quinta-feira, 18 de junho de 2009

Conflito de gerações


CONFLITO DE GERAÇÕES

Pastor Neucir Valentim

"Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los." Mt 23:4

Ao longo de minha vida tenho observado algumas coisas que me chamam a atenção. Entre elas está a briga de gerações. Ela está presente todo dia e em todo o lugar, mas na igreja se evidencia de maneira mais peculiar.
Dias desses dei-me contas de como somos diferentes. Usei como teste um som emitido pelo computador que somente ouve quem tem menos de 24 anos , e que em contrapartida, os mais velhos, nos quais me incluo, não ouvem.
Coloquei o tal som para tocar... Confesso que não ouvi absolutamente nada. Pensei que fosse mais uma mentira da Internet, mas quando chamei minhas duas filhas para onde eu estava fazendo o meu teste com som, elas me disseram quase que juntas: "Pai, pelo amor de Deus, abaixe esse som terrível do computador"; como tinham outros adolescentes na sala todos ouviram, menos eu.
De fato, o som criado para espantar multidões de adolescentes, para mim não fazia nenhuma diferença, devido à natureza de decibéis do meu tímpano em contraste com o tímpano com os de idade mais jovem.
O que pude perceber é que em virtude das nossas idades, o funcionamento e a reação do nosso corpo, através de seus sentidos, mudam a cada geração ou à medida que uma geração se afasta da outra.
Se não levarmos isso em consideração, numa comunidade como a igreja, que deve pertencer a todos, teremos sérias dificuldades de vivermos juntos, em outras palavras, precisamos entender que o outro nem sempre tem a mesma percepção de mundo como a nossa...
Quando eu penso em som, penso também em outras coisas típicas da juventude e que, porque já passamos por ela, esquecemos.
Lamento quando um adolescente não entende que para os nossos ouvidos, os sons que esbravejam, através de instrumentos musicais e microfones, agridem a nossa audição, ainda que eu saiba que seu tímpano, em fase de desenvolvimento peça mais som, e aí, coitado dos ouvidos dos mais velhos e da queixa dos passantes. E a lei está justamente aí para ajustar o som em 75 decibéis, no máximo, para resguardar os nossos ouvidos.
Por outro lado, fico triste com os mais velhos que não suportam as atividades dos adolescentes, saem dos cultos aborrecidos, sem nenhum tipo de piedade ou compreensão, falando um monte de palavras duras.
Se por um lado os adolescentes ainda não desenvolveram a maturidade da audição, sinto que muitos "mais velhos" não desenvolveram a maturidade da compreensão. Isto porque, vejo homens e mulheres que fizeram muita bobagem na sua juventude, agora esquecem completamente como viveram, foram barulhentos, e pior ainda, quando muitos, nem pertenciam a Cristo, usaram seus membros para perdição, agora, sem nenhuma compaixão com aqueles que estão dedicando a sua juventude a Cristo, e que deviam louvar ao Senhor porque estão vivendo uma vida diferente da de muitos outros jovens perdidos no mundo, e que, porque são mais velhos, reclamam por uma bobagem que façam, e esquecem que Deus perdoou caminhões de erros de suas vidas quando jovens.
O que proponho é que haja bom senso em nossa "guerra" de gerações. Um armistício, um desarmamento, pois caso contrário não poderemos dizer que vivemos no mesmo corpo, a Igreja.
Dessa forma, solicito aos mais velhos que por um momento lembrem-se das bobagens que fizeram na sua juventude e agradeça a Deus pelos problemas que a juventude, cheia de vivacidade produz, sem colocar sobre os mais novos um jugo que alguns sequer puderam suportar quando a viveram. Ao mesmo tempo, solicito carinhosamente aos adolescentes, jovens e afins, que entendam que os nossos ouvidos são mais sensíveis, e que o que para eles pode ser bom, para nós é uma agressão auditiva digna de qualquer bom senso. E que também atrapalha o nosso culto e o nosso bem estar.
Igreja não é lugar de uma categoria apenas, mas de várias, tanto de classes sociais, como também de grupos de gerações diferentes, enquanto não entendermos isso, estaremos colocando sobre o outro um jugo insuportável, que quando estamos em outra realidade, jamais suportaríamos.
Pensem nisso com amor.


Choro de raiva ou de pena?



CHORO DE RAIVA OU DE PENA?
Pastor Neucir Valentim
Estou triste,

Acordei triste hoje, e ando meio desiludido com o que vejo. Primeiro a decepção com os arraiais evangélicos, e com a própria Instituição Evangélica, que abriu mão de valores básicos e está negociando outros valores, como status, fama, poder e dinheiro.

Segundo, porque vejo na maioria das pessoas da fé, uma profunda falta de raiz com os valores que eu achava que elas tinham. Ninguém tem convicções sólidas, o relativismo de fato, ocupou a mente de quase todos.

Duas pessoas me procuraram para dizer que estavam deixando a suas “igrejas”, porque estavam com situações irregulares na vida conjugal, mas esse não foi só “o” problema. O que me deixou triste e perplexo é como acharam tão fácil renegar a fé, e a igreja, sem nenhum senso de perda.

Tudo é como se os vínculos espirituais não fossem mais nada.

Acabei de ouvir um amigo meu, veterano no evangelho dizer que está gostando muito de um pastor Adventista, que prega muito bem na TV! Fiquei curioso, porque sei que o tal pastor só prega heresias (ora bolas, o pastor é adventista...), e ele, veterano crente no seio evangélico, nem sabe mais discernir o que é certo ou errado, e o que aprendeu anos a fio, ou será que não tinha aprendido nada?

Acabei de receber um vídeo pela Internet de uma pessoa evangélica próxima: Adorou o vídeo... Mas ela não se deu conta e que o vídeo é uma pura mensagem das Testemunhas de Jeová! Não teve ou tem nenhum pouco de senso bíblico crítico.

Levei outro susto quando fui conversar com uma determinada pessoa que me disse que ia mudar de igreja, porque estava querendo variar um pouco, apenas por isso. Perguntei-lhe: Mas sua igreja está com algum problema?
Ela me disse friamente: Não, não há problemas, mas o pastor de lá me chamou para conhecer um pouco a igreja dele, e vou ver se é legal... Isso me assusta. Mudar de igreja para ver se lá é legal!

Muda-se de igreja hoje como se escolhe uma blusa, uma muda de roupa, que pode ser melhor que a usada no dia seguinte, ou uma nova lanchonete na área a ser experimentada. Onde estão as Raízes?

Em terceiro lugar, tenho visto uma profunda desvalorização do caráter, onde não escapa nem os líderes, que perderam os escrúpulos e não estão nem aí para a ética, para o “agir” bem, para o compromisso com a seriedade, aliás, acho até que alguns esqueceram o que significa essa palavra... Traem, enganam, falam mal, criam situações embaraçosas, dissimulam, fazem qualquer negócio para conquistar ou ganhar algum prestigio em troca de uma idéia nebulosa de se perpetuarem no comando ou num poder tão firme como a areia da praia e tão sólido como a neblina que se esvai com o calor do sol. Quanta tolice!

Acho que alguns deveriam refazer a matéria chamada ÉTICA nos seminários onde aprenderam a teologia... Bobagem, teologia sem ética é mais perigosa ainda...Mata!

Em quarto lugar, muitos que ainda mantinham escondidos os seus problemas e a sua pequenez, além de perderem o caráter estão também perdendo a honra. Não estão nem aí para o que os outros vão pensar do julgamento moral de seus atos, de sua postura e imagem pública. Estão olhando apenas para o seu interesse imediato, para o seu pequeno mundo de valores tão baixo.

Em quinto lugar, não consigo acreditar no que se faz em nome da fé...

Embora a história fale do que já se derramou de sangue em nome da “fé” e do “cristianismo” já era para desconfiar que não existem limites quando se quer usar a religião ou a “fé”, para fins espúrios, que vai de uma mentira banal a todo o tipo de má fé usada para que se logre êxito em qualquer coisa, nem que se negocie importantes valores espirituais, por interesses tão passageiros e ilusórios. Não há mais nada que não se negocie ou jogue fora, depois que se acabam os valores mais básicos de quem crê – a sua fé!

Pois é, está tudo mudado, não há de se apostar mais em nada, porque quando se perdem os valores, perde-se tudo, pois quando se vai a essência, o que fica é fumaça.

Mas eu ainda penso que vale a pena acreditar, ser honrado e honrar a fé, a despeito de tudo isso, afinal, Jesus já havia dito: Quando o Filho do homem voltar achará fé na terra? (LC 18:8). Cada dia fica mais difícil admitir que essa pergunta incomoda muito diante do que vemos e ouvimos.

