resvalaram; pouco faltou para que os meus passos escorregassem. Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Porque eles não sofrem dores; são viçosos, e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens. Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre como um vestido." (Sl 73:3-5).

Depois de analisar a vida humana, Asafe tem uma profunda crise existencial, na dificuldade de assimilar tal contraste: "Quando me esforçava para compreender isto, achei que era tarefa difícil para mim" (Sl 73:16). E assim, os seus pés quase escorregaram, pois passou a julgar que não valia a pena ser justo, pois ao final da história, o arrogante, o soberbo, o usurpador, acabava sempre, levando a vantagem na vida.

Talvez você esteja sofrendo a síndrome de Asafe, em achar que não vale a pena ser justo, que o perverso é que se dá bem, que o ímpio cresce e não há quem o detenha, principalmente, se você foi vítima de um tirano, de um arrogante ou de um soberbo, dos quais, encontramos muitos exemplares vivos em nosso dia a dia.

Tranqüilize-se! Faça como fez o autor sagrado: Vá ao templo de Deus, e contemple pela fé o fim deles!

Olha o que descreve Asafe quando olhou com olhos espirituais: "até que entrei no santuário de Deus; então percebi o fim deles. Certamente tu os pões em lugares escorregadios, tu os lanças para a ruína. Como caem na desolação num momento! ficam totalmente consumidos de terrores. (Sl 78:17 a 19)

O que esse homem de Deus viu, foi que um dia a impunidade terá fim, que os maus serão chamados a juízo, que a causa do justo será cobrada do injusto, e que existe alguém que se assenta no trono, e que nada fica impune ao seu olhar perscrutador!

Não importa se for gente grande ou pequena, se é um grande salafrário, tirano, ou pequeno perturbador existencial.

Todos, grandes ou pequenos, importantes ou não, comparecerão diante de Deus. Certamente neste dia se apresentarão grandes personagens da história como Adolfo Hitler, Stalin, Nero, os grandes faraós, Calígula, Himmler (o chefe da terrível SS nazista), Napoleão, Mussoline e muitos outros, grandes nomes; mas estarão lá também o Zé da esquina que não lhe deixa em paz, o diretor tirano de sua empresa, o patrão que esfola o direito do seu empregado, o professor carrasco, que faz de sua sala de aula um nicho para massacrar seus alunos, o marido que humilha a esposa, dentro de quatro paredes, o pai que infringe castigo aos filhos por prazer mórbido.

Estará lá o seu Carlos da farmácia, que vende remédio falsificado contra o câncer, para ganhar dinheiro a custa da dor e da tragédia alheia, os construtores que burlam a lei, e expõe a risco vidas humanas. Estarão os políticos corruptos, os assassinos de nosso povo, os grandes traficantes e os seus "bagrinhos". Todos diante do tribunal, sem exceção! Porque aquele que se assenta do trono, é o Soberano Juiz. E ninguém pode fugir de sua presença. Aleluia!

Que esta lembrança o ajude a ver que não há mal que dure para sempre, e que um dia, todos, inapelavelmente, serão chamados a responder pelos seus atos. Que isso nos infunda temor, mas também, a certeza de que vale a pena servi-lo com amor, e não se deixar abater pelas ações do perverso. Lembre-se: Há um Deus no céu que tem um título muito precioso: JEOVÁ DÃ, que significa que Jeová é o nosso juiz, o que julga o mundo, e sobretudo, as nossas causas. Pense nisso!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O VELHO ARMÁRIO DA IGREJA
Pastor Neucir Valentim

"...a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um." I Co 3:13

Dia após dia, lá estava ele no corredor do edifício de Educação Religiosa da Igreja. Tratava-se se um armário velho, de madeira, que possivelmente, já dera tudo de si, durante boas décadas. Agora com o tempo, carcomido pelas traças já não prestava para nada, senão para ser queimado.

A sua aparência exterior não revelava o seu estado verdadeiro. Antes, quem o olhasse rapidamente, acharia nele um armário útil e lustroso, todavia, sem uso, sem serventia, apenas ocupando um espaço para a passagem de um transeunte ou mesmo para um móvel melhor.

Não tive dúvidas quando constatei a sua inutilidade. Levei-o para o pátio da igreja e ateei fogo. Não demorou muito para que as traças, suas moradoras antigas, começassem a sair rapidamente, certamente reclamando da expulsão repentina de tão amplo alojamento. O fogo também foi rápido. Como não havia muita consistência naquele armário oco, alquebrado pela antigüidade, logo se extinguiu e não resistiu por muito tempo as chamas que deram sobre ele. Em poucos minutos, um armário, talvez, de várias décadas, foi reduzido à cinzas, sem nenhuma parcimônia.

Posso tirar algumas lições importantes desse episódio corriqueiro. Em primeiro lugar, Deus nos vê como utensílios também, em sua casa. Em II Timóteo 2:20 o apóstolo relaciona os crentes como utensílios que servem à casa do Senhor, o exemplo no texto é o vaso, que ornamenta e guarda objetos ou muitas vezes torna-se símbolo de vexação e tropeço: "Ora, numa grande casa, não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro; e uns, na verdade, para uso honroso, outros, porém, para uso desonroso". Isto posto, entendemos que, por vezes, nos tornamos um armário na casa de Deus, que à semelhança desse que por mim foi queimado, devido a sua inutilidade, será também queimado pelo Senhor da seara, uma vez que não há mais utilidade na casa de Deus!

É isso aliás o que fala João Batista no tocante ao resultado do que produzimos na vida cristã: "Também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo." Eis aí uma analogia perfeita com o nosso armário. Toda árvore, isto é madeira, e pode ser a de um antigo armário, se não produzir bom fruto deve ser queimada mesmo! Sem dó nem piedade.

É por isso que o apóstolo Paulo nos exorta quanto a um constante exame de consciência, pois à semelhança do armário da igreja, as nossas obras se manifestarão, no fogo, onde, diante do Senhor, provaremos a nossa utilidade ou inutilidade no Reino de Deus!

Aquele armário parecia ser útil à vista, e durante bastante tempo guardou muita coisa boa, foi objeto de valor na igreja, mas chegou o dia em que não produziu mais nada digno de apreciação! Ficou oco e vazio e transformou-se em morada de traças. Muitas vezes, somos semelhantes a ele. Durante bons dias, já guardamos coisas boas, e por longo tempo, fomos vasos de honra, mas com o passar dos anos, começamos a guardar coisas antigas, sem utilidades para o presente, nutrimo-nos de um passado sem vida, que produziu em nós apenas um alojamento de traças, que não só destruíram a nossa espiritualidade, como colocaram em risco a utilidade de muitas coisas importantes no reino de Deus.

Mesmo assim, nos sentimos intocáveis, apenas ocupando lugar, atrapalhando o caminho dos que querem passar para uma caminhada mais espiritual. Nos tornamos como aquele armário inútil do edifício, que bonitinho por fora, carregando apenas uma fachada de espiritualidade, mas que na verdade, estava cheio de traças, coisas ruins, impiedade, sequidão e pecado!

Não se engane, assim como o armário de nossa história foi reduzido à cinzas em poucos minutos, assim também pode acontecer conosco, se não tivermos uma consistência espiritual verdadeira, seremos provados pelo fogo, e Aquele que a tudo examina, conhece de fato o nosso interior, pois os seus olhos são como chamas de fogo, a tudo prova e a todos examina e perscruta!

O nosso armário, para alguns, talvez, fosse importante demais, pela sua história na igreja, pelo seu passado de utilidades e pelo seu aparente proveito mas, quando foi provado pelo fogo, ficou evidenciado, que até a sua própria estrutura estava atingida pela ação do desuso e das traças. O fogo provou a sua inutilidade! E você meu querido irmão, pode ser provado pelo fogo também?

Você está sendo útil no reino de Deus, ou está apenas ocupando espaço? Você se sente intocável e guardião das antiguidades históricas ou está apenas sendo um depósito de traças? Cuidado para não se tornar um velho armário de igreja e acabar indo para o fogo do exame divino!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A SÍNDROME DO SABE-TUDO
Pastor Neucir Valentim

“ Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus.” Mc 10:17.

A síndrome do sabe-tudo, é o comportamento que caracteriza aquele tipo de gente que sempre acha que sabe todas as coisas. Dá palpite em tudo, e sempre se acha o portador e porta-voz da verdade.

A sua palavra, numa discussão, sempre deve ser a última. E mais, está sempre atualizado nas últimas novidades, ainda que falando de coisas que desconhece. Os portadores desta síndrome sempre acham que os outros não sabem nada, são uns ignorantes à margem do processo do conhecimento, seja no conhecimento científico, político, filosófico, histórico ou até no bíblico.

Não possuem algo, popularmente conhecido como desconfiômetro, isto é, a capacidade de desconfiar que o seu ufanismo desagrada e o torna, por vezes, intolerável. Em última análise, os portadores desta síndrome gostam de sentir-se os bons mestres dos ignorantes.

Jesus nos dá uma linda lição no texto de Marcos 10:17. Um moço rico, possivelmente inteligente e culto, chama-o de Bom Mestre (o que faria vibrar qualquer portador da síndrome do sabe-tudo), ao que Jesus responde de imediato: Só há um que é bom - Deus. Jesus não usou de falsa modéstia, muito pelo contrário, foi honesto em sua resposta. Ele sabia que, mesmo sendo Deus, estava encarnado, por conseguinte, sujeito às limitações naturais da mente humana. Aliás, é um grave erro teológico entender que Jesus, enquanto homem, estava pleno de toda potencialidade divina. Paulo afirma-nos que Jesus humilhou-se a si mesmo, tomando forma humana (Fl 2:5 a 8), isto é, se esvaziou voluntariamente dos atributos incomunicáveis da divindade e ficou sujeito aos limites humanos.

Por isso o Senhor tem fome, sede, não é onipresente, pois tem que caminhar de um lugar para outro, não sabe todas as coisas, (Mt 24:36). Sim, na sua limitação humana, Jesus estava despojado das prerrogativas divinas. Em momento algum deixou de ser Deus; não obstante, ficou limitado à natureza do homem, e feito um pouco menor do que os anjos conforme Hb 2:9. E qualquer ensinamento que não traduza a encarnação em humilhação, em perda, em esvaziamento, está distante do entendimento do fenômeno genuíno que aconteceu ao filho de Deus. Por isso Jesus recusou ser chamado de Bom Mestre, para nos ensinar a lição da humildade, contra a jactância daqueles que desejam ser chamados de mestres.

O Senhor Jesus não deu espaço a esta síndrome. Não quis ser o sabe tudo da história ou o detentor da sabedoria efêmera.
Rejeitou ser chamado de bom mestre! Preste atenção em algumas regras de boa convivência e perceba como você pode imitar ao Senhor.
1) Nunca ache que você sabe tudo e que os outros nada sabem.
2) Reconheça que você não é conhecedor de tudo na vida.
3) Seja honesto e corajoso para dizer: - Conheço muito pouco sobre este assunto.
4) Quando for necessário diga : - Você está com a razão.
5) Se der alguma informação errada, corrija-se, dizendo humildemente que errou.
6) Nunca se esqueça de dizer: Muito obrigado por me ensinar algo que eu não sabia.
7) Saiba que sempre existe alguém que tem algo a ensinar-lhe .
8) Reconheça as suas limitações.
9) Ouça mais o que os outros têm a dizer e se preocupe em falar menos.
10) Seja humilde! Fazendo assim você será muito mais admirado, pois está crescendo na estatura espiritual de Cristo.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

HORA PARA FICAR CALADO!
Pastor Neucir Valentim
“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.” Lm 3:26

Que refrigério este versículo do Livro de Lamentações. O profeta está desolado, está sentindo-se abandonado, o inimigo havia prevalecido, o seu povo havia sido destruído, levado para o cativeiro... era desgraça sobre desgraça... ele chora, geme, e não sabe o que dizer, como se defender, como argüir, como fugir desse cenário nebuloso... Fora vítima de mentiras e calúnias, e agora, os seus próprios detratores, a quem amava. Estavam mortos os escravizados pelo poder da Babilônia? O que fazer?

