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sexta-feira, 2 de julho de 2010

O culto e a pós-modernidade

O CULTO E A PÓS-MODERNIDADE
Pastor Neucir Valentim

Antigamente, tínhamos um número enorme de grupos na igreja e a juventude participava efetivamente dos trabalhos da igreja. Funcionavam as Confederações, as Federações e as Uniões de acordo com as suas respectivas faixas etárias.

De um tempo para cá, todos nós, e não digo levianamente de forma generalizada, porque acho que a generalização é perigosa, mas baseado nas conversas com pastores e líderes dos mais diversos agrupamentos que funcionavam assim, e de fato é: Algo mudou, e as coisas não são mais como antigamente. Não podemos negar uma verdade tão clara, ao mesmo tempo não adianta forçar algo que não está funcionando, porque buscamos com isso, colocar a culpa dessa natureza interna da igreja sem olhar o pano de fundo que nos envolve, aí culpamos alguém pela situação, primeiro o pastor,depois os jovens, depois os adolescentes, depois não temos mais desculpas para dar e voltamos à velha ladainha: não é mais como antigamente!

De fato não é mesmo. Dias desses um pastor veterano cuja igreja era poderosa em cantatas e em atividades de deixar os outro babando me disse: - Pois é as coisas mudaram na minha igreja, já não fazemos aquilo que outrora éramos bons, está todo mundo com compromissos, e já não existe aquela igreja ardorosa de outrora. Ele se sentia culpado, mas depois refletiu melhor e está entendendo o processo. Colocar a culpa na pós-modernidade parece que cai como uma "desculpa" para os mais antigos, pois não compreendem que ela mudou todos os relacionamentos.

Alguns insistem em não ver que ela mudou e que essa transformação alcançou a igreja, só os que não a conhecem bem, não entendem o poder do impacto em nossas relações.

Primeiro temos uma igreja hoje mais secularizada: Os jovens que viviam na igreja, geralmente tinham uma meta, terminarem o primeiro ou o segundo grau, arrumar um trabalho e viver com a família em sua igreja.

Só nesse quesito muitas coisas aconteceram. Hoje, ter uma faculdade já não significa muita coisa, e as pessoas "ralam" para conseguir um lugar ao sol, mais notadamente a maioria de nossos jovens e adolescentes estão "correndo atrás dos estudos" porque o mercado de trabalho não perdoa.

Os adolescentes estão em pré-vestibulares exaustivos ou em cursos de preparação, os que estão na graduação não tem tempo para nada, e quando terminam, precisam de uma pós-graduação e um mestrado. Faça uma enquete na igreja e veja quantos estão estudando alguma coisa para arrumar algum lugar ao sol, e você ficará espantado como está todo mundo exausto querendo uma qualificação melhor, e isso tem começado bem mais cedo do que imaginamos. Em segundo lugar a cultura da informação instantânea e de entretenimento é extremamente cativante e desigual para com as igrejas.

O Brasil é tido como o país onde o "internauta" passa a maior parte do tempo em frente ao computador, chegando a alguns casos há 13 horas por dia, a televisão como canal fechado (vários canais de entretenimento) também tem sido uma fonte de busca e de passatempo agora, disponível a uma parcela maior da população, nem quero entrar no mérito do YouTube que já concorre com a TV comum.

A TV aberta está cultivando novos ídolos do Brasil: O futebol, a novela e os realities Shows, a coisa é tão absurda que se consegue mais votos nesses programas "ao vivo" para os seus concorrentes, do que para Presidente da República! Ora bolas, se um jogador do Big Brother consegue mais de 60.000.000 (sessenta milhões de votos) é porque a audiência pega o nosso povo também, ou somos ingênuos em achar que os crentes não assistem a esses programas?

A Novela que antigamente era coisa de donas-de-casa, agora dominou completamente o mercado dos homens. Boa parte da população discute assuntos de novela como se fossem coisas reais, verdadeiras e do cotidiano, sendo até manchete de jornal! Sem pensar na destruição dos valores morais que elas trazem.

Quem não assiste novela fica como se fosse um alienado diante de brincadeiras oriundas de alguns personagens de plantão. E como diz o nome, novela vem de novelo, que enrola quem nela se apega. Temos também o futebol que mobiliza o mundo todo, como nunca! É o assunto do dia, da noite e da manhã e do dia seguinte, quem não assiste vira um ET.

Para que você tenha noção (E não vai aí nenhum juízo de valor) ninguém ia para uma igreja com camisa de times, e hoje isso é mais do que normal. Até pastores fazem isso. Imagina isso antigamente! Tem o play station (e sabemos que boa parte da casa de nossos jovens e adolescentes tem), as músicas, o mp3, mp4,mp5, mp10 e por aí vai... Os celulares servem também para serem usados como telefone, porque eles têm tantas coisas que falar ao telefone ficou em último lugar na prioridade da escolha.

Além do fato de que o celular virou motivo de urgência, deixá-lo desligado ou não atender a um chamado é como se deixasse alguém morrer.

A decisão de abrir o mercado no domingo também pegou muita gente pelo pé. Trabalhava-se no domingo sim, mas não era como hoje, depois que a Confederação Nacional do Comércio tirou as barreiras que desestimulavam o trabalho dominical, tudo funciona aos domingos, desde um supermercado, até serviços não essenciais, mas que dão lucro ao dono do negócio.

Poderia falar que o nosso tempo foi roubado pela pós-modernidade e ninguém tem tempo nem para viver, e a igreja acaba ficando em segundo ou pior, último plano.

Quem sobrevive a isso? As opções têm sido igrejas que funcionam como Comunidades, onde as pessoas entram, cantam e saem depois de ouvir uma "boa" palavra. Esse é o modelo vigente de culto da pós-modernidade. Faço uma exceção das "mega igrejas" e dos "mega ministérios", que pagam músicos e outras atividades afins, e que podem manter orquestras, grandes corais coisas do gênero.


Confesso que estamos precisando olhar este assunto com carinho antes que nos culpemos por um estado que não é só nosso, mas do mundo evangélico como um todo que vitima principalmente as chamadas igrejas históricas. Posso falar com sinceridade que tenho saudade da minha igreja da juventude, onde mais de oitenta jovens estavam à disposição aos dias de semana, aos sábados e aos domingos, mas hoje, estão mais velhos como eu, lamentando que as coisas mudaram, mas sabem, por experiência própria que precisam ter seus filhos na faculdade ou compreendem o que é de fato a pós-modernidade. E que o tempo que tínhamos outrora, foi-se embora. Posso lembrar também do principio fast-food que se instalou em nosso meio evangélico da pós-modernidade.