Pense nisso.




Como amo essas mulheres!


COMO AMO ESSAS MULHERES!
Pastor Neucir Valentim
Existia um homem muito próximo a mim, éramos muito ligados! Vivíamos juntos! Não sei como, mas disputávamos, milímetro a milímetro, o mesmo lugar... Na barriga da minha mãe, compartilhando o mesmo ventre comigo, na mesma ocasião, no tempo e no espaço o tempo todo. Deve ter sido uma briga boa. Confesso que não me lembro. De verdade! Explico. Eu era gêmeo bi-vitelino, mas creio que não deu para nós dois disputarmos o mesmo ambiente, o mesmo carinho, o mesmo afeto. Era ele ou eu! E ele, então certo dia, sem falar com ninguém, resolveu sair “de casa antes”. Minha mãe pensou que tivesse perdido o seu bebê, mas era o outro que tinha vindo, que saíra antes do tempo. Não sobreviveu... Mas, para surpresa dela, e do médico, eu ainda estava lá, agora sozinho... Reinando sem nenhum concorrente por perto. Meses depois nasci para viver entre as mulheres.
Amo as mulheres, no sentido mais puro da frase.
Fui criado com mulheres. Minha mãe e três irmãs. O contato que tinha com meu pai era mais esporádico, pois ele trabalhava, saia cedo de casa, etc. Meu pai sempre foi gente boa, mas gostava de futebol, de campeonatos, e confesso que como não sou nenhum Ronaldinho, acabei não acompanhado tanto as suas atividades esportivas...
Já com minha mãe e minhas irmãs, eu era mais próximo. Dormia no mesmo quarto com minhas irmãs, não brincava “de” bonecas, mas “com” bonecas. Queria saber o que elas tinham dentro do corpo... Abria uma ou outra de vez em quando, fazia pesquisa. “Matava” as suas bonecas. Eu sei que isso é feio, mas a minha natureza era, como a dos homens, predatória.
Aceitei a Jesus muito cedo, e me tornei um “rato-de-igreja” e estava em todas as reuniões. Como na maioria das igrejas, a União Feminina é mais forte, lá estava eu, de novo, entre as mulheres... Não perdia uma reunião feminina... Conhecia o seu “moto” sua música e suas manias... Queria estar na igreja! Como naquele tempo não era comum ser crente. Havia poucos adolescentes na igreja, então acabei mesmo, ficando junto às mulheres de Deus. Com o tempo, é óbvio, as coisas mudaram, quando chegaram então os adolescentes, os jovens, etc. Me enturmei com a minha categoria.
Cedo me casei. Encontrei outra mulher, agora a minha esposa, e logo depois, chegava em minha vida outra mulher, a minha filha mais velha... Que felicidade! Na segunda gravidez de minha esposa, na ultra-sonografia a médica falou: “O papai vai ter mais uma menininha!” Um pouco encabulada. Mas para mim, quanta felicidade. Agora estava eu, de novo, cercado de mulheres.
Sempre entendi que Deus é sábio, e quando ele disse que não era bom que o homem estivesse só, e que far-lhe-ía uma adjutora - A mulher. Acertou em cheio – Aliás, Deus sempre acerta, nós é que erramos.
A mulher preenche as necessidades do homem. Deus fez assim – Homem e mulher, e não mais que isso! Fora disso não presta, e fez para o nosso bem, digo, o bem dos homens. Por isso Adão, o primeiro homem falou: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada”.Gn 2:23.
Deus ama as mulheres, de forma especial. Foi por um ventre materno que ele entrou na História do homem. Foi através das mulheres que Jesus teve a sustentação do seu ministério: “Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens.” Lc 8:3.
Foram as mulheres as primeiras testemunhas da ressurreição. Tudo bem, nenhum dos homens acreditou nelas, e Pedro teve que conferir, mas foram elas que souberam da boa notícia primeiro!
Hoje digo para os homens que são pais: o que seria de nós se não fossem as mamães. Somos tão atolados!
Mas elas são fortes! Não sentimos os enjôos da gravidez, não ficamos com varizes, não temos o nosso corpo deformado, não temos que sentir aquelas fortes dores do parto. Não temos que amamentar ninguém...
Fico imaginado os homens, tão moles e tão sensíveis como são, sobreviveriam as dores do parto, alguns que sequer agüentam uma dor de cabeça...
Bem, são as mulheres que embalam os homens no mundo. Cantam as primeiras canções, dão as primeiras lições, etc. Se existe até um dia dos pais, foi porque antes, houve um dia das mães, e uma mãe que cuidou com carinho desse pai...Que agora pode ser homenageado. Mas cá entre nós, as mulheres são as mulheres, Deus nos fez muito bem.
A minha filha acaba de ler este artigo, e com a peculiaridade da sensibilidade feminina me perguntou: “Pai, os homens não vão ficar chateados por um artigo que não fale sobre eles?” Então tive que lhe explicar uma coisa sobre os homens que, certamente ela não conheça: Nós homens não somos tão sensíveis nessa área não. Para nós as palavras não têm o mesmo significado que as mulheres (e eu conheço de mulheres, lembram?) Para nós homens, palavras deste gênero não são tão importantes assim.... Nós homens somos meio frios, mecânicos, às vezes insensíveis e durões demais para isso, mas já as mulheres... Bem elas pensam bem diferente da gente. Ainda bem!
Como amo essas mulheres.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Qual é o seu monstro?

QUAL É O SEU MONSTRO?
Pastor Neucir Valentim




Podes tu, com anzol, apanhar o Leviatã ou lhe travar a língua com uma corda? Jó 41:2
O Livro de Jó, no capítulo  41, aponta o Leviatã como o maior dos monstros aquáticos já existentes.
No diálogo bíblico entre Deus e Jó, o primeiro revela as características do monstro, tais como: “ninguém é bastante ousado para provocá-lo; quem o resistiria face a face? Quem pôde afrontá-lo e sair com vida debaixo de toda a extensão do céu? Quem lhe abriu os dois batentes da goela, em que seus dentes fazem reinar o terror? Quando se levanta, tremem as ondas do mar, as vagas do mar se afastam. Se uma espada o toca, ela não resiste nem a lança, nem a azagaia, nem o dardo. O ferro para ele é palha, o bronze pau podre”
O filósofo inglês, Thomas Hobbes, em 1651, publicou o seu mais famoso tratado sobre Leviatã, em virtude de comparar o Caos ao monstro bíblico. Para ele, esse monstro representava toda maldade e conflitos que envolviam as sociedades, e que ninguém era capaz de domá-los.
Sendo ou não um monstro marinho antigo, Hobbes, em algum momento tem razão quando dá-lhe o nome de “caos”, isto porque o caos é o ingovernável, é a mistura de coisas em total desequilíbrio; desarrumação, confusão é a mistura de idéias, e sentimentos, confusão mental e a balburdia.
Deus faz essa pergunta a Jó, justamente porque ele estava vivendo um caos na sua vida, além de ter perdido tudo o que tinha, perdeu sua honra, sua saúde e seu rumo, na verdade a vida de Jó estava uma verdadeira balbúrdia.
O monstro marinho, poderia ser compreendido facilmente por Jó, tanto como a figura literal com o caos que se instalara em sua vida.
Depois que Deus pergunta-lhe quem pode domesticá-lo, apresenta-se no capítulo 42 como o “DEUS” que põe ordem em tudo, a tudo fez, e domina até mesmo o caos. Ele é o único que pode conter o Monstro, pois ele colocou ordem no caos quando a terra ainda era sem forma e vazia (era ingovernável e desequilibrada, imperando o caos), sim, nesse contexto de falta de governo de crise, de monstro marinho, Deus apenas com a sua Palavra, colocou ordem no caos, apenas dizendo, haja luz, e houve luz, haja separação entre mar e terra seca, e assim se fez, e ao final de cada ordem, lá no primeiro capítulo de Gênesis, ouvimos sempre o autor do livro dizendo: “e viu Deus que era isso era bom!” e repete-se essa sentença a cada coisa que Deus põe em ordem!
Minha querida, Jó conheceu o seu Monstro abissal, que lhe causava medo, sentiu o chão de sua vida ruir quando o caos de repente se instalou em sua vida. 
A confusão chegou, era notícia ruim, uma atrás da outra. Foi horrível a sua experiência, mas gostaria que você entendesse que ele também pode aprender uma coisa: Quem coloca ordem no caos é o Deus Todo-Poderoso. Pode vir a balbúrdia, pode vir a confusão, pode vir os sentimentos mais perversos, a confusão mental ou até mesmo a balbúrdia, mas ao final, quem coloca o anzol no caos é o próprio Deus, o Deus que criou o mundo, que estava em desordem sem forma e vazio, e ordenou tudo conforme a sua soberana vontade.
Não há monstro que Deus não seja capaz de domar, não há situação onde Deus não possa entrar e colocar ordem, afinal ele é o Deus criador e sustentador de todas as coisas. 
Jó so vai conhecê-lo plenamente depois que não tem mais respostas para sua vida. Que não há mais luz no fim do túnel, então, Deus abre-lhe o coração e se revela no capítulo 42 como o Deus que tudo pode! Afinal, diz o próprio senhor: “Isaías 43:13: Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” 
Ele domina qualquer monstro que possa estar lhe aterrorizando, e põe ganchos nos mais poderosos monstros da terra.
Descansa nele, como ao final, Jô o fez.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Quando caí da escada