Em primeiro lugar, no meio da desesperança, ele rega a fé na esperança... “bom é ter esperança”. Sim, pode demorar um pouquinho, mas ela vem. Pode parecer que o céu se fechou, que não há respostas, que o errado prevalece. “PODE”, mas não “ SERÁ” pois a semente da esperança produz uma grande árvore de refrigério, quando canalizada no Senhor. Paulo diz em Romanos 5: 5“e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Quem tem esperança tem o Espírito de Deus ao seu lado.

Em segundo lugar ele trabalha em silêncio, sim fica calado. Não adianta falar, defender sua causa, tentar entrar no mesmo nível dos seus adversários que esbravejavam como trovão sobre ele. A prática do silêncio fala mais alto, pois Deus não ouve o barulho, mas sim a silente alma quieta, que com o coração puro crê na Sua justiça. Ora, como é tremendo ficar quieto diante do errado, diante do que tem um aparente poder, o silêncio nesse caso, é uma arma poderosíssima, pois denota a confiança no Altíssimo, e não em nós! O que podemos fazer? Como fazer? O que falar? A quem convencer? O melhor é deixar Deus falar, e quando Ele fala, a terra treme! Sl 50:3 “O nosso Deus vem, e não guarda silêncio; diante dele há um fogo devorador, e grande tormenta ao seu redor.” È melhor Deus falar do que nós falarmos... lembro de um cântico da Harpa Cristã: Fala Deus! Fala Deus!

E Por último, ele tem plena certeza de fé de que o seu problema, a sua queixa, a sua dor será atendida pelo todo poderoso, pois diz que aguarda a salvação do Senhor. Sim, ele não confia em homens, em métodos, em estratégias humanas, ele acredita na ação do Todo-Poderoso, por isso a salvação virá, com certeza. Ele não tarda e não dorme o guarda de Israel... Lembre-se querido, o segredo da vitória de Jeremias em meio ao caos foi: Regar a esperança, ficar em silêncio diante dos homens, e por último, aguardar a salvação do Senhor. Vamos aprender com ele? No final a vitória não será de quem fala mais, mas de quem se entrega ao Jeová Dan, isto é, o Deus que é o nosso Juiz. Descanse nele.


quarta-feira, 2 de julho de 2008


ENTENDES O QUE LÊS?


"Concórdia Parvae Res Crescunt, Discódia Máximae Dilabumtur"
Pastor Neucir Valentim
O pensamento acima, escrito em latim, data aproximadamente do segundo século da era cristã.

E, apesar de ser antigo, é bastante atual em seu significado, que traduzido é: "Pela concórdia as pequenas coisas crescem, pela discórdia as maiores desabam.

Ele encena uma verdade comumente observável nas relações humanas, que vai desde a primeira relação que estabelecemos na infância, que é a familiar, entre pais, mães e irmãos, depois a vida conjugal, para muitos, e atinge todas as relações sociais da vida: escola, trabalho, vizinhança, igreja, clube, etc.

O resultado deste pensamento poderia ser resumido assim:
Quando temos uma boa disposição prévia, com esta ou aquela pessoa, a chance de caminharmos bem é muito maior, pois a toleramos mais ou dilatamos bem a nossa compreensão para entender o que ela "quer dizer", "quer fazer" ou, buscamos-lhe, sempre conferir um crédito antecipado. Por isso, nesse espírito concorde, grandes problemas, pontos de vistas diferentes ou até posições contraditórias se tornam toleráveis, e, em alguns casos, até aceitas, pois pela busca da concórdia, damos mais valor as boas intenções, ao sentimento de carinho e afeto que crescem em nosso coração em relação ao outro, a despeito de um pensamento diferente, ou até de uma palavra mal colocada, pois a rigor estamos com um espírito concorde, que sempre julga com boa intenção o objeto de nossa apreciação, mesmo que para isso se tenha que fazer algumas concessões.
Aliás, quem vive uma vida conjugal, sabe como isso é importante para um casamento feliz.
De modo antagônico reagimos sob a discórdia, pois ela promove um desastre em qualquer ambiente.

Quando se tem um ambiente assim, a situação está fadada ao atrito, ao mau juízo, a má compreensão, porque, em última análise, ela está residente, antecipadamente no coração e, assim promoverá um espírito pronto a reagir de forma negativa a qualquer ação em relação ao outro, uma vez que está predisposto a discordar, quer a atitude do outro seja certa ou errada, seja boa ou ruim, a intenção do outro, no caso do discordante, sempre será a pior e promoverá um ambiente propício aos maiores desabamentos. Neste caso, grandes sentimentos se desintegrarão como pó, boas intenções serão destruídas pelo descrédito, e gestos simples, e às vezes singelos, serão entendidos como agressões gratuitas, quer seja em casa, na Igreja, com o colega de trabalho, com o vizinho, e etc.

Portanto há dois caminhos a seguir, sobretudo, quando vivemos em comunidade, e isso implica diretamente em vida eclesiástica.

O primeiro é o da concórdia, onde, num espírito amável, podemos subtrair tudo o que de bom há, prontos a olhar a atitude do outro com bons olhos. E assim, certamente, perceberemos que ao plantar confiança, colheremos o seu fruto, descobriremos que existem muitos amigos e irmãos que se empenham em estabelecer uma amizade sadia, com um espírito aberto e saudável, e esse pomar florescerá rapidamente.

O segundo caminho é o da discórdia, que examina tudo com um pré-julgamento arbitrário e maldoso, onde vê escondido em cada canto, em cada sombra, em cada palavra ou gesto, um inimigo ou um opositor, e assim, corre-se o risco de transformar o companheiro, o amigo, o irmão, o "outro", num inimigo em potencial.

Jesus também abordou essa forma dupla de se ver a vida, quando disse: "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” Mateus 6: 22 e 23.

Portanto, como está o seu coração para com aqueles que se relacionam com você: Cheio de CONCÓRDIA ou de DISCÓRDIA? Seus olhos estão sendo BONS ou MAUS? Saiba que só a partir de sua resposta sincera você poderá descobrir se está fazendo pequenas coisas crescerem ou grandes coisas desabarem. Pense nisso!

sexta-feira, 27 de junho de 2008


ENTREVISTA COM DONA FOFOCA

PASTOR NEUCIR VALENTIM

O nosso BLOG conseguiu uma entrevista exclusiva com Dona Fofoca. Uma velha Senhora bastante popular, conhecida de todos.

BLOG - Qual a idade da Senhora?
Fofoca - Não direi a minha idade por questão de privacidade, mas sou do tempo de Adão e Eva. Aliás, cheguei a estar com eles no Éden. Meu pai, o Pai da Mentira me colocou ali com um propósito.
BLOG - Que propósito foi esse?
Fofoca - Fazer intriga entre o primeiro casal e o Criador. E fui bem sucedida visto que eles me deram ouvido quando lhes disse que Deus não queria concorrência.
BLOG - Porque a Senhora fala assim tão baixinho?
Fofoca - Faz parte de minha natureza. Sempre falo assim e as vezes sussurro apenas ao ouvido...
BLOG - A Senhora tem uma família grande e popular. Fale-nos de seus parentes.
Fofoca: O meu pai é famoso, é o Pai da Mentira, e a mentira é minha irmã mais velha. Tenho um irmão chamado Mexerico e três outras chamadas Injúria, Calúnia e Difamação. Somos uma família unida.
BLOG - Qual a sua atividade preferida?
Fofoca - Semear contenda, principalmente entre irmãos.
BLOG - Mas a Senhora não tem medo de atentar assim contra a fé das pessoas?
Fofoca - Para dizer a verdade, sou até muito religiosa. Gosto muito de estar nas igrejas. As vezes até procuro ajudar as suas lideranças para informá-las sobre o que as pessoas estão fazendo de errado e as críticas que lhes fazem. Acho que ajudo muito. Também exorto à prática da oração.
BLOG - Como a Senhora faz isso?
Fofoca - Quando um irmão me revela um segredo, comete um delito ou evidencia uma fraqueza (Pv 11:13) eu conto a todo mundo a fim de que todos tomem conhecimento e assim possam orar por ele.
BLOG - A Senhora pratica esporte?
Fofoca - Sim, o JOGOMÃO.
BLOG - Que jogo é esse?
Fofoca - é o jogo de jogar irmão contra irmão. É um excelente passatempo.
BLOG - Quais são as regras desse jogo?
Fofoca - É simples. Basta insinuar para alguém que outra pessoa falou mal dele e fez-lhe algumas críticas. Logo ele se enfurecerá e passará a falar mal do outro. Assim, o que ele falar é levado de volta, desta forma o jogo prossegue. Uma regra importante neste jogo é manter-se no anonimato. O bom deste jogo é que geralmente tem uma grande torcida.
BLOG - A Senhora tem algum inimigo?
Fofoca - Sim. Dona Verdade. Ela tem muita força contra mim, e também não me tolera...
BLOG - A Senhora parece muito vaidosa ao responder as nossas perguntas, por quê?
Fofoca - Porque eu sou muito poderosa. Eu consigo destruir quase tudo: A honra, a família, a igreja, a amizade e até a fé de alguns. (Pv 16:28, 18:8 e Pv 26:20,22).
BLOG - A Senhora teme alguma coisa?
Fofoca - Sim, eu temo a Palavra de Deus.
BLOG - Por quê?
Fofoca - Em primeiro lugar ela é a irmã gêmea da Verdade, que me odeia. Há também na Palavra de Deus coisas que me amedrontam como: “não há nada oculto que não haja de ser revelado” Mt 10 26. Há também nela uma advertência dizendo que Deus me abomina, bem como aos que gostam de mim (Pv 6:16 e 17).
BLOG - Qual o versículo da Bíblia que a senhora mais gosta? Fofoca - Aquele que diz “A morte e a vida estão no poder da língua “ (Pv 18:21) porque fala do meu poder.
BLOG - E o que a Senhora menos gosta?
Fofoca - É aquele que se encontra em Tiago 4:11: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros”, porque se as pessoas atenderem a sua orientação eu não consigo exercer meu "santo" papel.


NÃO TE ASSUSTES COM AS ONDASDO MAR!
Paráfrases da Bíblia – Pastor Neucir Valentim
“E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é
este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? Mt 8:27

Não temas! tenho visto o teu sofrimento e a tua aflição, sei onde estás e o que vives. Conheço a tua luta. Sofres, porque te sentes em terra árida, como o meu povo que estava no Egito, num ambiente estranho, vivendo angústias sendo fustigado todo dia e sofrendo na mão do exator (Ex 3:7).
Não te espantes, pois tenho ouvido o teu clamor e conheço a tua angústia; Assim como, com mão forte libertei o meupovo do cativeiro de Faraó, estarei com braço forte, estendendo a minha mão para te livrar. Saibas, não há poço tão profundo, que minha mão não possa penetrar, não há abismo tão profundo que eu não possa alcançar (Gn 49:25).
Agora precisas crer e descansar no meu poder, e só assim verás o que hei de fazer a teu favor, pois por uma poderosa mão te abençoarei, sim, por minha própria mão verás o inimigo ser destruído à tua frente (Ex 6:1). Agora, deixes de lamentar, de prantear e de chorar com as pessoas com as quais não tem parte comigo, pois tenho visto o teu clamor e tenho colhido as tuas lágrimas. Por isso, pergunto-te como fiz com Moisés meu servo: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.
Sim, o que desejo ver em ti é a ousadia para marchar, sem olhar para trás, sem se espantar com o deserto, ou mesmo com o tamanho das montanhas à tua frente. Vede o mar! Ele te parece assustador? Como é grandioso e desafiador, talvez tão assustador como a grande dificuldade que está diante de ti! E você pensa que não pode suportá-lo ou mesmo vencê-lo!
Mas, lembre-se: Eu uso os mares, não recordas que fui Eu que os criei? Eu sou o Senhor que abre o mar e faço os meus filhos andarem no meio dele, a pé enxutos (Ex 14:29).
Sou Eu quem acalma o mar, por mais impetuoso que esteja e por mais encapeladas que sejam as suas ondas (Mc 4:39), pois elas atendem ao meu mandar, por isso, dize, a tua alma: - Sossegai! Descansa em mim, como a criança desmamada descansa ao seio de sua mãe (Sl 131:2). E assim, como a mãe cuida de seu filho, Eu cuido de ti. Peço de ti, neste momento uma coisa muito importante: “Tão somente temei ao Senhor, e servi-o fielmente de todo o vosso coração; pois vede quão grandiosas coisas vos fez.” I Sm 12:24. Temas o Meu nome, pois este é o princípio da sabedoria.
Tu precisas aprender a ser sábio, no agir e no falar na hora certa. Não sejas precipitado. Aguarde o momento certo e Eu encherei a tua boca com as palavras que deves falar (Ex 4:12).
Sirva-me, pois, de todo coração, de toda tua força e de todo entendimento (Mt 22:37), e mais ainda, cante louvores, alegra a tua alma e regozije-se em mim, e serás grandemente abençoado. Eu sou um Deus de louvores, e habito no meio dos louvores do meu povo (Ex 15:11).
Fazendo assim, verás certamente coisas grandiosas acontecerem em sua vida, e com certeza, estarei definitivamente enxugando as lágrimas dos teus olhos, pois assim fiz com Davi, meu servo, pelo que ele disse: “Pois livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés de tropeçar.” Sl 116:8.
Creias e descanses no Teu Senhor e os teus pés nunca tropeçarão.