Apenas em São Gonçalo existem mais de 6.000 novas denominações evangélicas, imagina no Estado do Rio de Janeiro ou Brasil? Isso cria essa nova dinâmica, onde a igreja local deixa de ser o referencial absoluto e passa ser marginalizada, porque é muito fácil achar uma igreja nova, próximo a casa para experimentar os seus novos modelos.

Sim, perdemos as raízes, pois a pós-modernidade não deixa espaço para isso, ela transforma tudo em cultura do virtual, das comunidades virtuais, das amizades virtuais, dos jogos virtuais e dos relacionamentos virtuais também.

Esses dias ouvi alguém dizendo que não ía a igreja dia de domingo, mas não deixava de assistir o culto da igreja de um outro Estado, pela internet!


O que falar dos tele-evangelistas cuja concorrência ou dos conferencistas é desleal com os pastores de "carne e osso"? Sim porque esses parecem que são tão midiáticos, que são intocáveis, não tem contato com ovelhas, e por isso, são ótimos, perfeitos e incomparáveis ao pastor local que "conhecemos" os seus defeitos, pois os da mídia, só aparecem bonitos e com boas palavras.

A pós-modernidade na verdade está causando um mal maior, o da falta de ligação afetiva, e o custo disso está aí, na família destroçada, na sociedade hedonista e na busca do prazer a qualquer preço.

Um dos grandes problemas da pós-modernidade foi o fim dos paradigmas, ou se era de direita ou de esquerda, pentecostal ou tradicional, isso ou aquilo, ela relativizou tudo e nada está certo, e a moral nisso, onde fica? A moral na pós-modernide está no limite do padrão de prazer que alguém pode ter. Em outras palavras, se confere prazer, porque não fazer? Esse é o limite moral.

Ouço uma ladainha de pastores que gemem porque não conseguem compreender mais o mundo em que vivem, em contrapartida, para alguns pastores "aventureiros", adoraram os novos tempos, porque no período anterior à pós-modernidade, eles seriam cobrados por algumas atitudes que têm ou pelo que realizam em nome do sagrado, com a maior cara de pau.

Afinal, todos querem ser senhores de si mesmos, e quanto a isso, nada melhor do que uma igreja que mergulha de cabeça aproveitando a falta de amor dos dias atuais. Encaro o atual momento com dois versículos que Jesus falou: " Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? Lc 18:8.

Sim, porque o atual momento promove tudo, menos a fé singela e genuína do passado.

O segundo versículo também, de natureza escatológica é mencionado também em Lucas "Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço.", Lc 21:34. Jesus está falando desse tipo de embriaguês espiritual, afinal, ele fala para crentes.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A inveja mata?

A INVEJA MATA?
Pastor Neucir Valentim
Disse Deus a Caim: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.”


Costumo definir inveja como a sensação de mal estar ante a um bem alheio...

Não é o desejo de ter o que o outro tem, mas de mal estar pelo que o outro tem, representa ou é.

Certa pessoa me contou que sofria desse problema, chegou ao ponto em que tinha um livro raro, e que daria de presente... Mostrou ao “invejoso” sem maldades. Ele não se importou com o conteúdo do livro, mas ficou querendo ter um igual, mesmo sem entender bem do que se tratava.

A situação foi tão constrangedora que a pessoa teve que ir, debaixo de muita insistência num sebo (onde se vende livros usados) para achar algo parecido para ele. Ainda que inferior, não original e sem o valor daquele livro, mas meio parecido... Para aplacar o desejo infantil, mas perigoso do “invejoso”.

Contou-me ainda que a pessoa vivia observando os seus passos, copiando seus atos, imitando até seus pensamentos, sugando suas idéias, falas e quiçá, seus ditados. Disse-me a pessoa cuja credibilidade é indiscutível e não sofre de nenhuma patologia psicótica.

“Não sossegava enquanto me via bem, criativa e com os resultados do que tinha, fazia ou era.”- Contou-me. Aliás, algo comprovado pelo que observei também.

“Ao mesmo tempo em que me admirava, me angustiava,”- sofria assim a vítima da pessoa invejosa que vivia como Caim, pois não estava satisfeita com o que tinha, mas com o que a outra tinha.

Falei para quem sofria de tal caso, que tenho medo da inveja, sim, não a mística que trás presságios, agouros ou coisa do gênero, que faz secar plantas, de olho grande ou coisa assim, não, isso não existe! Isso é crendice pagã!

Existem cercas espirituais contra o Diabo! Mas temo a inveja que se manifesta de forma operacional, como Caim que pegou um cutelo e matou o seu irmão Abel. Fez diretamente! Invejou, sentiu-se mal e matou. Pronto. Fatídico e mortal, mas real. (Gn 4:8); José também foi vítima da inveja, e acabou sendo vendido por seus irmãos (Gn 37:11) pelo mesmo motivo.

Pessoas são capazes de tudo por causa da inveja, pelo medo de não ser admirada ou sentir-se mal ante o bem alheio.

Ocorre que eu nunca tinha ouvido nada assim, tão concreto, objetivo e real, e nem acreditava em tal situação.

Psicologicamente falando, poderia dizer que o ser humano é portador da díade “Existir-Sobreviver”, daí ter um instinto de competição voraz e antropofágica, que é a competição terrível de idéias, sentimentos e prazeres. Tal competição o leva a níveis altos de tensão, que gera o distresse (estresse maligno), causador de moléstias graves de caráter psicossomático.

Tenho entendido que “A Inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais se acende o fogo, há sempre trevas espessas (...). Assiste com despeito aos sucessos dos homens e este espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício”.

Como Cristão entendo que a inveja é obra da carne, apontada por Paulo em Gálatas 5:19 a 21, e como todas elas, deve ser mortificada como os demais pecados ali listados.

Como simples mortal, tenho medo de gente assim, que é capaz de tudo por essa doença da alma. Talvez você tenha sido vítima de algo tão tangível e real e próximo ao mesmo tempo.

A pergunta que devemos fazer é: O que fazer diante de tal situação, visto que não podemos nos desprender de tais pessoas facilmente, em virtude da proximidade com que as encontramos?

Em primeiro lugar evite o juízo temerário. Cuidado, não julgue as pessoas porque visitaram, sua casa e no dia seguinte a sua planta morreu, secou ou o peixinho do aquário morreu isto é superstição do paganismo mais baixo!

Em segundo lugar, procure ver se o desejo da pessoa é por você, de forma altruísta, se gosta de você e por isso te admira tanto, ao ponto de confundir admiração com o desejo puro e simples de imitá-lo. Isso acontece sem maldades! Se você causa impressão em determinada pessoa, pode ter alguém que o copie mesmo.

