quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A síndrome do sabe-tudo

A SÍNDROME DO SABE-TUDO
Pastor Neucir Valentim
“ Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus.” Mc 10:17.


A síndrome do sabe-tudo, é o comportamento que caracteriza aquele tipo de gente que sempre acha que sabe todas as coisas. Dá palpite em tudo, e sempre se acha o portador e porta-voz da verdade.

A sua palavra, numa discussão, sempre deve ser a última. E mais, está sempre atualizado nas últimas novidades, ainda que falando de coisas que desconhece. Os portadores desta síndrome sempre acham que os outros não sabem nada, são uns ignorantes à margem do processo do conhecimento, seja no conhecimento científico, político, filosófico, histórico ou até no bíblico.

Não possuem algo, popularmente conhecido como desconfiômetro, isto é, a capacidade de desconfiar que o seu ufanismo desagrada e o torna, por vezes, intolerável. Em última análise, os portadores desta síndrome gostam de sentir-se os bons mestres dos ignorantes.

Jesus nos dá uma linda lição no texto de Marcos 10:17. Um moço rico, possivelmente inteligente e culto, chama-o de Bom Mestre (o que faria vibrar qualquer portador da síndrome do sabe-tudo), ao que Jesus responde de imediato: Só há um que é bom - Deus. Jesus não usou de falsa modéstia, muito pelo contrário, foi honesto em sua resposta. Ele sabia que, mesmo sendo Deus, estava encarnado, por conseguinte, sujeito às limitações naturais da mente humana. Aliás, é um grave erro teológico entender que Jesus, enquanto homem, estava pleno de toda potencialidade divina. Paulo afirma-nos que Jesus humilhou-se a si mesmo, tomando forma humana (Fl 2:5 a 8), isto é, se esvaziou voluntariamente dos atributos incomunicáveis da divindade e ficou sujeito aos limites humanos.

Por isso o Senhor tem fome, sede, não é onipresente, pois tem que caminhar de um lugar para outro, não sabe todas as coisas, (Mt 24:36). Sim, na sua limitação humana, Jesus estava despojado das prerrogativas divinas. Em momento algum deixou de ser Deus; não obstante, ficou limitado à natureza do homem, e feito um pouco menor do que os anjos conforme Hb 2:9. E qualquer ensinamento que não traduza a encarnação em humilhação, em perda, em esvaziamento, está distante do entendimento do fenômeno genuíno que aconteceu ao filho de Deus. Por isso Jesus recusou ser chamado de Bom Mestre, para nos ensinar a lição da humildade, contra a jactância daqueles que desejam ser chamados de mestres.

O Senhor Jesus não deu espaço a esta síndrome. Não quis ser o sabe tudo da história ou o detentor da sabedoria efêmera.
Rejeitou ser chamado de bom mestre! Preste atenção em algumas regras de boa convivência e perceba como você pode imitar ao Senhor.
1) Nunca ache que você sabe tudo e que os outros nada sabem.
2) Reconheça que você não é conhecedor de tudo na vida.
3) Seja honesto e corajoso para dizer: - Conheço muito pouco sobre este assunto.
4) Quando for necessário diga : - Você está com a razão.
5) Se der alguma informação errada, corrija-se, dizendo humildemente que errou.
6) Nunca se esqueça de dizer: Muito obrigado por me ensinar algo que eu não sabia.
7) Saiba que sempre existe alguém que tem algo a ensinar-lhe .
8) Reconheça as suas limitações.
9) Ouça mais o que os outros têm a dizer e se preocupe em falar menos.
10) Seja humilde! Fazendo assim você será muito mais admirado, pois está crescendo na estatura espiritual de Cristo.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Hora para ficar calado

HORA PARA FICAR CALADO!

Pastor Neucir Valentim
“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.” Lm 3:26

Que refrigério este versículo do Livro de Lamentações. O profeta está desolado, está sentindo-se abandonado, o inimigo havia prevalecido, o seu povo havia sido destruído, levado para o cativeiro... era desgraça sobre desgraça... ele chora, geme, e não sabe o que dizer, como se defender, como argüir, como fugir desse cenário nebuloso... Fora vítima de mentiras e calúnias, e agora, os seus próprios detratores, a quem amava. Estavam mortos os escravizados pelo poder da Babilônia? O que fazer?

Em primeiro lugar, no meio da desesperança, ele rega a fé na esperança... “bom é ter esperança”. Sim, pode demorar um pouquinho, mas ela vem. Pode parecer que o céu se fechou, que não há respostas, que o errado prevalece. “PODE”, mas não “ SERÁ” pois a semente da esperança produz uma grande árvore de refrigério, quando canalizada no Senhor. Paulo diz em Romanos 5: 5“e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Quem tem esperança tem o Espírito de Deus ao seu lado.

Em segundo lugar ele trabalha em silêncio, sim fica calado. Não adianta falar, defender sua causa, tentar entrar no mesmo nível dos seus adversários que esbravejavam como trovão sobre ele. A prática do silêncio fala mais alto, pois Deus não ouve o barulho, mas sim a silente alma quieta, que com o coração puro crê na Sua justiça. Ora, como é tremendo ficar quieto diante do errado, diante do que tem um aparente poder, o silêncio nesse caso, é uma arma poderosíssima, pois denota a confiança no Altíssimo, e não em nós! O que podemos fazer? Como fazer? O que falar? A quem convencer? O melhor é deixar Deus falar, e quando Ele fala, a terra treme! Sl 50:3 “O nosso Deus vem, e não guarda silêncio; diante dele há um fogo devorador, e grande tormenta ao seu redor.” È melhor Deus falar do que nós falarmos... lembro de um cântico da Harpa Cristã: Fala Deus! Fala Deus!

E Por último, ele tem plena certeza de fé de que o seu problema, a sua queixa, a sua dor será atendida pelo todo poderoso, pois diz que aguarda a salvação do Senhor. Sim, ele não confia em homens, em métodos, em estratégias humanas, ele acredita na ação do Todo-Poderoso, por isso a salvação virá, com certeza. Ele não tarda e não dorme o guarda de Israel... Lembre-se querido, o segredo da vitória de Jeremias em meio ao caos foi: Regar a esperança, ficar em silêncio diante dos homens, e por último, aguardar a salvação do Senhor. Vamos aprender com ele? No final a vitória não será de quem fala mais, mas de quem se entrega ao Jeová Dan, isto é, o Deus que é o nosso Juiz. Descanse nele.


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Entendes o que lês?



ENTENDES O QUE LÊS?


"Concórdia Parvae Res Crescunt, Discódia Máximae Dilabumtur"
Pastor Neucir Valentim
O pensamento acima, escrito em latim, data aproximadamente do segundo século da era cristã.

E, apesar de ser antigo, é bastante atual em seu significado, que traduzido é: "Pela concórdia as pequenas coisas crescem, pela discórdia as maiores desabam.

Ele encena uma verdade comumente observável nas relações humanas, que vai desde a primeira relação que estabelecemos na infância, que é a familiar, entre pais, mães e irmãos, depois a vida conjugal, para muitos, e atinge todas as relações sociais da vida: escola, trabalho, vizinhança, igreja, clube, etc.

O resultado deste pensamento poderia ser resumido assim:
Quando temos uma boa disposição prévia, com esta ou aquela pessoa, a chance de caminharmos bem é muito maior, pois a toleramos mais ou dilatamos bem a nossa compreensão para entender o que ela "quer dizer", "quer fazer" ou, buscamos-lhe, sempre conferir um crédito antecipado. Por isso, nesse espírito concorde, grandes problemas, pontos de vistas diferentes ou até posições contraditórias se tornam toleráveis, e, em alguns casos, até aceitas, pois pela busca da concórdia, damos mais valor as boas intenções, ao sentimento de carinho e afeto que crescem em nosso coração em relação ao outro, a despeito de um pensamento diferente, ou até de uma palavra mal colocada, pois a rigor estamos com um espírito concorde, que sempre julga com boa intenção o objeto de nossa apreciação, mesmo que para isso se tenha que fazer algumas concessões.
Aliás, quem vive uma vida conjugal, sabe como isso é importante para um casamento feliz.
De modo antagônico reagimos sob a discórdia, pois ela promove um desastre em qualquer ambiente.

Quando se tem um ambiente assim, a situação está fadada ao atrito, ao mau juízo, a má compreensão, porque, em última análise, ela está residente, antecipadamente no coração e, assim promoverá um espírito pronto a reagir de forma negativa a qualquer ação em relação ao outro, uma vez que está predisposto a discordar, quer a atitude do outro seja certa ou errada, seja boa ou ruim, a intenção do outro, no caso do discordante, sempre será a pior e promoverá um ambiente propício aos maiores desabamentos. Neste caso, grandes sentimentos se desintegrarão como pó, boas intenções serão destruídas pelo descrédito, e gestos simples, e às vezes singelos, serão entendidos como agressões gratuitas, quer seja em casa, na Igreja, com o colega de trabalho, com o vizinho, e etc.