quinta-feira, 19 de junho de 2008


CUIDADO COM O PÃO!
Pastor Neucir Valentim


"Então os homens de Israel tomaram da provisão deles, e não pediram conselho ao Senhor. Assim Josué fez paz com eles; também fez um pacto com eles, prometendo poupar-lhes a vida; e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento." Josué 9:14 e 15

O povo de Israel estava vencendo as nações residentes em Canaã ao apropriar-se da terra, uma a uma, porque o Senhor os havia orientado a possuí-la e expulsar todos os seus moradores. O rigor que Deus exigia era tão grande, que quando a nação tomasse uma cidade deveria por fogo nela, para que os seus habitantes não voltassem (Js 8:7,8). Em outras palavras Deus não queria aliança do seu povo com as nações pagãs. Não queria nenhum tipo de mistura ou de cumplicidade. Queria um povo separado numa comunhão exclusiva com Ele.

Nesse contexto, surge um estratagema dos gibeonitas, povo residente em Canaã, que sabendo da ordem que Deus havia dado "buscou confundi-los e ganhar-lhes a alma e o coração", a fim de estabelecerem uma unidade com os filhos de Israel: "Vestiram-se de mendigos, fingiram vir de uma nação longínqua, trazendo pão bolorento e simulando uma história melodramática." (Js 9:11 a 12). "Tendo nos seus pés sapatos velhos e remendados, e trajando roupas velhas; e todo o pão que traziam para o caminho era seco e bolorento."

Com pena dos amigos recém chegados "de longe", a nação abre a alma e escancara o coração para os vizinhos simuladores, caindo no "conto do vigário", e, desobedecendo a orientação do Senhor, faz uma aliança com o estranho à sua comunidade! E tomam tal atitude sem consultar Deus, apenas ao seu próprio coração, que facilmente enganado, tornara-se presa fatal dos que tratam, com sutileza, os sentimentos alheios.

Ao descobrir o plano maquiavélico dos gibeonitas, Josué fica furioso, mas com uma irritação tardia, pois o contrato já havia sido feito, o pacto selado e a aliança estabelecida. Agora restava tão somente a Israel, administrar a aliança mal feita, sem a orientação divina (Js 9:22 e 23).

A partir daquele dia, segundo o texto bíblico de Josué 9:27, os gibeonitas viveriam na mesma casa, sobre o mesmo teto, comendo e bebendo as mesmas coisas com os israelitas, pois fora feito um casamento, sem a bênção do Senhor; melhor, sem o Seu consentimento!

É baseado neste mesmo princípio que o Novo Testamento orienta-nos contra as ligações perigosas: " Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos?" (II Co 7:14 a 16a).

Para o autor sagrado, o jugo desigual, significava a união mais íntima, a sociedade mais comprometida e a comunhão cúmplice que adotamos com os que não pertencem a comunidade dos salvos. Era, na sua imagem, o comer o pão bolorento e o partilhar das vestes desgastadas dos que não pertencem a nossa gente, como ocorreu com os israelitas diante do engodo dos gibeonitas. Naquela ocasião, como hoje, o método do inimigo é o mesmo: Apelar para um coração aberto demais, que permite que sentimentos altruístas e amorosos falem mais alto que a Palavra do Senhor! É por isso que a Palavra nos exorta com os seguintes questionamentos: Que tipo de Sociedade há entre a justiça e a injustiças nos contratos consensuais pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a reunir esforços ou recursos para a consecução de um fim comum? Se a justiça aponta para um lado e as trevas para outro?

Que comunhão há da luz que as trevas posto que comunhão significa a participação em comum de crenças, interesses ou idéias? E que harmonia pode haver entre Cristo e Belial (os filhos do mundo)? Uma vez que a harmonia é a expressão absoluta da ordem, do acordo e da conformidade entre os que têm a Deus como pai e os que são filhos do malígno? A resposta a estas perguntas tem uma única resposta: Nenhuma! Isso mesmo, buscar sociedade, comunhão e harmonia com os que não pertencem a comunidade dos fieis é estabelecer ligações perigosas, das quais não se pode sair tão facilmente.

E esse tipo de consideração se aplica a muitas realidades: desde uma simples amizade que produz uma cúmplicidade perigosa e envolvente, ou uma sociedade mais íntima e por vezes ilegal, com determinado grupo social, até as relações amorosas, que podem prometer um futuro bonito, mas que lá na frente vão produzir pães bolorentos e vestes rotas debaixo de um mesmo teto, sob o pretexto de um coração sensível ao amor, que à rigor tornou-se frio para com o apelo da Palavra de Deus. Com certeza, para os que assim procedem, a possibilidade do vinho faltar ou as vestes envelhecerem mais rápido são muito maiores!

Pense nisso seriamente, meu irmão e consulte ao Senhor em todas as suas iniciativas e planejamentos, para não se arrepender quando for tarde demais, e ter que comer o pão bolorento para o resto de sua vida!

quinta-feira, 12 de junho de 2008


GABRIEL É CHAMADO PARA UMA MISSÃO ...
Pastor Neucir Valentim
Houve silêncio no céu. Do trono da Majestade ouviam-se vozes, relâmpagos e trovões.
Alguma coisa muito, muito especial estava acontecendo.

De repente um arcanjo tocou uma trombeta, cujo sonido ecoou por toda extensão celeste. Ouviu-se então uma convocação peculiar: Gabriel fora convocado a comparecer junto ao Trono, para uma nova missão, pois seria portador de uma grande mensagem, aliás, a maior mensagem de todos os tempos. Para tanto, o porta-voz de tamanha boa nova, deveria ser, também muito, especial e por que não Gabriel, aquele anjo cujo nome significava literalmente "o mensageiro?"

Sim, fora ele quem outrora, havia dado a boa notícia ao profeta Daniel sobre o final do cativeiro da nação de Judá na Babilônia, e havia predito a vinda do Messias (Dn 8 e 9). Nesta ocasião este anjo, contou com a ajuda do grande guerreiro celestial, o arcanjo Miguel, que, com suas tropas celestes, lutou contra o príncipe das potestades do ar, a fim de não impedir Gabriel, de transmitir a boa notícia ao profeta.(Dn 10:13).

Novos movimentos no céu. As tropas de guerra se alinharam de novo. Todos os arcanjos foram convocados. Todos os querubins, com suas espadas flamejantes, de igual forma, já colocavam-se, prontamente, armados, organizando os seus pelotões, em prontidão. Neste momento, todo o exército celestial já colocava-se em posição estratégica.

À frente de todos, estava o antigo comandante Miguel, o único ser angelical capaz de enfrentar o próprio Diabo e os seus exércitos, (Jd 1:9 e Ap 12:7), e colocá-los em debandada. Toda essa movimentação destinava-se a guardar o anjo Gabriel, que desceria à terra, com vistas a dar a sua mensagem em uma pequena aldeia em Nazaré. Do outro lado escuro, das regiões celestiais (Ef 6:12), ouvia-se, de igual forma, muitos movimentos. As hostes espirituais do mal sabiam que alguma coisa muito grande estava para acontecer, pois, desde a rebelião no céu, quando Lúcifer se rebelou, não havia por lá tanta movimentação. - O que estará acontecendo? Que mensagem tão importante é essa? A quem se destina? Porque tantos arcanjos e querubins para protegê-la? Miguel está à frente de novo? Será que já é o dia do Juízo final? Perguntavam-se, ansiosos, os seres espirituais caídos.

Tocou-se novamente uma trombeta. Agora, marcava o início da operação tão misteriosa, mas de igual modo tão esperada ( Cl 1:26 e Ef 3:9). Os arcanjos saíram à frente como batedores, Gabriel estava cercado por querubins, e estes por milhares de anjos. Só ele e Miguel conheciam o destinatário da mensagem, e apenas ele, Gabriel, o seu teor. Desta vez não houve resistência das hostes malignas, as forças titânicas do mal, sabiam que se houvesse qualquer tipo de reação, seriam prontamente estraçalhadas. Ficaram apenas em silêncio, aguardando o desenrolar dos fatos.

É aqui - Disse Miguel, quando chegaram sobre os céus da Galiléia, dirigindo-se para uma aldeia pobre, chamada Nazaré. Gabriel preparou-se para a missão, afinal, já vira a casa onde deveria deixar a mensagem tão importante. Faltava apenas encontrar quem a receberia... o seu alvo. Naquele momento parecia estar apreensivo (mesmo para anjos que não tem sentimentos humanos, era uma missão que demandava muita ansiedade).

Gabriel parou em frente a uma simples choupana em Nazaré. Com ele as miríades celestiais. Houve um grande silêncio, até que, sob a supervisão de Miguel, recebeu a orientação: - Pode entrar e dar a mensagem! - Dentro da casa, estava alguém muito especial, que neste momento cantava uma melodiosa canção ao Deus Eterno. Uma jovem camponesa, da linhagem de Davi, meiga e ainda virgem, noiva de um jovem chamado José, que como ela, era temente a Deus. Chegou o momento tão esperado, quando Gabriel tornou-se visível e pronunciou-se alegremente a mensagem que lhe fora confiada: (Lc 1:28 a 36)

"
Salve, agraciada; o Senhor é contigo. A jovem, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Então a jovem perguntou ao anjo Gabriel: Como se fará isso, uma vez que sou virgem? Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; porque para Deus nada será impossível. Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela."

A mensagem fora dada, e Gabriel, com todo o exército celestial, estavam contentes pelo sucesso da missão. Na sua memória angelical, ainda estava o teor da notícia: Aquela jovem donzela, estaria agora levando a sua mensagem, de forma diferente; encarnada em seu ventre materno. Não seria apenas uma mensagem verbal, mas traduzida em carne e osso, pois a partir daquele momento, o Verbo Eterno se fez carne, e estava habitando entre os homens.

Foi então quando percebeu a sua importância. O próprio Filho de Deus estava ali, naquela humilde aldeia da Galiléia, para salvar o mundo dos homens e destruir de vez, as forças titânicas do mal.


sexta-feira, 9 de maio de 2008


E A IGREJA EVANGÉLICA? NOSSOS OLHOS FORAM ABERTOS?


Pastor Neucir valentim



Na verdade o que temos sentido falta nos crentes hoje em relação ao evangelho está de alguma forma ligado com o extrínseco, mas, sobretudo, com o intrínseco, isto é, de dentro, o primeiro amor. E isso, só conseguimos, numa busca pessoal.