Em terceiro lugar, procure entender se é uma pessoa carente e está tentando agradá-lo com os seus elogios, é mesmo um amigo que gosta sinceramente de você.

Por último, se constatar que a pessoa, tem um instinto de competição voraz e destruidor, que é a competição terrível de idéias, sentimentos e prazeres, e que tal competição o levará a níveis altos de tensão, que gera em você o estresse maligno, causador de moléstias que atingem não só sua mente e seu corpo. Tome tais atitudes:

- Ore para ver se você está julgando certo!

- Peça a Deus ajuda para compreender a pessoa e amá-la e curá-la dessa enfermidade da carne.

- Lembrando! Cuidado para não cair no paganismo. Olho grande, olho gordo, inveja não são poderes mágicos que entram na sua casa. Se você é filho de Deus, mal nenhum chegará a sua tenda, ainda que existissem dessa forma, é o que diz o salmo 91. E em números 23 a Bíblia diz que essas coisas não valem contra os servos do Senhor: “Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel. Agora se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus têm feito!”

- Ore para Deus dar um basta nesse sentimento que é tão cruel que atinge aquele que o tem, o invejoso, mas que Deus te proteja. Entregue sua vida na mão do Senhor e descanse!

- Não seja tão próximo, não abra tanto as comportas do seu coração para gente assim, afinal, Jesus disse que deveríamos ser simples como as pombas, mas prudente como as serpentes. (Mt 10:16).

- Peça proteção a Deus contra atos que essa pessoa pode fazer para prejudicá-lo direta ou indiretamente.

Confie em Deus!


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Confissões de uma vela





CONFISSÕES DE UMA VELA

Pastor Neucir Valentim




Sou uma vela de cera, tenho um pavio feito para clarear, moldada a parafina.
Sou frágil, e minha vida é fugaz. Em pouco tempo acesa a minha utilidade vai embora, e só restam ceras derretidas de mim.

Sou usada para utilidades domésticas, como, por exemplo, quando falta energia elétrica em alguma casa; se bem, que ultimamente, tenho sido substituída por luzes de emergência. Fico feliz quando numa casa, na escuridão, usam-me para iluminar o ambiente, livrar alguém de um tropeço ou mesmo tirar o medo de alguma criança.

Mas, confesso que como vela, fico muito triste, quando alguém me usa para um fim para o qual não tenho utilidade. Fui feita para iluminar a escuridão deste mundo aqui, e mesmo assim de forma muito breve, mas alguns, na ingenuidade espiritual acreditam que eu posso iluminar o caminho da eternidade, e me usam para "iluminar" o caminho de algum morto.

Ora, quanta tolice, se eu mal consigo iluminar a vida aqui, como posso entrar no indevassável mundo dos mortos! Como posso iluminar uma vida espiritual na eternidade se na vida material minha luz é tão passageira.

Certo dia uma senhora me comprou em uma loja com o objetivo de iluminar o caminho de seu filho que havia falecido.

Acendeu-me em uma praça, próxima a uma igreja, fez petições, chorou, rezou e ofereceu-me como uma luz para o seu filho que havia partido deste mundo, como ela estava triste, e como eu também fiquei.

Eu queria ser usada para um fim, de fato, útil e não para algo que não posso realizar: Iluminar o caminho eterno de alguém. Como sou tão passageira, logo que a senhora saiu, deu um forte vento e apaguei, não fui criada para uma atividade tão inútil.

Como alguém pode pensar que uma vela, como eu, cuja luz é tão breve, pode iluminar a eternidade? Amigas minhas são levadas a procissões para acompanhar imagens com o mesmo objetivo, tentar entrar no indevassável mundo dos mortais, para conseguir algum tipo de graça.

Ora que coisa mais sem graça. No dia em que a senhora que me levou para tentar iluminar o caminho do seu filho, ela recebeu um folheto que falava de umas lindas palavras da verdadeira luz: onde Jesus, dizia assim: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." Evangelho de João 8:12.


Fiquei pensando comigo mesma: como pode uma pessoa, que tem a possibilidade de ter a Verdadeira Luz do Mundo, optar por uma simples vela? Como pode alguém que em vida não conseguiu a iluminação para sua vida aqui e na eternidade, esperar que uma simples vela possa fazer alguma diferença?

Como podem me colocar no lugar de alguém cujo brilho é superior ao brilho do sol, posto ser ele o Criador do universo? Como pode alguém trocar o Senhor Jesus por uma vela? Como posso eu iluminar a eternidade de uma alma, se Ele, como diz as escrituras é a luz insubstituível para os mortos e vivos: "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela."

Sim, não há trevas que ele não ilumine! Por um momento fiquei confusa, até que entendi porque muita gente não escolhe Jesus, porque se olharem para sua luz que de fato é a verdadeira: É que as suas próprias obras serão reveladas: "
E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más." Jo 3:19.


Sim, muita gente usa a luz de uma vela porque a sua luz é incapaz, inclusive de revelar-lhes os seus próprios erros e pecados, por isso não querem Jesus iluminando e preferem uma vela, talvez apenas para aplacar seus sentimentos de tristeza, culpa e dor e nada mais. É justamente isso o que a escritura ensina: "Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Jo 3:19"

Outros fazem por ignorância mesmo, mas não tenho como falar as pessoas, até porque uma vela não fala. Mas se você é um cristão, pode ajudar as pessoas a ouvirem o que a Verdadeira luz falou: "Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." Jo 8:12.

Diga a essa gente que eu nada posso fazer para ajudá-las a iluminar o caminho de alguém. Diga-lhes que isso é tolice, e diga-lhes do Salvador Eterno, que pode iluminar dar verdadeira luz a vida, mas não se esqueça de dizer como ele ilumina nas trevas da eternidade, apenas aqueles que o conheceram aqui, uma vez que deixando esse mundo sem ele, as trevas de fato prevalecerão em suas vidas eternas, e que esses, jamais verão a luz de novo.


Façam isso, porque muitos estão perdidos sem conhecer as confissões de uma simples vela. Pregue acerca do Salvador que disse: "Eu, que sou a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas." João 12:46, e que nunca confiem na incapacidade de uma simples vela que se apaga ao vento ou se derrete a simples chama de um pavio.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Aitofel

AITOFEL
Pastor Neucir Valentim



Davi Está lutando com seu filho rebelde Absalão e, reconhece que está vivendo algo que está além de suas forças, porque um inimigo novo se apresenta no contexto, com o qual ele não contava, um agente a mais para somar contra, o que torna a luta extremamente desigual.