Portanto há dois caminhos a seguir, sobretudo, quando vivemos em comunidade, e isso implica diretamente em vida eclesiástica.

O primeiro é o da concórdia, onde, num espírito amável, podemos subtrair tudo o que de bom há, prontos a olhar a atitude do outro com bons olhos. E assim, certamente, perceberemos que ao plantar confiança, colheremos o seu fruto, descobriremos que existem muitos amigos e irmãos que se empenham em estabelecer uma amizade sadia, com um espírito aberto e saudável, e esse pomar florescerá rapidamente.

O segundo caminho é o da discórdia, que examina tudo com um pré-julgamento arbitrário e maldoso, onde vê escondido em cada canto, em cada sombra, em cada palavra ou gesto, um inimigo ou um opositor, e assim, corre-se o risco de transformar o companheiro, o amigo, o irmão, o "outro", num inimigo em potencial.

Jesus também abordou essa forma dupla de se ver a vida, quando disse: "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” Mateus 6: 22 e 23.


Portanto, como está o seu coração para com aqueles que se relacionam com você: Cheio de CONCÓRDIA ou de DISCÓRDIA? Seus olhos estão sendo BONS ou MAUS? Saiba que só a partir de sua resposta sincera você poderá descobrir se está fazendo pequenas coisas crescerem ou grandes coisas desabarem. Pense nisso!

sexta-feira, 27 de junho de 2008


ENTREVISTA COM DONA FOFOCA

PASTOR NEUCIR VALENTIM

O nosso BLOG conseguiu uma entrevista exclusiva com Dona Fofoca. Uma velha Senhora bastante popular, conhecida de todos.

BLOG - Qual a idade da Senhora?
Fofoca - Não direi a minha idade por questão de privacidade, mas sou do tempo de Adão e Eva. Aliás, cheguei a estar com eles no Éden. Meu pai, o Pai da Mentira me colocou ali com um propósito.
BLOG - Que propósito foi esse?
Fofoca - Fazer intriga entre o primeiro casal e o Criador. E fui bem sucedida visto que eles me deram ouvido quando lhes disse que Deus não queria concorrência.
BLOG - Porque a Senhora fala assim tão baixinho?
Fofoca - Faz parte de minha natureza. Sempre falo assim e as vezes sussurro apenas ao ouvido...
BLOG - A Senhora tem uma família grande e popular. Fale-nos de seus parentes.
Fofoca: O meu pai é famoso, é o Pai da Mentira, e a mentira é minha irmã mais velha. Tenho um irmão chamado Mexerico e três outras chamadas Injúria, Calúnia e Difamação. Somos uma família unida.
BLOG - Qual a sua atividade preferida?
Fofoca - Semear contenda, principalmente entre irmãos.
BLOG - Mas a Senhora não tem medo de atentar assim contra a fé das pessoas?
Fofoca - Para dizer a verdade, sou até muito religiosa. Gosto muito de estar nas igrejas. As vezes até procuro ajudar as suas lideranças para informá-las sobre o que as pessoas estão fazendo de errado e as críticas que lhes fazem. Acho que ajudo muito. Também exorto à prática da oração.
BLOG - Como a Senhora faz isso?
Fofoca - Quando um irmão me revela um segredo, comete um delito ou evidencia uma fraqueza (Pv 11:13) eu conto a todo mundo a fim de que todos tomem conhecimento e assim possam orar por ele.
BLOG - A Senhora pratica esporte?
Fofoca - Sim, o JOGOMÃO.
BLOG - Que jogo é esse?
Fofoca - é o jogo de jogar irmão contra irmão. É um excelente passatempo.
BLOG - Quais são as regras desse jogo?
Fofoca - É simples. Basta insinuar para alguém que outra pessoa falou mal dele e fez-lhe algumas críticas. Logo ele se enfurecerá e passará a falar mal do outro. Assim, o que ele falar é levado de volta, desta forma o jogo prossegue. Uma regra importante neste jogo é manter-se no anonimato. O bom deste jogo é que geralmente tem uma grande torcida.
BLOG - A Senhora tem algum inimigo?
Fofoca - Sim. Dona Verdade. Ela tem muita força contra mim, e também não me tolera...
BLOG - A Senhora parece muito vaidosa ao responder as nossas perguntas, por quê?
Fofoca - Porque eu sou muito poderosa. Eu consigo destruir quase tudo: A honra, a família, a igreja, a amizade e até a fé de alguns. (Pv 16:28, 18:8 e Pv 26:20,22).
BLOG - A Senhora teme alguma coisa?
Fofoca - Sim, eu temo a Palavra de Deus.
BLOG - Por quê?
Fofoca - Em primeiro lugar ela é a irmã gêmea da Verdade, que me odeia. Há também na Palavra de Deus coisas que me amedrontam como: “não há nada oculto que não haja de ser revelado” Mt 10 26. Há também nela uma advertência dizendo que Deus me abomina, bem como aos que gostam de mim (Pv 6:16 e 17).
BLOG - Qual o versículo da Bíblia que a senhora mais gosta? Fofoca - Aquele que diz “A morte e a vida estão no poder da língua “ (Pv 18:21) porque fala do meu poder.
BLOG - E o que a Senhora menos gosta?
Fofoca - É aquele que se encontra em Tiago 4:11: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros”, porque se as pessoas atenderem a sua orientação eu não consigo exercer meu "santo" papel.


NÃO TE ASSUSTES COM AS ONDASDO MAR!
Paráfrases da Bíblia – Pastor Neucir Valentim
“E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é
este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? Mt 8:27

Não temas! tenho visto o teu sofrimento e a tua aflição, sei onde estás e o que vives. Conheço a tua luta. Sofres, porque te sentes em terra árida, como o meu povo que estava no Egito, num ambiente estranho, vivendo angústias sendo fustigado todo dia e sofrendo na mão do exator (Ex 3:7).
Não te espantes, pois tenho ouvido o teu clamor e conheço a tua angústia; Assim como, com mão forte libertei o meupovo do cativeiro de Faraó, estarei com braço forte, estendendo a minha mão para te livrar. Saibas, não há poço tão profundo, que minha mão não possa penetrar, não há abismo tão profundo que eu não possa alcançar (Gn 49:25).
Agora precisas crer e descansar no meu poder, e só assim verás o que hei de fazer a teu favor, pois por uma poderosa mão te abençoarei, sim, por minha própria mão verás o inimigo ser destruído à tua frente (Ex 6:1). Agora, deixes de lamentar, de prantear e de chorar com as pessoas com as quais não tem parte comigo, pois tenho visto o teu clamor e tenho colhido as tuas lágrimas. Por isso, pergunto-te como fiz com Moisés meu servo: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.
Sim, o que desejo ver em ti é a ousadia para marchar, sem olhar para trás, sem se espantar com o deserto, ou mesmo com o tamanho das montanhas à tua frente. Vede o mar! Ele te parece assustador? Como é grandioso e desafiador, talvez tão assustador como a grande dificuldade que está diante de ti! E você pensa que não pode suportá-lo ou mesmo vencê-lo!
Mas, lembre-se: Eu uso os mares, não recordas que fui Eu que os criei? Eu sou o Senhor que abre o mar e faço os meus filhos andarem no meio dele, a pé enxutos (Ex 14:29).
Sou Eu quem acalma o mar, por mais impetuoso que esteja e por mais encapeladas que sejam as suas ondas (Mc 4:39), pois elas atendem ao meu mandar, por isso, dize, a tua alma: - Sossegai! Descansa em mim, como a criança desmamada descansa ao seio de sua mãe (Sl 131:2). E assim, como a mãe cuida de seu filho, Eu cuido de ti. Peço de ti, neste momento uma coisa muito importante: “Tão somente temei ao Senhor, e servi-o fielmente de todo o vosso coração; pois vede quão grandiosas coisas vos fez.” I Sm 12:24. Temas o Meu nome, pois este é o princípio da sabedoria.
Tu precisas aprender a ser sábio, no agir e no falar na hora certa. Não sejas precipitado. Aguarde o momento certo e Eu encherei a tua boca com as palavras que deves falar (Ex 4:12).
Sirva-me, pois, de todo coração, de toda tua força e de todo entendimento (Mt 22:37), e mais ainda, cante louvores, alegra a tua alma e regozije-se em mim, e serás grandemente abençoado. Eu sou um Deus de louvores, e habito no meio dos louvores do meu povo (Ex 15:11).
Fazendo assim, verás certamente coisas grandiosas acontecerem em sua vida, e com certeza, estarei definitivamente enxugando as lágrimas dos teus olhos, pois assim fiz com Davi, meu servo, pelo que ele disse: “Pois livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés de tropeçar.” Sl 116:8.
Creias e descanses no Teu Senhor e os teus pés nunca tropeçarão.

quinta-feira, 19 de junho de 2008


CUIDADO COM O PÃO!
Pastor Neucir Valentim


"Então os homens de Israel tomaram da provisão deles, e não pediram conselho ao Senhor. Assim Josué fez paz com eles; também fez um pacto com eles, prometendo poupar-lhes a vida; e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento." Josué 9:14 e 15

O povo de Israel estava vencendo as nações residentes em Canaã ao apropriar-se da terra, uma a uma, porque o Senhor os havia orientado a possuí-la e expulsar todos os seus moradores. O rigor que Deus exigia era tão grande, que quando a nação tomasse uma cidade deveria por fogo nela, para que os seus habitantes não voltassem (Js 8:7,8). Em outras palavras Deus não queria aliança do seu povo com as nações pagãs. Não queria nenhum tipo de mistura ou de cumplicidade. Queria um povo separado numa comunhão exclusiva com Ele.