Tenho assistido de perto a crise da Igreja Evangélica, e confesso que vou lutar até o fim para manter esse nome, não é um ou outro que dele desfrutou e de suas benesses, que usaram e abusaram e agora o descartam, que descartarei também.

O que ocorre é que o mundo mudou e nós também.

Fomos contagiados pela embriaguês que Jesus falava, que atingiria a muitos, antes do fim.

Fomos contagiados com o consumismo.Fomos contagiados pela pós-modernidade da relatividade. Outrora, o que os nossos líderes diziam era a lei, agora não, tudo é relativizado. IsSo é bom? Tem seus valores, mas suas perdas também.

O mundo democrático e ocidental é visto como o Grande Satã pelos Árabes que não questionam seus aiatolás. Talvez, quem sabe, que a guerra árabe passe mais pela rejeição da anarquia do Ocidente do que por qualquer outro motivo. Ele tem medo da nossa promiscuidade, e nós de suas bombas!

É bom ser inocente, e seguir normas, obedecer, achar que alguém acima reponde e sabe por nós? Não sei! Mas, quando isso acontecia descansávamos mais. Só que na relativização, assumimos a liberdade de tudo, até de decidir as regras, o certo e o errado, e isso gera um desgaste enorme, um fardo que é pesado.

Quando os líderes carregavam por nós, embora falando bobagens, ou sendo ingênuos, não víamos isso, só experimentávamos a situação paternal por trás... Mas “os nossos olhos foram abertos”, e agora somos como deuses, conhecedores do bem e do mal e temos que carregar o fardo desse conhecimento. Perdemos a noção da inocência. Coisa rica, preciosa, mas ela foi embora, e agora sempre temos um "senão".

Perdemos a noção de segurança... Naquele tempo, disse esses dias o Arnaldo Jabor, 90% dos moradores das favelas não sabiam da sua criminalidade e nem eram cúmplices com o crime, hoje, disse ele, isto é uma falácia. Tá tudo dominado...Verdade, quantas vezes fui à casa do irmão numa favela, e via como, apesar de pobre o ambiente, era de paz, havia muita briga sim, de marido e mulher, briga de mulher por causa de água, mas não havia a falta da pureza em relação ao crime. Esses nossos irmãos hoje, estariam comprometidos com o que sabem ou deixam de saber. Embora não sejam culpados!

Certo pastor, amigo meu, cuja igreja é numa favela, disse-me que é obrigado a seguir certos caprichos porque senão, morre! De fato tudo mudou.

A igreja deixou de ser o referencial para nós, digo a igreja física mesmo, lembre-se:"nossos olhos foram abertos”, logo a igreja é apenas um prédio sem nenhum valor ou apego místico... histórico, totemizado, isso tem um preço. Lembro-me quando adolescente, uma bolinha de papel minha caiu no púlpito da minha igreja, e fiquei apavorado, não podia deixá-lá lá e ao mesmo tempo não tinha coragem de subir pois o local era santo... mas “nossos olhos foram abertos”, e a igreja agora é apenas um lugar em construção, pois desmistificamos a mesma, agora somos os construtores. Isso é bom? Tudo tem o seu preço.

Hoje ninguém se ajoelha mais no Templo, como disse o Edson Coelho... "Entrei no Templo, dobrei os meus joelhos, para conversar como Senhor..." ninguém o faz por livre e espontânea vontade, só quando o pastor quase obriga.

Perdemos a sacrossanta visão do mesmo, a visão de Ana, que apenas balbuciava no Tabernáculo em Siló. “Nossos olhos foram abertos.” Perdemos a noção do místico, do sagrado, do misterioso, e não estamos muito preocupados com isso, “nossos olhos foram abertos” para outras coisas, para o mundo virtual, para a Internet, agora somos semideuses, achamos tudo num clicar de mouse. Somos aficionados pelas novidades, pelo mágico e misterioso, sem as quais, como Adão deve ter pensado, não podia viver sem elas... Foi o que o Diabo mostrou a Jesus, o mundo e sua glória, ele sempre faz isso, sabe como isso nos encanta também. “Ele tem aberto os nossos olhos”.

Temos tudo, somos preocupados demais em atender a indústria da tecnologia, dos celulares às máquinas mais modernas e não temos nem de perto um pouco da repulsa do unabomber, terrorista americano que preferiu explodiu um prédio por não se conformar com a evolução gigantesca da tecnologia avassaladora, antes que, segundo disse, fosse destruído por ela, não que o que fez estava certo. Vidas são vidas! Mas ele, louco, não soube administrar o novo século, não quis abrir os seu olhos, só usava máquina de escrever e olhe lá..

Cometeu uma loucura, mas a loucura maior ainda continua por aí, nos engolindo... A Bíblia chama isso de Aion, ou de Mundo, ou de Presente século...Ficamos encantados com a pós-modernidade, com suas facilidades, com o encanto de um mundo livre, mas com a pós-modernidade, veio também a pós-cristandade.

Ninguém, absolutamente passou ileso disso.

Perdemos o nosso tempo. Perdemos a nossa liberdade, perdemos a nossa inocência. Perdemos nossos afetos, perdemos, perdemos, perdemos, enquanto tentam nos dizer: Vocês ganharam, ganharam e ganharam... falácia pura!

Deus já vem desconstruindo a sua participação há muito tempo em muitas igrejas... Lembra-se de uma mulher chamada Rosalee M. Apeble? Que começou o trabalho sério em sua igreja com o pastor Enéias Tognine lá na igreja da década de 60? Lembra da onde era?

Da santa Igreja Batista de Goiânia? Agora é a Batista da Lagoinha, da Unção de Toronto, do transe da Ana Paula Valadão, das riquezas da sua grife e ao mesmo tempo das loucuras da sua fé... Há se a Missionária estivesse por aqui... Talvez estivesse inserida no contexto...O que nos resta é voltar, não a igreja antiga, mas ao primeiro amor, e isso é de fato algo muito difícil, pois envolve renuncia, não acontece com métodos, com programas, é com conversão do coração individual ao primeiro amor.

Como eu costumo dizer, o passado é um continente, por vezes parece bonito, mas que não há embarcações para lá.

Ou podemos "ter os nossos olhos abertos" por Deus ou pela velha serpente.

Peço a Deus que eu não veja o que não é para ser visto e ver o que é para ser visto.

Fico pensando em Ezequiel, que via e sofria com o que acontecia...

Fico pensando em Jeremias que via e chorava...

Fico pensando em Elias que via e protestava...

Fico pensando em Habacuque que via e reclamava...

Fico pensando em Daniel, que viu o tempo da bagunça acabar, e em meio a Babilônia previu o retorno, que Deus não se esquece do seu povo, que há lutas travadas no céu, que o diabo existe, que passado 70 anos, as coisas mudariam. Que o império ruiria... Fico pensando nesse homem que em meio à tudo isso que estamos vivendo ouviu... E sobreviveu cheio de graças, ainda que cercado de leões..." Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro, até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará. Ele respondeu: Vai-te, Daniel, porque estas palavras estão cerradas e seladas até o tempo do fim. "

Que o Senhor Jesus, que anda no meio dos candeeiros diga quem é igreja ou não, pois ele é o único que tem os olhos como chamas de fogo e pés reluzentes como bronze polido, pois nunca pisou em nada sujo.

quinta-feira, 8 de maio de 2008


VOCÊ FALA SIBOLETE
OU CHIBOLETE?

Pastor Neucir Valentim


“Então os homens de Efraim se congregaram, passaram para Zafom e disseram a Jefté: Por que passaste a combater contra os amonitas, e não nos chamaste para irmos contigo? Queimaremos a fogo a tua casa contigo.” E houve naquele dia grande batalha...

Nenhuma história bíblica retrata tamanha contradição e estupidez humana como essa. Os homens de Israel, da tribo de Efraim, ao saber que os homens de Israel da tribo de Manassés, estiveram lutando contra os amonitas, povo inimigo da nação, à qual pertenciam as duas tribos, ficaram profundamente irritados porque não foram convidados para pelejar juntos. E, assim, porque não foram lutar lado a lado, tornaram-se inimigos entre si, a tal ponto, que houve grande peleja naquele dia, de modo que nessa luta insólita, morreram, apenas de Efraim, cerca de 42.000 homens.

E para completar a tragédia, os homens de Manassés, chefiados por Jefté estabeleceram um código de morte: Para saber se os que vinham ao seu encontro eram efraimitas, solicitavam que dissessem: Chibolete; porém se o indivíduo dissesse: Sibolete, porque não o podia pronunciar bem, pegavam o tal, e o degolavam nos vaus do Jordão (Jz 12:6).

Traduzindo essa história estúpida em linguagem simples: O mesmo povo, a mesma gente, estava guerreando entre si, ao invés de unir forças e lutar juntos contra o inimigo comum a ambos, os amonitas, e por isso foram derrotados, porque, na ânsia de guerrear, usaram suas forças contra si mesmos.

Não bastasse isso, ainda estabeleceram esse código de morte: Quem usasse a palavra errada e trocasse, por descuido fútil ou banal, o som do “CH”, estava fadado à morte.
Essa história sinistra, tirada do livro dos juízes, faz-nos lembrar um pouco da nossa história evangélica no Brasil.

Isto porque, todos nós, enquanto denominações ou igrejas, as vezes ficamos profundamente irritados porque este ou aquele grupo ou seguimento evangélico, está travando uma peleja, da qual muitas vezes não somos chamados a estar juntos, quer por falta de contato, de comunicação ou de uma comunhão mais estreita, e aí surge aquele espírito “efraimita”, que começa a buscar um meio de estabelecer uma rixa, uma demanda ou contenda, de tal forma que, passamos a guerrear mais com os de dentro do que com os de fora. Ficamos, também como os homens de Jefté, buscando um meio de descobrir qual, dentre nós, tem a linguagem diferente, para patrulhá-lo e para segregá-lo, querendo saber se ele fala Sibolete ou Chibolete.

Só que os nossos ouvidos buscam identificar os sons de posições teológicas ou litúrgicas: Se tem um “essezinho” meio carismático ou quem sabe, se usa aquele “chezão” tradicional.

Busca-se descobrir até se é um CH misturado. Quem sabe pode haver um “S” camuflado!!! Cuidado com ele! O “CH” dele é diferente! etc. E dependendo da pronúncia, sai de baixo, porque a lenha desce, e desce feio! É por isso que temos um tão grande contingente denominacional espalhado por aí.

Um instituto de pesquisa religiosa do RJ - ISER, catalogou somente no Rio de Janeiro, mais de 8.000 nomes de igrejas ditas “evangélicas”, posto que cada qual quer batalhar sozinha e falar o “CH” certo! Uma vez que se acham como as únicas capazes de pronunciá-lo corretamente, e assim, não querem se juntar as que já existem, criam mais uma instituição, mais um nome, mais um grupo, mais uma facção, que ao invés de somar força na luta espiritual contra o Diabo, inimigo comum de todos os crentes, guerreiam entre si.

Reflitamos: Quantas vezes nos pegamos patrulhando o outro, não é verdade? Tentando descobrir-lhe a fala, a linguagem.

Se fala o nosso Chibolete ou um estranho Sibolete! Sim, e quantas vezes, também, nos vemos testados, onde desejam saber de nós qual tipo de “linguagem” usamos. Existem até aqueles que, na hora da Santa Ceia dizem: “Olha: - aqui só participam da Mesa do Senhor os que falam “Chibolete!”, como se a mesa fosse deles e não do Senhor.