QUANDO CAÍ  DA ESCADA...
LIÇÕES DE UMA QUEDA!
Pr. Neucir Valentim
Estou digitando esse pastoral com dor no meu braço esquerdo, esforçando-me para fazê-la, isto porque caí, isto é fui vítima de uma queda da escada quando tentava trocar lâmpadas do lustre da minha casa, na altura de 3,60 metros, bati com minhas costas na estante que me fraturou a costela. Conseguiu formar uma pleurite com sangue no pulmão e maculou o tendão de meu ombro esquerdo.. 

Posso dizer que por fora estou bem, mas por dentro, estou quebrado. Não posso fazer nada a não ser ficar sossegado e tomar remédios, pois costelas não se engessam, nem tendões. Estou até ausente da igreja. Quedas fazem isso.
Por isso eu gostaria de tirar lições espirituais desse fato fazendo uma analogia à queda, sinônimo do pecado, que ronda a vida de todos nós (Hb 12:1), e sem saberem que estão próximos a cair, e quando mal perceberem já estarão no chão, espiritualmente falando, baseando-me nas fases do que aconteceu comigo no meu pequeno acidente:

A primeira fase para a queda está na incapacidade de saber que podemos cair, digo, na alta confiança perigosa, onde achamos que quedas só acontecem na vida dos outros e que não somos vulneráveis a ela e dizemos em nossa vaidade: "Eu tiro de letra... Não preciso de ninguém..." Cuidado com essa prepotência. Seja vigilante, porque em um milésimo de segundo você poderá estar no chão, e é mais rápido do que imagina. "Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia." I Co 10:12.

A segunda fase é ter uma obstinação cega em conquistar o alvo, no meu caso, eu queria estar acima do lustre para lá trocar as lâmpadas, querer ver o brilho delas sem saber que o olhar deve ter pelo menos três dimensões: o alto, o  baixo, e os lados. Olhe tudo, não se fixe num objetivo, por mais nobre que seja sem saber quem e o que estará ao seu lado, olhando a sua base e não se esquecendo de olhar para o céu. Muita gente cai porque olha somente para o objeto do seu desejo, o brilho ofuscante do mesmo e esquece o mundo que o rodeia: gente, pessoas amigas, pais, mães, conselhos, experiências de outros e não considera mais nada na vida, isso é um perigo, mesmo em coisas banais. Olha o que a Bíblia diz: "Onde não há conselho, frustram-se os projetos; mas com a multidão de conselheiros se estabelecem." Pv 15:22

A terceira fase é querer estar no topo a qualquer custo, no meu caso, quis subir até o último degrau, quando descobri que o lugar mais perto do topo é ironicamente o chão. Sim tem gente que faz de tudo para estar no topo, perto das luzes, acima do bem e do mal, desconsiderando às vezes, que o topo é muito perigoso, e que o lugar mais seguro na escada da vida é o meio, onde há mais segurança. Foi assim com Gideão, que se sentia o menor de todos, nas tribos de Israel e diante de Deus, mas quando  achou que era alguém importante, caiu e fez todo Israel errar: Disso fez Gideão um éfode, e o pôs na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel se prostituiu ali após ele; e foi um laço para Gideão e para sua casa. Jz 8:27." No topo, qualquer desequilíbrio derruba, qualquer movimento por menor que seja, abate
Aliás, a nossa sociedade vive pregando que devemos estar no topo a qualquer preço, mesmo desconsiderando os meios, pisando nas pessoas. Tolice para os que já  aprenderam como o topo é um lugar passageiro, ilusório e muito perigoso, pois nele, e só acima dele está você, e não tem ninguém com você, às vezes, você pensa que nem Deus está  acima e vive sem Ele, essa é a tragédia de quem vive querendo obstinadamente o lugar mais alto. Cuidado com esse chamariz tão propagado, onde os fins justificam os meios. Foi assim que o Diabo caiu! O fim neste caso, será inevitavelmente uma grande  queda, pois quanto maior o topo, maior o impacto da queda.

A quarta fase na queda é não entender que o conhecimento é bom, a cultura, seja ela secular, teológica ou genérica é importante, mas na hora da queda, elas não te seguram, falo isso porque caí com as costas na minha estante, cheias de  livros e de várias informações, mas foi justamente no lugar do "meu conhecimento", que me machuquei mais. 

Não acredite que já sabe tudo, que o conhecimento  intelectual pode evitar a queda, pelo contrário, em algumas horas ele machuca mais do que você imagina. Busque a sabedoria, mas não se estribe na cultura para se garantir da queda. O sabe-tudo pode ser o seu maior vilão.

A quinta fase é administrar a queda. É muito difícil - a primeira coisa que acontece é que quando batemos com força no chão, nossa voz se cala. Apesar de querermos gritar! Sim, eu chamava "alto", mas ninguém me ouvia, porque na verdade eu não conseguia gritar, e as quedas seculares revelam a nossa incapacidade de conseguir ser ouvido, pois só somos ouvidos quando estamos no alto, no chão, o som some, o grito é interno e nada mais.

A sexta fase é perceber que não conseguimos gritar, porque o ar do pulmão fica bloqueado, o ar no texto bíblico original é pneuma, representa a ausência do Espírito Santo, que foi deixado por nós, quando inspiramos outros ares, muitas vezes da arrogância, da soberba ou da vaidade, da vida que nos inflam, mas que se vão tão facilmente. Somente o Espírito Santo é o nosso Ajudador, mas na queda, e somente nela é que descobrimos que devemos orar como Davi: "Não retires de mim o Teu Espírito.."

A sétima fase é buscar levantar para procurar ajuda... Ver o que estragou e identificar a nossa impotência diante do qual frágil somos, mas por vezes arrogantes. 

No meu caso a minha filha queria me levar para o Hospital, mas... Ora bolas, quem sou eu para precisar de ajuda! Foi só questão de tempo, horas depois vi como meu braço estava paralisando, as dores aumentando e minha esposa, que estava ausente, já sem nenhuma resistência de minha parte, me levou para o médico ver o estrago... 

Por último, quando se cai da escada, se quebra a costela, há um significado importante que tiro daí. Adão disse com respeito à Eva, no projeto de Deus para a família: "Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada." O que eu quero dizer que a nossa costela quebrada representa a esposa, e por extensão os nossos filhos, ninguém cai absolutamente sozinho, sempre leva alguém a sofrer junto, no meu caso, foi minha costela que sofreu comigo, ficou fraturada, meu braço ficou machucado, enfim a família, querendo ou não sofre com as nossas quedas e falências. 

Por isso, entenda as fases da queda,  veja como funciona e aprenda como evitá-la, lembre-se e desvie delas a todo tempo, é mais fácil cair do que se imagina, eu nunca me imaginei caindo de uma escada, me achava um exímio trocador de lâmpadas! Talvez você nunca se veja caindo num pecado... Mas é muito mais  fácil do que imagina e os estragos são enormes, mas se caiu, procure ajuda, ainda que não consiga falar sussurre, clame e alguém te ouvirá, e, sobretudo o próprio Deus, mas tenha muito cuidado, o brilho das luzes encantam, e a busca do topo cega os nossos olhos quanto as possibilidades de um grande tombo. Se cair, faça da sua queda um meio para aprendizado, pois a Bíblia diz que a tribulação produz peso de glória, faça dela uma oportunidade de aprendizado: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória." II Co 4:17.
Pense nisso, e cuidado com as escadas da vida, são perigosas...