Nesse contexto, surge um estratagema dos gibeonitas, povo residente em Canaã, que sabendo da ordem que Deus havia dado "buscou confundi-los e ganhar-lhes a alma e o coração", a fim de estabelecerem uma unidade com os filhos de Israel: "Vestiram-se de mendigos, fingiram vir de uma nação longínqua, trazendo pão bolorento e simulando uma história melodramática." (Js 9:11 a 12). "Tendo nos seus pés sapatos velhos e remendados, e trajando roupas velhas; e todo o pão que traziam para o caminho era seco e bolorento."

Com pena dos amigos recém chegados "de longe", a nação abre a alma e escancara o coração para os vizinhos simuladores, caindo no "conto do vigário", e, desobedecendo a orientação do Senhor, faz uma aliança com o estranho à sua comunidade! E tomam tal atitude sem consultar Deus, apenas ao seu próprio coração, que facilmente enganado, tornara-se presa fatal dos que tratam, com sutileza, os sentimentos alheios.

Ao descobrir o plano maquiavélico dos gibeonitas, Josué fica furioso, mas com uma irritação tardia, pois o contrato já havia sido feito, o pacto selado e a aliança estabelecida. Agora restava tão somente a Israel, administrar a aliança mal feita, sem a orientação divina (Js 9:22 e 23).

A partir daquele dia, segundo o texto bíblico de Josué 9:27, os gibeonitas viveriam na mesma casa, sobre o mesmo teto, comendo e bebendo as mesmas coisas com os israelitas, pois fora feito um casamento, sem a bênção do Senhor; melhor, sem o Seu consentimento!

É baseado neste mesmo princípio que o Novo Testamento orienta-nos contra as ligações perigosas: " Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos?" (II Co 7:14 a 16a).

Para o autor sagrado, o jugo desigual, significava a união mais íntima, a sociedade mais comprometida e a comunhão cúmplice que adotamos com os que não pertencem a comunidade dos salvos. Era, na sua imagem, o comer o pão bolorento e o partilhar das vestes desgastadas dos que não pertencem a nossa gente, como ocorreu com os israelitas diante do engodo dos gibeonitas. Naquela ocasião, como hoje, o método do inimigo é o mesmo: Apelar para um coração aberto demais, que permite que sentimentos altruístas e amorosos falem mais alto que a Palavra do Senhor! É por isso que a Palavra nos exorta com os seguintes questionamentos: Que tipo de Sociedade há entre a justiça e a injustiças nos contratos consensuais pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a reunir esforços ou recursos para a consecução de um fim comum? Se a justiça aponta para um lado e as trevas para outro?

Que comunhão há da luz que as trevas posto que comunhão significa a participação em comum de crenças, interesses ou idéias? E que harmonia pode haver entre Cristo e Belial (os filhos do mundo)? Uma vez que a harmonia é a expressão absoluta da ordem, do acordo e da conformidade entre os que têm a Deus como pai e os que são filhos do malígno? A resposta a estas perguntas tem uma única resposta: Nenhuma! Isso mesmo, buscar sociedade, comunhão e harmonia com os que não pertencem a comunidade dos fieis é estabelecer ligações perigosas, das quais não se pode sair tão facilmente.

E esse tipo de consideração se aplica a muitas realidades: desde uma simples amizade que produz uma cúmplicidade perigosa e envolvente, ou uma sociedade mais íntima e por vezes ilegal, com determinado grupo social, até as relações amorosas, que podem prometer um futuro bonito, mas que lá na frente vão produzir pães bolorentos e vestes rotas debaixo de um mesmo teto, sob o pretexto de um coração sensível ao amor, que à rigor tornou-se frio para com o apelo da Palavra de Deus. Com certeza, para os que assim procedem, a possibilidade do vinho faltar ou as vestes envelhecerem mais rápido são muito maiores!

Pense nisso seriamente, meu irmão e consulte ao Senhor em todas as suas iniciativas e planejamentos, para não se arrepender quando for tarde demais, e ter que comer o pão bolorento para o resto de sua vida!

quinta-feira, 12 de junho de 2008


GABRIEL É CHAMADO PARA UMA MISSÃO ...
Pastor Neucir Valentim
Houve silêncio no céu. Do trono da Majestade ouviam-se vozes, relâmpagos e trovões.
Alguma coisa muito, muito especial estava acontecendo.

De repente um arcanjo tocou uma trombeta, cujo sonido ecoou por toda extensão celeste. Ouviu-se então uma convocação peculiar: Gabriel fora convocado a comparecer junto ao Trono, para uma nova missão, pois seria portador de uma grande mensagem, aliás, a maior mensagem de todos os tempos. Para tanto, o porta-voz de tamanha boa nova, deveria ser, também muito, especial e por que não Gabriel, aquele anjo cujo nome significava literalmente "o mensageiro?"

Sim, fora ele quem outrora, havia dado a boa notícia ao profeta Daniel sobre o final do cativeiro da nação de Judá na Babilônia, e havia predito a vinda do Messias (Dn 8 e 9). Nesta ocasião este anjo, contou com a ajuda do grande guerreiro celestial, o arcanjo Miguel, que, com suas tropas celestes, lutou contra o príncipe das potestades do ar, a fim de não impedir Gabriel, de transmitir a boa notícia ao profeta.(Dn 10:13).

Novos movimentos no céu. As tropas de guerra se alinharam de novo. Todos os arcanjos foram convocados. Todos os querubins, com suas espadas flamejantes, de igual forma, já colocavam-se, prontamente, armados, organizando os seus pelotões, em prontidão. Neste momento, todo o exército celestial já colocava-se em posição estratégica.

À frente de todos, estava o antigo comandante Miguel, o único ser angelical capaz de enfrentar o próprio Diabo e os seus exércitos, (Jd 1:9 e Ap 12:7), e colocá-los em debandada. Toda essa movimentação destinava-se a guardar o anjo Gabriel, que desceria à terra, com vistas a dar a sua mensagem em uma pequena aldeia em Nazaré. Do outro lado escuro, das regiões celestiais (Ef 6:12), ouvia-se, de igual forma, muitos movimentos. As hostes espirituais do mal sabiam que alguma coisa muito grande estava para acontecer, pois, desde a rebelião no céu, quando Lúcifer se rebelou, não havia por lá tanta movimentação. - O que estará acontecendo? Que mensagem tão importante é essa? A quem se destina? Porque tantos arcanjos e querubins para protegê-la? Miguel está à frente de novo? Será que já é o dia do Juízo final? Perguntavam-se, ansiosos, os seres espirituais caídos.

Tocou-se novamente uma trombeta. Agora, marcava o início da operação tão misteriosa, mas de igual modo tão esperada ( Cl 1:26 e Ef 3:9). Os arcanjos saíram à frente como batedores, Gabriel estava cercado por querubins, e estes por milhares de anjos. Só ele e Miguel conheciam o destinatário da mensagem, e apenas ele, Gabriel, o seu teor. Desta vez não houve resistência das hostes malignas, as forças titânicas do mal, sabiam que se houvesse qualquer tipo de reação, seriam prontamente estraçalhadas. Ficaram apenas em silêncio, aguardando o desenrolar dos fatos.

É aqui - Disse Miguel, quando chegaram sobre os céus da Galiléia, dirigindo-se para uma aldeia pobre, chamada Nazaré. Gabriel preparou-se para a missão, afinal, já vira a casa onde deveria deixar a mensagem tão importante. Faltava apenas encontrar quem a receberia... o seu alvo. Naquele momento parecia estar apreensivo (mesmo para anjos que não tem sentimentos humanos, era uma missão que demandava muita ansiedade).

Gabriel parou em frente a uma simples choupana em Nazaré. Com ele as miríades celestiais. Houve um grande silêncio, até que, sob a supervisão de Miguel, recebeu a orientação: - Pode entrar e dar a mensagem! - Dentro da casa, estava alguém muito especial, que neste momento cantava uma melodiosa canção ao Deus Eterno. Uma jovem camponesa, da linhagem de Davi, meiga e ainda virgem, noiva de um jovem chamado José, que como ela, era temente a Deus. Chegou o momento tão esperado, quando Gabriel tornou-se visível e pronunciou-se alegremente a mensagem que lhe fora confiada: (Lc 1:28 a 36)

"
Salve, agraciada; o Senhor é contigo. A jovem, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa. Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Então a jovem perguntou ao anjo Gabriel: Como se fará isso, uma vez que sou virgem? Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; porque para Deus nada será impossível. Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela."