Caímos assim, como instituição evangélica, na mesma estupidez dessas duas tribos de Israel, que se digladiaram entre si, quando podiam unir as suas forças contra os filhos de Amom, ao invés de ficar guerreando internamente. A grande tragédia é que as nossas guerras circulam, de forma ainda mais medíocre, em termos de coreografia: Se levantamos ou não a mão na hora do culto, se batemos ou não palmas, se temos ou não “corinhos” no louvor, se oramos alto ou baixo, enfim, mata-se muitas vezes a comunhão com o irmão porque ele fala um pouquinho diferente de nós, porque o “CH” dele, tem uma tênue diferença quanto ao nosso, e aí, acontece aquela luta retratada no livro de Juízes: “Então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão.” Que possamos ter o discernimento espiritual para não entrarmos em lutas tolas, mas estarmos lutando firmes contra o nosso inimigo comum: O Diabo. E quanto aos que falam Sibolete ou Chibolete, que possam viver em paz, cada qual com sua própria maneira de ser e de falar, porque, sobretudo, pertencemos todos à mesma nação (I Pe 2:9), somos o mesmo povo que vai para o céu, quer se fale Sibolete ou Chibolete.

Somos a Igreja de Jesus!

Glossário: Chibolete significa riacho fluente. Palavra que os Efraimitas não conseguiam pronunciar corretamente, à semelhança de certas palavras regionais brasileiras, cujo som é diferente em outros estados.
CIDADE DE NITERÓI
Pastor Neucir Valentim



Niterói é uma palavra indígena que significa “águas paradas” ou “águas entre pedras.” Para nós que temos a nossa igreja situada no centro da cidade que leva esse nome, é bem sugestivo. Pense bem: Somos uma igreja situada em águas paradas, ou que vive em águas entre pedras. A partir deste desafio etimológico, podemos crer que, enquanto igreja, devemos procurar mover as águas, ainda que existam pedras gigantes a nos desafiar.

Águas paradas, geralmente, não são boas, são propensas a se transformarem em depósitos de parasitas, tornando-se em águas doentes, a semelhança das águas amargas de Mara, imprestáveis para dessedentar aquele que tem sede da água da vida. Que a semelhança de Moisés clamemos aos Senhor para que transforme estas águas paradas em águas potáveis, cheias de vida (Ex 15:25).

Quem sabe, temos também ouvido o clamor de muitos dos que aqui vivem e passam como o profeta Eliseu ouviu no passado: “Eis que a situação desta cidade é agradável, como vê meu senhor; porém as águas são péssimas, e a terra é estéril.” II Reis 2:19.
Recente pesquisa do IBGE revelou que Niterói está em 4º lugar no quesito cidade com melhor qualidade de vida no Brasil, e os seus administradores desejam vê-la em 1º lugar em breve. Mas será que a semelhança do texto de II Reis 2:19, referido acima, vivemos numa cidade agradável, mas que, espiritualmente falando, tem águas péssimas e a terra é estéril? Quando andamos pela cidade percebemos o quando isto é um fato. Percebemos nas faces, nos olhares dos transeuntes uma profunda sede de Deus, sede que só Jesus pode saciar.

Deus está convocando você, membro desta igreja, que vive no meio destas “águas paradas” para, sanear estas águas, e pelo Espírito Santo, canalizar nesta cidade “águas das fontes da salvação” Is 12:3. Proclamando a salvação em Jesus, que diz veementemente: “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.” Jo 4:14.

Aceite este desafio!

ENTREVISTA COM O SENHOR LEGALISTA
Pastor Neucir Valentim

O nosso Blog conseguiu falar com o senhor Legalista.







Blog: Tudo bom senhor Legalista? É um prazer para este Blog poder entrevistá-lo...

Legalista: O prazer é todo meu, desde que vocês não passem da hora marcada para terminar a entrevista. Comigo é assim: Tudo tem hora para começar e para terminar, caso contrário eu fico de mal humor e vou embora. Aliás, quando estou num culto e este passa cinco minutos do horário do término, sinto-me extremamente aborrecido.

Blog: Tudo bem, deixemos o horário de lado e falemos um pouco do senhor.

Legalista: Eu sou uma pessoa boa, cumpro com os meu deveres, sou honesto e até ajudo muito no reino de Deus.

Blog: Como o senhor ajuda?

Legalista: Eu me sinto um fiscal por natureza. Tenho esta vocação em mim. Não faço isso para ficar bisbilhotando a vida alheia para fazer fofoca, muito pelo contrário, meu objetivo é nobre, livrar a igreja daqueles que cometem faltas. Estou sempre pronto para identificá-los. Imaginem vocês se as pessoas erram e não tem quem as acuse?

Blog: Mas o senhor não acha que toda acusação obcecada, bem como toda busca detalhista de culpa, pode ser de origem diabólica, pois não se trata de justiça mas sim do prazer pela condenação?

Legalista: Eu não busco condenação, mas acho que pessoas que erram devem ser punidas exemplarmente. Sempre!

Blog: A que igreja o senhor pertence?


Legalista: Eu gosto apenas de algumas igrejas. Principalmente aquelas que buscam, como eu, descobrir os erros alheiros, publicá-los e disciplinar cruelmente os que erram. Mas a rigor não me adapto a igreja alguma. Elas tem tantos defeitos (...) com o tempo eu sempre descubro um erro aqui, outro ali, que não condiz com o meu padrão, e aí eu me aborreço.

Blog: O senhor tem alguma profissão?

Legalista: Sim, sou médico oftalmologista. Meu trabalho é examinar os olhos das pessoas, para ver se não tem algum argueiro... (Mt 7:3)

Blog: O senhor pratica algum esporte?

Legalista: Todo esporte que exija um árbitro. Eu gosto mesmo é de ser juiz!

Blog: O senhor tem alguma frustração? Algum sonho não realizado?

Legalista: Sua pergunta me pegou de surpresa, pois na verdade eu tenho uma grande frustração. Gostaria de ter sido promotor público, creio até que trabalharia de graça, por prazer. Com a minha visão crítica apurada, muito poderia ajudar a justiça. Geralmente sei de cor os estatutos, regimentos, regulamentos, códigos, etc., para ficar atento a qualquer irregularidade; Afinal não se pode confiar em ninguém!

Blog: Qual o texto da Bíblia que o senhor mais gosta?

Legalista: Gosto de Êxodo 21:24. “Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé

Blog: Mas este versículo não pertence a uma época em que a misericórdia era pouco exercida?

Legalista: Sim, mas particularmente eu não gosto muito de falar sobre misericórdia, ver as pessoas sob misericórdia, julgar sob misericórdia, pois muita misericórdia alivia a culpa de quem está sob o peso do erro, que precisa ser punido.

Blog: Mas não foi por isso que Cristo morreu?

Legalista: Eu não entendo muito de teologia...

Blog: Qual o versículo da Bíblia que o senhor menos gosta?

Legalista: O de Romanos 2:1 “Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo”, - Este versículo me faz sentir um pouco culpado... de algumas coisas que faço...

Blog: O senhor é parente de Arrogante?

Legalista: Sim, sou seu primo. Como vocês descobriram?

Blog: É simples: O legalismo é a pressuposição arrogante de achar que se pode agradar a Deus apenas pela observância de mandamentos legais, sem o exercício da misericórdia. E isto é parte de um espírito arrogante! Por isso a familiaridade.

segunda-feira, 5 de maio de 2008


E O GATO ME MORDEU...

Pastor Neucir Valentim





Meu gato "vive" na igreja.

Ouve hinos o dia inteiro. Muitas vezes me faz companhia quando faço minhas meditações bíblicas. É amigo de minha esposa e filhas, que lhes devotam mais atenção do que eu. É um bom gato. Calmo, sereno e tranqüilo... mas, não é crente! Sim, meu gato não é crente, porque animais não podem ser ou ter sentimentos transcendentes, como fé ou introspecção, posto que não possuem espírito, aquilo que a bíblia chama de nefech, tem apenas o fôlego de vida ou ruach.


Assim como o meu gato que "vive" na igreja e muitas vezes assiste aos cultos de "camarote" pela janelinha que dá para o templo, existem muitas pessoas, que "vivem" na igreja, participam dos cânticos, ouvem a Palavra, tem manias e jeito de gente crente, mas, que a semelhança de meu gato, não são crentes, pois não têm uma profundidade maior com Deus.


A igreja e o convívio com a comunidade eclesiástica não fazem deles um novo nascido, um salvo. Entendeu? Isso mesmo, para ser filho de Deus, requer-se muito mais do que estar, ficar ou fazer coisas na igreja, é necessário ter um profundo encontro com o Senhor Jesus, numa experiência pessoal, inigualável e sobretudo, de regeneração.


Ao escrever este artigo, o meu antebraço está inchado, com dois furos na altura de minhas veias, o tendão do meu braço está ferido fazendo com que os movimentos dos meus dedos me produzam arrepios, e as minhas pernas estão arranhadas, sinto inclusive, bastante dor ao digitar as teclas do computador.


Sabe por que? Por causa do meu gato, que não é crente! Nessa madrugada quis dar um passeio para conhecer a vida noturna, estava cansado da vida da igreja, para ele sem graça e sem emoções. De repente sumiu, foi à procura de aventuras. A minha família chorou pelo seu desvio, sua ida, sem dar satisfação ou pelo menos uma despedida. Foi bastante insensível!


Lá pela madrugada, ouvi um ruído, um miado de gato, perdido na noite escura, isolado, um clamor de um felino perdido, talvez, no refeitório da igreja. Entrei no referido recinto, fechado, escuro, com ares sepulcrais.


De repente, num susto, senti suas presas e garras em cima de mim, pois apavorado e com medo, não percebeu que se tratava de um amigo, e por isso atacou sem dó nem piedade. Em poucos segundos a roupa que usava estava repleta de sangue, que incontido, não parava de jorrar da veia do braço que fora perfurada pelos seus dentes.


Uma vez identificando o seu dono, voltou para casa meio ressabiado, sem pedir desculpas a ninguém, apenas deitou e dormiu... Enquanto eu usava compressas e analgésicos!


A história contada, de alguma forma, ilustra aqueles que vivem na igreja, mas, não têm um conhecimento do Dono da Igreja. Assim como o meu gato que vivia na minha casa, há muita gente que vive na Casa de Deus e não O conhece, e por isso, na primeira oportunidade, fortuita, busca uma forma de pular o muro, a janela, a rotina eclesiástica, para achar na vida, fora dos limites estabelecidos, prazeres que o levarão a perdição. O meu gato ficou perdido numa noite escura.

Ocorre que, para seres humanos, essa noite escura pode se tornar eterna. E um pequeno desvio de rota, pode levá-los a perdição. O profeta Daniel diz que esta noite será de pavor e vergonha eterna: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno."


E a grande tragédia dessa história toda, é que, assim como, com boa vontade e ternura, busquei achar o meu gato no meio da noite, atendendo o seu clamor felino, existe um Salvador, que anda pelas noites, pelas regiões da sombra e da morte, buscando aqueles que por Ele clamam, pronto a buscá-los, como o Sumo Pastor faz com suas ovelhas: " Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? (Mt 18:12).


Mas, assim como fui mal compreendido pelo meu gato, muitos assim fazem para com Deus, e ao invés de conhecer a sua voz, confundem-se, pois não são ovelhas do Seu aprisco e por isso, não conhece a voz do pastor: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem" (Jo 10:27). E nesses casos, não importa a dor e o sangue derramado pelo Senhor, porque, por mais que se busque apanhá-las no meio da noite, e colocá-las em lugar seguro, haverá sempre uma outra ocasião para novas fugas, desvios e desencontros...


Saiba que o Senhor está sempre disposto a dar a sua vida e o seu sangue pelos que se perdem, ou melhor, pelos que nunca se acharam nele... pense nisso. Mas, é necessário reconhecer-lhe a voz.
Quanto ao meu gato. Não usarei mais de misericórdia ou farei qualquer esforço para buscá-lo, se quiser ir que vá, pois a dor que estou sentindo é muito grande agora... e ele continua dormindo cinicamente, esperando a próxima noite, a próxima fuga, e quem sabe, da ida sem volta. A bem da verdade... Não sou pastor de gatos!




O ANSIOLÍMETRO
DE DEUS...

Pastor Neucir Valentim




“sabe também que eu julgarei a nação a qual ela tem de servir; e depois sairá com muitos bens. Tu, porém, irás em paz para teus pais; em boa velhice serás sepultado. Na quarta geração, porém, voltarão para cá; porque a medida da iniqüidade dos amorreus não está ainda cheia.” Gn 15:14 a 16.