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Minha conversão e a importância do trabalho infantil

MINHA CONVERSÃO E 
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO
 INFANTIL NA IGREJA!
Pastor Neucir Valentim



Lembro-me como se fosse hoje: Aos seis anos, andava pelos cantos de minha casa triste e chorando escondido, sem motivos aparentes para isso. Sentia vontade de expor aquela tristeza interna que marcava a minha alma, e por isso chorava muito. 
Sempre fui muito amado pela minha família, e nunca tive motivos aparentes para aquela compulsão para o choro que me vinha regularmente.  
Lembro-me que um dia, ainda  com aquela angústia na alma, fui para rua brincar, como todo garoto de minha  idade. De repente, olhei para o céu. 
Vi algo que parecia uma mão acenando para mim, chamando-me para si. Nunca havia tido tal experiência, nunca havia freqüentado a nenhum grupo religioso cuja idéia de "visões" era comum. Para mim aquilo era estranho, inusitado, mas gostoso. Incontinente, procurei minha mãe, e lhe mostrei o que estava vendo. Ela olhou para o céu e nada viu. 
A visão da mão no céu me era exclusiva. Mas, mesmo desconhecendo o fenômeno, ou o que pudera ser, deu-me ela uma grande orientação: - Meu filho, se você está vendo alguma coisa, vá para casa, dobre o seu joelho no chão e peça a Deus que Ele há de esclarecer. 
Sem mais delongas, sozinho, ajoelhei-me aos pés da cama de minha mãe, e fiz uma pequena oração, de alguém que  nem ao menos sabia orar: Em palavras pobremente  colocadas, mas numa oração sincera, pedi a Deus um esclarecimento daquilo que via. Quando então o meu coração ouviu e entendeu de forma clara o significado daquele episódio: Segurança, dizia ao meu coração - Salvação! Era isso o que eu ouvira, Era isso o que me  estava prometendo aquela mão  e o meu coração entendera bem. Pouco tempo depois, mudei-me para Niterói. 
Aquela experiência nunca mais fora esquecida, havia marcado a minha pequena existência. Certo dia, andando numa rua próxima a minha casa, ouvi uns cânticos de uma igreja evangélica na rua Visconde do Uruguai, elas me atraíram como os insetos são levados à luz. As músicas procediam de um culto infantil, com bandinha e tudo mais. Entrei meio perdido e desajeitado e fiquei para ver o que era. Ao final do culto, o pregador fez o seguinte apelo: Quem quer ter SEGURANÇA e SALVAÇÃO, somente poderá encontrá-las em Jesus! Nada mais claro em minha vida. Ele estava falando comigo sobre o que me acontecera algum tempo atrás. Para completar, o hino cantado logo após o apelo foi: "Quando Jesus estendeu A SUA MÃO, quando Ele ESTENDEU A SUA MÃO PARA MIM, eu era pobre perdido, sem Deus sem Jesus, quando ELE ESTENDEU A SUA MÃO PARA MIM..." 
Naquela hora me rendi a Cristo, indo a frente,  atendendo ao apelo do pregador e reconhecendo-me como pecador, e aquela tristeza que invadia meu  coração durante minha pequena existência fora embora instantaneamente, e nunca mais  senti aquela agonia de alma que me levava a chorar, sem saber os motivos, mas que certamente eram de alguém que precisava e queria conhecer a Cristo, ainda criança.
Convém lembrar que naquele dia ninguém anotou o meu nome ou me deu atenção, afinal, eu era apenas uma criança... mas Jesus havia anotado o meu nome no Seu Livro da Vida.
Querido irmão, essa experiência não é só minha. Segundo o "Hand Book on Children's Evangelism" de Lionel Hunt, publicado pela Moody Press, os números abaixo, revelam, de maneira inequívoca, que a melhor idade para a evangelização e a conversão de uma pessoa está na infância. Observe como os coraçõezinhos estão abertos para Cristo em tenra idade:

Antes dos 5 anos - 1%
De 5 a 15 anos - 85%
De 15 aos 30 anos -10%
Após os 30 anos - 4%

Perceba como é grande o índice de conversão nas idades de 5 a 15 anos! Segundo as estatísticas, essas conversões são genuínas e duradouras, e parte dos que se decidem por Cristo nessa idade, tornam-se crentes sinceros até o final de suas vidas.
D. L. Moody disse: "Eu creio que, se as crianças tem idade suficiente para vir à Escola Dominical, elas têm idade suficiente para vir ao Calvário. Vamos abrir nossas mentes e que Deus nos ajude a ganhar as crianças para Cristo." Observe que Moody não está apenas dizendo que as crianças devem vir à Escola Dominical, mas sobretudo, serem levadas ao Calvário. A Escola Dominical não deve ser um fim em si mesma, mas o instrumento de Deus para levá-las a cruz, caso contrário, será apenas mais um ativismo, cujo fim se perde em si. 
C.H. Spurgeon, o príncipe dos pregadores afirmou: "Geralmente tenho encontrado um conhecimento mais claro do Evangelho e um amor fervoroso na criança convertida a Cristo do que no adulto convertido. Elas não precisam abandonar a incredulidade e as noções erradas que impedem tantos de aceitar o Evangelho" e ainda acrescentou: "Uma criança de cinco anos, devidamente instruída, pode verdadeiramente crer e ser regenerada tanto quanto um adulto."

 Como seres espirituais, existe nas crianças uma profunda sede de Deus, que certamente este mundo não pode saciar. Quando o salmista diz que a alma tem sede de Deus (Sl 42: 1 e 5), está incluso todo ser humano, entre eles as nossas crianças. Que desesperadamente carecem de Deus, como todo pecador, sendo no entanto, segundo as estatísticas, mais prontas a ir às águas cristalinas da fé.
Que Deus abençoe a nossa igreja dando-nos a firmeza do ministério infantil. Que pensemos mais em nossas crianças, que elas possam ser levadas ao Calvário, numa experiência de profunda regeneração.
Lembro-me dessa canção como se fosse hoje! Veja  no vídeo o Hino na voz de Luiz de Carvalho:

sábado, 27 de setembro de 2008

Impunidade de Hitler aos que adulteram remédio

IMPUNIDADE
DE HITLER AOS QUE ADULTERAM REMÉDIO
PARA GANHAR DINHEIRO
E MUITO MAIS...

Pastor Neucir Valentim

"E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. Ap 21:12"

Talvez, nenhum versículo bíblico infunde mais temor do que este, onde, revela-nos de forma clara que todos comparecerão diante do trono de Deus. No entanto, de igual forma, como nenhum outro, traduz-se numa profunda esperança, para os filhos de Deus, num mundo de impunidades. Segundo fica claro, ninguém, absolutamente, fugirá do Grande Trono da Majestade.

Foi possivelmente, esta a visão que o compositor bíblico Asafe teve, quando escreveu o Salmo 73. Neste Salmo, o autor bíblico quase entrou em perturbação mental, quando, analisando a vida, percebeu que os ímpios, os perversos, os prevaricadores, os odiosos, sempre se dão bem na vida.

Dentro de seu raciocínio humano, olhando a impunidade dos maus e a desdita dos justos debaixo do sol, tudo parecia funcionar as avessas, e que o mal é bem aquinhoado e o justo na maioria das vezes é prejudicado: "Quanto a mim, os meus pés quase resvalaram; pouco faltou para que os meus passos escorregassem. Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Porque eles não sofrem dores; são viçosos, e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens. Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre como um vestido." (Sl 73:3-5).

Depois de analisar a vida humana, Asafe tem uma profunda crise existencial, na dificuldade de assimilar tal contraste: "Quando me esforçava para compreender isto, achei que era tarefa difícil para mim" (Sl 73:16). E assim, os seus pés quase escorregaram, pois passou a julgar que não valia a pena ser justo, pois ao final da história, o arrogante, o soberbo, o usurpador, acabava sempre, levando a vantagem na vida.

Talvez você esteja sofrendo a síndrome de Asafe, em achar que não vale a pena ser justo, que o perverso é que se dá bem, que o ímpio cresce e não há quem o detenha, principalmente, se você foi vítima de um tirano, de um arrogante ou de um soberbo, dos quais, encontramos muitos exemplares vivos em nosso dia a dia.

Tranqüilize-se! Faça como fez o autor sagrado: Vá ao templo de Deus, e contemple pela fé o fim deles!

Olha o que descreve Asafe quando olhou com olhos espirituais: "até que entrei no santuário de Deus; então percebi o fim deles. Certamente tu os pões em lugares escorregadios, tu os lanças para a ruína. Como caem na desolação num momento! ficam totalmente consumidos de terrores. (Sl 78:17 a 19)

O que esse homem de Deus viu, foi que um dia a impunidade terá fim, que os maus serão chamados a juízo, que a causa do justo será cobrada do injusto, e que existe alguém que se assenta no trono, e que nada fica impune ao seu olhar perscrutador!