A mensagem fora dada, e Gabriel, com todo o exército celestial, estavam contentes pelo sucesso da missão. Na sua memória angelical, ainda estava o teor da notícia: Aquela jovem donzela, estaria agora levando a sua mensagem, de forma diferente; encarnada em seu ventre materno. Não seria apenas uma mensagem verbal, mas traduzida em carne e osso, pois a partir daquele momento, o Verbo Eterno se fez carne, e estava habitando entre os homens.

Foi então quando percebeu a sua importância. O próprio Filho de Deus estava ali, naquela humilde aldeia da Galiléia, para salvar o mundo dos homens e destruir de vez, as forças titânicas do mal.


sexta-feira, 9 de maio de 2008


E A IGREJA EVANGÉLICA? NOSSOS OLHOS FORAM ABERTOS?


Pastor Neucir valentim



Na verdade o que temos sentido falta nos crentes hoje em relação ao evangelho está de alguma forma ligado com o extrínseco, mas, sobretudo, com o intrínseco, isto é, de dentro, o primeiro amor. E isso, só conseguimos, numa busca pessoal.

Tenho assistido de perto a crise da Igreja Evangélica, e confesso que vou lutar até o fim para manter esse nome, não é um ou outro que dele desfrutou e de suas benesses, que usaram e abusaram e agora o descartam, que descartarei também.

O que ocorre é que o mundo mudou e nós também.

Fomos contagiados pela embriaguês que Jesus falava, que atingiria a muitos, antes do fim.

Fomos contagiados com o consumismo.Fomos contagiados pela pós-modernidade da relatividade. Outrora, o que os nossos líderes diziam era a lei, agora não, tudo é relativizado. IsSo é bom? Tem seus valores, mas suas perdas também.

O mundo democrático e ocidental é visto como o Grande Satã pelos Árabes que não questionam seus aiatolás. Talvez, quem sabe, que a guerra árabe passe mais pela rejeição da anarquia do Ocidente do que por qualquer outro motivo. Ele tem medo da nossa promiscuidade, e nós de suas bombas!

É bom ser inocente, e seguir normas, obedecer, achar que alguém acima reponde e sabe por nós? Não sei! Mas, quando isso acontecia descansávamos mais. Só que na relativização, assumimos a liberdade de tudo, até de decidir as regras, o certo e o errado, e isso gera um desgaste enorme, um fardo que é pesado.

Quando os líderes carregavam por nós, embora falando bobagens, ou sendo ingênuos, não víamos isso, só experimentávamos a situação paternal por trás... Mas “os nossos olhos foram abertos”, e agora somos como deuses, conhecedores do bem e do mal e temos que carregar o fardo desse conhecimento. Perdemos a noção da inocência. Coisa rica, preciosa, mas ela foi embora, e agora sempre temos um "senão".

Perdemos a noção de segurança... Naquele tempo, disse esses dias o Arnaldo Jabor, 90% dos moradores das favelas não sabiam da sua criminalidade e nem eram cúmplices com o crime, hoje, disse ele, isto é uma falácia. Tá tudo dominado...Verdade, quantas vezes fui à casa do irmão numa favela, e via como, apesar de pobre o ambiente, era de paz, havia muita briga sim, de marido e mulher, briga de mulher por causa de água, mas não havia a falta da pureza em relação ao crime. Esses nossos irmãos hoje, estariam comprometidos com o que sabem ou deixam de saber. Embora não sejam culpados!

Certo pastor, amigo meu, cuja igreja é numa favela, disse-me que é obrigado a seguir certos caprichos porque senão, morre! De fato tudo mudou.

A igreja deixou de ser o referencial para nós, digo a igreja física mesmo, lembre-se:"nossos olhos foram abertos”, logo a igreja é apenas um prédio sem nenhum valor ou apego místico... histórico, totemizado, isso tem um preço. Lembro-me quando adolescente, uma bolinha de papel minha caiu no púlpito da minha igreja, e fiquei apavorado, não podia deixá-lá lá e ao mesmo tempo não tinha coragem de subir pois o local era santo... mas “nossos olhos foram abertos”, e a igreja agora é apenas um lugar em construção, pois desmistificamos a mesma, agora somos os construtores. Isso é bom? Tudo tem o seu preço.

Hoje ninguém se ajoelha mais no Templo, como disse o Edson Coelho... "Entrei no Templo, dobrei os meus joelhos, para conversar como Senhor..." ninguém o faz por livre e espontânea vontade, só quando o pastor quase obriga.

Perdemos a sacrossanta visão do mesmo, a visão de Ana, que apenas balbuciava no Tabernáculo em Siló. “Nossos olhos foram abertos.” Perdemos a noção do místico, do sagrado, do misterioso, e não estamos muito preocupados com isso, “nossos olhos foram abertos” para outras coisas, para o mundo virtual, para a Internet, agora somos semideuses, achamos tudo num clicar de mouse. Somos aficionados pelas novidades, pelo mágico e misterioso, sem as quais, como Adão deve ter pensado, não podia viver sem elas... Foi o que o Diabo mostrou a Jesus, o mundo e sua glória, ele sempre faz isso, sabe como isso nos encanta também. “Ele tem aberto os nossos olhos”.

Temos tudo, somos preocupados demais em atender a indústria da tecnologia, dos celulares às máquinas mais modernas e não temos nem de perto um pouco da repulsa do unabomber, terrorista americano que preferiu explodiu um prédio por não se conformar com a evolução gigantesca da tecnologia avassaladora, antes que, segundo disse, fosse destruído por ela, não que o que fez estava certo. Vidas são vidas! Mas ele, louco, não soube administrar o novo século, não quis abrir os seu olhos, só usava máquina de escrever e olhe lá..

Cometeu uma loucura, mas a loucura maior ainda continua por aí, nos engolindo... A Bíblia chama isso de Aion, ou de Mundo, ou de Presente século...Ficamos encantados com a pós-modernidade, com suas facilidades, com o encanto de um mundo livre, mas com a pós-modernidade, veio também a pós-cristandade.

Ninguém, absolutamente passou ileso disso.

Perdemos o nosso tempo. Perdemos a nossa liberdade, perdemos a nossa inocência. Perdemos nossos afetos, perdemos, perdemos, perdemos, enquanto tentam nos dizer: Vocês ganharam, ganharam e ganharam... falácia pura!

Deus já vem desconstruindo a sua participação há muito tempo em muitas igrejas... Lembra-se de uma mulher chamada Rosalee M. Apeble? Que começou o trabalho sério em sua igreja com o pastor Enéias Tognine lá na igreja da década de 60? Lembra da onde era?

Da santa Igreja Batista de Goiânia? Agora é a Batista da Lagoinha, da Unção de Toronto, do transe da Ana Paula Valadão, das riquezas da sua grife e ao mesmo tempo das loucuras da sua fé... Há se a Missionária estivesse por aqui... Talvez estivesse inserida no contexto...O que nos resta é voltar, não a igreja antiga, mas ao primeiro amor, e isso é de fato algo muito difícil, pois envolve renuncia, não acontece com métodos, com programas, é com conversão do coração individual ao primeiro amor.

Como eu costumo dizer, o passado é um continente, por vezes parece bonito, mas que não há embarcações para lá.

Ou podemos "ter os nossos olhos abertos" por Deus ou pela velha serpente.

Peço a Deus que eu não veja o que não é para ser visto e ver o que é para ser visto.

Fico pensando em Ezequiel, que via e sofria com o que acontecia...

Fico pensando em Jeremias que via e chorava...

Fico pensando em Elias que via e protestava...

Fico pensando em Habacuque que via e reclamava...

Fico pensando em Daniel, que viu o tempo da bagunça acabar, e em meio a Babilônia previu o retorno, que Deus não se esquece do seu povo, que há lutas travadas no céu, que o diabo existe, que passado 70 anos, as coisas mudariam. Que o império ruiria... Fico pensando nesse homem que em meio à tudo isso que estamos vivendo ouviu... E sobreviveu cheio de graças, ainda que cercado de leões..." Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro, até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará. Ele respondeu: Vai-te, Daniel, porque estas palavras estão cerradas e seladas até o tempo do fim. "

Que o Senhor Jesus, que anda no meio dos candeeiros diga quem é igreja ou não, pois ele é o único que tem os olhos como chamas de fogo e pés reluzentes como bronze polido, pois nunca pisou em nada sujo.

quinta-feira, 8 de maio de 2008


VOCÊ FALA SIBOLETE
OU CHIBOLETE?