Este inimigo tem um nome: Aitofel! Em II Samuel 15:31, diz que, quando Davi estava fugindo de Absalão, recebe uma notícia bastante desagradável: "Aitofel está entre os que conspiram com Absalão", diante do que Davi clama: "Ó Senhor, torna em loucura o conselho de Aitofel! "



Davi sabia que Aitofel era um elemento desestabilizador, uma inteligência poderosa a serviço daquele que desejava destruí-lo. Convém lembrar que Aitofel era nos dias de Davi uma mente sagaz, genial e altamente estratégica ao ponto de ser considerada a "voz de Deus", o oráculo do Senhor, tanto para Davi quanto para Absalão.



Veja o que diz II Samuel 16:23: "O Conselho que Aitofel dava naqueles dias era como se o oráculo de Deus se consultara." É por isso que Davi fica perturbado. Sua luta contra Absalão era ruim, mas era uma questão de tempo, afinal o experiente rei era perito em enfrentar inimigos ousados, mas agora é diferente; não é apenas uma peleja comum, envolve conselhos ardilosos, estratagemas, planos inteligentes de um inimigo que certamente é pior do que seu filho Absalão, e superior a sua capacidade de luta.



Muitas vezes vivemos um quadro semelhante ao de Davi; são aquelas lutas que enfrentamos e que com o tempo aprendemos a levar em banho-maria, até que um fato novo acontece e descobrimos que existe uma outra mente por trás, muito mais inteligente, mais perversa, e que certamente nos dá uma tremenda sensação de impotência. Cremos que muitos são os "aitoféis" em nossas vidas.



Eles representam aquelas possibilidades embaraçosas com as quais nem gostamos de pensar, representam os nossos medos, nossos receios ante um confronto maior, representam os nossos pontos fracos ou nosso calcanhar-de-Aquiles.



Representam também aquele tipo de situação que, em apenas imaginar, o nosso coração estremece e diz: Ó Senhor, se isso acontecer eu não agüento, desisto! Até este ponto da história, a briga era coisa de família, e Absalão não convencia a ninguém que sua batalha contra o pai era séria, mas com o conselho de Aitofel a coisa assume proporções inimagináveis.



Em II Samuel 16:20 e 21, está registrado que o conselho que Aitofel dá a Absalão é de tirar o fôlego, revelando a sua malignidade e inteligência: "Violenta publicamente as mulheres de teu pai e o povo saberá que o seu ódio é sério, e que você não está aí para brincadeira."



Nada mais perverso, mas ao mesmo tempo verdadeiro do ponto de vista político. O que Absalão promoveria seria algo tão abominável que impossibilitaria qualquer meio de reconciliação.
Assim os inimigos de Davi confiariam em Absalão e se juntariam a ele. Este tipo de mente perversa muitas vezes entra em nossos conflitos elementares, tornando coisas pequenas em problemas insuportáveis, que quebram, rompem as nossas forças e também toda chance de uma saída honrosa, de um desfecho pacífico.



Portanto, em última análise, Aitofel representa o diabo e suas astutas ciladas, as quais não podemos vencer sem o discernimento e a ajuda que vêm do alto. Ele é, portanto, a síntese do encurralamento e do estreitamento angustiante nas situações beligerantes da vida.



O que Davi faz quando está numa situação assim é apelar para aquele que é mais forte do que ele e mais forte do que seu adversário; é isso que lemos em II Samuel 15:31. Ele ora, clama a Deus diante do quadro trágico que vive e o medo que sente.



O Salmo 55 foi escrito quando Davi vivia esse momento, observe então a sua oração para sentir a angústia de sua alma: “quem me dera ter asas como pomba, então voaria e encontraria descanso, fugiria para bem longe... ” Este Salmo revela a sinceridade e o desejo de seu coração. O que é isso senão a vontade de sumir diante de algo desagradável? “Quem me dera estar longe disso tudo!" Ora, essas palavras de Davi também passam pela nossa mente e coração.



O segredo da vitória de Davi, entretanto, não está no desejo de fuga que todos nós temos quando a situação aperta, está no versículo 16 deste Salmo: “Eu invocarei a Deus e o Senhor me salvará.” Aí está a sua arma poderosa, a confiança no Deus que tudo pode e que por nós tudo executa. (Salmo 57:2). E ele, como fez com Davi, há de atender a sua oração e transformar em loucura o conselho de Ailtofel.



Ao final da história, Deus ouve a roação de Davi, vai ao encontro de seu servo, e confunde o grande "conselheiro" Aitofel, de modo que só cabe a ele o suicídio, afinal, é impossível derrotar a voz soberana de Deus quando atende aos seus filhos.



Aitofel, na verdade, acaba confundido e torna-se o primeiro homem da Bíblia a se enforcar, pois Deus dera o seu basta. "Vendo, pois, Aitofel que não fora seguido o seu conselho, albardou o jumento, dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; morreu e foi sepultado na sepultura do seu pai. Samuel 17:23."


Confie no Senhor e Ele há de derrotar qualquer Altofel da sua vida!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Conflito de gerações