Não importa se for gente grande ou pequena, se é um grande salafrário, tirano, ou pequeno perturbador existencial.

Todos, grandes ou pequenos, importantes ou não, comparecerão diante de Deus. Certamente neste dia se apresentarão grandes personagens da história como Adolfo Hitler, Stalin, Nero, os grandes faraós, Calígula, Himmler (o chefe da terrível SS nazista), Napoleão, Mussoline e muitos outros, grandes nomes; mas estarão lá também o Zé da esquina que não lhe deixa em paz, o diretor tirano de sua empresa, o patrão que esfola o direito do seu empregado, o professor carrasco, que faz de sua sala de aula um nicho para massacrar seus alunos, o marido que humilha a esposa, dentro de quatro paredes, o pai que infringe castigo aos filhos por prazer mórbido.

Estará lá o seu Carlos da farmácia, que vende remédio falsificado contra o câncer, para ganhar dinheiro a custa da dor e da tragédia alheia, os construtores que burlam a lei, e expõe a risco vidas humanas. Estarão os políticos corruptos, os assassinos de nosso povo, os grandes traficantes e os seus "bagrinhos". Todos diante do tribunal, sem exceção! Porque aquele que se assenta do trono, é o Soberano Juiz. E ninguém pode fugir de sua presença. Aleluia!

Que esta lembrança o ajude a ver que não há mal que dure para sempre, e que um dia, todos, inapelavelmente, serão chamados a responder pelos seus atos. Que isso nos infunda temor, mas também, a certeza de que vale a pena servi-lo com amor, e não se deixar abater pelas ações do perverso. Lembre-se: Há um Deus no céu que tem um título muito precioso: JEOVÁ DÃ, que significa que Jeová é o nosso juiz, o que julga o mundo, e sobretudo, as nossas causas. Pense nisso!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O velho armário da igreja

O VELHO ARMÁRIO DA IGREJA
Pastor Neucir Valentim

"...a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um." I Co 3:13

Dia após dia, lá estava ele no corredor do edifício de Educação Religiosa da Igreja. Tratava-se se um armário velho, de madeira, que possivelmente, já dera tudo de si, durante boas décadas. Agora com o tempo, carcomido pelas traças já não prestava para nada, senão para ser queimado.

A sua aparência exterior não revelava o seu estado verdadeiro. Antes, quem o olhasse rapidamente, acharia nele um armário útil e lustroso, todavia, sem uso, sem serventia, apenas ocupando um espaço para a passagem de um transeunte ou mesmo para um móvel melhor.

Não tive dúvidas quando constatei a sua inutilidade. Levei-o para o pátio da igreja e ateei fogo. Não demorou muito para que as traças, suas moradoras antigas, começassem a sair rapidamente, certamente reclamando da expulsão repentina de tão amplo alojamento. O fogo também foi rápido. Como não havia muita consistência naquele armário oco, alquebrado pela antigüidade, logo se extinguiu e não resistiu por muito tempo as chamas que deram sobre ele. Em poucos minutos, um armário, talvez, de várias décadas, foi reduzido à cinzas, sem nenhuma parcimônia.

Posso tirar algumas lições importantes desse episódio corriqueiro. Em primeiro lugar, Deus nos vê como utensílios também, em sua casa. Em II Timóteo 2:20 o apóstolo relaciona os crentes como utensílios que servem à casa do Senhor, o exemplo no texto é o vaso, que ornamenta e guarda objetos ou muitas vezes torna-se símbolo de vexação e tropeço: "Ora, numa grande casa, não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro; e uns, na verdade, para uso honroso, outros, porém, para uso desonroso". Isto posto, entendemos que, por vezes, nos tornamos um armário na casa de Deus, que à semelhança desse que por mim foi queimado, devido a sua inutilidade, será também queimado pelo Senhor da seara, uma vez que não há mais utilidade na casa de Deus!

É isso aliás o que fala João Batista no tocante ao resultado do que produzimos na vida cristã: "Também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo." Eis aí uma analogia perfeita com o nosso armário. Toda árvore, isto é madeira, e pode ser a de um antigo armário, se não produzir bom fruto deve ser queimada mesmo! Sem dó nem piedade.
É por isso que o apóstolo Paulo nos exorta quanto a um constante exame de consciência, pois à semelhança do armário da igreja, as nossas obras se manifestarão, no fogo, onde, diante do Senhor, provaremos a nossa utilidade ou inutilidade no Reino de Deus!

Aquele armário parecia ser útil à vista, e durante bastante tempo guardou muita coisa boa, foi objeto de valor na igreja, mas chegou o dia em que não produziu mais nada digno de apreciação! Ficou oco e vazio e transformou-se em morada de traças. Muitas vezes, somos semelhantes a ele. Durante bons dias, já guardamos coisas boas, e por longo tempo, fomos vasos de honra, mas com o passar dos anos, começamos a guardar coisas antigas, sem utilidades para o presente, nutrimo-nos de um passado sem vida, que produziu em nós apenas um alojamento de traças, que não só destruíram a nossa espiritualidade, como colocaram em risco a utilidade de muitas coisas importantes no reino de Deus.

Mesmo assim, nos sentimos intocáveis, apenas ocupando lugar, atrapalhando o caminho dos que querem passar para uma caminhada mais espiritual. Nos tornamos como aquele armário inútil do edifício, que bonitinho por fora, carregando apenas uma fachada de espiritualidade, mas que na verdade, estava cheio de traças, coisas ruins, impiedade, sequidão e pecado!

Não se engane, assim como o armário de nossa história foi reduzido à cinzas em poucos minutos, assim também pode acontecer conosco, se não tivermos uma consistência espiritual verdadeira, seremos provados pelo fogo, e Aquele que a tudo examina, conhece de fato o nosso interior, pois os seus olhos são como chamas de fogo, a tudo prova e a todos examina e perscruta!

O nosso armário, para alguns, talvez, fosse importante demais, pela sua história na igreja, pelo seu passado de utilidades e pelo seu aparente proveito mas, quando foi provado pelo fogo, ficou evidenciado, que até a sua própria estrutura estava atingida pela ação do desuso e das traças. O fogo provou a sua inutilidade! E você meu querido irmão, pode ser provado pelo fogo também?

Você está sendo útil no reino de Deus, ou está apenas ocupando espaço? Você se sente intocável e guardião das antiguidades históricas ou está apenas sendo um depósito de traças? Cuidado para não se tornar um velho armário de igreja e acabar indo para o fogo do exame divino!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A síndrome do sabe-tudo

A SÍNDROME DO SABE-TUDO
Pastor Neucir Valentim
“ Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus.” Mc 10:17.


A síndrome do sabe-tudo, é o comportamento que caracteriza aquele tipo de gente que sempre acha que sabe todas as coisas. Dá palpite em tudo, e sempre se acha o portador e porta-voz da verdade.

A sua palavra, numa discussão, sempre deve ser a última. E mais, está sempre atualizado nas últimas novidades, ainda que falando de coisas que desconhece. Os portadores desta síndrome sempre acham que os outros não sabem nada, são uns ignorantes à margem do processo do conhecimento, seja no conhecimento científico, político, filosófico, histórico ou até no bíblico.

Não possuem algo, popularmente conhecido como desconfiômetro, isto é, a capacidade de desconfiar que o seu ufanismo desagrada e o torna, por vezes, intolerável. Em última análise, os portadores desta síndrome gostam de sentir-se os bons mestres dos ignorantes.

Jesus nos dá uma linda lição no texto de Marcos 10:17. Um moço rico, possivelmente inteligente e culto, chama-o de Bom Mestre (o que faria vibrar qualquer portador da síndrome do sabe-tudo), ao que Jesus responde de imediato: Só há um que é bom - Deus. Jesus não usou de falsa modéstia, muito pelo contrário, foi honesto em sua resposta. Ele sabia que, mesmo sendo Deus, estava encarnado, por conseguinte, sujeito às limitações naturais da mente humana. Aliás, é um grave erro teológico entender que Jesus, enquanto homem, estava pleno de toda potencialidade divina. Paulo afirma-nos que Jesus humilhou-se a si mesmo, tomando forma humana (Fl 2:5 a 8), isto é, se esvaziou voluntariamente dos atributos incomunicáveis da divindade e ficou sujeito aos limites humanos.