Pastor Neucir Valentim


“Então os homens de Efraim se congregaram, passaram para Zafom e disseram a Jefté: Por que passaste a combater contra os amonitas, e não nos chamaste para irmos contigo? Queimaremos a fogo a tua casa contigo.” E houve naquele dia grande batalha...

Nenhuma história bíblica retrata tamanha contradição e estupidez humana como essa. Os homens de Israel, da tribo de Efraim, ao saber que os homens de Israel da tribo de Manassés, estiveram lutando contra os amonitas, povo inimigo da nação, à qual pertenciam as duas tribos, ficaram profundamente irritados porque não foram convidados para pelejar juntos. E, assim, porque não foram lutar lado a lado, tornaram-se inimigos entre si, a tal ponto, que houve grande peleja naquele dia, de modo que nessa luta insólita, morreram, apenas de Efraim, cerca de 42.000 homens.

E para completar a tragédia, os homens de Manassés, chefiados por Jefté estabeleceram um código de morte: Para saber se os que vinham ao seu encontro eram efraimitas, solicitavam que dissessem: Chibolete; porém se o indivíduo dissesse: Sibolete, porque não o podia pronunciar bem, pegavam o tal, e o degolavam nos vaus do Jordão (Jz 12:6).

Traduzindo essa história estúpida em linguagem simples: O mesmo povo, a mesma gente, estava guerreando entre si, ao invés de unir forças e lutar juntos contra o inimigo comum a ambos, os amonitas, e por isso foram derrotados, porque, na ânsia de guerrear, usaram suas forças contra si mesmos.

Não bastasse isso, ainda estabeleceram esse código de morte: Quem usasse a palavra errada e trocasse, por descuido fútil ou banal, o som do “CH”, estava fadado à morte.
Essa história sinistra, tirada do livro dos juízes, faz-nos lembrar um pouco da nossa história evangélica no Brasil.

Isto porque, todos nós, enquanto denominações ou igrejas, as vezes ficamos profundamente irritados porque este ou aquele grupo ou seguimento evangélico, está travando uma peleja, da qual muitas vezes não somos chamados a estar juntos, quer por falta de contato, de comunicação ou de uma comunhão mais estreita, e aí surge aquele espírito “efraimita”, que começa a buscar um meio de estabelecer uma rixa, uma demanda ou contenda, de tal forma que, passamos a guerrear mais com os de dentro do que com os de fora. Ficamos, também como os homens de Jefté, buscando um meio de descobrir qual, dentre nós, tem a linguagem diferente, para patrulhá-lo e para segregá-lo, querendo saber se ele fala Sibolete ou Chibolete.

Só que os nossos ouvidos buscam identificar os sons de posições teológicas ou litúrgicas: Se tem um “essezinho” meio carismático ou quem sabe, se usa aquele “chezão” tradicional.

Busca-se descobrir até se é um CH misturado. Quem sabe pode haver um “S” camuflado!!! Cuidado com ele! O “CH” dele é diferente! etc. E dependendo da pronúncia, sai de baixo, porque a lenha desce, e desce feio! É por isso que temos um tão grande contingente denominacional espalhado por aí.

Um instituto de pesquisa religiosa do RJ - ISER, catalogou somente no Rio de Janeiro, mais de 8.000 nomes de igrejas ditas “evangélicas”, posto que cada qual quer batalhar sozinha e falar o “CH” certo! Uma vez que se acham como as únicas capazes de pronunciá-lo corretamente, e assim, não querem se juntar as que já existem, criam mais uma instituição, mais um nome, mais um grupo, mais uma facção, que ao invés de somar força na luta espiritual contra o Diabo, inimigo comum de todos os crentes, guerreiam entre si.

Reflitamos: Quantas vezes nos pegamos patrulhando o outro, não é verdade? Tentando descobrir-lhe a fala, a linguagem.

Se fala o nosso Chibolete ou um estranho Sibolete! Sim, e quantas vezes, também, nos vemos testados, onde desejam saber de nós qual tipo de “linguagem” usamos. Existem até aqueles que, na hora da Santa Ceia dizem: “Olha: - aqui só participam da Mesa do Senhor os que falam “Chibolete!”, como se a mesa fosse deles e não do Senhor.

Caímos assim, como instituição evangélica, na mesma estupidez dessas duas tribos de Israel, que se digladiaram entre si, quando podiam unir as suas forças contra os filhos de Amom, ao invés de ficar guerreando internamente. A grande tragédia é que as nossas guerras circulam, de forma ainda mais medíocre, em termos de coreografia: Se levantamos ou não a mão na hora do culto, se batemos ou não palmas, se temos ou não “corinhos” no louvor, se oramos alto ou baixo, enfim, mata-se muitas vezes a comunhão com o irmão porque ele fala um pouquinho diferente de nós, porque o “CH” dele, tem uma tênue diferença quanto ao nosso, e aí, acontece aquela luta retratada no livro de Juízes: “Então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão.” Que possamos ter o discernimento espiritual para não entrarmos em lutas tolas, mas estarmos lutando firmes contra o nosso inimigo comum: O Diabo. E quanto aos que falam Sibolete ou Chibolete, que possam viver em paz, cada qual com sua própria maneira de ser e de falar, porque, sobretudo, pertencemos todos à mesma nação (I Pe 2:9), somos o mesmo povo que vai para o céu, quer se fale Sibolete ou Chibolete.

Somos a Igreja de Jesus!

Glossário: Chibolete significa riacho fluente. Palavra que os Efraimitas não conseguiam pronunciar corretamente, à semelhança de certas palavras regionais brasileiras, cujo som é diferente em outros estados.
CIDADE DE NITERÓI
Pastor Neucir Valentim



Niterói é uma palavra indígena que significa “águas paradas” ou “águas entre pedras.” Para nós que temos a nossa igreja situada no centro da cidade que leva esse nome, é bem sugestivo. Pense bem: Somos uma igreja situada em águas paradas, ou que vive em águas entre pedras. A partir deste desafio etimológico, podemos crer que, enquanto igreja, devemos procurar mover as águas, ainda que existam pedras gigantes a nos desafiar.

Águas paradas, geralmente, não são boas, são propensas a se transformarem em depósitos de parasitas, tornando-se em águas doentes, a semelhança das águas amargas de Mara, imprestáveis para dessedentar aquele que tem sede da água da vida. Que a semelhança de Moisés clamemos aos Senhor para que transforme estas águas paradas em águas potáveis, cheias de vida (Ex 15:25).

Quem sabe, temos também ouvido o clamor de muitos dos que aqui vivem e passam como o profeta Eliseu ouviu no passado: “Eis que a situação desta cidade é agradável, como vê meu senhor; porém as águas são péssimas, e a terra é estéril.” II Reis 2:19.
Recente pesquisa do IBGE revelou que Niterói está em 4º lugar no quesito cidade com melhor qualidade de vida no Brasil, e os seus administradores desejam vê-la em 1º lugar em breve. Mas será que a semelhança do texto de II Reis 2:19, referido acima, vivemos numa cidade agradável, mas que, espiritualmente falando, tem águas péssimas e a terra é estéril? Quando andamos pela cidade percebemos o quando isto é um fato. Percebemos nas faces, nos olhares dos transeuntes uma profunda sede de Deus, sede que só Jesus pode saciar.

Deus está convocando você, membro desta igreja, que vive no meio destas “águas paradas” para, sanear estas águas, e pelo Espírito Santo, canalizar nesta cidade “águas das fontes da salvação” Is 12:3. Proclamando a salvação em Jesus, que diz veementemente: “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.” Jo 4:14.

Aceite este desafio!

ENTREVISTA COM O SENHOR LEGALISTA
Pastor Neucir Valentim

O nosso Blog conseguiu falar com o senhor Legalista.







Blog: Tudo bom senhor Legalista? É um prazer para este Blog poder entrevistá-lo...

Legalista: O prazer é todo meu, desde que vocês não passem da hora marcada para terminar a entrevista. Comigo é assim: Tudo tem hora para começar e para terminar, caso contrário eu fico de mal humor e vou embora. Aliás, quando estou num culto e este passa cinco minutos do horário do término, sinto-me extremamente aborrecido.

Blog: Tudo bem, deixemos o horário de lado e falemos um pouco do senhor.

Legalista: Eu sou uma pessoa boa, cumpro com os meu deveres, sou honesto e até ajudo muito no reino de Deus.

Blog: Como o senhor ajuda?

Legalista: Eu me sinto um fiscal por natureza. Tenho esta vocação em mim. Não faço isso para ficar bisbilhotando a vida alheia para fazer fofoca, muito pelo contrário, meu objetivo é nobre, livrar a igreja daqueles que cometem faltas. Estou sempre pronto para identificá-los. Imaginem vocês se as pessoas erram e não tem quem as acuse?

Blog: Mas o senhor não acha que toda acusação obcecada, bem como toda busca detalhista de culpa, pode ser de origem diabólica, pois não se trata de justiça mas sim do prazer pela condenação?