CONFLITO DE GERAÇÕES

Pastor Neucir Valentim

"Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los." Mt 23:4

Ao longo de minha vida tenho observado algumas coisas que me chamam a atenção. Entre elas está a briga de gerações. Ela está presente todo dia e em todo o lugar, mas na igreja se evidencia de maneira mais peculiar.
Dias desses dei-me contas de como somos diferentes. Usei como teste um som emitido pelo computador que somente ouve quem tem menos de 24 anos , e que em contrapartida, os mais velhos, nos quais me incluo, não ouvem.
Coloquei o tal som para tocar... Confesso que não ouvi absolutamente nada. Pensei que fosse mais uma mentira da Internet, mas quando chamei minhas duas filhas para onde eu estava fazendo o meu teste com som, elas me disseram quase que juntas: "Pai, pelo amor de Deus, abaixe esse som terrível do computador"; como tinham outros adolescentes na sala todos ouviram, menos eu.
De fato, o som criado para espantar multidões de adolescentes, para mim não fazia nenhuma diferença, devido à natureza de decibéis do meu tímpano em contraste com o tímpano com os de idade mais jovem.
O que pude perceber é que em virtude das nossas idades, o funcionamento e a reação do nosso corpo, através de seus sentidos, mudam a cada geração ou à medida que uma geração se afasta da outra.
Se não levarmos isso em consideração, numa comunidade como a igreja, que deve pertencer a todos, teremos sérias dificuldades de vivermos juntos, em outras palavras, precisamos entender que o outro nem sempre tem a mesma percepção de mundo como a nossa...
Quando eu penso em som, penso também em outras coisas típicas da juventude e que, porque já passamos por ela, esquecemos.
Lamento quando um adolescente não entende que para os nossos ouvidos, os sons que esbravejam, através de instrumentos musicais e microfones, agridem a nossa audição, ainda que eu saiba que seu tímpano, em fase de desenvolvimento peça mais som, e aí, coitado dos ouvidos dos mais velhos e da queixa dos passantes. E a lei está justamente aí para ajustar o som em 75 decibéis, no máximo, para resguardar os nossos ouvidos.
Por outro lado, fico triste com os mais velhos que não suportam as atividades dos adolescentes, saem dos cultos aborrecidos, sem nenhum tipo de piedade ou compreensão, falando um monte de palavras duras.
Se por um lado os adolescentes ainda não desenvolveram a maturidade da audição, sinto que muitos "mais velhos" não desenvolveram a maturidade da compreensão. Isto porque, vejo homens e mulheres que fizeram muita bobagem na sua juventude, agora esquecem completamente como viveram, foram barulhentos, e pior ainda, quando muitos, nem pertenciam a Cristo, usaram seus membros para perdição, agora, sem nenhuma compaixão com aqueles que estão dedicando a sua juventude a Cristo, e que deviam louvar ao Senhor porque estão vivendo uma vida diferente da de muitos outros jovens perdidos no mundo, e que, porque são mais velhos, reclamam por uma bobagem que façam, e esquecem que Deus perdoou caminhões de erros de suas vidas quando jovens.
O que proponho é que haja bom senso em nossa "guerra" de gerações. Um armistício, um desarmamento, pois caso contrário não poderemos dizer que vivemos no mesmo corpo, a Igreja.
Dessa forma, solicito aos mais velhos que por um momento lembrem-se das bobagens que fizeram na sua juventude e agradeça a Deus pelos problemas que a juventude, cheia de vivacidade produz, sem colocar sobre os mais novos um jugo que alguns sequer puderam suportar quando a viveram. Ao mesmo tempo, solicito carinhosamente aos adolescentes, jovens e afins, que entendam que os nossos ouvidos são mais sensíveis, e que o que para eles pode ser bom, para nós é uma agressão auditiva digna de qualquer bom senso. E que também atrapalha o nosso culto e o nosso bem estar.
Igreja não é lugar de uma categoria apenas, mas de várias, tanto de classes sociais, como também de grupos de gerações diferentes, enquanto não entendermos isso, estaremos colocando sobre o outro um jugo insuportável, que quando estamos em outra realidade, jamais suportaríamos.
Pensem nisso com amor.


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Minha conversão e a importância do trabalho infantil

MINHA CONVERSÃO E 
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO
 INFANTIL NA IGREJA!
Pastor Neucir Valentim



Lembro-me como se fosse hoje: Aos seis anos, andava pelos cantos de minha casa triste e chorando escondido, sem motivos aparentes para isso. Sentia vontade de expor aquela tristeza interna que marcava a minha alma, e por isso chorava muito. 
Sempre fui muito amado pela minha família, e nunca tive motivos aparentes para aquela compulsão para o choro que me vinha regularmente.  
Lembro-me que um dia, ainda  com aquela angústia na alma, fui para rua brincar, como todo garoto de minha  idade. De repente, olhei para o céu. 
Vi algo que parecia uma mão acenando para mim, chamando-me para si. Nunca havia tido tal experiência, nunca havia freqüentado a nenhum grupo religioso cuja idéia de "visões" era comum. Para mim aquilo era estranho, inusitado, mas gostoso. Incontinente, procurei minha mãe, e lhe mostrei o que estava vendo. Ela olhou para o céu e nada viu. 
A visão da mão no céu me era exclusiva. Mas, mesmo desconhecendo o fenômeno, ou o que pudera ser, deu-me ela uma grande orientação: - Meu filho, se você está vendo alguma coisa, vá para casa, dobre o seu joelho no chão e peça a Deus que Ele há de esclarecer. 
Sem mais delongas, sozinho, ajoelhei-me aos pés da cama de minha mãe, e fiz uma pequena oração, de alguém que  nem ao menos sabia orar: Em palavras pobremente  colocadas, mas numa oração sincera, pedi a Deus um esclarecimento daquilo que via. Quando então o meu coração ouviu e entendeu de forma clara o significado daquele episódio: Segurança, dizia ao meu coração - Salvação! Era isso o que eu ouvira, Era isso o que me  estava prometendo aquela mão  e o meu coração entendera bem. Pouco tempo depois, mudei-me para Niterói. 
Aquela experiência nunca mais fora esquecida, havia marcado a minha pequena existência. Certo dia, andando numa rua próxima a minha casa, ouvi uns cânticos de uma igreja evangélica na rua Visconde do Uruguai, elas me atraíram como os insetos são levados à luz. As músicas procediam de um culto infantil, com bandinha e tudo mais. Entrei meio perdido e desajeitado e fiquei para ver o que era. Ao final do culto, o pregador fez o seguinte apelo: Quem quer ter SEGURANÇA e SALVAÇÃO, somente poderá encontrá-las em Jesus! Nada mais claro em minha vida. Ele estava falando comigo sobre o que me acontecera algum tempo atrás. Para completar, o hino cantado logo após o apelo foi: "Quando Jesus estendeu A SUA MÃO, quando Ele ESTENDEU A SUA MÃO PARA MIM, eu era pobre perdido, sem Deus sem Jesus, quando ELE ESTENDEU A SUA MÃO PARA MIM..." 
Naquela hora me rendi a Cristo, indo a frente,  atendendo ao apelo do pregador e reconhecendo-me como pecador, e aquela tristeza que invadia meu  coração durante minha pequena existência fora embora instantaneamente, e nunca mais  senti aquela agonia de alma que me levava a chorar, sem saber os motivos, mas que certamente eram de alguém que precisava e queria conhecer a Cristo, ainda criança.
Convém lembrar que naquele dia ninguém anotou o meu nome ou me deu atenção, afinal, eu era apenas uma criança... mas Jesus havia anotado o meu nome no Seu Livro da Vida.
Querido irmão, essa experiência não é só minha. Segundo o "Hand Book on Children's Evangelism" de Lionel Hunt, publicado pela Moody Press, os números abaixo, revelam, de maneira inequívoca, que a melhor idade para a evangelização e a conversão de uma pessoa está na infância. Observe como os coraçõezinhos estão abertos para Cristo em tenra idade:

