segunda-feira, 27 de julho de 2009

Alergia Espiritual

ALERGIA ESPIRITUAL
Pastor Neucir Valentim

A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância estranha ao organismo, uma hipersensibilidade além do normal a um estímulo externo. Em palavras simples alergia é uma ação desordenada e exacerbada do organismo, que ao invés de produzir saúde ao corpo, o adoece, pensando que o está protegendo.
Uma pessoa alérgica, reage muito diferente de uma pessoa comum a presença de um simples corante no refrigerante por exemplo, ou mesmo, pode desenvolver reações violentas no simples contato com um aracnídeo chamado ácaro que só é visto à luz de um microscópio, mas está em toda parte. Um alérgico pode ter uma reação de choque anafilático e mortal até por uma simples picada de abelha. Em outras palavras, o alérgico sofre com coisas com as quais todos convivem bem, como um simples pólen de flores, mas para ele é um grande problema. Seu corpo está em constante processo de irritação e inflamação, por qualquer bobagem.
Gostaria de pensar que assim como existem pessoas acima, existem também os alérgicos espirituais, gente que tem uma resposta exagerada e desproporcional ao que lhe cerca, e faz com que seu espírito adoeça facilmente.
Assim como há vários tipos de alergia física, há muitos tipos de alergias espirituais, desde uma pessoa que se sensibiliza fácil com o que vê, houve ou sente, como reage desproporcionalmente a uma palavra, uma ação que segundo os seus estímulos hipersensíveis, logo se ofendem. Ou pessoas que sofrem demasiadamente a coisas que são tão minúsculas como um micro ácaro. Gente que se escandaliza fácil, gente que se aborrece fácil, gente que se mordida por um pequeno inseto, é capaz de sentir-se ferido de morte.
Às vezes estranhamos aquelas pessoas que são perfeccionistas, exageradamente escrupulosas, ou profundamente sistemática que não consegue viver sem sofrer, as vezes por causa de uma vírgula, de uma coisa fora de lugar, de um simples esquecimento de alguém que deveria fazer alguma coisa e não o fez, a reação dessas pessoas é a de um alérgico espiritual, supersensível a qualquer coisa que entende como sendo certo, mas que na verdade, é uma reação exagerada as coisas comuns da vida.
O alérgico espiritual sofre tanto como o alérgico físico. Ele reponde a estímulos de forma desordenada ainda que não querendo, pois o seu grau imunológico é muito alto, e daí sofre mais do que os outros também.
Assim como a alergia simples que não tem cura, assim é a alergia espiritual, ambas precisam ser tratadas, cada qual de uma forma específica, através dos chamados histamínicos, remédios esses que informam ao organismo que esta tudo bem... Que ele se acalme e volte à normalidade diante de seu sofrimento desproporcional a um simples agressor, com quem todos convivem.
Assim como o alérgico começa na pesquisa das coisas que lhe fazem mal está na busca e na identificação do agente alérgino, assim também é o tratamento de quem tem alergia espiritual. A pergunta deve ser: O que me faz reagir assim, de forma exagerada? O que me causa problemas terríveis, mas a outros não? Por que eu tenho esse tipo de resposta onde poeira ser outra? Por que eu fico assim diante de coisas, as vezes, tão banais? E acima de tudo, qualquer alérgico deve ter em mente que o problema não está no mundo, nas coisas, nos detalhes, nos atos e fatos, está nele, no seu sistema imunológico adoecido, que lhe passa informações erradas.
Ao digitar essas palavras, o meu nariz está doendo, e acaba de pingar uma minúscula gota de sangue... Sabe por que? Eu sou alérgico. E o meu sistema imunológico não consegue viver com ácaro, mas como eu vou viver se tem ácaro em quase todos os lugares do mundo? E por que estou nesse estado? Porque as minhas reações imunológicas atentaram contra mim mesmo. Pensando em me defender, o meu sistema exagerou tanto que fez com que os cornetos do meu nariz ficassem inchados, que a adenóide ficasse com quase o triplo do tamanho, que a minha respiração se tornou um fardo. Por isso estou assim, e quando não consigo controlar mais essas coisas, elas são obrigadas a serem retiradas cirurgicamente! Quão terrível é ser alérgico! O que fazer? Em alguns casos um simples tratamento imunológico adequado resolve, ou vacinas sistemáticas, e remédios, mas uma coisa eu sei, o problema está em mim, não fora de mim. Se eu posso controlar o ácaro o farei, se não vou tentar usar remédios, caso contrário, vou parar é na mesa de cirúrgica mesmo.
Eu não gosto de ser alérgico, mas sou... Assim também como ninguém gosta de ser pecador... mas somos! Paulo, escrevendo aos Gálatas (Gl 5:19 a 21) ele enumera um monte de alergia que o nosso próprio ser produz... Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas. Sim, essas coisas são produzidas pelo homem pecador, que reage de forma errada a esses estímulos, e se agente não prestar atenção eles vão criar problemas, pois essas coisas reagem de forma errônea diante do mundo. Não é tirando o mundo que vamos resolver o problema, mas identificar “o quê” dessas coisas, nos faz enfermar.
No meu caso, como disse acima, não tive jeito, tive que ir para o bisturi, na vida espiritual é assim também, mas quem opera garante o resultado eficaz da cirurgia, não é como o meu médico, que disse que tenho 80% de chance de ficar bom, depois disso tudo, continuar tratando... na vida espiritual não é diferente.
Pense nisso, com carinho.

Confissões de uma vela





CONFISSÕES DE UMA VELA

Pastor Neucir Valentim




Sou uma vela de cera, tenho um pavio feito para clarear, moldada a parafina.
Sou frágil, e minha vida é fugaz. Em pouco tempo acesa a minha utilidade vai embora, e só restam ceras derretidas de mim.

Sou usada para utilidades domésticas, como, por exemplo, quando falta energia elétrica em alguma casa; se bem, que ultimamente, tenho sido substituída por luzes de emergência. Fico feliz quando numa casa, na escuridão, usam-me para iluminar o ambiente, livrar alguém de um tropeço ou mesmo tirar o medo de alguma criança.

Mas, confesso que como vela, fico muito triste, quando alguém me usa para um fim para o qual não tenho utilidade. Fui feita para iluminar a escuridão deste mundo aqui, e mesmo assim de forma muito breve, mas alguns, na ingenuidade espiritual acreditam que eu posso iluminar o caminho da eternidade, e me usam para "iluminar" o caminho de algum morto.

Ora, quanta tolice, se eu mal consigo iluminar a vida aqui, como posso entrar no indevassável mundo dos mortos! Como posso iluminar uma vida espiritual na eternidade se na vida material minha luz é tão passageira.

Certo dia uma senhora me comprou em uma loja com o objetivo de iluminar o caminho de seu filho que havia falecido.

Acendeu-me em uma praça, próxima a uma igreja, fez petições, chorou, rezou e ofereceu-me como uma luz para o seu filho que havia partido deste mundo, como ela estava triste, e como eu também fiquei.

Eu queria ser usada para um fim, de fato, útil e não para algo que não posso realizar: Iluminar o caminho eterno de alguém. Como sou tão passageira, logo que a senhora saiu, deu um forte vento e apaguei, não fui criada para uma atividade tão inútil.

Como alguém pode pensar que uma vela, como eu, cuja luz é tão breve, pode iluminar a eternidade? Amigas minhas são levadas a procissões para acompanhar imagens com o mesmo objetivo, tentar entrar no indevassável mundo dos mortais, para conseguir algum tipo de graça.