Abrão está vivendo uma agonia mental, tipo aquelas que nos acometem à noite, quando estamos bastante preocupados.



Deus havia lhe dito que cumpriria a promessa feita, e ele teria um herdeiro, Abrão havia crido, e até fez uma altar para que o Senhor confirmasse a promessa. Neste ínterim, o velho patriarca, é vítima do pavor noturno, do medo de descrer, ou talvez, da falta de uma “materialização” mais clara da promessa feita.



O Texto diz (Gn 15:12) que caiu um profundo sono sobre ele, e grande pavor e cerradas trevas. Certamente Abrão foi acometido por algo muito conhecido nosso, chamado ansiedade. O grande homem de Deus, o Pai da fé, estava sentindo as garras da ansiedade, que se materializavam como aves de rapina, e desciam sobre o holocausto que oferecera ao Senhor (Gn 15:11). Por mais que ele as enxotasse, elas permaneciam em cima dele.



Se você já ficou ansioso um dia, sabe como a ansiedade age, a semelhança destas aves de rapina, que descem sobre a nossa mente, provocando medo, pavor e insegurança.



A primeira coisa que Deus faz quando a ansiedade chega é dizer que Ele tem o controle de tudo, do hoje, do amanhã e do depois de amanhã. Por isso Deus diz a Abrão o que vai acontecer nos próximos 400 anos! (Gn 15:13). Quantas vezes nos preocupamos com o hoje e Deus quer nos mostrar o resultado de sua ação à longo prazo? Mas nós nos ofuscamos com o agora, e não percebemos os horizontes divinos.



Em segundo lugar Deus Diz ao patriarca, que a sua “pré-ocupação” isto é, que o fato de ocupar-se antecipadamente com as coisas, não vai mudar o futuro. Por isso o Senhor Jesus falando aos discípulos diz o seguinte sobre a ansiedade: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. (Mt 6:34). Logo depois o próprio Deus revela a Abrão que as coisas circunstanciais não afetariam o futuro da vida do patriarca: “Tu, porém, irás em paz para teus pais; em boa velhice serás sepultado.” Ou seja, Fique tranqüilo Abrão, porque ainda viverás bastante tempo, ficarás velho e gozarás uma boa aposentadoria com os seus netinhos! Não se preocupe à toa.



Em último lugar, Deus fala algo que julgo muito interessante: Que nada fica desapercebido do seu olhar perscrutador, as injustiças, os erros e os maltratos que sofremos, etc. “porque a medida da iniqüidade dos amorreus não está ainda cheia.” O que significa isso? Significa que Deus tem uma medida, um “ansiolímetro”, um medidor de ansiedade causada. E toda essa gente que nos causa mal estar, ansiedade, dificuldade ou até mesmo perseguição, terá o seu dia de juízo, quando a medida chegar ao limite máximo.
Eu não conheço as razões de suas ansiedades, ou mesmo as suas preocupações, mas segundo o texto título desta pastoral, elas são inúteis e não modificarão o curso da vida. Portanto, não vale à pena ficar ansioso. Uma outra coisa, em não conheço a sua realidade, se existe alguém que o estressa, que o faz perder a paz, que o maltrata. Mas uma coisa sei, que se porventura existe, a medida está sendo controlada por Deus, e quando ela chegar no nível máximo, Ele certamente agirá de forma surpreendente a seu favor dando um basta final! Portanto, meu irmão, descansa em Deus até que se encha a mediada dos amorreus.

sábado, 3 de maio de 2008


QUANDO CONVERSEI COM OS MAGOS DO ORIENTE.

Pastor Neucir Valentim

Era noite de natal, e como todo ano, antes da ceia, lia para os meus filhos a velha história bíblica da natividade descrita no Evangelho de S. Mateus, e contava-lhes acerca do nascimento de Jesus, falava-lhes dos magos do oriente, da fúria do rei Herodes quando soube do nascimento do menino Jesus, de Maria e José que prontamente receberam a mensagem angelical para fugir do perigo de morte que corriam por causa do rei Herodes, que mandara executar todos os meninos com menos de dois anos de idade, para assim eliminar o " rei dos judeus" que havia nascido em Belém.

Naquela noite, porém, depois de minha narrativa, fui dominado por uma sonolência gostosa. A partir daí a minha imaginação ficou fértil e então comecei de novo a pensar naquele relato bíblico, na bela história de natal. Logo dormi e sonhei.

No meu sonho eu estava nas remotas regiões montanhosas de Efraim, na Palestina, indo em direção a Jerusalém. Pelo caminho ermo, marcado por uma geografia árida, me vi montado em um camelo. Era noite, as estrelas no céu cintilavam como nunca, como se naquele dia elas estivessem em festa. Senti medo pois estava sozinho num local totalmente desconhecido. De repente percebi que em minha direção caminhava um grupo de pessoas em seus camelos e dromedários, semelhantes a beduínos do deserto. Com a cultura da violência na cabeça, temi por um assalto. Logo, porém, percebí que não eram beduínos. Caracterizavam-se pela tranquilidade no falar, pelas túnicas de linho fino e por turbantes excessivamente bonitos.

De imediato desejei travar um diálogo. Mas como? Não conhecia a sua língua. Lembrei-me, porém, que a linguagem dos sonhos não está circunscrita a cultura, povos ou línguas e, perguntei-lhes: - Para onde vão? Ao que me responderam. - "Vamos até Belém adorar aquele que é nascido Rei dos judeus, porque vimos a sua estrela no oriente". Pensei neste instante comigo mesmo: Conheço estas palavras, são da narrativa bíblica, e eles são os magos do oriente.

Logo identifiquei os seu nomes: Gaspar, Baltazar e Belquior, como nos ensinava a tradição cristã. A minha mente começou a vibrar ante a possibilidade de acompanhá-los e ver de perto o menino Jesus. Nisto, uma outra expectativa me surgiu na mente. Pela narração bíblica os magos iriam a Jerusalém e falariam ao rei Herodes sobre o nascimento do Messias, e isso provocaria no rei uma fúria tal que redundaria na morte de centenas de meninos na cidade de Belém.

Tratei de iniciar uma tentativa de demovê-los da ideia de falar com Herodes.

- Penso que vocês caminham até Jerusalém, não é verdade? - Sim, respondeu um dos magos - vamos até Herodes para contar-lhe a boa nova ! Isso me arrepiou. Então de forma delicada continuei: - Não seria perigoso informar ao rei Herodes acerca do acontecido, ele não ficaria furioso ante a possibilidade de perder o trono para um judeu de verdade, uma vez que ele nem judeu é, pois é um idumeu a serviço de Roma? Sim, isso é possível, disse-me o mago, admirando-se do meu conhecimento acerca da nacionalidade de Herodes.

O outro mago que estava próximo entrou na conversa. - Ocorre que Herodes é a antítese do verdadeiro rei, ele é um déspota, e todo déspota precisa saber que é um usurpador, porque muitas vezes acaba acreditando na sua própria mentira, a de que é um legítimo rei. Calei porque percebi que eles não eram ingênuos quanto a natureza de Herodes. Resolvi então ser mais claro. - Precisam evitar Herodes; ele é perverso e fará de tudo para se perpetuar no poder. O mago que estava calado até o momento, falou pausadamente. - Não se acaba com Herodes evitando-o ou até mesmo matando-o, ele sobrevive sempre, e haverá sempre um herodes em cada história, porque os herodes estarão sempre em todo lugar. Como? perguntei confuso. Respondeu-me em tom professoral. - Os herodes existem na história de todo mundo, eles representam aquele tipo de gente que faz de tudo para conseguir o que quer, nem que para isso tenha que pisar, maltratar, caluniar, mentir, difamar, bajular e até...matar. Os herodes representam aqueles que usam de artifícios para se perpetuarem no poder, no comando dos outros, exercendo influências. Os herodes representam também as tentativas de acabar com os nossos sonhos e nossas esperanças. Existe um Herodes hoje, mas amanhã surgirão outros em todo canto, nas casas, nas ruas, nas instituições e na religião.

- Na religião? Perguntei ao velho mago, atônito !

- Sim, não vê que o rei Herodes está construindo o maior templo dos judeus em Jerusalém? Muitas vezes eles se escondem nas atividades religiosas para ocultarem os seus verdadeiros intentos. Então interrompi. - Mas crianças morrerão quando Herodes tomar conhecimento do nascimento do menino Jesus! O sábio mago continuou. - Elas morrerão independente de irmos ou não a Jerusalém, até porque toda Jerusalém saberá do nascimento do Messias, mas Herodes continuará matando crianças. Lembre-se ! os Herodes estarão em todos os lugares, dentro das famílias como pais que matam a sensibilidade dos filhos através da crítica contumaz, através de esposas e esposos que perdem o respeito entre si, de governos que deixarão as crianças morrerem de fome, e as crianças que pelo Herodes de hoje morrerão à luz das nossas candeias, amanhã, no futuro serão mortas em grandes candelárias, porque encontrarão os herodes que as matem. Certamente, herodes continuará matando...

- Mas então, vocês vão falar com Herodes? Exclamei.

- Ele precisa saber que por mais que queira, ele não é o Rei de direito, e que é nascido o verdadeiro Rei, e por mais que ele queira matá-lo o Rei verdadeiro nunca morrerá; ele vencerá por sua simplicidade e pelo amor, este Rei é a fonte de nossa resistência contra toda tirania. É preciso ensinar-lhe que os reis herodes não se perpetuam, que o seu fim é triste e solitário, e que ainda existe razão para crer na justiça, ter esperança e crer que os sonhos podem ser realizados, porque aquele que nasceu é a resposta de Deus a todos os Herodes de hoje e de sempre, que este menino que nasceu é um libelo de acusação contra os que usurpam, contra o déspota e contra o perverso.

Fiquei sobremodo emocionado com suas palavras e corri para abraçá-lo, ao fazer despertei do sonho com minha filha me abraçando e dizendo: Feliz natal papai, Jesus nasceu !

O DIA EM QUE ARRANCARAM A MINHA ÁRVORE...

Pastor Neucir Valentim

“Junto a o rio, às ribanceiras, de uma a outra banda, nascerá toda sorte de árvore, que dá fruto para se comer; não fenecerá a sua folha, nem faltará o seu fruto.” Ez 47:12a

Dizem que um homem para se sentir realizado tem que fazer três coisas: Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Bem, creio que neste caso sou um privilegiado, porque já fiz tudo isso em mais de uma vez.

Ocorre que a experiência de plantar uma árvore foi ilustrativa, isto porque, a primeira que plantei foi uma flamboyant, em frente à minha casa.


Lembro-me como se fosse hoje. Era uma manhã de sábado, e a minha primeira filha tinha ainda seus dois aninhos, juntos fizemos a empreitada.


Logo, a árvore tomou o seu rumo, e em menos de um ano já estava alcançando a janela do segundo andar do sobrado em que eu morava. No segundo ano, já uma árvore frondosa, chegava ao terraço, e sobranceira, jogava sua beleza por toda rua. Me sentia orgulhoso pela minha façanha. Afinal, fora eu quem plantara aquela maravilha da natureza.


Mas, nem tudo são flores, mesmo tratando-se de árvores. Por ser uma flamboyant, surgiu o problema de suas raízes, que logo, começaram a brotar com força total, levantando a calçada e adentrando para a casa da minha mãe no primeiro piso.


Para complicar a situação, estava já se encaminhando para o manilhamento de esgoto que saneava a rua. Senti no íntimo que teria que arrancar a minha árvore sem dó nem piedade, mas, comecei a defendê-la dos seus algozes: Aqueles que diziam sem nenhum tipo de piedade: Corta esta árvore fora! Tira isso daí, ela vai quebrar tudo! De alguma maneira, eu somatizava o assunto, e quando falavam nela, sentia-me como sendo a própria, e assim, tratava de argumentar ao contrário, dizendo que haveria um meio termo, quem sabe, cortando algumas raízes, etc. Sempre com desculpas esfarrapadas. Uma coisa era certa: Minha árvore estava causando problemas e eu não queria cortar as suas raízes.
Certo dia, cheguei em casa depois do trabalho, e para minha desagradável surpresa, ela não se encontrava mais lá, nem sombra, nem raízes. Havia sido arrancada totalmente.