Antes dos 5 anos - 1%
De 5 a 15 anos - 85%
De 15 aos 30 anos -10%
Após os 30 anos - 4%

Perceba como é grande o índice de conversão nas idades de 5 a 15 anos! Segundo as estatísticas, essas conversões são genuínas e duradouras, e parte dos que se decidem por Cristo nessa idade, tornam-se crentes sinceros até o final de suas vidas.
D. L. Moody disse: "Eu creio que, se as crianças tem idade suficiente para vir à Escola Dominical, elas têm idade suficiente para vir ao Calvário. Vamos abrir nossas mentes e que Deus nos ajude a ganhar as crianças para Cristo." Observe que Moody não está apenas dizendo que as crianças devem vir à Escola Dominical, mas sobretudo, serem levadas ao Calvário. A Escola Dominical não deve ser um fim em si mesma, mas o instrumento de Deus para levá-las a cruz, caso contrário, será apenas mais um ativismo, cujo fim se perde em si. 
C.H. Spurgeon, o príncipe dos pregadores afirmou: "Geralmente tenho encontrado um conhecimento mais claro do Evangelho e um amor fervoroso na criança convertida a Cristo do que no adulto convertido. Elas não precisam abandonar a incredulidade e as noções erradas que impedem tantos de aceitar o Evangelho" e ainda acrescentou: "Uma criança de cinco anos, devidamente instruída, pode verdadeiramente crer e ser regenerada tanto quanto um adulto."

 Como seres espirituais, existe nas crianças uma profunda sede de Deus, que certamente este mundo não pode saciar. Quando o salmista diz que a alma tem sede de Deus (Sl 42: 1 e 5), está incluso todo ser humano, entre eles as nossas crianças. Que desesperadamente carecem de Deus, como todo pecador, sendo no entanto, segundo as estatísticas, mais prontas a ir às águas cristalinas da fé.
Que Deus abençoe a nossa igreja dando-nos a firmeza do ministério infantil. Que pensemos mais em nossas crianças, que elas possam ser levadas ao Calvário, numa experiência de profunda regeneração.
Lembro-me dessa canção como se fosse hoje! Veja  no vídeo o Hino na voz de Luiz de Carvalho:

quinta-feira, 12 de junho de 2008


GABRIEL É CHAMADO PARA UMA MISSÃO ...
Pastor Neucir Valentim
Houve silêncio no céu. Do trono da Majestade ouviam-se vozes, relâmpagos e trovões.
Alguma coisa muito, muito especial estava acontecendo.

De repente um arcanjo tocou uma trombeta, cujo sonido ecoou por toda extensão celeste. Ouviu-se então uma convocação peculiar: Gabriel fora convocado a comparecer junto ao Trono, para uma nova missão, pois seria portador de uma grande mensagem, aliás, a maior mensagem de todos os tempos. Para tanto, o porta-voz de tamanha boa nova, deveria ser, também muito, especial e por que não Gabriel, aquele anjo cujo nome significava literalmente "o mensageiro?"

Sim, fora ele quem outrora, havia dado a boa notícia ao profeta Daniel sobre o final do cativeiro da nação de Judá na Babilônia, e havia predito a vinda do Messias (Dn 8 e 9). Nesta ocasião este anjo, contou com a ajuda do grande guerreiro celestial, o arcanjo Miguel, que, com suas tropas celestes, lutou contra o príncipe das potestades do ar, a fim de não impedir Gabriel, de transmitir a boa notícia ao profeta.(Dn 10:13).

Novos movimentos no céu. As tropas de guerra se alinharam de novo. Todos os arcanjos foram convocados. Todos os querubins, com suas espadas flamejantes, de igual forma, já colocavam-se, prontamente, armados, organizando os seus pelotões, em prontidão. Neste momento, todo o exército celestial já colocava-se em posição estratégica.

À frente de todos, estava o antigo comandante Miguel, o único ser angelical capaz de enfrentar o próprio Diabo e os seus exércitos, (Jd 1:9 e Ap 12:7), e colocá-los em debandada. Toda essa movimentação destinava-se a guardar o anjo Gabriel, que desceria à terra, com vistas a dar a sua mensagem em uma pequena aldeia em Nazaré. Do outro lado escuro, das regiões celestiais (Ef 6:12), ouvia-se, de igual forma, muitos movimentos. As hostes espirituais do mal sabiam que alguma coisa muito grande estava para acontecer, pois, desde a rebelião no céu, quando Lúcifer se rebelou, não havia por lá tanta movimentação. - O que estará acontecendo? Que mensagem tão importante é essa? A quem se destina? Porque tantos arcanjos e querubins para protegê-la? Miguel está à frente de novo? Será que já é o dia do Juízo final? Perguntavam-se, ansiosos, os seres espirituais caídos.

Tocou-se novamente uma trombeta. Agora, marcava o início da operação tão misteriosa, mas de igual modo tão esperada ( Cl 1:26 e Ef 3:9). Os arcanjos saíram à frente como batedores, Gabriel estava cercado por querubins, e estes por milhares de anjos. Só ele e Miguel conheciam o destinatário da mensagem, e apenas ele, Gabriel, o seu teor. Desta vez não houve resistência das hostes malignas, as forças titânicas do mal, sabiam que se houvesse qualquer tipo de reação, seriam prontamente estraçalhadas. Ficaram apenas em silêncio, aguardando o desenrolar dos fatos.

É aqui - Disse Miguel, quando chegaram sobre os céus da Galiléia, dirigindo-se para uma aldeia pobre, chamada Nazaré. Gabriel preparou-se para a missão, afinal, já vira a casa onde deveria deixar a mensagem tão importante. Faltava apenas encontrar quem a receberia... o seu alvo. Naquele momento parecia estar apreensivo (mesmo para anjos que não tem sentimentos humanos, era uma missão que demandava muita ansiedade).

Gabriel parou em frente a uma simples choupana em Nazaré. Com ele as miríades celestiais. Houve um grande silêncio, até que, sob a supervisão de Miguel, recebeu a orientação: - Pode entrar e dar a mensagem! - Dentro da casa, estava alguém muito especial, que neste momento cantava uma melodiosa canção ao Deus Eterno. Uma jovem camponesa, da linhagem de Davi, meiga e ainda virgem, noiva de um jovem chamado José, que como ela, era temente a Deus. Chegou o momento tão esperado, quando Gabriel tornou-se visível e pronunciou-se alegremente a mensagem que lhe fora confiada: (Lc 1:28 a 36)

"
Salve, agraciada; o Senhor é contigo. A jovem, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Então a jovem perguntou ao anjo Gabriel: Como se fará isso, uma vez que sou virgem? Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; porque para Deus nada será impossível. Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela."