Ora que coisa mais sem graça. No dia em que a senhora que me levou para tentar iluminar o caminho do seu filho, ela recebeu um folheto que falava de umas lindas palavras da verdadeira luz: onde Jesus, dizia assim: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." Evangelho de João 8:12.


Fiquei pensando comigo mesma: como pode uma pessoa, que tem a possibilidade de ter a Verdadeira Luz do Mundo, optar por uma simples vela? Como pode alguém que em vida não conseguiu a iluminação para sua vida aqui e na eternidade, esperar que uma simples vela possa fazer alguma diferença?

Como podem me colocar no lugar de alguém cujo brilho é superior ao brilho do sol, posto ser ele o Criador do universo? Como pode alguém trocar o Senhor Jesus por uma vela? Como posso eu iluminar a eternidade de uma alma, se Ele, como diz as escrituras é a luz insubstituível para os mortos e vivos: "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela."

Sim, não há trevas que ele não ilumine! Por um momento fiquei confusa, até que entendi porque muita gente não escolhe Jesus, porque se olharem para sua luz que de fato é a verdadeira: É que as suas próprias obras serão reveladas: "
E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más." Jo 3:19.


Sim, muita gente usa a luz de uma vela porque a sua luz é incapaz, inclusive de revelar-lhes os seus próprios erros e pecados, por isso não querem Jesus iluminando e preferem uma vela, talvez apenas para aplacar seus sentimentos de tristeza, culpa e dor e nada mais. É justamente isso o que a escritura ensina: "Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Jo 3:19"

Outros fazem por ignorância mesmo, mas não tenho como falar as pessoas, até porque uma vela não fala. Mas se você é um cristão, pode ajudar as pessoas a ouvirem o que a Verdadeira luz falou: "Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." Jo 8:12.

Diga a essa gente que eu nada posso fazer para ajudá-las a iluminar o caminho de alguém. Diga-lhes que isso é tolice, e diga-lhes do Salvador Eterno, que pode iluminar dar verdadeira luz a vida, mas não se esqueça de dizer como ele ilumina nas trevas da eternidade, apenas aqueles que o conheceram aqui, uma vez que deixando esse mundo sem ele, as trevas de fato prevalecerão em suas vidas eternas, e que esses, jamais verão a luz de novo.


Façam isso, porque muitos estão perdidos sem conhecer as confissões de uma simples vela. Pregue acerca do Salvador que disse: "Eu, que sou a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas." João 12:46, e que nunca confiem na incapacidade de uma simples vela que se apaga ao vento ou se derrete a simples chama de um pavio.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Aitofel

AITOFEL
Pastor Neucir Valentim



Davi Está lutando com seu filho rebelde Absalão e, reconhece que está vivendo algo que está além de suas forças, porque um inimigo novo se apresenta no contexto, com o qual ele não contava, um agente a mais para somar contra, o que torna a luta extremamente desigual.



Este inimigo tem um nome: Aitofel! Em II Samuel 15:31, diz que, quando Davi estava fugindo de Absalão, recebe uma notícia bastante desagradável: "Aitofel está entre os que conspiram com Absalão", diante do que Davi clama: "Ó Senhor, torna em loucura o conselho de Aitofel! "



Davi sabia que Aitofel era um elemento desestabilizador, uma inteligência poderosa a serviço daquele que desejava destruí-lo. Convém lembrar que Aitofel era nos dias de Davi uma mente sagaz, genial e altamente estratégica ao ponto de ser considerada a "voz de Deus", o oráculo do Senhor, tanto para Davi quanto para Absalão.



Veja o que diz II Samuel 16:23: "O Conselho que Aitofel dava naqueles dias era como se o oráculo de Deus se consultara." É por isso que Davi fica perturbado. Sua luta contra Absalão era ruim, mas era uma questão de tempo, afinal o experiente rei era perito em enfrentar inimigos ousados, mas agora é diferente; não é apenas uma peleja comum, envolve conselhos ardilosos, estratagemas, planos inteligentes de um inimigo que certamente é pior do que seu filho Absalão, e superior a sua capacidade de luta.



Muitas vezes vivemos um quadro semelhante ao de Davi; são aquelas lutas que enfrentamos e que com o tempo aprendemos a levar em banho-maria, até que um fato novo acontece e descobrimos que existe uma outra mente por trás, muito mais inteligente, mais perversa, e que certamente nos dá uma tremenda sensação de impotência. Cremos que muitos são os "aitoféis" em nossas vidas.



Eles representam aquelas possibilidades embaraçosas com as quais nem gostamos de pensar, representam os nossos medos, nossos receios ante um confronto maior, representam os nossos pontos fracos ou nosso calcanhar-de-Aquiles.



Representam também aquele tipo de situação que, em apenas imaginar, o nosso coração estremece e diz: Ó Senhor, se isso acontecer eu não agüento, desisto! Até este ponto da história, a briga era coisa de família, e Absalão não convencia a ninguém que sua batalha contra o pai era séria, mas com o conselho de Aitofel a coisa assume proporções inimagináveis.



Em II Samuel 16:20 e 21, está registrado que o conselho que Aitofel dá a Absalão é de tirar o fôlego, revelando a sua malignidade e inteligência: "Violenta publicamente as mulheres de teu pai e o povo saberá que o seu ódio é sério, e que você não está aí para brincadeira."



Nada mais perverso, mas ao mesmo tempo verdadeiro do ponto de vista político. O que Absalão promoveria seria algo tão abominável que impossibilitaria qualquer meio de reconciliação.
Assim os inimigos de Davi confiariam em Absalão e se juntariam a ele. Este tipo de mente perversa muitas vezes entra em nossos conflitos elementares, tornando coisas pequenas em problemas insuportáveis, que quebram, rompem as nossas forças e também toda chance de uma saída honrosa, de um desfecho pacífico.



Portanto, em última análise, Aitofel representa o diabo e suas astutas ciladas, as quais não podemos vencer sem o discernimento e a ajuda que vêm do alto. Ele é, portanto, a síntese do encurralamento e do estreitamento angustiante nas situações beligerantes da vida.



O que Davi faz quando está numa situação assim é apelar para aquele que é mais forte do que ele e mais forte do que seu adversário; é isso que lemos em II Samuel 15:31. Ele ora, clama a Deus diante do quadro trágico que vive e o medo que sente.



O Salmo 55 foi escrito quando Davi vivia esse momento, observe então a sua oração para sentir a angústia de sua alma: “quem me dera ter asas como pomba, então voaria e encontraria descanso, fugiria para bem longe... ” Este Salmo revela a sinceridade e o desejo de seu coração. O que é isso senão a vontade de sumir diante de algo desagradável? “Quem me dera estar longe disso tudo!" Ora, essas palavras de Davi também passam pela nossa mente e coração.



O segredo da vitória de Davi, entretanto, não está no desejo de fuga que todos nós temos quando a situação aperta, está no versículo 16 deste Salmo: “Eu invocarei a Deus e o Senhor me salvará.” Aí está a sua arma poderosa, a confiança no Deus que tudo pode e que por nós tudo executa. (Salmo 57:2). E ele, como fez com Davi, há de atender a sua oração e transformar em loucura o conselho de Ailtofel.



Ao final da história, Deus ouve a roação de Davi, vai ao encontro de seu servo, e confunde o grande "conselheiro" Aitofel, de modo que só cabe a ele o suicídio, afinal, é impossível derrotar a voz soberana de Deus quando atende aos seus filhos.