Legalista: Eu não busco condenação, mas acho que pessoas que erram devem ser punidas exemplarmente. Sempre!

Blog: A que igreja o senhor pertence?


Legalista: Eu gosto apenas de algumas igrejas. Principalmente aquelas que buscam, como eu, descobrir os erros alheiros, publicá-los e disciplinar cruelmente os que erram. Mas a rigor não me adapto a igreja alguma. Elas tem tantos defeitos (...) com o tempo eu sempre descubro um erro aqui, outro ali, que não condiz com o meu padrão, e aí eu me aborreço.

Blog: O senhor tem alguma profissão?

Legalista: Sim, sou médico oftalmologista. Meu trabalho é examinar os olhos das pessoas, para ver se não tem algum argueiro... (Mt 7:3)

Blog: O senhor pratica algum esporte?

Legalista: Todo esporte que exija um árbitro. Eu gosto mesmo é de ser juiz!

Blog: O senhor tem alguma frustração? Algum sonho não realizado?

Legalista: Sua pergunta me pegou de surpresa, pois na verdade eu tenho uma grande frustração. Gostaria de ter sido promotor público, creio até que trabalharia de graça, por prazer. Com a minha visão crítica apurada, muito poderia ajudar a justiça. Geralmente sei de cor os estatutos, regimentos, regulamentos, códigos, etc., para ficar atento a qualquer irregularidade; Afinal não se pode confiar em ninguém!

Blog: Qual o texto da Bíblia que o senhor mais gosta?

Legalista: Gosto de Êxodo 21:24. “Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé

Blog: Mas este versículo não pertence a uma época em que a misericórdia era pouco exercida?

Legalista: Sim, mas particularmente eu não gosto muito de falar sobre misericórdia, ver as pessoas sob misericórdia, julgar sob misericórdia, pois muita misericórdia alivia a culpa de quem está sob o peso do erro, que precisa ser punido.

Blog: Mas não foi por isso que Cristo morreu?

Legalista: Eu não entendo muito de teologia...

Blog: Qual o versículo da Bíblia que o senhor menos gosta?

Legalista: O de Romanos 2:1 “Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo”, - Este versículo me faz sentir um pouco culpado... de algumas coisas que faço...

Blog: O senhor é parente de Arrogante?

Legalista: Sim, sou seu primo. Como vocês descobriram?

Blog: É simples: O legalismo é a pressuposição arrogante de achar que se pode agradar a Deus apenas pela observância de mandamentos legais, sem o exercício da misericórdia. E isto é parte de um espírito arrogante! Por isso a familiaridade.

segunda-feira, 5 de maio de 2008


E O GATO ME MORDEU...

Pastor Neucir Valentim





Meu gato "vive" na igreja.

Ouve hinos o dia inteiro. Muitas vezes me faz companhia quando faço minhas meditações bíblicas. É amigo de minha esposa e filhas, que lhes devotam mais atenção do que eu. É um bom gato. Calmo, sereno e tranqüilo... mas, não é crente! Sim, meu gato não é crente, porque animais não podem ser ou ter sentimentos transcendentes, como fé ou introspecção, posto que não possuem espírito, aquilo que a bíblia chama de nefech, tem apenas o fôlego de vida ou ruach.


Assim como o meu gato que "vive" na igreja e muitas vezes assiste aos cultos de "camarote" pela janelinha que dá para o templo, existem muitas pessoas, que "vivem" na igreja, participam dos cânticos, ouvem a Palavra, tem manias e jeito de gente crente, mas, que a semelhança de meu gato, não são crentes, pois não têm uma profundidade maior com Deus.


A igreja e o convívio com a comunidade eclesiástica não fazem deles um novo nascido, um salvo. Entendeu? Isso mesmo, para ser filho de Deus, requer-se muito mais do que estar, ficar ou fazer coisas na igreja, é necessário ter um profundo encontro com o Senhor Jesus, numa experiência pessoal, inigualável e sobretudo, de regeneração.


Ao escrever este artigo, o meu antebraço está inchado, com dois furos na altura de minhas veias, o tendão do meu braço está ferido fazendo com que os movimentos dos meus dedos me produzam arrepios, e as minhas pernas estão arranhadas, sinto inclusive, bastante dor ao digitar as teclas do computador.


Sabe por que? Por causa do meu gato, que não é crente! Nessa madrugada quis dar um passeio para conhecer a vida noturna, estava cansado da vida da igreja, para ele sem graça e sem emoções. De repente sumiu, foi à procura de aventuras. A minha família chorou pelo seu desvio, sua ida, sem dar satisfação ou pelo menos uma despedida. Foi bastante insensível!


Lá pela madrugada, ouvi um ruído, um miado de gato, perdido na noite escura, isolado, um clamor de um felino perdido, talvez, no refeitório da igreja. Entrei no referido recinto, fechado, escuro, com ares sepulcrais.


De repente, num susto, senti suas presas e garras em cima de mim, pois apavorado e com medo, não percebeu que se tratava de um amigo, e por isso atacou sem dó nem piedade. Em poucos segundos a roupa que usava estava repleta de sangue, que incontido, não parava de jorrar da veia do braço que fora perfurada pelos seus dentes.


Uma vez identificando o seu dono, voltou para casa meio ressabiado, sem pedir desculpas a ninguém, apenas deitou e dormiu... Enquanto eu usava compressas e analgésicos!


A história contada, de alguma forma, ilustra aqueles que vivem na igreja, mas, não têm um conhecimento do Dono da Igreja. Assim como o meu gato que vivia na minha casa, há muita gente que vive na Casa de Deus e não O conhece, e por isso, na primeira oportunidade, fortuita, busca uma forma de pular o muro, a janela, a rotina eclesiástica, para achar na vida, fora dos limites estabelecidos, prazeres que o levarão a perdição. O meu gato ficou perdido numa noite escura.

Ocorre que, para seres humanos, essa noite escura pode se tornar eterna. E um pequeno desvio de rota, pode levá-los a perdição. O profeta Daniel diz que esta noite será de pavor e vergonha eterna: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno."


E a grande tragédia dessa história toda, é que, assim como, com boa vontade e ternura, busquei achar o meu gato no meio da noite, atendendo o seu clamor felino, existe um Salvador, que anda pelas noites, pelas regiões da sombra e da morte, buscando aqueles que por Ele clamam, pronto a buscá-los, como o Sumo Pastor faz com suas ovelhas: " Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? (Mt 18:12).


Mas, assim como fui mal compreendido pelo meu gato, muitos assim fazem para com Deus, e ao invés de conhecer a sua voz, confundem-se, pois não são ovelhas do Seu aprisco e por isso, não conhece a voz do pastor: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem" (Jo 10:27). E nesses casos, não importa a dor e o sangue derramado pelo Senhor, porque, por mais que se busque apanhá-las no meio da noite, e colocá-las em lugar seguro, haverá sempre uma outra ocasião para novas fugas, desvios e desencontros...


Saiba que o Senhor está sempre disposto a dar a sua vida e o seu sangue pelos que se perdem, ou melhor, pelos que nunca se acharam nele... pense nisso. Mas, é necessário reconhecer-lhe a voz.
Quanto ao meu gato. Não usarei mais de misericórdia ou farei qualquer esforço para buscá-lo, se quiser ir que vá, pois a dor que estou sentindo é muito grande agora... e ele continua dormindo cinicamente, esperando a próxima noite, a próxima fuga, e quem sabe, da ida sem volta. A bem da verdade... Não sou pastor de gatos!




O ANSIOLÍMETRO
DE DEUS...

Pastor Neucir Valentim




“sabe também que eu julgarei a nação a qual ela tem de servir; e depois sairá com muitos bens. Tu, porém, irás em paz para teus pais; em boa velhice serás sepultado. Na quarta geração, porém, voltarão para cá; porque a medida da iniqüidade dos amorreus não está ainda cheia.” Gn 15:14 a 16.




Abrão está vivendo uma agonia mental, tipo aquelas que nos acometem à noite, quando estamos bastante preocupados.



Deus havia lhe dito que cumpriria a promessa feita, e ele teria um herdeiro, Abrão havia crido, e até fez uma altar para que o Senhor confirmasse a promessa. Neste ínterim, o velho patriarca, é vítima do pavor noturno, do medo de descrer, ou talvez, da falta de uma “materialização” mais clara da promessa feita.



O Texto diz (Gn 15:12) que caiu um profundo sono sobre ele, e grande pavor e cerradas trevas. Certamente Abrão foi acometido por algo muito conhecido nosso, chamado ansiedade. O grande homem de Deus, o Pai da fé, estava sentindo as garras da ansiedade, que se materializavam como aves de rapina, e desciam sobre o holocausto que oferecera ao Senhor (Gn 15:11). Por mais que ele as enxotasse, elas permaneciam em cima dele.