Por isso o Senhor tem fome, sede, não é onipresente, pois tem que caminhar de um lugar para outro, não sabe todas as coisas, (Mt 24:36). Sim, na sua limitação humana, Jesus estava despojado das prerrogativas divinas. Em momento algum deixou de ser Deus; não obstante, ficou limitado à natureza do homem, e feito um pouco menor do que os anjos conforme Hb 2:9. E qualquer ensinamento que não traduza a encarnação em humilhação, em perda, em esvaziamento, está distante do entendimento do fenômeno genuíno que aconteceu ao filho de Deus. Por isso Jesus recusou ser chamado de Bom Mestre, para nos ensinar a lição da humildade, contra a jactância daqueles que desejam ser chamados de mestres.

O Senhor Jesus não deu espaço a esta síndrome. Não quis ser o sabe tudo da história ou o detentor da sabedoria efêmera.
Rejeitou ser chamado de bom mestre! Preste atenção em algumas regras de boa convivência e perceba como você pode imitar ao Senhor.
1) Nunca ache que você sabe tudo e que os outros nada sabem.
2) Reconheça que você não é conhecedor de tudo na vida.
3) Seja honesto e corajoso para dizer: - Conheço muito pouco sobre este assunto.
4) Quando for necessário diga : - Você está com a razão.
5) Se der alguma informação errada, corrija-se, dizendo humildemente que errou.
6) Nunca se esqueça de dizer: Muito obrigado por me ensinar algo que eu não sabia.
7) Saiba que sempre existe alguém que tem algo a ensinar-lhe .
8) Reconheça as suas limitações.
9) Ouça mais o que os outros têm a dizer e se preocupe em falar menos.
10) Seja humilde! Fazendo assim você será muito mais admirado, pois está crescendo na estatura espiritual de Cristo.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Hora para ficar calado

HORA PARA FICAR CALADO!

Pastor Neucir Valentim
“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.” Lm 3:26

Que refrigério este versículo do Livro de Lamentações. O profeta está desolado, está sentindo-se abandonado, o inimigo havia prevalecido, o seu povo havia sido destruído, levado para o cativeiro... era desgraça sobre desgraça... ele chora, geme, e não sabe o que dizer, como se defender, como argüir, como fugir desse cenário nebuloso... Fora vítima de mentiras e calúnias, e agora, os seus próprios detratores, a quem amava. Estavam mortos os escravizados pelo poder da Babilônia? O que fazer?

Em primeiro lugar, no meio da desesperança, ele rega a fé na esperança... “bom é ter esperança”. Sim, pode demorar um pouquinho, mas ela vem. Pode parecer que o céu se fechou, que não há respostas, que o errado prevalece. “PODE”, mas não “ SERÁ” pois a semente da esperança produz uma grande árvore de refrigério, quando canalizada no Senhor. Paulo diz em Romanos 5: 5“e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Quem tem esperança tem o Espírito de Deus ao seu lado.

Em segundo lugar ele trabalha em silêncio, sim fica calado. Não adianta falar, defender sua causa, tentar entrar no mesmo nível dos seus adversários que esbravejavam como trovão sobre ele. A prática do silêncio fala mais alto, pois Deus não ouve o barulho, mas sim a silente alma quieta, que com o coração puro crê na Sua justiça. Ora, como é tremendo ficar quieto diante do errado, diante do que tem um aparente poder, o silêncio nesse caso, é uma arma poderosíssima, pois denota a confiança no Altíssimo, e não em nós! O que podemos fazer? Como fazer? O que falar? A quem convencer? O melhor é deixar Deus falar, e quando Ele fala, a terra treme! Sl 50:3 “O nosso Deus vem, e não guarda silêncio; diante dele há um fogo devorador, e grande tormenta ao seu redor.” È melhor Deus falar do que nós falarmos... lembro de um cântico da Harpa Cristã: Fala Deus! Fala Deus!

E Por último, ele tem plena certeza de fé de que o seu problema, a sua queixa, a sua dor será atendida pelo todo poderoso, pois diz que aguarda a salvação do Senhor. Sim, ele não confia em homens, em métodos, em estratégias humanas, ele acredita na ação do Todo-Poderoso, por isso a salvação virá, com certeza. Ele não tarda e não dorme o guarda de Israel... Lembre-se querido, o segredo da vitória de Jeremias em meio ao caos foi: Regar a esperança, ficar em silêncio diante dos homens, e por último, aguardar a salvação do Senhor. Vamos aprender com ele? No final a vitória não será de quem fala mais, mas de quem se entrega ao Jeová Dan, isto é, o Deus que é o nosso Juiz. Descanse nele.


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Entendes o que lês?



ENTENDES O QUE LÊS?


"Concórdia Parvae Res Crescunt, Discódia Máximae Dilabumtur"
Pastor Neucir Valentim
O pensamento acima, escrito em latim, data aproximadamente do segundo século da era cristã.

E, apesar de ser antigo, é bastante atual em seu significado, que traduzido é: "Pela concórdia as pequenas coisas crescem, pela discórdia as maiores desabam.

Ele encena uma verdade comumente observável nas relações humanas, que vai desde a primeira relação que estabelecemos na infância, que é a familiar, entre pais, mães e irmãos, depois a vida conjugal, para muitos, e atinge todas as relações sociais da vida: escola, trabalho, vizinhança, igreja, clube, etc.

O resultado deste pensamento poderia ser resumido assim:
Quando temos uma boa disposição prévia, com esta ou aquela pessoa, a chance de caminharmos bem é muito maior, pois a toleramos mais ou dilatamos bem a nossa compreensão para entender o que ela "quer dizer", "quer fazer" ou, buscamos-lhe, sempre conferir um crédito antecipado. Por isso, nesse espírito concorde, grandes problemas, pontos de vistas diferentes ou até posições contraditórias se tornam toleráveis, e, em alguns casos, até aceitas, pois pela busca da concórdia, damos mais valor as boas intenções, ao sentimento de carinho e afeto que crescem em nosso coração em relação ao outro, a despeito de um pensamento diferente, ou até de uma palavra mal colocada, pois a rigor estamos com um espírito concorde, que sempre julga com boa intenção o objeto de nossa apreciação, mesmo que para isso se tenha que fazer algumas concessões.
Aliás, quem vive uma vida conjugal, sabe como isso é importante para um casamento feliz.
De modo antagônico reagimos sob a discórdia, pois ela promove um desastre em qualquer ambiente.

Quando se tem um ambiente assim, a situação está fadada ao atrito, ao mau juízo, a má compreensão, porque, em última análise, ela está residente, antecipadamente no coração e, assim promoverá um espírito pronto a reagir de forma negativa a qualquer ação em relação ao outro, uma vez que está predisposto a discordar, quer a atitude do outro seja certa ou errada, seja boa ou ruim, a intenção do outro, no caso do discordante, sempre será a pior e promoverá um ambiente propício aos maiores desabamentos. Neste caso, grandes sentimentos se desintegrarão como pó, boas intenções serão destruídas pelo descrédito, e gestos simples, e às vezes singelos, serão entendidos como agressões gratuitas, quer seja em casa, na Igreja, com o colega de trabalho, com o vizinho, e etc.

Portanto há dois caminhos a seguir, sobretudo, quando vivemos em comunidade, e isso implica diretamente em vida eclesiástica.

O primeiro é o da concórdia, onde, num espírito amável, podemos subtrair tudo o que de bom há, prontos a olhar a atitude do outro com bons olhos. E assim, certamente, perceberemos que ao plantar confiança, colheremos o seu fruto, descobriremos que existem muitos amigos e irmãos que se empenham em estabelecer uma amizade sadia, com um espírito aberto e saudável, e esse pomar florescerá rapidamente.

O segundo caminho é o da discórdia, que examina tudo com um pré-julgamento arbitrário e maldoso, onde vê escondido em cada canto, em cada sombra, em cada palavra ou gesto, um inimigo ou um opositor, e assim, corre-se o risco de transformar o companheiro, o amigo, o irmão, o "outro", num inimigo em potencial.

Jesus também abordou essa forma dupla de se ver a vida, quando disse: "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” Mateus 6: 22 e 23.


Portanto, como está o seu coração para com aqueles que se relacionam com você: Cheio de CONCÓRDIA ou de DISCÓRDIA? Seus olhos estão sendo BONS ou MAUS? Saiba que só a partir de sua resposta sincera você poderá descobrir se está fazendo pequenas coisas crescerem ou grandes coisas desabarem. Pense nisso!

sexta-feira, 27 de junho de 2008


ENTREVISTA COM DONA FOFOCA

PASTOR NEUCIR VALENTIM

O nosso BLOG conseguiu uma entrevista exclusiva com Dona Fofoca. Uma velha Senhora bastante popular, conhecida de todos.