Aitofel, na verdade, acaba confundido e torna-se o primeiro homem da Bíblia a se enforcar, pois Deus dera o seu basta. "Vendo, pois, Aitofel que não fora seguido o seu conselho, albardou o jumento, dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; morreu e foi sepultado na sepultura do seu pai. Samuel 17:23."


Confie no Senhor e Ele há de derrotar qualquer Altofel da sua vida!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Conflito de gerações


CONFLITO DE GERAÇÕES

Pastor Neucir Valentim

"Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los." Mt 23:4

Ao longo de minha vida tenho observado algumas coisas que me chamam a atenção. Entre elas está a briga de gerações. Ela está presente todo dia e em todo o lugar, mas na igreja se evidencia de maneira mais peculiar.
Dias desses dei-me contas de como somos diferentes. Usei como teste um som emitido pelo computador que somente ouve quem tem menos de 24 anos , e que em contrapartida, os mais velhos, nos quais me incluo, não ouvem.
Coloquei o tal som para tocar... Confesso que não ouvi absolutamente nada. Pensei que fosse mais uma mentira da Internet, mas quando chamei minhas duas filhas para onde eu estava fazendo o meu teste com som, elas me disseram quase que juntas: "Pai, pelo amor de Deus, abaixe esse som terrível do computador"; como tinham outros adolescentes na sala todos ouviram, menos eu.
De fato, o som criado para espantar multidões de adolescentes, para mim não fazia nenhuma diferença, devido à natureza de decibéis do meu tímpano em contraste com o tímpano com os de idade mais jovem.
O que pude perceber é que em virtude das nossas idades, o funcionamento e a reação do nosso corpo, através de seus sentidos, mudam a cada geração ou à medida que uma geração se afasta da outra.
Se não levarmos isso em consideração, numa comunidade como a igreja, que deve pertencer a todos, teremos sérias dificuldades de vivermos juntos, em outras palavras, precisamos entender que o outro nem sempre tem a mesma percepção de mundo como a nossa...
Quando eu penso em som, penso também em outras coisas típicas da juventude e que, porque já passamos por ela, esquecemos.
Lamento quando um adolescente não entende que para os nossos ouvidos, os sons que esbravejam, através de instrumentos musicais e microfones, agridem a nossa audição, ainda que eu saiba que seu tímpano, em fase de desenvolvimento peça mais som, e aí, coitado dos ouvidos dos mais velhos e da queixa dos passantes. E a lei está justamente aí para ajustar o som em 75 decibéis, no máximo, para resguardar os nossos ouvidos.
Por outro lado, fico triste com os mais velhos que não suportam as atividades dos adolescentes, saem dos cultos aborrecidos, sem nenhum tipo de piedade ou compreensão, falando um monte de palavras duras.
Se por um lado os adolescentes ainda não desenvolveram a maturidade da audição, sinto que muitos "mais velhos" não desenvolveram a maturidade da compreensão. Isto porque, vejo homens e mulheres que fizeram muita bobagem na sua juventude, agora esquecem completamente como viveram, foram barulhentos, e pior ainda, quando muitos, nem pertenciam a Cristo, usaram seus membros para perdição, agora, sem nenhuma compaixão com aqueles que estão dedicando a sua juventude a Cristo, e que deviam louvar ao Senhor porque estão vivendo uma vida diferente da de muitos outros jovens perdidos no mundo, e que, porque são mais velhos, reclamam por uma bobagem que façam, e esquecem que Deus perdoou caminhões de erros de suas vidas quando jovens.
O que proponho é que haja bom senso em nossa "guerra" de gerações. Um armistício, um desarmamento, pois caso contrário não poderemos dizer que vivemos no mesmo corpo, a Igreja.
Dessa forma, solicito aos mais velhos que por um momento lembrem-se das bobagens que fizeram na sua juventude e agradeça a Deus pelos problemas que a juventude, cheia de vivacidade produz, sem colocar sobre os mais novos um jugo que alguns sequer puderam suportar quando a viveram. Ao mesmo tempo, solicito carinhosamente aos adolescentes, jovens e afins, que entendam que os nossos ouvidos são mais sensíveis, e que o que para eles pode ser bom, para nós é uma agressão auditiva digna de qualquer bom senso. E que também atrapalha o nosso culto e o nosso bem estar.
Igreja não é lugar de uma categoria apenas, mas de várias, tanto de classes sociais, como também de grupos de gerações diferentes, enquanto não entendermos isso, estaremos colocando sobre o outro um jugo insuportável, que quando estamos em outra realidade, jamais suportaríamos.
Pensem nisso com amor.


Choro de raiva ou de pena?



CHORO DE RAIVA OU DE PENA?
Pastor Neucir Valentim
Estou triste,

Acordei triste hoje, e ando meio desiludido com o que vejo. Primeiro a decepção com os arraiais evangélicos, e com a própria Instituição Evangélica, que abriu mão de valores básicos e está negociando outros valores, como status, fama, poder e dinheiro.

Segundo, porque vejo na maioria das pessoas da fé, uma profunda falta de raiz com os valores que eu achava que elas tinham. Ninguém tem convicções sólidas, o relativismo de fato, ocupou a mente de quase todos.

Duas pessoas me procuraram para dizer que estavam deixando a suas “igrejas”, porque estavam com situações irregulares na vida conjugal, mas esse não foi só “o” problema. O que me deixou triste e perplexo é como acharam tão fácil renegar a fé, e a igreja, sem nenhum senso de perda.

Tudo é como se os vínculos espirituais não fossem mais nada.

Acabei de ouvir um amigo meu, veterano no evangelho dizer que está gostando muito de um pastor Adventista, que prega muito bem na TV! Fiquei curioso, porque sei que o tal pastor só prega heresias (ora bolas, o pastor é adventista...), e ele, veterano crente no seio evangélico, nem sabe mais discernir o que é certo ou errado, e o que aprendeu anos a fio, ou será que não tinha aprendido nada?

Acabei de receber um vídeo pela Internet de uma pessoa evangélica próxima: Adorou o vídeo... Mas ela não se deu conta e que o vídeo é uma pura mensagem das Testemunhas de Jeová! Não teve ou tem nenhum pouco de senso bíblico crítico.

Levei outro susto quando fui conversar com uma determinada pessoa que me disse que ia mudar de igreja, porque estava querendo variar um pouco, apenas por isso. Perguntei-lhe: Mas sua igreja está com algum problema?
Ela me disse friamente: Não, não há problemas, mas o pastor de lá me chamou para conhecer um pouco a igreja dele, e vou ver se é legal... Isso me assusta. Mudar de igreja para ver se lá é legal!

Muda-se de igreja hoje como se escolhe uma blusa, uma muda de roupa, que pode ser melhor que a usada no dia seguinte, ou uma nova lanchonete na área a ser experimentada. Onde estão as Raízes?

Em terceiro lugar, tenho visto uma profunda desvalorização do caráter, onde não escapa nem os líderes, que perderam os escrúpulos e não estão nem aí para a ética, para o “agir” bem, para o compromisso com a seriedade, aliás, acho até que alguns esqueceram o que significa essa palavra... Traem, enganam, falam mal, criam situações embaraçosas, dissimulam, fazem qualquer negócio para conquistar ou ganhar algum prestigio em troca de uma idéia nebulosa de se perpetuarem no comando ou num poder tão firme como a areia da praia e tão sólido como a neblina que se esvai com o calor do sol. Quanta tolice!