Se você já ficou ansioso um dia, sabe como a ansiedade age, a semelhança destas aves de rapina, que descem sobre a nossa mente, provocando medo, pavor e insegurança.



A primeira coisa que Deus faz quando a ansiedade chega é dizer que Ele tem o controle de tudo, do hoje, do amanhã e do depois de amanhã. Por isso Deus diz a Abrão o que vai acontecer nos próximos 400 anos! (Gn 15:13). Quantas vezes nos preocupamos com o hoje e Deus quer nos mostrar o resultado de sua ação à longo prazo? Mas nós nos ofuscamos com o agora, e não percebemos os horizontes divinos.



Em segundo lugar Deus Diz ao patriarca, que a sua “pré-ocupação” isto é, que o fato de ocupar-se antecipadamente com as coisas, não vai mudar o futuro. Por isso o Senhor Jesus falando aos discípulos diz o seguinte sobre a ansiedade: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. (Mt 6:34). Logo depois o próprio Deus revela a Abrão que as coisas circunstanciais não afetariam o futuro da vida do patriarca: “Tu, porém, irás em paz para teus pais; em boa velhice serás sepultado.” Ou seja, Fique tranqüilo Abrão, porque ainda viverás bastante tempo, ficarás velho e gozarás uma boa aposentadoria com os seus netinhos! Não se preocupe à toa.



Em último lugar, Deus fala algo que julgo muito interessante: Que nada fica desapercebido do seu olhar perscrutador, as injustiças, os erros e os maltratos que sofremos, etc. “porque a medida da iniqüidade dos amorreus não está ainda cheia.” O que significa isso? Significa que Deus tem uma medida, um “ansiolímetro”, um medidor de ansiedade causada. E toda essa gente que nos causa mal estar, ansiedade, dificuldade ou até mesmo perseguição, terá o seu dia de juízo, quando a medida chegar ao limite máximo.
Eu não conheço as razões de suas ansiedades, ou mesmo as suas preocupações, mas segundo o texto título desta pastoral, elas são inúteis e não modificarão o curso da vida. Portanto, não vale à pena ficar ansioso. Uma outra coisa, em não conheço a sua realidade, se existe alguém que o estressa, que o faz perder a paz, que o maltrata. Mas uma coisa sei, que se porventura existe, a medida está sendo controlada por Deus, e quando ela chegar no nível máximo, Ele certamente agirá de forma surpreendente a seu favor dando um basta final! Portanto, meu irmão, descansa em Deus até que se encha a mediada dos amorreus.

sábado, 3 de maio de 2008


QUANDO CONVERSEI COM OS MAGOS DO ORIENTE.

Pastor Neucir Valentim

Era noite de natal, e como todo ano, antes da ceia, lia para os meus filhos a velha história bíblica da natividade descrita no Evangelho de S. Mateus, e contava-lhes acerca do nascimento de Jesus, falava-lhes dos magos do oriente, da fúria do rei Herodes quando soube do nascimento do menino Jesus, de Maria e José que prontamente receberam a mensagem angelical para fugir do perigo de morte que corriam por causa do rei Herodes, que mandara executar todos os meninos com menos de dois anos de idade, para assim eliminar o " rei dos judeus" que havia nascido em Belém.

Naquela noite, porém, depois de minha narrativa, fui dominado por uma sonolência gostosa. A partir daí a minha imaginação ficou fértil e então comecei de novo a pensar naquele relato bíblico, na bela história de natal. Logo dormi e sonhei.

No meu sonho eu estava nas remotas regiões montanhosas de Efraim, na Palestina, indo em direção a Jerusalém. Pelo caminho ermo, marcado por uma geografia árida, me vi montado em um camelo. Era noite, as estrelas no céu cintilavam como nunca, como se naquele dia elas estivessem em festa. Senti medo pois estava sozinho num local totalmente desconhecido. De repente percebi que em minha direção caminhava um grupo de pessoas em seus camelos e dromedários, semelhantes a beduínos do deserto. Com a cultura da violência na cabeça, temi por um assalto. Logo, porém, percebí que não eram beduínos. Caracterizavam-se pela tranquilidade no falar, pelas túnicas de linho fino e por turbantes excessivamente bonitos.

De imediato desejei travar um diálogo. Mas como? Não conhecia a sua língua. Lembrei-me, porém, que a linguagem dos sonhos não está circunscrita a cultura, povos ou línguas e, perguntei-lhes: - Para onde vão? Ao que me responderam. - "Vamos até Belém adorar aquele que é nascido Rei dos judeus, porque vimos a sua estrela no oriente". Pensei neste instante comigo mesmo: Conheço estas palavras, são da narrativa bíblica, e eles são os magos do oriente.

Logo identifiquei os seu nomes: Gaspar, Baltazar e Belquior, como nos ensinava a tradição cristã. A minha mente começou a vibrar ante a possibilidade de acompanhá-los e ver de perto o menino Jesus. Nisto, uma outra expectativa me surgiu na mente. Pela narração bíblica os magos iriam a Jerusalém e falariam ao rei Herodes sobre o nascimento do Messias, e isso provocaria no rei uma fúria tal que redundaria na morte de centenas de meninos na cidade de Belém.

Tratei de iniciar uma tentativa de demovê-los da ideia de falar com Herodes.

- Penso que vocês caminham até Jerusalém, não é verdade? - Sim, respondeu um dos magos - vamos até Herodes para contar-lhe a boa nova ! Isso me arrepiou. Então de forma delicada continuei: - Não seria perigoso informar ao rei Herodes acerca do acontecido, ele não ficaria furioso ante a possibilidade de perder o trono para um judeu de verdade, uma vez que ele nem judeu é, pois é um idumeu a serviço de Roma? Sim, isso é possível, disse-me o mago, admirando-se do meu conhecimento acerca da nacionalidade de Herodes.

O outro mago que estava próximo entrou na conversa. - Ocorre que Herodes é a antítese do verdadeiro rei, ele é um déspota, e todo déspota precisa saber que é um usurpador, porque muitas vezes acaba acreditando na sua própria mentira, a de que é um legítimo rei. Calei porque percebi que eles não eram ingênuos quanto a natureza de Herodes. Resolvi então ser mais claro. - Precisam evitar Herodes; ele é perverso e fará de tudo para se perpetuar no poder. O mago que estava calado até o momento, falou pausadamente. - Não se acaba com Herodes evitando-o ou até mesmo matando-o, ele sobrevive sempre, e haverá sempre um herodes em cada história, porque os herodes estarão sempre em todo lugar. Como? perguntei confuso. Respondeu-me em tom professoral. - Os herodes existem na história de todo mundo, eles representam aquele tipo de gente que faz de tudo para conseguir o que quer, nem que para isso tenha que pisar, maltratar, caluniar, mentir, difamar, bajular e até...matar. Os herodes representam aqueles que usam de artifícios para se perpetuarem no poder, no comando dos outros, exercendo influências. Os herodes representam também as tentativas de acabar com os nossos sonhos e nossas esperanças. Existe um Herodes hoje, mas amanhã surgirão outros em todo canto, nas casas, nas ruas, nas instituições e na religião.

- Na religião? Perguntei ao velho mago, atônito !

- Sim, não vê que o rei Herodes está construindo o maior templo dos judeus em Jerusalém? Muitas vezes eles se escondem nas atividades religiosas para ocultarem os seus verdadeiros intentos. Então interrompi. - Mas crianças morrerão quando Herodes tomar conhecimento do nascimento do menino Jesus! O sábio mago continuou. - Elas morrerão independente de irmos ou não a Jerusalém, até porque toda Jerusalém saberá do nascimento do Messias, mas Herodes continuará matando crianças. Lembre-se ! os Herodes estarão em todos os lugares, dentro das famílias como pais que matam a sensibilidade dos filhos através da crítica contumaz, através de esposas e esposos que perdem o respeito entre si, de governos que deixarão as crianças morrerem de fome, e as crianças que pelo Herodes de hoje morrerão à luz das nossas candeias, amanhã, no futuro serão mortas em grandes candelárias, porque encontrarão os herodes que as matem. Certamente, herodes continuará matando...

- Mas então, vocês vão falar com Herodes? Exclamei.

- Ele precisa saber que por mais que queira, ele não é o Rei de direito, e que é nascido o verdadeiro Rei, e por mais que ele queira matá-lo o Rei verdadeiro nunca morrerá; ele vencerá por sua simplicidade e pelo amor, este Rei é a fonte de nossa resistência contra toda tirania. É preciso ensinar-lhe que os reis herodes não se perpetuam, que o seu fim é triste e solitário, e que ainda existe razão para crer na justiça, ter esperança e crer que os sonhos podem ser realizados, porque aquele que nasceu é a resposta de Deus a todos os Herodes de hoje e de sempre, que este menino que nasceu é um libelo de acusação contra os que usurpam, contra o déspota e contra o perverso.