BLOG - Qual a idade da Senhora?
Fofoca - Não direi a minha idade por questão de privacidade, mas sou do tempo de Adão e Eva. Aliás, cheguei a estar com eles no Éden. Meu pai, o Pai da Mentira me colocou ali com um propósito.
BLOG - Que propósito foi esse?
Fofoca - Fazer intriga entre o primeiro casal e o Criador. E fui bem sucedida visto que eles me deram ouvido quando lhes disse que Deus não queria concorrência.
BLOG - Porque a Senhora fala assim tão baixinho?
Fofoca - Faz parte de minha natureza. Sempre falo assim e as vezes sussurro apenas ao ouvido...
BLOG - A Senhora tem uma família grande e popular. Fale-nos de seus parentes.
Fofoca: O meu pai é famoso, é o Pai da Mentira, e a mentira é minha irmã mais velha. Tenho um irmão chamado Mexerico e três outras chamadas Injúria, Calúnia e Difamação. Somos uma família unida.
BLOG - Qual a sua atividade preferida?
Fofoca - Semear contenda, principalmente entre irmãos.
BLOG - Mas a Senhora não tem medo de atentar assim contra a fé das pessoas?
Fofoca - Para dizer a verdade, sou até muito religiosa. Gosto muito de estar nas igrejas. As vezes até procuro ajudar as suas lideranças para informá-las sobre o que as pessoas estão fazendo de errado e as críticas que lhes fazem. Acho que ajudo muito. Também exorto à prática da oração.
BLOG - Como a Senhora faz isso?
Fofoca - Quando um irmão me revela um segredo, comete um delito ou evidencia uma fraqueza (Pv 11:13) eu conto a todo mundo a fim de que todos tomem conhecimento e assim possam orar por ele.
BLOG - A Senhora pratica esporte?
Fofoca - Sim, o JOGOMÃO.
BLOG - Que jogo é esse?
Fofoca - é o jogo de jogar irmão contra irmão. É um excelente passatempo.
BLOG - Quais são as regras desse jogo?
Fofoca - É simples. Basta insinuar para alguém que outra pessoa falou mal dele e fez-lhe algumas críticas. Logo ele se enfurecerá e passará a falar mal do outro. Assim, o que ele falar é levado de volta, desta forma o jogo prossegue. Uma regra importante neste jogo é manter-se no anonimato. O bom deste jogo é que geralmente tem uma grande torcida.
BLOG - A Senhora tem algum inimigo?
Fofoca - Sim. Dona Verdade. Ela tem muita força contra mim, e também não me tolera...
BLOG - A Senhora parece muito vaidosa ao responder as nossas perguntas, por quê?
Fofoca - Porque eu sou muito poderosa. Eu consigo destruir quase tudo: A honra, a família, a igreja, a amizade e até a fé de alguns. (Pv 16:28, 18:8 e Pv 26:20,22).
BLOG - A Senhora teme alguma coisa?
Fofoca - Sim, eu temo a Palavra de Deus.
BLOG - Por quê?
Fofoca - Em primeiro lugar ela é a irmã gêmea da Verdade, que me odeia. Há também na Palavra de Deus coisas que me amedrontam como: “não há nada oculto que não haja de ser revelado” Mt 10 26. Há também nela uma advertência dizendo que Deus me abomina, bem como aos que gostam de mim (Pv 6:16 e 17).
BLOG - Qual o versículo da Bíblia que a senhora mais gosta? Fofoca - Aquele que diz “A morte e a vida estão no poder da língua “ (Pv 18:21) porque fala do meu poder.
BLOG - E o que a Senhora menos gosta?
Fofoca - É aquele que se encontra em Tiago 4:11: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros”, porque se as pessoas atenderem a sua orientação eu não consigo exercer meu "santo" papel.


NÃO TE ASSUSTES COM AS ONDASDO MAR!
Paráfrases da Bíblia – Pastor Neucir Valentim
“E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é
este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? Mt 8:27

Não temas! tenho visto o teu sofrimento e a tua aflição, sei onde estás e o que vives. Conheço a tua luta. Sofres, porque te sentes em terra árida, como o meu povo que estava no Egito, num ambiente estranho, vivendo angústias sendo fustigado todo dia e sofrendo na mão do exator (Ex 3:7).
Não te espantes, pois tenho ouvido o teu clamor e conheço a tua angústia; Assim como, com mão forte libertei o meupovo do cativeiro de Faraó, estarei com braço forte, estendendo a minha mão para te livrar. Saibas, não há poço tão profundo, que minha mão não possa penetrar, não há abismo tão profundo que eu não possa alcançar (Gn 49:25).
Agora precisas crer e descansar no meu poder, e só assim verás o que hei de fazer a teu favor, pois por uma poderosa mão te abençoarei, sim, por minha própria mão verás o inimigo ser destruído à tua frente (Ex 6:1). Agora, deixes de lamentar, de prantear e de chorar com as pessoas com as quais não tem parte comigo, pois tenho visto o teu clamor e tenho colhido as tuas lágrimas. Por isso, pergunto-te como fiz com Moisés meu servo: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.
Sim, o que desejo ver em ti é a ousadia para marchar, sem olhar para trás, sem se espantar com o deserto, ou mesmo com o tamanho das montanhas à tua frente. Vede o mar! Ele te parece assustador? Como é grandioso e desafiador, talvez tão assustador como a grande dificuldade que está diante de ti! E você pensa que não pode suportá-lo ou mesmo vencê-lo!
Mas, lembre-se: Eu uso os mares, não recordas que fui Eu que os criei? Eu sou o Senhor que abre o mar e faço os meus filhos andarem no meio dele, a pé enxutos (Ex 14:29).
Sou Eu quem acalma o mar, por mais impetuoso que esteja e por mais encapeladas que sejam as suas ondas (Mc 4:39), pois elas atendem ao meu mandar, por isso, dize, a tua alma: - Sossegai! Descansa em mim, como a criança desmamada descansa ao seio de sua mãe (Sl 131:2). E assim, como a mãe cuida de seu filho, Eu cuido de ti. Peço de ti, neste momento uma coisa muito importante: “Tão somente temei ao Senhor, e servi-o fielmente de todo o vosso coração; pois vede quão grandiosas coisas vos fez.” I Sm 12:24. Temas o Meu nome, pois este é o princípio da sabedoria.
Tu precisas aprender a ser sábio, no agir e no falar na hora certa. Não sejas precipitado. Aguarde o momento certo e Eu encherei a tua boca com as palavras que deves falar (Ex 4:12).
Sirva-me, pois, de todo coração, de toda tua força e de todo entendimento (Mt 22:37), e mais ainda, cante louvores, alegra a tua alma e regozije-se em mim, e serás grandemente abençoado. Eu sou um Deus de louvores, e habito no meio dos louvores do meu povo (Ex 15:11).
Fazendo assim, verás certamente coisas grandiosas acontecerem em sua vida, e com certeza, estarei definitivamente enxugando as lágrimas dos teus olhos, pois assim fiz com Davi, meu servo, pelo que ele disse: “Pois livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés de tropeçar.” Sl 116:8.
Creias e descanses no Teu Senhor e os teus pés nunca tropeçarão.

quinta-feira, 19 de junho de 2008


CUIDADO COM O PÃO!
Pastor Neucir Valentim


"Então os homens de Israel tomaram da provisão deles, e não pediram conselho ao Senhor. Assim Josué fez paz com eles; também fez um pacto com eles, prometendo poupar-lhes a vida; e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento." Josué 9:14 e 15

O povo de Israel estava vencendo as nações residentes em Canaã ao apropriar-se da terra, uma a uma, porque o Senhor os havia orientado a possuí-la e expulsar todos os seus moradores. O rigor que Deus exigia era tão grande, que quando a nação tomasse uma cidade deveria por fogo nela, para que os seus habitantes não voltassem (Js 8:7,8). Em outras palavras Deus não queria aliança do seu povo com as nações pagãs. Não queria nenhum tipo de mistura ou de cumplicidade. Queria um povo separado numa comunhão exclusiva com Ele.

Nesse contexto, surge um estratagema dos gibeonitas, povo residente em Canaã, que sabendo da ordem que Deus havia dado "buscou confundi-los e ganhar-lhes a alma e o coração", a fim de estabelecerem uma unidade com os filhos de Israel: "Vestiram-se de mendigos, fingiram vir de uma nação longínqua, trazendo pão bolorento e simulando uma história melodramática." (Js 9:11 a 12). "Tendo nos seus pés sapatos velhos e remendados, e trajando roupas velhas; e todo o pão que traziam para o caminho era seco e bolorento."