Acho que alguns deveriam refazer a matéria chamada ÉTICA nos seminários onde aprenderam a teologia... Bobagem, teologia sem ética é mais perigosa ainda...Mata!

Em quarto lugar, muitos que ainda mantinham escondidos os seus problemas e a sua pequenez, além de perderem o caráter estão também perdendo a honra. Não estão nem aí para o que os outros vão pensar do julgamento moral de seus atos, de sua postura e imagem pública. Estão olhando apenas para o seu interesse imediato, para o seu pequeno mundo de valores tão baixo.

Em quinto lugar, não consigo acreditar no que se faz em nome da fé...

Embora a história fale do que já se derramou de sangue em nome da “fé” e do “cristianismo” já era para desconfiar que não existem limites quando se quer usar a religião ou a “fé”, para fins espúrios, que vai de uma mentira banal a todo o tipo de má fé usada para que se logre êxito em qualquer coisa, nem que se negocie importantes valores espirituais, por interesses tão passageiros e ilusórios. Não há mais nada que não se negocie ou jogue fora, depois que se acabam os valores mais básicos de quem crê – a sua fé!

Pois é, está tudo mudado, não há de se apostar mais em nada, porque quando se perdem os valores, perde-se tudo, pois quando se vai a essência, o que fica é fumaça.

Mas eu ainda penso que vale a pena acreditar, ser honrado e honrar a fé, a despeito de tudo isso, afinal, Jesus já havia dito: Quando o Filho do homem voltar achará fé na terra? (LC 18:8). Cada dia fica mais difícil admitir que essa pergunta incomoda muito diante do que vemos e ouvimos.

Pense nisso.




Como amo essas mulheres!


COMO AMO ESSAS MULHERES!
Pastor Neucir Valentim
Existia um homem muito próximo a mim, éramos muito ligados! Vivíamos juntos! Não sei como, mas disputávamos, milímetro a milímetro, o mesmo lugar... Na barriga da minha mãe, compartilhando o mesmo ventre comigo, na mesma ocasião, no tempo e no espaço o tempo todo. Deve ter sido uma briga boa. Confesso que não me lembro. De verdade! Explico. Eu era gêmeo bi-vitelino, mas creio que não deu para nós dois disputarmos o mesmo ambiente, o mesmo carinho, o mesmo afeto. Era ele ou eu! E ele, então certo dia, sem falar com ninguém, resolveu sair “de casa antes”. Minha mãe pensou que tivesse perdido o seu bebê, mas era o outro que tinha vindo, que saíra antes do tempo. Não sobreviveu... Mas, para surpresa dela, e do médico, eu ainda estava lá, agora sozinho... Reinando sem nenhum concorrente por perto. Meses depois nasci para viver entre as mulheres.
Amo as mulheres, no sentido mais puro da frase.
Fui criado com mulheres. Minha mãe e três irmãs. O contato que tinha com meu pai era mais esporádico, pois ele trabalhava, saia cedo de casa, etc. Meu pai sempre foi gente boa, mas gostava de futebol, de campeonatos, e confesso que como não sou nenhum Ronaldinho, acabei não acompanhado tanto as suas atividades esportivas...
Já com minha mãe e minhas irmãs, eu era mais próximo. Dormia no mesmo quarto com minhas irmãs, não brincava “de” bonecas, mas “com” bonecas. Queria saber o que elas tinham dentro do corpo... Abria uma ou outra de vez em quando, fazia pesquisa. “Matava” as suas bonecas. Eu sei que isso é feio, mas a minha natureza era, como a dos homens, predatória.
Aceitei a Jesus muito cedo, e me tornei um “rato-de-igreja” e estava em todas as reuniões. Como na maioria das igrejas, a União Feminina é mais forte, lá estava eu, de novo, entre as mulheres... Não perdia uma reunião feminina... Conhecia o seu “moto” sua música e suas manias... Queria estar na igreja! Como naquele tempo não era comum ser crente. Havia poucos adolescentes na igreja, então acabei mesmo, ficando junto às mulheres de Deus. Com o tempo, é óbvio, as coisas mudaram, quando chegaram então os adolescentes, os jovens, etc. Me enturmei com a minha categoria.
Cedo me casei. Encontrei outra mulher, agora a minha esposa, e logo depois, chegava em minha vida outra mulher, a minha filha mais velha... Que felicidade! Na segunda gravidez de minha esposa, na ultra-sonografia a médica falou: “O papai vai ter mais uma menininha!” Um pouco encabulada. Mas para mim, quanta felicidade. Agora estava eu, de novo, cercado de mulheres.
Sempre entendi que Deus é sábio, e quando ele disse que não era bom que o homem estivesse só, e que far-lhe-ía uma adjutora - A mulher. Acertou em cheio – Aliás, Deus sempre acerta, nós é que erramos.
A mulher preenche as necessidades do homem. Deus fez assim – Homem e mulher, e não mais que isso! Fora disso não presta, e fez para o nosso bem, digo, o bem dos homens. Por isso Adão, o primeiro homem falou: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada”.Gn 2:23.
Deus ama as mulheres, de forma especial. Foi por um ventre materno que ele entrou na História do homem. Foi através das mulheres que Jesus teve a sustentação do seu ministério: “Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens.” Lc 8:3.
Foram as mulheres as primeiras testemunhas da ressurreição. Tudo bem, nenhum dos homens acreditou nelas, e Pedro teve que conferir, mas foram elas que souberam da boa notícia primeiro!
Hoje digo para os homens que são pais: o que seria de nós se não fossem as mamães. Somos tão atolados!
Mas elas são fortes! Não sentimos os enjôos da gravidez, não ficamos com varizes, não temos o nosso corpo deformado, não temos que sentir aquelas fortes dores do parto. Não temos que amamentar ninguém...
Fico imaginado os homens, tão moles e tão sensíveis como são, sobreviveriam as dores do parto, alguns que sequer agüentam uma dor de cabeça...
Bem, são as mulheres que embalam os homens no mundo. Cantam as primeiras canções, dão as primeiras lições, etc. Se existe até um dia dos pais, foi porque antes, houve um dia das mães, e uma mãe que cuidou com carinho desse pai...Que agora pode ser homenageado. Mas cá entre nós, as mulheres são as mulheres, Deus nos fez muito bem.
A minha filha acaba de ler este artigo, e com a peculiaridade da sensibilidade feminina me perguntou: “Pai, os homens não vão ficar chateados por um artigo que não fale sobre eles?” Então tive que lhe explicar uma coisa sobre os homens que, certamente ela não conheça: Nós homens não somos tão sensíveis nessa área não. Para nós as palavras não têm o mesmo significado que as mulheres (e eu conheço de mulheres, lembram?) Para nós homens, palavras deste gênero não são tão importantes assim.... Nós homens somos meio frios, mecânicos, às vezes insensíveis e durões demais para isso, mas já as mulheres... Bem elas pensam bem diferente da gente. Ainda bem!
Como amo essas mulheres.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Qual é o seu monstro?

