quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A incredulidade dos irmãos de Jesus


A INCREDULIDADE DOS IRMÃOS DE JESUS!
Pastor Neucir Valentim



Pois nem seus irmãos criam nele. (João 7:5)

Eu e você sempre pensamos que a família de Jesus fosse uma família modelo de fé, não é verdade?

Afinal eles tinham com eles o Deus encarnado em pessoa. Aquele que veio ao mundo de forma sobrenatural e tão singular para atrair todos a si. Todavia quando lemos o capítulo sete do evangelho de João, nos surpreendemos com a incredulidade dos irmãos de Jesus.

Certamente os irmãos de Jesus foram criados ouvindo de Maria os feitos sobrenaturais do nascimento de Jesus, entre eles o cumprimento das profecias do Antigo Testamento, a manifestação do anjo Gabriel, os sonhos de José, marido de Maria e pai deles. A estrela que guiara os Magos até a estrebaria, os pastores que viram milícias de anjos anunciando o nascimento de Jesus, o ódio de Herodes para matar o “menino rei dos Judeus” os relatos de Simeão no Templo de Jerusalém e da profetiza Ana. A gravidez de Isabel, com João Batista no ventre, este primo de Jesus, a mudez de Zacarias pai de João Batista e parente próximo deles ao ver o anjo dizer que sua esposa Isabel que, era estéril, estava grávida e lhe dá o nome da criança, e o fato de ainda no ventre, Isabel grávida perceber que João Batista sentia a chegada de Jesus ainda quando ambos estavam no ventre das duas.

Enfim, muitas histórias descritas nos Evangelhos e outras tantas que nem conhecemos, mas certamente foram presenciadas e conhecidas mais minuciosamente pela mãe de Jesus e de José e seus familiares próximos.

A pergunta que naturalmente fazemos é: Como eles não acreditaram nem no pai nem na mãe de Jesus nem em sua família sobre efeitos tão sobrenaturais, que hoje cremos, simplesmente ao lermos? Porque duvidar do que os discípulos de pronto acreditaram? Veja que em João 7:3 os irmãos de Jesus debocham dele e ironizam os seus discípulos: “Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.”

Observe que somado a história miraculosa da vida de Jesus, que certamente ouviram dele e dos seus pais, eles também sabiam que Jesus operava milagres, leia o que está escrito em João 7:4 “Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.” Observe o que eles estão dizendo: Olha você aqui em Nazaré, mas vai lá para capital do país e do poder político, do governador, do Sinédrio, diante do poder romano para que para que todo mundo veja, vá para a Judéia!

Convém Lembrar que Jesus já operara muitos milagres por esse tempo, iniciado em Caná da Galiléia, na cura de diversas pessoas e paralíticos e de muitos sinais e prodigios realizados.

Estamos, portanto, vendo um caso típico de incredulidade.
Em primeiro lugar a incredulidade é um estado de espírito que empana os sentidos mais básicos do ser humano como a visão, audição, tato, paladar, olfato, etc., Ela obtura tudo, por mais que alguém veja, sinta, prove, cheire o poder de Deus, nada as fará crer ou mudar a percepção incrédula.

Não adianta perceber que o gosto da água se transformou em sabor de vinho puríssimo, e de grande qualidade, que essa transformação ocorreu por vontade divina, que os olhos viram um aleijado de 38 anos, andando carregando o seu próprio leito de enfermidade, completamente são. Não adiantava ouvirem que todo o povo de Israel, desde a Galiléia até regiões mais humildes se curvavam perante ele, ou mesmo sentirem o cheiro de um defunto prutrefado transformando-se e produzindo algo como o cheiro de bebê de banho tomado, que nada absolutamente muda para um coração endurecido pela incredulidade.

Em segundo lugar a incredulidade além de inutilizar os nossos sentidos para “o agir” de Deus, impede a ação de feitos miraculosos na vida de quem está próximo, isto é, a incredulidade é contagiosa, perigosa e destruidora da fé, que promove os atos poderosos de Deus na execução dos milagres em nossas vidas.

Quando Jesus estava com os seus parentes em Nazaré, não pode fazer muitos milagres, a não ser uns poucos em quem ele tem que colocar a mão (coisa que Jesus faz apenas ali) por causa da incredulidade deles. “E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.” Mt 13:58.

A incredulidade produz um deboche irônico, uma soberba existencial que desdenha dos atos de Deus e seus milagres. Foi isso em síntese o que os irmãos de Jesus fizeram, debocharam, escarneceram, ironizaram com altivez dele... Se quiseres ser conhecido, vai lá para a Judéia... Lá tem gente importante... Imagino as risadas e o sarcasmo.
Em terceiro lugar incredulidade nos aparta de Deus! Que coisa horrível deve ser andar e viver longe de Deus. Olha o que diz o autor aos Hebreus: “Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do Deus vivo.” Hb 3:12

Em quarto lugar a incredulidade nos põe em guerra contra Deus, como diz o autor de Hebreus: “Por isto me indignei contra essa geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, e não chegaram a conhecer os meus caminhos. Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do Deus vivo. Hb 3:10 a 12.

Por último, a incredulidade pode ser produto do pecado, forjado e desenvolvido no coração humano quer pelo ciúme, pelo ódio, pela inveja ou competições; observe que estamos falando do que pode ter acontecido no coração dos irmãos de Jesus para que a incredulidade se instalasse. Em Hebreus vemos que o pecado pode gerar incredulidade: “antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado.” Hb 3:13.
Portanto meus queridos, se os irmãos de Jesus que viram, sentiram, tocaram, ouviram detalhes de sua história do que nós nunca vimos, viram os milagres e foram vítimas da incredulidade, tenhamos cuidado, porque isso pode acontecer no coração dos mais desavisados. E o risco da incredulidade é mortal. Fujamos dela, pois com ela jamais, repito, jamais poderemos ver a glória de Deus.

Creia que Deus pode usar aquele que você talvez menos acredite (pai, mãe, filho, esposo, esposa, conhecido próximo), porque Jesus era íntimo deles, mas essa intimidade se tornou em completa incapacidade de intimidade com o poder de Deus.
Não permita que a incredulidade tome conta do seu coração, antes nutra-o com a fé, pois , como dia a Bíblia (Mc 9:27) tudo é possível ao que crê!

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