Com pena dos amigos recém chegados "de longe", a nação abre a alma e escancara o coração para os vizinhos simuladores, caindo no "conto do vigário", e, desobedecendo a orientação do Senhor, faz uma aliança com o estranho à sua comunidade! E tomam tal atitude sem consultar Deus, apenas ao seu próprio coração, que facilmente enganado, tornara-se presa fatal dos que tratam, com sutileza, os sentimentos alheios.

Ao descobrir o plano maquiavélico dos gibeonitas, Josué fica furioso, mas com uma irritação tardia, pois o contrato já havia sido feito, o pacto selado e a aliança estabelecida. Agora restava tão somente a Israel, administrar a aliança mal feita, sem a orientação divina (Js 9:22 e 23).

A partir daquele dia, segundo o texto bíblico de Josué 9:27, os gibeonitas viveriam na mesma casa, sobre o mesmo teto, comendo e bebendo as mesmas coisas com os israelitas, pois fora feito um casamento, sem a bênção do Senhor; melhor, sem o Seu consentimento!

É baseado neste mesmo princípio que o Novo Testamento orienta-nos contra as ligações perigosas: " Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos?" (II Co 7:14 a 16a).

Para o autor sagrado, o jugo desigual, significava a união mais íntima, a sociedade mais comprometida e a comunhão cúmplice que adotamos com os que não pertencem a comunidade dos salvos. Era, na sua imagem, o comer o pão bolorento e o partilhar das vestes desgastadas dos que não pertencem a nossa gente, como ocorreu com os israelitas diante do engodo dos gibeonitas. Naquela ocasião, como hoje, o método do inimigo é o mesmo: Apelar para um coração aberto demais, que permite que sentimentos altruístas e amorosos falem mais alto que a Palavra do Senhor! É por isso que a Palavra nos exorta com os seguintes questionamentos: Que tipo de Sociedade há entre a justiça e a injustiças nos contratos consensuais pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a reunir esforços ou recursos para a consecução de um fim comum? Se a justiça aponta para um lado e as trevas para outro?

Que comunhão há da luz que as trevas posto que comunhão significa a participação em comum de crenças, interesses ou idéias? E que harmonia pode haver entre Cristo e Belial (os filhos do mundo)? Uma vez que a harmonia é a expressão absoluta da ordem, do acordo e da conformidade entre os que têm a Deus como pai e os que são filhos do malígno? A resposta a estas perguntas tem uma única resposta: Nenhuma! Isso mesmo, buscar sociedade, comunhão e harmonia com os que não pertencem a comunidade dos fieis é estabelecer ligações perigosas, das quais não se pode sair tão facilmente.

E esse tipo de consideração se aplica a muitas realidades: desde uma simples amizade que produz uma cúmplicidade perigosa e envolvente, ou uma sociedade mais íntima e por vezes ilegal, com determinado grupo social, até as relações amorosas, que podem prometer um futuro bonito, mas que lá na frente vão produzir pães bolorentos e vestes rotas debaixo de um mesmo teto, sob o pretexto de um coração sensível ao amor, que à rigor tornou-se frio para com o apelo da Palavra de Deus. Com certeza, para os que assim procedem, a possibilidade do vinho faltar ou as vestes envelhecerem mais rápido são muito maiores!

Pense nisso seriamente, meu irmão e consulte ao Senhor em todas as suas iniciativas e planejamentos, para não se arrepender quando for tarde demais, e ter que comer o pão bolorento para o resto de sua vida!

quinta-feira, 12 de junho de 2008


GABRIEL É CHAMADO PARA UMA MISSÃO ...
Pastor Neucir Valentim
Houve silêncio no céu. Do trono da Majestade ouviam-se vozes, relâmpagos e trovões.
Alguma coisa muito, muito especial estava acontecendo.

De repente um arcanjo tocou uma trombeta, cujo sonido ecoou por toda extensão celeste. Ouviu-se então uma convocação peculiar: Gabriel fora convocado a comparecer junto ao Trono, para uma nova missão, pois seria portador de uma grande mensagem, aliás, a maior mensagem de todos os tempos. Para tanto, o porta-voz de tamanha boa nova, deveria ser, também muito, especial e por que não Gabriel, aquele anjo cujo nome significava literalmente "o mensageiro?"

Sim, fora ele quem outrora, havia dado a boa notícia ao profeta Daniel sobre o final do cativeiro da nação de Judá na Babilônia, e havia predito a vinda do Messias (Dn 8 e 9). Nesta ocasião este anjo, contou com a ajuda do grande guerreiro celestial, o arcanjo Miguel, que, com suas tropas celestes, lutou contra o príncipe das potestades do ar, a fim de não impedir Gabriel, de transmitir a boa notícia ao profeta.(Dn 10:13).

Novos movimentos no céu. As tropas de guerra se alinharam de novo. Todos os arcanjos foram convocados. Todos os querubins, com suas espadas flamejantes, de igual forma, já colocavam-se, prontamente, armados, organizando os seus pelotões, em prontidão. Neste momento, todo o exército celestial já colocava-se em posição estratégica.

À frente de todos, estava o antigo comandante Miguel, o único ser angelical capaz de enfrentar o próprio Diabo e os seus exércitos, (Jd 1:9 e Ap 12:7), e colocá-los em debandada. Toda essa movimentação destinava-se a guardar o anjo Gabriel, que desceria à terra, com vistas a dar a sua mensagem em uma pequena aldeia em Nazaré. Do outro lado escuro, das regiões celestiais (Ef 6:12), ouvia-se, de igual forma, muitos movimentos. As hostes espirituais do mal sabiam que alguma coisa muito grande estava para acontecer, pois, desde a rebelião no céu, quando Lúcifer se rebelou, não havia por lá tanta movimentação. - O que estará acontecendo? Que mensagem tão importante é essa? A quem se destina? Porque tantos arcanjos e querubins para protegê-la? Miguel está à frente de novo? Será que já é o dia do Juízo final? Perguntavam-se, ansiosos, os seres espirituais caídos.

Tocou-se novamente uma trombeta. Agora, marcava o início da operação tão misteriosa, mas de igual modo tão esperada ( Cl 1:26 e Ef 3:9). Os arcanjos saíram à frente como batedores, Gabriel estava cercado por querubins, e estes por milhares de anjos. Só ele e Miguel conheciam o destinatário da mensagem, e apenas ele, Gabriel, o seu teor. Desta vez não houve resistência das hostes malignas, as forças titânicas do mal, sabiam que se houvesse qualquer tipo de reação, seriam prontamente estraçalhadas. Ficaram apenas em silêncio, aguardando o desenrolar dos fatos.

É aqui - Disse Miguel, quando chegaram sobre os céus da Galiléia, dirigindo-se para uma aldeia pobre, chamada Nazaré. Gabriel preparou-se para a missão, afinal, já vira a casa onde deveria deixar a mensagem tão importante. Faltava apenas encontrar quem a receberia... o seu alvo. Naquele momento parecia estar apreensivo (mesmo para anjos que não tem sentimentos humanos, era uma missão que demandava muita ansiedade).

Gabriel parou em frente a uma simples choupana em Nazaré. Com ele as miríades celestiais. Houve um grande silêncio, até que, sob a supervisão de Miguel, recebeu a orientação: - Pode entrar e dar a mensagem! - Dentro da casa, estava alguém muito especial, que neste momento cantava uma melodiosa canção ao Deus Eterno. Uma jovem camponesa, da linhagem de Davi, meiga e ainda virgem, noiva de um jovem chamado José, que como ela, era temente a Deus. Chegou o momento tão esperado, quando Gabriel tornou-se visível e pronunciou-se alegremente a mensagem que lhe fora confiada: (Lc 1:28 a 36)

"
Salve, agraciada; o Senhor é contigo. A jovem, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Então a jovem perguntou ao anjo Gabriel: Como se fará isso, uma vez que sou virgem? Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; porque para Deus nada será impossível. Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela."

A mensagem fora dada, e Gabriel, com todo o exército celestial, estavam contentes pelo sucesso da missão. Na sua memória angelical, ainda estava o teor da notícia: Aquela jovem donzela, estaria agora levando a sua mensagem, de forma diferente; encarnada em seu ventre materno. Não seria apenas uma mensagem verbal, mas traduzida em carne e osso, pois a partir daquele momento, o Verbo Eterno se fez carne, e estava habitando entre os homens.

Foi então quando percebeu a sua importância. O próprio Filho de Deus estava ali, naquela humilde aldeia da Galiléia, para salvar o mundo dos homens e destruir de vez, as forças titânicas do mal.