QUAL É O SEU MONSTRO?
Pastor Neucir Valentim




Podes tu, com anzol, apanhar o Leviatã ou lhe travar a língua com uma corda? Jó 41:2
O Livro de Jó, no capítulo  41, aponta o Leviatã como o maior dos monstros aquáticos já existentes.
No diálogo bíblico entre Deus e Jó, o primeiro revela as características do monstro, tais como: “ninguém é bastante ousado para provocá-lo; quem o resistiria face a face? Quem pôde afrontá-lo e sair com vida debaixo de toda a extensão do céu? Quem lhe abriu os dois batentes da goela, em que seus dentes fazem reinar o terror? Quando se levanta, tremem as ondas do mar, as vagas do mar se afastam. Se uma espada o toca, ela não resiste nem a lança, nem a azagaia, nem o dardo. O ferro para ele é palha, o bronze pau podre”
O filósofo inglês, Thomas Hobbes, em 1651, publicou o seu mais famoso tratado sobre Leviatã, em virtude de comparar o Caos ao monstro bíblico. Para ele, esse monstro representava toda maldade e conflitos que envolviam as sociedades, e que ninguém era capaz de domá-los.
Sendo ou não um monstro marinho antigo, Hobbes, em algum momento tem razão quando dá-lhe o nome de “caos”, isto porque o caos é o ingovernável, é a mistura de coisas em total desequilíbrio; desarrumação, confusão é a mistura de idéias, e sentimentos, confusão mental e a balburdia.
Deus faz essa pergunta a Jó, justamente porque ele estava vivendo um caos na sua vida, além de ter perdido tudo o que tinha, perdeu sua honra, sua saúde e seu rumo, na verdade a vida de Jó estava uma verdadeira balbúrdia.
O monstro marinho, poderia ser compreendido facilmente por Jó, tanto como a figura literal com o caos que se instalara em sua vida.
Depois que Deus pergunta-lhe quem pode domesticá-lo, apresenta-se no capítulo 42 como o “DEUS” que põe ordem em tudo, a tudo fez, e domina até mesmo o caos. Ele é o único que pode conter o Monstro, pois ele colocou ordem no caos quando a terra ainda era sem forma e vazia (era ingovernável e desequilibrada, imperando o caos), sim, nesse contexto de falta de governo de crise, de monstro marinho, Deus apenas com a sua Palavra, colocou ordem no caos, apenas dizendo, haja luz, e houve luz, haja separação entre mar e terra seca, e assim se fez, e ao final de cada ordem, lá no primeiro capítulo de Gênesis, ouvimos sempre o autor do livro dizendo: “e viu Deus que era isso era bom!” e repete-se essa sentença a cada coisa que Deus põe em ordem!
Minha querida, Jó conheceu o seu Monstro abissal, que lhe causava medo, sentiu o chão de sua vida ruir quando o caos de repente se instalou em sua vida. 
A confusão chegou, era notícia ruim, uma atrás da outra. Foi horrível a sua experiência, mas gostaria que você entendesse que ele também pode aprender uma coisa: Quem coloca ordem no caos é o Deus Todo-Poderoso. Pode vir a balbúrdia, pode vir a confusão, pode vir os sentimentos mais perversos, a confusão mental ou até mesmo a balbúrdia, mas ao final, quem coloca o anzol no caos é o próprio Deus, o Deus que criou o mundo, que estava em desordem sem forma e vazio, e ordenou tudo conforme a sua soberana vontade.
Não há monstro que Deus não seja capaz de domar, não há situação onde Deus não possa entrar e colocar ordem, afinal ele é o Deus criador e sustentador de todas as coisas. 
Jó so vai conhecê-lo plenamente depois que não tem mais respostas para sua vida. Que não há mais luz no fim do túnel, então, Deus abre-lhe o coração e se revela no capítulo 42 como o Deus que tudo pode! Afinal, diz o próprio senhor: “Isaías 43:13: Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” 
Ele domina qualquer monstro que possa estar lhe aterrorizando, e põe ganchos nos mais poderosos monstros da terra.
Descansa nele, como ao final, Jô o fez.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Quando caí da escada

QUANDO CAÍ  DA ESCADA...
LIÇÕES DE UMA QUEDA!
Pr. Neucir Valentim
Estou digitando esse pastoral com dor no meu braço esquerdo, esforçando-me para fazê-la, isto porque caí, isto é fui vítima de uma queda da escada quando tentava trocar lâmpadas do lustre da minha casa, na altura de 3,60 metros, bati com minhas costas na estante que me fraturou a costela. Conseguiu formar uma pleurite com sangue no pulmão e maculou o tendão de meu ombro esquerdo.. 

Posso dizer que por fora estou bem, mas por dentro, estou quebrado. Não posso fazer nada a não ser ficar sossegado e tomar remédios, pois costelas não se engessam, nem tendões. Estou até ausente da igreja. Quedas fazem isso.
Por isso eu gostaria de tirar lições espirituais desse fato fazendo uma analogia à queda, sinônimo do pecado, que ronda a vida de todos nós (Hb 12:1), e sem saberem que estão próximos a cair, e quando mal perceberem já estarão no chão, espiritualmente falando, baseando-me nas fases do que aconteceu comigo no meu pequeno acidente:

A primeira fase para a queda está na incapacidade de saber que podemos cair, digo, na alta confiança perigosa, onde achamos que quedas só acontecem na vida dos outros e que não somos vulneráveis a ela e dizemos em nossa vaidade: "Eu tiro de letra... Não preciso de ninguém..." Cuidado com essa prepotência. Seja vigilante, porque em um milésimo de segundo você poderá estar no chão, e é mais rápido do que imagina. "Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia." I Co 10:12.

A segunda fase é ter uma obstinação cega em conquistar o alvo, no meu caso, eu queria estar acima do lustre para lá trocar as lâmpadas, querer ver o brilho delas sem saber que o olhar deve ter pelo menos três dimensões: o alto, o  baixo, e os lados. Olhe tudo, não se fixe num objetivo, por mais nobre que seja sem saber quem e o que estará ao seu lado, olhando a sua base e não se esquecendo de olhar para o céu. Muita gente cai porque olha somente para o objeto do seu desejo, o brilho ofuscante do mesmo e esquece o mundo que o rodeia: gente, pessoas amigas, pais, mães, conselhos, experiências de outros e não considera mais nada na vida, isso é um perigo, mesmo em coisas banais. Olha o que a Bíblia diz: "Onde não há conselho, frustram-se os projetos; mas com a multidão de conselheiros se estabelecem." Pv 15:22

A terceira fase é querer estar no topo a qualquer custo, no meu caso, quis subir até o último degrau, quando descobri que o lugar mais perto do topo é ironicamente o chão. Sim tem gente que faz de tudo para estar no topo, perto das luzes, acima do bem e do mal, desconsiderando às vezes, que o topo é muito perigoso, e que o lugar mais seguro na escada da vida é o meio, onde há mais segurança. Foi assim com Gideão, que se sentia o menor de todos, nas tribos de Israel e diante de Deus, mas quando  achou que era alguém importante, caiu e fez todo Israel errar: Disso fez Gideão um éfode, e o pôs na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu ali após ele; e foi um laço para Gideão e para sua casa. Jz 8:27." No topo, qualquer desequilíbrio derruba, qualquer movimento por menor que seja, abate
Aliás, a nossa sociedade vive pregando que devemos estar no topo a qualquer preço, mesmo desconsiderando os meios, pisando nas pessoas. Tolice para os que já  aprenderam como o topo é um lugar passageiro, ilusório e muito perigoso, pois nele, e só acima dele está você, e não tem ninguém com você, às vezes, você pensa que nem Deus está  acima e vive sem Ele, essa é a tragédia de quem vive querendo obstinadamente o lugar mais alto. Cuidado com esse chamariz tão propagado, onde os fins justificam os meios. Foi assim que o Diabo caiu! O fim neste caso, será inevitavelmente uma grande  queda, pois quanto maior o topo, maior o impacto da queda.