A mensagem fora dada, e Gabriel, com todo o exército celestial, estavam contentes pelo sucesso da missão. Na sua memória angelical, ainda estava o teor da notícia: Aquela jovem donzela, estaria agora levando a sua mensagem, de forma diferente; encarnada em seu ventre materno. Não seria apenas uma mensagem verbal, mas traduzida em carne e osso, pois a partir daquele momento, o Verbo Eterno se fez carne, e estava habitando entre os homens.

Foi então quando percebeu a sua importância. O próprio Filho de Deus estava ali, naquela humilde aldeia da Galiléia, para salvar o mundo dos homens e destruir de vez, as forças titânicas do mal.


quinta-feira, 8 de maio de 2008


VOCÊ FALA SIBOLETE
OU CHIBOLETE?

Pastor Neucir Valentim


“Então os homens de Efraim se congregaram, passaram para Zafom e disseram a Jefté: Por que passaste a combater contra os amonitas, e não nos chamaste para irmos contigo? Queimaremos a fogo a tua casa contigo.” E houve naquele dia grande batalha...

Nenhuma história bíblica retrata tamanha contradição e estupidez humana como essa. Os homens de Israel, da tribo de Efraim, ao saber que os homens de Israel da tribo de Manassés, estiveram lutando contra os amonitas, povo inimigo da nação, à qual pertenciam as duas tribos, ficaram profundamente irritados porque não foram convidados para pelejar juntos. E, assim, porque não foram lutar lado a lado, tornaram-se inimigos entre si, a tal ponto, que houve grande peleja naquele dia, de modo que nessa luta insólita, morreram, apenas de Efraim, cerca de 42.000 homens.

E para completar a tragédia, os homens de Manassés, chefiados por Jefté estabeleceram um código de morte: Para saber se os que vinham ao seu encontro eram efraimitas, solicitavam que dissessem: Chibolete; porém se o indivíduo dissesse: Sibolete, porque não o podia pronunciar bem, pegavam o tal, e o degolavam nos vaus do Jordão (Jz 12:6).

Traduzindo essa história estúpida em linguagem simples: O mesmo povo, a mesma gente, estava guerreando entre si, ao invés de unir forças e lutar juntos contra o inimigo comum a ambos, os amonitas, e por isso foram derrotados, porque, na ânsia de guerrear, usaram suas forças contra si mesmos.

Não bastasse isso, ainda estabeleceram esse código de morte: Quem usasse a palavra errada e trocasse, por descuido fútil ou banal, o som do “CH”, estava fadado à morte.
Essa história sinistra, tirada do livro dos juízes, faz-nos lembrar um pouco da nossa história evangélica no Brasil.

Isto porque, todos nós, enquanto denominações ou igrejas, as vezes ficamos profundamente irritados porque este ou aquele grupo ou seguimento evangélico, está travando uma peleja, da qual muitas vezes não somos chamados a estar juntos, quer por falta de contato, de comunicação ou de uma comunhão mais estreita, e aí surge aquele espírito “efraimita”, que começa a buscar um meio de estabelecer uma rixa, uma demanda ou contenda, de tal forma que, passamos a guerrear mais com os de dentro do que com os de fora. Ficamos, também como os homens de Jefté, buscando um meio de descobrir qual, dentre nós, tem a linguagem diferente, para patrulhá-lo e para segregá-lo, querendo saber se ele fala Sibolete ou Chibolete.

Só que os nossos ouvidos buscam identificar os sons de posições teológicas ou litúrgicas: Se tem um “essezinho” meio carismático ou quem sabe, se usa aquele “chezão” tradicional.

Busca-se descobrir até se é um CH misturado. Quem sabe pode haver um “S” camuflado!!! Cuidado com ele! O “CH” dele é diferente! etc. E dependendo da pronúncia, sai de baixo, porque a lenha desce, e desce feio! É por isso que temos um tão grande contingente denominacional espalhado por aí.

Um instituto de pesquisa religiosa do RJ - ISER, catalogou somente no Rio de Janeiro, mais de 8.000 nomes de igrejas ditas “evangélicas”, posto que cada qual quer batalhar sozinha e falar o “CH” certo! Uma vez que se acham como as únicas capazes de pronunciá-lo corretamente, e assim, não querem se juntar as que já existem, criam mais uma instituição, mais um nome, mais um grupo, mais uma facção, que ao invés de somar força na luta espiritual contra o Diabo, inimigo comum de todos os crentes, guerreiam entre si.

Reflitamos: Quantas vezes nos pegamos patrulhando o outro, não é verdade? Tentando descobrir-lhe a fala, a linguagem.

Se fala o nosso Chibolete ou um estranho Sibolete! Sim, e quantas vezes, também, nos vemos testados, onde desejam saber de nós qual tipo de “linguagem” usamos. Existem até aqueles que, na hora da Santa Ceia dizem: “Olha: - aqui só participam da Mesa do Senhor os que falam “Chibolete!”, como se a mesa fosse deles e não do Senhor.

Caímos assim, como instituição evangélica, na mesma estupidez dessas duas tribos de Israel, que se digladiaram entre si, quando podiam unir as suas forças contra os filhos de Amom, ao invés de ficar guerreando internamente. A grande tragédia é que as nossas guerras circulam, de forma ainda mais medíocre, em termos de coreografia: Se levantamos ou não a mão na hora do culto, se batemos ou não palmas, se temos ou não “corinhos” no louvor, se oramos alto ou baixo, enfim, mata-se muitas vezes a comunhão com o irmão porque ele fala um pouquinho diferente de nós, porque o “CH” dele, tem uma tênue diferença quanto ao nosso, e aí, acontece aquela luta retratada no livro de Juízes: “Então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão.” Que possamos ter o discernimento espiritual para não entrarmos em lutas tolas, mas estarmos lutando firmes contra o nosso inimigo comum: O Diabo. E quanto aos que falam Sibolete ou Chibolete, que possam viver em paz, cada qual com sua própria maneira de ser e de falar, porque, sobretudo, pertencemos todos à mesma nação (I Pe 2:9), somos o mesmo povo que vai para o céu, quer se fale Sibolete ou Chibolete.

Somos a Igreja de Jesus!

Glossário: Chibolete significa riacho fluente. Palavra que os Efraimitas não conseguiam pronunciar corretamente, à semelhança de certas palavras regionais brasileiras, cujo som é diferente em outros estados.

sábado, 3 de maio de 2008


QUANDO CONVERSEI COM OS MAGOS DO ORIENTE.