Parecia que um vazio se instalara na paisagem. Fiquei triste. Soube mais tarde, que minha esposa, conivente com meu pai, deram um jeito de arrumar um trator da prefeitura para fazer o serviço, sem que eu pudesse intervir.
O fato inconteste é que a árvore precisava ser cortada, e eu, não queria admitir, apesar das conseqüências funestas que a mesma trazia, que a cada dia e a cada momento se ampliavam.


De alguma forma, somos assim para com algumas coisas que devem ser tiradas de nossas vidas, mas não temos coragem de fazer, porque nos agradam, “nos fazem bem,” ainda que, desagradando a muitos e até mesmo a Deus. E, em alguns casos o processo indica a necessidade de extração de uma raiz profunda, mas não queremos abrir mão, porque, afinal, nos causam certo “bem estar”, ainda que, prejudicando a muitos, destruindo coisas, quebrando a boa ordem da vida.


Eu sabia que se dependesse de mim, a árvore não seria arrancada; precisava de um auxílio externo, de alguém que, olhando o bem maior, a arrancasse. Mas, soube compreender o zelo dos que a tiraram sem dó nem piedade porque estavam com olhos corretos, desapaixonados. Logo plantei outra árvore no lugar, depois de uma pesquisa, descobri um tipo de árvore cujas raízes crescem para baixo, e não causam problemas a ninguém, e para minha felicidade, está lá até hoje, dando beleza, bem como, a satisfação que a primeira me traduzia, todavia, sem complicações.
Na nossa vida acontecem essas coisas. Plantamos árvores boas e más, e precisamos ter a coragem de arrancar as más, ou deixar que Deus as arranque, ainda que nos causem dores, para que outras surjam no lugar, que poderão embelezar a vida ao invés de criar problemas.
Querido, veja se existem raízes em sua vida que precisam ser radicalmente arrancadas. Quem sabe: Lembranças do passado, amargura, ódio, ou até mesmo ligações afetivas não saudáveis, que não produzem mais beleza alguma, apenas destroem as relações da vida. Se você não tem coragem suficiente para fazê-lo, peça a Deus que faça, mas deixe-O fazer por completo, e você verá que outras árvores bonitas aparecerão no seu caminho.
O CARÁTER DE EVA
Pastor Neucir Valentim

"Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Gn 3:6 "

O relato bíblico de Gênesis fala sobre a criação da primeira mulher Eva, mas conta-nos pouco de seu caráter antes da Queda do Homem, quando a mulher foi a primeira protagonista da história ao ouvir e conversar com a serpente.

Ocorre, todavia, que na teologia bíblica a mulher foi criada por Deus, e certamente tudo que Deus faz é bom, e a mulher não poderia ser uma exceção, portanto, tanto Adão como Eva eram perfeitos, e o caráter de Eva também o era, posto que a mesma era originária do homem e este de Deus (I Co 11:12).

Por que então Eva foi tentada primeiro que o homem? A teologia judaica sempre achou que o ato de Eva foi mais culpado do que o de Adão. Por essa razão, por muito tempo achou-se que era fácil enganar uma mulher. Ao contrário de Adão que tornou-se mais resistente, todavia a epístola aos Romanos vai atribuir a culpa direta ao homem mesmo (Rm 5:12 a 19), porque a sua responsabilidade era objetiva sobre a ordem que lhe fora dada.

Mas se a mulher não fora a responsável pela queda, mas coadjuvante da mesma, qual o seu papel nesse grande pecado que subjugou a raça humana?

Talvez o caráter ou a estrutura natural da mulher expliquem melhor as razões dos “por quês” a serpente chamou-lhe mais a atenção do que a de Adão: Vejamos algumas características femininas: A capacidade de observação. É notória a capacidade de a mulher perceber coisas que o homem não percebe. Costumo dizer que as mulheres têm a capacidade de pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, quando o homem pensa uma coisa de cada vez.

Uma coisa que sempre chama a atenção é a capacidade de a mulher perceber o mundo que a rodeia apenas num olhar, coisa difícil para o homem.

Quem nunca observou a diferença de uma mulher no tocante a vestimenta? Salvo algumas exceções, ela deseja que a combinação de sua roupa seja completa, ao passo que o homem pouco se importa com isso, muitas vezes, estes, misturam cores modelo, completamente desequilibrados, que para ele não diz nada, mas para a mulher é um desastre. Não quero dizer que esse padrão feminino seja errado, ao contrário, complementa ao do homem, todavia é mais fácil perceber uma serpente no Jardim do que o homem...

Ora o diabo é sagaz e atingiu qualidades especiais da mulher, usando-as a seu favor, ao passo que a mulher tem qualidades que os homens não têm, e vice-versa reside em si um misto de ingenuidade em contraste com sua grande observação.

Segundo o Livro Como se Comunicar melhor, de Colleen McKenna, existem características na mulher que a tornam mais suscetíveis a propaganda e ao apelo do Markenting: As mulheres, segundo o autor são mais suscetíveis a curiosidade. Ora, que mulher que passando, com a sua percepção aguçada, não seria chamada atenção por uma serpente falante, que atingiria suas necessidades básicas? Como sentir-se respeitada (a serpente encantou a mulher, encheu-a de respeito e elogio, certamente).

O relato bíblico é conciso quanto à tentação, mas podemos inferir que somos tentados de acordo com as nossas expectativas: A mulher gosta de ser compreendida, respeitada, elogiada. A serpente colocou-se como alguém que poderia atender seus reclames, seus sentimentos e compartilhar seus interesses.

O sexo feminino, também, gosta de sentir-se tranqüilizado. Não sejamos ingênuos com as artimanhas do diabo, em Efésios 6:11, o apóstolo Paulo nos adverte das ciladas do diabo, o vocábulo original nos remete mais para “métodos astuciosos”, logo os métodos que foram usados eram compatíveis com a natureza da mulher, e neste caso, por mais ousada que uma mulher seja, a sensação de ser tranqüilizada é imprescindível ao ataque do maligno, o autor enumera também a necessidade de sentir-se cuidada, e de ser útil, coisa que a serpente usou de forma a induzi-la ao erro: “Sereis semelhantes a Deus...” Ora, que coisa mais útil e de praticidade para a mulher, ser tão útil como o próprio Deus.

Na verdade o texto não afirma que ela queria competir com Deus, mas ter a capacidade de gerenciar os problemas da mesma forma que Deus gerencia... Não duvido que algumas mulheres gostariam de se multiplicar em mil para atender as necessidades da vida, até hoje é assim: Cuidam da casa, dos filhos, trabalham fora, estudam, cuidam dos maridos e ainda assumem outras atividades.

Na verdade a mulher tenta abraçar o mundo com suas mãos. Veja, essa característica em si só, não é pecaminosa, mas junto a sagacidade da serpente em fazê-la uma “deusa” ou uma super mulher, certamente aguçou os seus desejos femininos mais internos.
Por último, acrescento que a mulher tem uma capacidade de persuasão fora do comum.
As mulheres sabem seduzir bem o homem quando estão interessadas em alguma coisa, aliás, existem bastantes relatos bíblicos e históricos que nos remetem a essa verdade. Na verdade o homem comeu influenciado e persuadido pela mulher: O ditado: “Por trás de todo grande homem, há sempre uma grande mulher”, não deve ser entendido como depreciativo, mas como a evidência de que a mulher está por trás de quase todo projeto masculino, direta ou indiretamente, e o homem, apenas leva a fama.

Portanto, para compreender o relato da tentação, não podemos desconsiderar as realidades, o caráter e as necessidades femininas, naturais e abençoadoras, mas que podem ser utilizadas nas tentações diárias como aconteceu naquela primeira lá no Éden. Nem podemos ser simplistas em achar que essa tentação foi corriqueira e banal, deve ter durado o tempo necessário para que a serpente atingisse a mulher de forma completa, e produzir o resultado esperado.

O diabo usou de astúcia, e a sua primeira vítima foi a mulher, usando as suas características mais íntimas. Poderíamos dizer que o homem ouviu a mulher sem medir conseqüências e ser conduzido ao erro por uma variedade de características ao seu próprio caráter, que justificam a dura punição que recebeu, junto a sua esposa, de acordo com suas próprias peculiaridades também.

sexta-feira, 2 de maio de 2008


CUIDADO COM O CÃO - ISSO NÃO É BRINCADEIRA


“O que, passando, se mete em questão alheia é como aquele que toma um cão pelas orelhas. Como o louco que atira tições, flechas, e morte, assim é o homem que engana o seu próximo, e diz: Fiz isso por brincadeira.” Pv 26:17 a 19


O livro de Provérbios, escrito por Salomão, deveria ser objeto de constante consulta por nós cristãos. Ao escrevê-lo, o autor buscou nas experiências da vida, uma fonte inesgotável de ensinamentos e assim, traduziu em linguagem simples, mas inspiradas por Deus, provérbios que nos ensinam a lidar com o nosso próximo numa relação interpessoal melhor.
Entre muitos ensinamentos deste livro, temos estes dois supracitados: O primeiro deles resume-se no seguinte: Cuidado ao se envolver com brigas alheias. Acaba sobrando para você. Se você quer entender como isso acontece, é só puxar a orelha de um cão, que por bonzinho que seja, há de reagir imediatamente com uma mordida, se não para atacar, ao menos para se defender. Tem gente que não perde a oportunidade de se envolver em brigas dos outros, e vive reclamado pois “não entende porque sempre é mal compreendido”, e não se cansa de levar mordidas, e nem de pegar cães pelas orelhas.
O segundo ensinamento bíblico mencionado no texto refere-se ao comportamento cínico de gente irônica, que atira flechas, joga com palavras, e muitas vezes, palavras que matam, pois segundo a bíblia “a morte e a vida estão no poder da língua” Pv 18:21, e depois dizem cinicamente: - Fiz isso por brincadeira. - O que disse não era para ser levado à sério, - Eram apenas palavras ao vento, - Mas você acreditou no que eu disse?, etc. Uma coisa é certa, na linguagem de Salomão, muita gente usa este artifício para enganar o seu próximo. Se você não se comporta assim, mas gosta muito de brincar com as palavras. Cuidado! Veja se você não está usando a brincadeira para dizer coisas sérias, ou se não está sendo irônico demais ao ponto de atirar flechas contra o seu irmão. Não quero dizer com isso que não podemos brincar, rir e ter um comportamento alegre com o próximo, mas devemos sempre ter o cuidado de viver aquele ensinamento da Palavra de Deus: “Seja sempre o vosso sim, sim e o vosso não, não.” (Tg 5:12) Isto é, seja sempre honesto no falar, nos momentos de brincadeira ou de seriedade. A verdade deve marcar o nosso comportamento, até porque está escrito: “Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. ”Mt 12:36. Portanto, meu irmão, cuidado com as mordidas de cães e com as brincadeiras nas palavras.