A quarta fase na queda é não entender que o conhecimento é bom, a cultura, seja ela secular, teológica ou genérica é importante, mas na hora da queda, elas não te seguram, falo isso porque caí com as costas na minha estante, cheias de  livros e de várias informações, mas foi justamente no lugar do "meu conhecimento", que me machuquei mais. 

Não acredite que já sabe tudo, que o conhecimento  intelectual pode evitar a queda, pelo contrário, em algumas horas ele machuca mais do que você imagina. Busque a sabedoria, mas não se estribe na cultura para se garantir da queda. O sabe-tudo pode ser o seu maior vilão.

A quinta fase é administrar a queda. É muito difícil - a primeira coisa que acontece é que quando batemos com força no chão, nossa voz se cala. Apesar de querermos gritar! Sim, eu chamava "alto", mas ninguém me ouvia, porque na verdade eu não conseguia gritar, e as quedas seculares revelam a nossa incapacidade de conseguir ser ouvido, pois só somos ouvidos quando estamos no alto, no chão, o som some, o grito é interno e nada mais.

A sexta fase é perceber que não conseguimos gritar, porque o ar do pulmão fica bloqueado, o ar no texto bíblico original é pneuma, representa a ausência do Espírito Santo, que foi deixado por nós, quando inspiramos outros ares, muitas vezes da arrogância, da soberba ou da vaidade, da vida que nos inflam, mas que se vão tão facilmente. Somente o Espírito Santo é o nosso Ajudador, mas na queda, e somente nela é que descobrimos que devemos orar como Davi: "Não retires de mim o Teu Espírito.."

A sétima fase é buscar levantar para procurar ajuda... Ver o que estragou e identificar a nossa impotência diante do qual frágil somos, mas por vezes arrogantes. 

No meu caso a minha filha queria me levar para o Hospital, mas... Ora bolas, quem sou eu para precisar de ajuda! Foi só questão de tempo, horas depois vi como meu braço estava paralisando, as dores aumentando e minha esposa, que estava ausente, já sem nenhuma resistência de minha parte, me levou para o médico ver o estrago... 

Por último, quando se cai da escada, se quebra a costela, há um significado importante que tiro daí. Adão disse com respeito à Eva, no projeto de Deus para a família: "Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada." O que eu quero dizer que a nossa costela quebrada representa a esposa, e por extensão os nossos filhos, ninguém cai absolutamente sozinho, sempre leva alguém a sofrer junto, no meu caso, foi minha costela que sofreu comigo, ficou fraturada, meu braço ficou machucado, enfim a família, querendo ou não sofre com as nossas quedas e falências. 

Por isso, entenda as fases da queda,  veja como funciona e aprenda como evitá-la, lembre-se e desvie delas a todo tempo, é mais fácil cair do que se imagina, eu nunca me imaginei caindo de uma escada, me achava um exímio trocador de lâmpadas! Talvez você nunca se veja caindo num pecado... Mas é muito mais  fácil do que imagina e os estragos são enormes, mas se caiu, procure ajuda, ainda que não consiga falar sussurre, clame e alguém te ouvirá, e, sobretudo o próprio Deus, mas tenha muito cuidado, o brilho das luzes encantam, e a busca do topo cega os nossos olhos quanto as possibilidades de um grande tombo. Se cair, faça da sua queda um meio para aprendizado, pois a Bíblia diz que a tribulação produz peso de glória, faça dela uma oportunidade de aprendizado: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória." II Co 4:17.
Pense nisso, e cuidado com as escadas da vida, são perigosas...


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Minha conversão e a importância do trabalho infantil

MINHA CONVERSÃO E 
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO
 INFANTIL NA IGREJA!
Pastor Neucir Valentim



Lembro-me como se fosse hoje: Aos seis anos, andava pelos cantos de minha casa triste e chorando escondido, sem motivos aparentes para isso. Sentia vontade de expor aquela tristeza interna que marcava a minha alma, e por isso chorava muito. 
Sempre fui muito amado pela minha família, e nunca tive motivos aparentes para aquela compulsão para o choro que me vinha regularmente.  
Lembro-me que um dia, ainda  com aquela angústia na alma, fui para rua brincar, como todo garoto de minha  idade. De repente, olhei para o céu. 
Vi algo que parecia uma mão acenando para mim, chamando-me para si. Nunca havia tido tal experiência, nunca havia freqüentado a nenhum grupo religioso cuja idéia de "visões" era comum. Para mim aquilo era estranho, inusitado, mas gostoso. Incontinente, procurei minha mãe, e lhe mostrei o que estava vendo. Ela olhou para o céu e nada viu. 
A visão da mão no céu me era exclusiva. Mas, mesmo desconhecendo o fenômeno, ou o que pudera ser, deu-me ela uma grande orientação: - Meu filho, se você está vendo alguma coisa, vá para casa, dobre o seu joelho no chão e peça a Deus que Ele há de esclarecer. 
Sem mais delongas, sozinho, ajoelhei-me aos pés da cama de minha mãe, e fiz uma pequena oração, de alguém que  nem ao menos sabia orar: Em palavras pobremente  colocadas, mas numa oração sincera, pedi a Deus um esclarecimento daquilo que via. Quando então o meu coração ouviu e entendeu de forma clara o significado daquele episódio: Segurança, dizia ao meu coração - Salvação! Era isso o que eu ouvira, Era isso o que me  estava prometendo aquela mão  e o meu coração entendera bem. Pouco tempo depois, mudei-me para Niterói. 
Aquela experiência nunca mais fora esquecida, havia marcado a minha pequena existência. Certo dia, andando numa rua próxima a minha casa, ouvi uns cânticos de uma igreja evangélica na rua Visconde do Uruguai, elas me atraíram como os insetos são levados à luz. As músicas procediam de um culto infantil, com bandinha e tudo mais. Entrei meio perdido e desajeitado e fiquei para ver o que era. Ao final do culto, o pregador fez o seguinte apelo: Quem quer ter SEGURANÇA e SALVAÇÃO, somente poderá encontrá-las em Jesus! Nada mais claro em minha vida. Ele estava falando comigo sobre o que me acontecera algum tempo atrás. Para completar, o hino cantado logo após o apelo foi: "Quando Jesus estendeu A SUA MÃO, quando Ele ESTENDEU A SUA MÃO PARA MIM, eu era pobre perdido, sem Deus sem Jesus, quando ELE ESTENDEU A SUA MÃO PARA MIM..." 
Naquela hora me rendi a Cristo, indo a frente,  atendendo ao apelo do pregador e reconhecendo-me como pecador, e aquela tristeza que invadia meu  coração durante minha pequena existência fora embora instantaneamente, e nunca mais  senti aquela agonia de alma que me levava a chorar, sem saber os motivos, mas que certamente eram de alguém que precisava e queria conhecer a Cristo, ainda criança.
Convém lembrar que naquele dia ninguém anotou o meu nome ou me deu atenção, afinal, eu era apenas uma criança... mas Jesus havia anotado o meu nome no Seu Livro da Vida.
Querido irmão, essa experiência não é só minha. Segundo o "Hand Book on Children's Evangelism" de Lionel Hunt, publicado pela Moody Press, os números abaixo, revelam, de maneira inequívoca, que a melhor idade para a evangelização e a conversão de uma pessoa está na infância. Observe como os coraçõezinhos estão abertos para Cristo em tenra idade:

Antes dos 5 anos - 1%
De 5 a 15 anos - 85%
De 15 aos 30 anos -10%
Após os 30 anos - 4%