Pastor Neucir Valentim

Era noite de natal, e como todo ano, antes da ceia, lia para os meus filhos a velha história bíblica da natividade descrita no Evangelho de S. Mateus, e contava-lhes acerca do nascimento de Jesus, falava-lhes dos magos do oriente, da fúria do rei Herodes quando soube do nascimento do menino Jesus, de Maria e José que prontamente receberam a mensagem angelical para fugir do perigo de morte que corriam por causa do rei Herodes, que mandara executar todos os meninos com menos de dois anos de idade, para assim eliminar o " rei dos judeus" que havia nascido em Belém.

Naquela noite, porém, depois de minha narrativa, fui dominado por uma sonolência gostosa. A partir daí a minha imaginação ficou fértil e então comecei de novo a pensar naquele relato bíblico, na bela história de natal. Logo dormi e sonhei.

No meu sonho eu estava nas remotas regiões montanhosas de Efraim, na Palestina, indo em direção a Jerusalém. Pelo caminho ermo, marcado por uma geografia árida, me vi montado em um camelo. Era noite, as estrelas no céu cintilavam como nunca, como se naquele dia elas estivessem em festa. Senti medo pois estava sozinho num local totalmente desconhecido. De repente percebi que em minha direção caminhava um grupo de pessoas em seus camelos e dromedários, semelhantes a beduínos do deserto. Com a cultura da violência na cabeça, temi por um assalto. Logo, porém, percebí que não eram beduínos. Caracterizavam-se pela tranquilidade no falar, pelas túnicas de linho fino e por turbantes excessivamente bonitos.

De imediato desejei travar um diálogo. Mas como? Não conhecia a sua língua. Lembrei-me, porém, que a linguagem dos sonhos não está circunscrita a cultura, povos ou línguas e, perguntei-lhes: - Para onde vão? Ao que me responderam. - "Vamos até Belém adorar aquele que é nascido Rei dos judeus, porque vimos a sua estrela no oriente". Pensei neste instante comigo mesmo: Conheço estas palavras, são da narrativa bíblica, e eles são os magos do oriente.

Logo identifiquei os seu nomes: Gaspar, Baltazar e Belquior, como nos ensinava a tradição cristã. A minha mente começou a vibrar ante a possibilidade de acompanhá-los e ver de perto o menino Jesus. Nisto, uma outra expectativa me surgiu na mente. Pela narração bíblica os magos iriam a Jerusalém e falariam ao rei Herodes sobre o nascimento do Messias, e isso provocaria no rei uma fúria tal que redundaria na morte de centenas de meninos na cidade de Belém.

Tratei de iniciar uma tentativa de demovê-los da ideia de falar com Herodes.

- Penso que vocês caminham até Jerusalém, não é verdade? - Sim, respondeu um dos magos - vamos até Herodes para contar-lhe a boa nova ! Isso me arrepiou. Então de forma delicada continuei: - Não seria perigoso informar ao rei Herodes acerca do acontecido, ele não ficaria furioso ante a possibilidade de perder o trono para um judeu de verdade, uma vez que ele nem judeu é, pois é um idumeu a serviço de Roma? Sim, isso é possível, disse-me o mago, admirando-se do meu conhecimento acerca da nacionalidade de Herodes.

O outro mago que estava próximo entrou na conversa. - Ocorre que Herodes é a antítese do verdadeiro rei, ele é um déspota, e todo déspota precisa saber que é um usurpador, porque muitas vezes acaba acreditando na sua própria mentira, a de que é um legítimo rei. Calei porque percebi que eles não eram ingênuos quanto a natureza de Herodes. Resolvi então ser mais claro. - Precisam evitar Herodes; ele é perverso e fará de tudo para se perpetuar no poder. O mago que estava calado até o momento, falou pausadamente. - Não se acaba com Herodes evitando-o ou até mesmo matando-o, ele sobrevive sempre, e haverá sempre um herodes em cada história, porque os herodes estarão sempre em todo lugar. Como? perguntei confuso. Respondeu-me em tom professoral. - Os herodes existem na história de todo mundo, eles representam aquele tipo de gente que faz de tudo para conseguir o que quer, nem que para isso tenha que pisar, maltratar, caluniar, mentir, difamar, bajular e até...matar. Os herodes representam aqueles que usam de artifícios para se perpetuarem no poder, no comando dos outros, exercendo influências. Os herodes representam também as tentativas de acabar com os nossos sonhos e nossas esperanças. Existe um Herodes hoje, mas amanhã surgirão outros em todo canto, nas casas, nas ruas, nas instituições e na religião.

- Na religião? Perguntei ao velho mago, atônito !

- Sim, não vê que o rei Herodes está construindo o maior templo dos judeus em Jerusalém? Muitas vezes eles se escondem nas atividades religiosas para ocultarem os seus verdadeiros intentos. Então interrompi. - Mas crianças morrerão quando Herodes tomar conhecimento do nascimento do menino Jesus! O sábio mago continuou. - Elas morrerão independente de irmos ou não a Jerusalém, até porque toda Jerusalém saberá do nascimento do Messias, mas Herodes continuará matando crianças. Lembre-se ! os Herodes estarão em todos os lugares, dentro das famílias como pais que matam a sensibilidade dos filhos através da crítica contumaz, através de esposas e esposos que perdem o respeito entre si, de governos que deixarão as crianças morrerem de fome, e as crianças que pelo Herodes de hoje morrerão à luz das nossas candeias, amanhã, no futuro serão mortas em grandes candelárias, porque encontrarão os herodes que as matem. Certamente, herodes continuará matando...

- Mas então, vocês vão falar com Herodes? Exclamei.

- Ele precisa saber que por mais que queira, ele não é o Rei de direito, e que é nascido o verdadeiro Rei, e por mais que ele queira matá-lo o Rei verdadeiro nunca morrerá; ele vencerá por sua simplicidade e pelo amor, este Rei é a fonte de nossa resistência contra toda tirania. É preciso ensinar-lhe que os reis herodes não se perpetuam, que o seu fim é triste e solitário, e que ainda existe razão para crer na justiça, ter esperança e crer que os sonhos podem ser realizados, porque aquele que nasceu é a resposta de Deus a todos os Herodes de hoje e de sempre, que este menino que nasceu é um libelo de acusação contra os que usurpam, contra o déspota e contra o perverso.

Fiquei sobremodo emocionado com suas palavras e corri para abraçá-lo, ao fazer despertei do sonho com minha filha me abraçando e dizendo: Feliz natal papai, Jesus nasceu !