Você já pisou em sepultura?
Pastor Neucir Valentim

“Ai de vós! porque sois como as sepulturas que não aparecem, sobre as quais andam os homens sem o saberem” . Lc 11:44

Segundo a lei mosaica, se um homem passasse por cima de uma sepultura sem o saber estaria imundo por sete dias, precisando submeter-se ao cerimonial judaico de purificação. Por isso um judeu tinha o cuidado de identificar as sepulturas a fim de não se tornar imundo por causa de, num descuido, pisar numa sepultura não identificada. Os fariseus sabiam disso. Conheciam a lei mosaica e ensinavam a religião, mas na linguagem de Jesus eles eram como estas sepulturas! Jesus foi, portanto, duro demais com eles ao identificá-los assim, não acha? Não! O Senhor estava retratando uma realidade espiritual de forma perfeita. Isto porque ele está falando para uma gente religiosa que colocava a religião acima da justiça, do amor de Deus, daqueles que buscavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus, daqueles que contaminavam os outros ao invés de salvá-los. Para estes não existia uma definição melhor! Sepultura oculta, escondida, pronta para tornar os incautos em vítimas de sua própria impureza. Quantos de nós já fomos vítimas destas sepulturas errantes e destes túmulos ambulantes que estão em nosso meio hoje? Gente com cara de santo, com jeito de santo, mas amarga e insensível para com tudo e para com todos. Gente legalista, que dá mais valor à regras do que ao espírito da lei, que é o amor. Gente que gosta de ser espiritual sem mostrar o fruto da piedade na existência. Como diz Paulo em II Tm 3:5 “tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder(..)”. Isto mesmo, gente que vive uma religião de fachada, que amaldiçoa ao invés de abençoar, que entristece ao invés de alegrar, que promove atrito e não a comunhão, que traz imundície a e não a santidade, que em última análise, traz morte e não vida, por onde passa e com quem se relaciona. Para esse tipo de gente só há uma orientação clara e objetiva na Palavra de Deus, no complemento do texto de II Tm 3:5 já citado: Afasta-te desses! Que saibamos identificar as sepulturas escondidas em nosso caminho.


LÁGRIMAS...
Jesus Chorou - João 11:35

João 11:35 é o menor versículo da Bíblia. Não obstante, encerra uma das maiores expressões de sentimento de Jesus em todo Novo Testamento, uma vez que ela descreve que Deus, não apenas se fez homem, em Cristo Jesus, como também participou da dor e da angústia humana. Em palavras simples, descobrimos que o evangelista, ao narrar-nos este fato leva-nos a pensar na belíssima expressão de compromisso de Deus com sua própria Palavra: “ Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos.” Is 57:15
O motivo imediato deste choro de Jesus é a morte de Lázaro, seu amigo. Bem como a dor de suas irmãs, Marta e Maria que estavam inconsoláveis ante a perda irreversível do mesmo, pois sabiam que a morte é absoluta, impenetrável e definitiva. Neste momento, o Senhor aparece, e sugere a Marta que há de ressuscitar o defunto, mas a despeito da incredulidade da mesma o Senhor opera o milagre e o morto ressuscita. A questão que se levanta é: Porque Jesus chorou mesmo sabendo que o morto recobraria a vida? Não foi afinal uma oportunidade impar para manifestar um dos seus maiores milagres? Ocorre que quando o Senhor Jesus olhou Lázaro morto, ele chorou não apenas por aquela família enlutada ou pela perda de um amigo, mas chorou pela morte que entrou na humanidade e enlutou a raça humana, que transformou as nossas relações em relações frágeis. Que limitou nossa vida a contos ligeiros, em dias efêmeros, que nos fragilizou, nos deixando suscetíveis a sepultura e a ter que viver neste vale de lagrimas. Jesus chorou por mim e por você, pelas perdas que certamente teremos. A grande lição destas lágrimas chama-se identificação, empatia e consolo que existirão nos momentos mais difíceis de nossa existência, visto que Deus estenderá a sua mão aos nossos olhos para enxugá-los de toda lágrima. Afinal, o próprio Jesus teve o seu confronto com a morte, por isso nos diz: “fui morto, mas eis aqui estou vivo pelos séculos dos séculos; e tenho as chaves da morte e do inferno.(Ap 1:18). Ele também passou por este vale de lágrimas e por isso é o Deus de toda consolação. (Rm 15:5).

segunda-feira, 28 de abril de 2008


QUAL É O SEU MONSTRO?
Pastor Neucir Valentim
Podes tu, com anzol, apanhar o Leviatã ou lhe travar a língua com uma corda? 41:2
O Livro de , no capítulo 41, aponta o Leviatã como o maior dos monstros aquáticos já existentes (embora em algumas Bíblias traduzem a palavra hebraica equivocadamente como crocodilo).
No diálogo bíblico entre Deus e , o primeiro revela as características do monstro, tais como: "ninguém é bastante ousado para provocá-lo; quem o resistiria face a face? Quem pôde afrontá-lo e sair com vida debaixo de toda a extensão do céu? Quem lhe abriu os dois batentes da goela, em que seus dentes fazem reinar o terror? Quando se levanta, tremem as ondas do mar, as vagas do mar se afastam. Se uma espada o toca, ela não resiste nem a lança, nem a azagaia, nem o dardo. O ferro para ele é palha, o bronze pau podre"
O filósofo inglês, Thomas Hobbes, em 1651, publicou o seu mais famoso tratado sobre Leviatã, em virtude de comparar o Caos ao monstro bíblico. Para ele, esse monstro representava toda maldade e conflitos que envolviam as sociedades, e que ninguém era capaz de domá-los.
Sendo ou não um monstro marinho antigo, Hobbes, em algum momento tem razão quando dá-lhe o nome de "caos", isto porque o caos é o ingovernável, é a mistura de coisas em total desequilíbrio; desarrumação, confusão, a mistura de idéias, sentimentos ruins, confusão e a balburdia.
Deus faz essa pergunta a , justamente porque ele estava vivendo um caos na sua vida, além de ter perdido tudo o que tinha, perdeu sua honra, sua saúde e seu rumo; na verdade a vida de estava uma verdadeira balbúrdia.
O mostro marinho, poderia ser compreendido facilmente por , tanto como a figura literal com o caos que se instalara em sua vida.
Depois que Deus pergunta-lhe quem pode domesticá-lo, apresenta-se no capítulo 42 como o "DEUS" que põe ordem em tudo, a tudo fez, e domina até mesmo o caos. Ele é o único que pode conter o Monstro, pois ele colocou ordem no caos quando a terra ainda era sem forma e vazia (era ingovernável e desequilibrada, imperando o caos), sim, nesse contexto de falta de governo de crise, de monstro marinho, Deus apenas com a sua Palavra, colocou ordem no caos, apenas dizendo, haja luz, e houve luz, haja separação entre mar e terra seca, e assim se fez, e ao final de cada ordem, lá no primeiro capítulo de Gênesis, ouvimos sempre o autor do livro dizendo: "e viu Deus que isso era bom!" e repete-se essa sentença a cada coisa que Deus põe em ordem!
Meu querido, conheceu o seu Monstro abissal, que lhe causava medo, sentiu o chão de sua vida ruir quando o caos de repente se instalou em sua vida. A confusão chegou, era notícia ruim, uma atrás da outra. Foi horrível a sua experiência, mas gostaria que você entendesse que ele também pôde aprender uma coisa: Quem coloca ordem no caos é o Deus Todo-Poderoso. Pode vir a confusão, pode vir os sentimentos mais perversos, a confusão mental ou até mesmo a balbúrdia, mas ao final, quem coloca o anzol no caos é o próprio Deus, o Deus que criou o mundo, que estava em desordem sem forma e vazio, e ordenou tudo conforme a sua Soberana Vontade.
Não há monstro que Deus não seja capaz de domar, não há situação onde Deus não possa entrar e colocar ordem, afinal ele é o Deus criador e sustentador de todas as coisas. só vai conhecê-lo plenamente depois que não tem mais respostas para sua vida. Que não há mais luz no fim do túnel, então, Deus abre-lhe o coração e se revela no capítulo 42 como o Deus que tudo pode! Afinal, diz o próprio Senhor: "Isaías 43:13: "Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?" Ele domina qualquer monstro que possa estar lhe aterrorizando, e põe ganchos nos mais poderosos monstros da terra pois ele há de colocar o anzol e livrá-lo.
Descansa nele, como ao final, o fez.

sábado, 26 de abril de 2008

Pensando e Repensando




A FRAGMENTAÇÃO DA IGREJA EVANGÉLICA
Pastor Neucir Valentim

Quem não percebeu que a Igreja Evangélica no Brasil está em crise, não se dá conta do que está acontecendo a sua volta.

Em primeiro lugar, estamos em crise de conteúdo Doutrinário – isto é, o ensino está completamente cheio de “heresias” e a cada dia chega uma nova, que invariavelmente chega a mente de irmãos, sejam novos ou veteranos, e o pior, muitos sentem que a igreja a qual estão filiados não prega “essas heresias”, dando a impressão que a igreja local é que não está aberta a novas visões.

Em segundo lugar, o número de “igrejas” cresceu assustadoramente. Quem vai de Niterói a Alcântara, não consegue mais contar nos dedos o número de igrejas. Cada qual com um estilo diferente, às vezes numa mesma rua, igreja lado ao lado da outra.
Tenho ouvido as seguintes expressões, não só aqui, mas ouvidas por colegas de várias denominações: pastor, eu amo a nossa igreja, mas abriu uma pertinho da minha casa, e vou ficar por lá.
Ocorre que essa que é pertinho, muitas vezes está a quilômetros de diferença do que sempre pregamos. Com esse tipo de êxodo, todas as igrejas estão sendo afetadas, fincando com o número reduzido, a rigor a maioria dessas igrejas tem de trinta a cinqüenta membros.
Em terceiro lugar, os tele-evangelistas estão criando uma sensação de igrejas virtuais. Quantas vezes já ouvimos: Não deu para vir a igreja, mas não perdi o culto e estou em comunhão com Deus, pois assisto regularmente o fulano de tal na TV.
Embora o fulano de tal não conheça você ou você a ele, se torna o seu referencial, posto que o mesmo é perfeito aos seus olhos, pois você não o conhece na intimidade, é apenas um modelo virtual e pastoreio, diferente do pastor local, do qual você tem que ouvir coisas boas e ruins: Esses não, estão sempre falando coisas agradáveis aos seus ouvidos, e quando não gosta ou muda de canal ou desliga a TV.

Em terceiro lugar, as mega-igrejas e mega-eventos causam em muitos uma síndrome de pequenez, de reducionismo! Olha lá o que eles estão fazendo, eles têm quatro mil membros, aquilo é que é igreja, tem grupos especiais, dão show e nós não fazemos nada disso! Ora, quem não sabe que numa igreja de mais de mil pessoas, e estou tomando por baixo, ninguém sabe quem você é, e você também não sabe quem é quem, a não ser os que se apresentam no palco do show do dia.... mas conhece apenas o nome e nada mais.
Dentro desse contexto, é comum o conhecimento de que em muitos grandes eventos, a orquestra, o coral, as apresentações são feitas sem que seu membros sejam crentes, alguns são grandes músicos pagos para abrilhantar o espetáculo, quem diz isso não sou eu, mas as grandes revistas evangélicas que circulam no mercado.

Em quarto lugar, surge o conteúdo do testemunho. Não se preocupam se os que freqüentam essas igrejas vivem o evangelho diário, são apenas Gospel, que fora dali, vivem uma vida completamente distanciada da pureza exigida pela Palavra. E nós sentimos muitas vezes, que eles estão com tudo, até que se descubra que há nos líderes, dólares na bíblia, na cueca, etc. quando viajam para o exterior... mas não importa, o que vale é o show, e como diz o ditado, o show não pode acabar.

Em quinto lugar é a síndrome que muitos têm que a grama do vizinho é melhor, isto é, que o culto é melhor, que o pregador é melhor, que a estrutura é melhor, que o pastor é melhor, e por aí vai, até que você tenha notícia de que por trás do que vê, existem as mesmas complicações naturais de uma igreja, todavia em escala maior.
Em sexto lugar, hoje tudo é relativo. O que o pastor prega o que se ensina na Escola Dominical, os ensinamentos do passado... Não é bem assim, dizem os espertos de plantão, sem nenhuma raiz com a igreja que vive e com sua doutrina estabelecida a luz da palavra de Deus.
Por último, temos hoje uma geração de associados nas igrejas, ou membros que somam mais um dígito no número nas grandes igrejas, tudo isso, menos ovelhas que são fiéis ao Sumo Pastor e , que na verdade não são pastoreadas por nenhum pastor físico, aliás, todos querem ficar na virtualidade!

Que Deus tenha misericórdia de seu povo!