Perceba como é grande o índice de conversão nas idades de 5 a 15 anos! Segundo as estatísticas, essas conversões são genuínas e duradouras, e parte dos que se decidem por Cristo nessa idade, tornam-se crentes sinceros até o final de suas vidas.
D. L. Moody disse: "Eu creio que, se as crianças tem idade suficiente para vir à Escola Dominical, elas têm idade suficiente para vir ao Calvário. Vamos abrir nossas mentes e que Deus nos ajude a ganhar as crianças para Cristo." Observe que Moody não está apenas dizendo que as crianças devem vir à Escola Dominical, mas sobretudo, serem levadas ao Calvário. A Escola Dominical não deve ser um fim em si mesma, mas o instrumento de Deus para levá-las a cruz, caso contrário, será apenas mais um ativismo, cujo fim se perde em si. 
C.H. Spurgeon, o príncipe dos pregadores afirmou: "Geralmente tenho encontrado um conhecimento mais claro do Evangelho e um amor fervoroso na criança convertida a Cristo do que no adulto convertido. Elas não precisam abandonar a incredulidade e as noções erradas que impedem tantos de aceitar o Evangelho" e ainda acrescentou: "Uma criança de cinco anos, devidamente instruída, pode verdadeiramente crer e ser regenerada tanto quanto um adulto."

 Como seres espirituais, existe nas crianças uma profunda sede de Deus, que certamente este mundo não pode saciar. Quando o salmista diz que a alma tem sede de Deus (Sl 42: 1 e 5), está incluso todo ser humano, entre eles as nossas crianças. Que desesperadamente carecem de Deus, como todo pecador, sendo no entanto, segundo as estatísticas, mais prontas a ir às águas cristalinas da fé.
Que Deus abençoe a nossa igreja dando-nos a firmeza do ministério infantil. Que pensemos mais em nossas crianças, que elas possam ser levadas ao Calvário, numa experiência de profunda regeneração.
Lembro-me dessa canção como se fosse hoje! Veja  no vídeo o Hino na voz de Luiz de Carvalho:

sábado, 27 de setembro de 2008

Impunidade de Hitler aos que adulteram remédio

IMPUNIDADE
DE HITLER AOS QUE ADULTERAM REMÉDIO
PARA GANHAR DINHEIRO
E MUITO MAIS...

Pastor Neucir Valentim

"E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. Ap 21:12"

Talvez, nenhum versículo bíblico infunde mais temor do que este, onde, revela-nos de forma clara que todos comparecerão diante do trono de Deus. No entanto, de igual forma, como nenhum outro, traduz-se numa profunda esperança, para os filhos de Deus, num mundo de impunidades. Segundo fica claro, ninguém, absolutamente, fugirá do Grande Trono da Majestade.

Foi possivelmente, esta a visão que o compositor bíblico Asafe teve, quando escreveu o Salmo 73. Neste Salmo, o autor bíblico quase entrou em perturbação mental, quando, analisando a vida, percebeu que os ímpios, os perversos, os prevaricadores, os odiosos, sempre se dão bem na vida.

Dentro de seu raciocínio humano, olhando a impunidade dos maus e a desdita dos justos debaixo do sol, tudo parecia funcionar as avessas, e que o mal é bem aquinhoado e o justo na maioria das vezes é prejudicado: "Quanto a mim, os meus pés quase resvalaram; pouco faltou para que os meus passos escorregassem. Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Porque eles não sofrem dores; são viçosos, e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens. Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre como um vestido." (Sl 73:3-5).

Depois de analisar a vida humana, Asafe tem uma profunda crise existencial, na dificuldade de assimilar tal contraste: "Quando me esforçava para compreender isto, achei que era tarefa difícil para mim" (Sl 73:16). E assim, os seus pés quase escorregaram, pois passou a julgar que não valia a pena ser justo, pois ao final da história, o arrogante, o soberbo, o usurpador, acabava sempre, levando a vantagem na vida.

Talvez você esteja sofrendo a síndrome de Asafe, em achar que não vale a pena ser justo, que o perverso é que se dá bem, que o ímpio cresce e não há quem o detenha, principalmente, se você foi vítima de um tirano, de um arrogante ou de um soberbo, dos quais, encontramos muitos exemplares vivos em nosso dia a dia.

Tranqüilize-se! Faça como fez o autor sagrado: Vá ao templo de Deus, e contemple pela fé o fim deles!

Olha o que descreve Asafe quando olhou com olhos espirituais: "até que entrei no santuário de Deus; então percebi o fim deles. Certamente tu os pões em lugares escorregadios, tu os lanças para a ruína. Como caem na desolação num momento! ficam totalmente consumidos de terrores. (Sl 78:17 a 19)

O que esse homem de Deus viu, foi que um dia a impunidade terá fim, que os maus serão chamados a juízo, que a causa do justo será cobrada do injusto, e que existe alguém que se assenta no trono, e que nada fica impune ao seu olhar perscrutador!

Não importa se for gente grande ou pequena, se é um grande salafrário, tirano, ou pequeno perturbador existencial.

Todos, grandes ou pequenos, importantes ou não, comparecerão diante de Deus. Certamente neste dia se apresentarão grandes personagens da história como Adolfo Hitler, Stalin, Nero, os grandes faraós, Calígula, Himmler (o chefe da terrível SS nazista), Napoleão, Mussoline e muitos outros, grandes nomes; mas estarão lá também o Zé da esquina que não lhe deixa em paz, o diretor tirano de sua empresa, o patrão que esfola o direito do seu empregado, o professor carrasco, que faz de sua sala de aula um nicho para massacrar seus alunos, o marido que humilha a esposa, dentro de quatro paredes, o pai que infringe castigo aos filhos por prazer mórbido.

Estará lá o seu Carlos da farmácia, que vende remédio falsificado contra o câncer, para ganhar dinheiro a custa da dor e da tragédia alheia, os construtores que burlam a lei, e expõe a risco vidas humanas. Estarão os políticos corruptos, os assassinos de nosso povo, os grandes traficantes e os seus "bagrinhos". Todos diante do tribunal, sem exceção! Porque aquele que se assenta do trono, é o Soberano Juiz. E ninguém pode fugir de sua presença. Aleluia!

Que esta lembrança o ajude a ver que não há mal que dure para sempre, e que um dia, todos, inapelavelmente, serão chamados a responder pelos seus atos. Que isso nos infunda temor, mas também, a certeza de que vale a pena servi-lo com amor, e não se deixar abater pelas ações do perverso. Lembre-se: Há um Deus no céu que tem um título muito precioso: JEOVÁ DÃ, que significa que Jeová é o nosso juiz, o que julga o mundo, e sobretudo, as nossas causas. Pense nisso!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O velho armário da igreja

O VELHO ARMÁRIO DA IGREJA
Pastor Neucir Valentim

"...a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um." I Co 3:13

Dia após dia, lá estava ele no corredor do edifício de Educação Religiosa da Igreja. Tratava-se se um armário velho, de madeira, que possivelmente, já dera tudo de si, durante boas décadas. Agora com o tempo, carcomido pelas traças já não prestava para nada, senão para ser queimado.

A sua aparência exterior não revelava o seu estado verdadeiro. Antes, quem o olhasse rapidamente, acharia nele um armário útil e lustroso, todavia, sem uso, sem serventia, apenas ocupando um espaço para a passagem de um transeunte ou mesmo para um móvel melhor.

Não tive dúvidas quando constatei a sua inutilidade. Levei-o para o pátio da igreja e ateei fogo. Não demorou muito para que as traças, suas moradoras antigas, começassem a sair rapidamente, certamente reclamando da expulsão repentina de tão amplo alojamento. O fogo também foi rápido. Como não havia muita consistência naquele armário oco, alquebrado pela antigüidade, logo se extinguiu e não resistiu por muito tempo as chamas que deram sobre ele. Em poucos minutos, um armário, talvez, de várias décadas, foi reduzido à cinzas, sem nenhuma parcimônia.

Posso tirar algumas lições importantes desse episódio corriqueiro. Em primeiro lugar, Deus nos vê como utensílios também, em sua casa. Em II Timóteo 2:20 o apóstolo relaciona os crentes como utensílios que servem à casa do Senhor, o exemplo no texto é o vaso, que ornamenta e guarda objetos ou muitas vezes torna-se símbolo de vexação e tropeço: "Ora, numa grande casa, não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro; e uns, na verdade, para uso honroso, outros, porém, para uso desonroso". Isto posto, entendemos que, por vezes, nos tornamos um armário na casa de Deus, que à semelhança desse que por mim foi queimado, devido a sua inutilidade, será também queimado pelo Senhor da seara, uma vez que não há mais utilidade na casa de Deus!

É isso aliás o que fala João Batista no tocante ao resultado do que produzimos na vida cristã: "Também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo." Eis aí uma analogia perfeita com o nosso armário. Toda árvore, isto é madeira, e pode ser a de um antigo armário, se não produzir bom fruto deve ser queimada mesmo! Sem dó nem piedade.
É por isso que o apóstolo Paulo nos exorta quanto a um constante exame de consciência, pois à semelhança do armário da igreja, as nossas obras se manifestarão, no fogo, onde, diante do Senhor, provaremos a nossa utilidade ou inutilidade no Reino de Deus!

Aquele armário parecia ser útil à vista, e durante bastante tempo guardou muita coisa boa, foi objeto de valor na igreja, mas chegou o dia em que não produziu mais nada digno de apreciação! Ficou oco e vazio e transformou-se em morada de traças. Muitas vezes, somos semelhantes a ele. Durante bons dias, já guardamos coisas boas, e por longo tempo, fomos vasos de honra, mas com o passar dos anos, começamos a guardar coisas antigas, sem utilidades para o presente, nutrimo-nos de um passado sem vida, que produziu em nós apenas um alojamento de traças, que não só destruíram a nossa espiritualidade, como colocaram em risco a utilidade de muitas coisas importantes no reino de Deus.

Mesmo assim, nos sentimos intocáveis, apenas ocupando lugar, atrapalhando o caminho dos que querem passar para uma caminhada mais espiritual. Nos tornamos como aquele armário inútil do edifício, que bonitinho por fora, carregando apenas uma fachada de espiritualidade, mas que na verdade, estava cheio de traças, coisas ruins, impiedade, sequidão e pecado!

Não se engane, assim como o armário de nossa história foi reduzido à cinzas em poucos minutos, assim também pode acontecer conosco, se não tivermos uma consistência espiritual verdadeira, seremos provados pelo fogo, e Aquele que a tudo examina, conhece de fato o nosso interior, pois os seus olhos são como chamas de fogo, a tudo prova e a todos examina e perscruta!

O nosso armário, para alguns, talvez, fosse importante demais, pela sua história na igreja, pelo seu passado de utilidades e pelo seu aparente proveito mas, quando foi provado pelo fogo, ficou evidenciado, que até a sua própria estrutura estava atingida pela ação do desuso e das traças. O fogo provou a sua inutilidade! E você meu querido irmão, pode ser provado pelo fogo também?

Você está sendo útil no reino de Deus, ou está apenas ocupando espaço? Você se sente intocável e guardião das antiguidades históricas ou está apenas sendo um depósito de traças? Cuidado para não se tornar um velho armário de igreja e acabar indo para o fogo do exame divino!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A síndrome do sabe-tudo

A SÍNDROME DO SABE-TUDO
Pastor Neucir Valentim
“ Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus.” Mc 10:17.


A síndrome do sabe-tudo, é o comportamento que caracteriza aquele tipo de gente que sempre acha que sabe todas as coisas. Dá palpite em tudo, e sempre se acha o portador e porta-voz da verdade.

A sua palavra, numa discussão, sempre deve ser a última. E mais, está sempre atualizado nas últimas novidades, ainda que falando de coisas que desconhece. Os portadores desta síndrome sempre acham que os outros não sabem nada, são uns ignorantes à margem do processo do conhecimento, seja no conhecimento científico, político, filosófico, histórico ou até no bíblico.

Não possuem algo, popularmente conhecido como desconfiômetro, isto é, a capacidade de desconfiar que o seu ufanismo desagrada e o torna, por vezes, intolerável. Em última análise, os portadores desta síndrome gostam de sentir-se os bons mestres dos ignorantes.

Jesus nos dá uma linda lição no texto de Marcos 10:17. Um moço rico, possivelmente inteligente e culto, chama-o de Bom Mestre (o que faria vibrar qualquer portador da síndrome do sabe-tudo), ao que Jesus responde de imediato: Só há um que é bom - Deus. Jesus não usou de falsa modéstia, muito pelo contrário, foi honesto em sua resposta. Ele sabia que, mesmo sendo Deus, estava encarnado, por conseguinte, sujeito às limitações naturais da mente humana. Aliás, é um grave erro teológico entender que Jesus, enquanto homem, estava pleno de toda potencialidade divina. Paulo afirma-nos que Jesus humilhou-se a si mesmo, tomando forma humana (Fl 2:5 a 8), isto é, se esvaziou voluntariamente dos atributos incomunicáveis da divindade e ficou sujeito aos limites humanos.

Por isso o Senhor tem fome, sede, não é onipresente, pois tem que caminhar de um lugar para outro, não sabe todas as coisas, (Mt 24:36). Sim, na sua limitação humana, Jesus estava despojado das prerrogativas divinas. Em momento algum deixou de ser Deus; não obstante, ficou limitado à natureza do homem, e feito um pouco menor do que os anjos conforme Hb 2:9. E qualquer ensinamento que não traduza a encarnação em humilhação, em perda, em esvaziamento, está distante do entendimento do fenômeno genuíno que aconteceu ao filho de Deus. Por isso Jesus recusou ser chamado de Bom Mestre, para nos ensinar a lição da humildade, contra a jactância daqueles que desejam ser chamados de mestres.

O Senhor Jesus não deu espaço a esta síndrome. Não quis ser o sabe tudo da história ou o detentor da sabedoria efêmera.
Rejeitou ser chamado de bom mestre! Preste atenção em algumas regras de boa convivência e perceba como você pode imitar ao Senhor.
1) Nunca ache que você sabe tudo e que os outros nada sabem.
2) Reconheça que você não é conhecedor de tudo na vida.
3) Seja honesto e corajoso para dizer: - Conheço muito pouco sobre este assunto.
4) Quando for necessário diga : - Você está com a razão.
5) Se der alguma informação errada, corrija-se, dizendo humildemente que errou.
6) Nunca se esqueça de dizer: Muito obrigado por me ensinar algo que eu não sabia.
7) Saiba que sempre existe alguém que tem algo a ensinar-lhe .
8) Reconheça as suas limitações.
9) Ouça mais o que os outros têm a dizer e se preocupe em falar menos.
10) Seja humilde! Fazendo assim você será muito mais admirado, pois está crescendo na estatura espiritual de Cristo.