Fiquei sobremodo emocionado com suas palavras e corri para abraçá-lo, ao fazer despertei do sonho com minha filha me abraçando e dizendo: Feliz natal papai, Jesus nasceu !

O DIA EM QUE ARRANCARAM A MINHA ÁRVORE...

Pastor Neucir Valentim

“Junto a o rio, às ribanceiras, de uma a outra banda, nascerá toda sorte de árvore, que dá fruto para se comer; não fenecerá a sua folha, nem faltará o seu fruto.” Ez 47:12a

Dizem que um homem para se sentir realizado tem que fazer três coisas: Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Bem, creio que neste caso sou um privilegiado, porque já fiz tudo isso em mais de uma vez.

Ocorre que a experiência de plantar uma árvore foi ilustrativa, isto porque, a primeira que plantei foi uma flamboyant, em frente à minha casa.


Lembro-me como se fosse hoje. Era uma manhã de sábado, e a minha primeira filha tinha ainda seus dois aninhos, juntos fizemos a empreitada.


Logo, a árvore tomou o seu rumo, e em menos de um ano já estava alcançando a janela do segundo andar do sobrado em que eu morava. No segundo ano, já uma árvore frondosa, chegava ao terraço, e sobranceira, jogava sua beleza por toda rua. Me sentia orgulhoso pela minha façanha. Afinal, fora eu quem plantara aquela maravilha da natureza.


Mas, nem tudo são flores, mesmo tratando-se de árvores. Por ser uma flamboyant, surgiu o problema de suas raízes, que logo, começaram a brotar com força total, levantando a calçada e adentrando para a casa da minha mãe no primeiro piso.


Para complicar a situação, estava já se encaminhando para o manilhamento de esgoto que saneava a rua. Senti no íntimo que teria que arrancar a minha árvore sem dó nem piedade, mas, comecei a defendê-la dos seus algozes: Aqueles que diziam sem nenhum tipo de piedade: Corta esta árvore fora! Tira isso daí, ela vai quebrar tudo! De alguma maneira, eu somatizava o assunto, e quando falavam nela, sentia-me como sendo a própria, e assim, tratava de argumentar ao contrário, dizendo que haveria um meio termo, quem sabe, cortando algumas raízes, etc. Sempre com desculpas esfarrapadas. Uma coisa era certa: Minha árvore estava causando problemas e eu não queria cortar as suas raízes.
Certo dia, cheguei em casa depois do trabalho, e para minha desagradável surpresa, ela não se encontrava mais lá, nem sombra, nem raízes. Havia sido arrancada totalmente.


Parecia que um vazio se instalara na paisagem. Fiquei triste. Soube mais tarde, que minha esposa, conivente com meu pai, deram um jeito de arrumar um trator da prefeitura para fazer o serviço, sem que eu pudesse intervir.
O fato inconteste é que a árvore precisava ser cortada, e eu, não queria admitir, apesar das conseqüências funestas que a mesma trazia, que a cada dia e a cada momento se ampliavam.


De alguma forma, somos assim para com algumas coisas que devem ser tiradas de nossas vidas, mas não temos coragem de fazer, porque nos agradam, “nos fazem bem,” ainda que, desagradando a muitos e até mesmo a Deus. E, em alguns casos o processo indica a necessidade de extração de uma raiz profunda, mas não queremos abrir mão, porque, afinal, nos causam certo “bem estar”, ainda que, prejudicando a muitos, destruindo coisas, quebrando a boa ordem da vida.


Eu sabia que se dependesse de mim, a árvore não seria arrancada; precisava de um auxílio externo, de alguém que, olhando o bem maior, a arrancasse. Mas, soube compreender o zelo dos que a tiraram sem dó nem piedade porque estavam com olhos corretos, desapaixonados. Logo plantei outra árvore no lugar, depois de uma pesquisa, descobri um tipo de árvore cujas raízes crescem para baixo, e não causam problemas a ninguém, e para minha felicidade, está lá até hoje, dando beleza, bem como, a satisfação que a primeira me traduzia, todavia, sem complicações.
Na nossa vida acontecem essas coisas. Plantamos árvores boas e más, e precisamos ter a coragem de arrancar as más, ou deixar que Deus as arranque, ainda que nos causem dores, para que outras surjam no lugar, que poderão embelezar a vida ao invés de criar problemas.
Querido, veja se existem raízes em sua vida que precisam ser radicalmente arrancadas. Quem sabe: Lembranças do passado, amargura, ódio, ou até mesmo ligações afetivas não saudáveis, que não produzem mais beleza alguma, apenas destroem as relações da vida. Se você não tem coragem suficiente para fazê-lo, peça a Deus que faça, mas deixe-O fazer por completo, e você verá que outras árvores bonitas aparecerão no seu caminho.
O CARÁTER DE EVA
Pastor Neucir Valentim

"Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Gn 3:6 "

O relato bíblico de Gênesis fala sobre a criação da primeira mulher Eva, mas conta-nos pouco de seu caráter antes da Queda do Homem, quando a mulher foi a primeira protagonista da história ao ouvir e conversar com a serpente.

Ocorre, todavia, que na teologia bíblica a mulher foi criada por Deus, e certamente tudo que Deus faz é bom, e a mulher não poderia ser uma exceção, portanto, tanto Adão como Eva eram perfeitos, e o caráter de Eva também o era, posto que a mesma era originária do homem e este de Deus (I Co 11:12).

Por que então Eva foi tentada primeiro que o homem? A teologia judaica sempre achou que o ato de Eva foi mais culpado do que o de Adão. Por essa razão, por muito tempo achou-se que era fácil enganar uma mulher. Ao contrário de Adão que tornou-se mais resistente, todavia a epístola aos Romanos vai atribuir a culpa direta ao homem mesmo (Rm 5:12 a 19), porque a sua responsabilidade era objetiva sobre a ordem que lhe fora dada.

Mas se a mulher não fora a responsável pela queda, mas coadjuvante da mesma, qual o seu papel nesse grande pecado que subjugou a raça humana?

Talvez o caráter ou a estrutura natural da mulher expliquem melhor as razões dos “por quês” a serpente chamou-lhe mais a atenção do que a de Adão: Vejamos algumas características femininas: A capacidade de observação. É notória a capacidade de a mulher perceber coisas que o homem não percebe. Costumo dizer que as mulheres têm a capacidade de pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, quando o homem pensa uma coisa de cada vez.

Uma coisa que sempre chama a atenção é a capacidade de a mulher perceber o mundo que a rodeia apenas num olhar, coisa difícil para o homem.

Quem nunca observou a diferença de uma mulher no tocante a vestimenta? Salvo algumas exceções, ela deseja que a combinação de sua roupa seja completa, ao passo que o homem pouco se importa com isso, muitas vezes, estes, misturam cores modelo, completamente desequilibrados, que para ele não diz nada, mas para a mulher é um desastre. Não quero dizer que esse padrão feminino seja errado, ao contrário, complementa ao do homem, todavia é mais fácil perceber uma serpente no Jardim do que o homem...

Ora o diabo é sagaz e atingiu qualidades especiais da mulher, usando-as a seu favor, ao passo que a mulher tem qualidades que os homens não têm, e vice-versa reside em si um misto de ingenuidade em contraste com sua grande observação.

Segundo o Livro Como se Comunicar melhor, de Colleen McKenna, existem características na mulher que a tornam mais suscetíveis a propaganda e ao apelo do Markenting: As mulheres, segundo o autor são mais suscetíveis a curiosidade. Ora, que mulher que passando, com a sua percepção aguçada, não seria chamada atenção por uma serpente falante, que atingiria suas necessidades básicas? Como sentir-se respeitada (a serpente encantou a mulher, encheu-a de respeito e elogio, certamente).

O relato bíblico é conciso quanto à tentação, mas podemos inferir que somos tentados de acordo com as nossas expectativas: A mulher gosta de ser compreendida, respeitada, elogiada. A serpente colocou-se como alguém que poderia atender seus reclames, seus sentimentos e compartilhar seus interesses.

O sexo feminino, também, gosta de sentir-se tranqüilizado. Não sejamos ingênuos com as artimanhas do diabo, em Efésios 6:11, o apóstolo Paulo nos adverte das ciladas do diabo, o vocábulo original nos remete mais para “métodos astuciosos”, logo os métodos que foram usados eram compatíveis com a natureza da mulher, e neste caso, por mais ousada que uma mulher seja, a sensação de ser tranqüilizada é imprescindível ao ataque do maligno, o autor enumera também a necessidade de sentir-se cuidada, e de ser útil, coisa que a serpente usou de forma a induzi-la ao erro: “Sereis semelhantes a Deus...” Ora, que coisa mais útil e de praticidade para a mulher, ser tão útil como o próprio Deus.

Na verdade o texto não afirma que ela queria competir com Deus, mas ter a capacidade de gerenciar os problemas da mesma forma que Deus gerencia... Não duvido que algumas mulheres gostariam de se multiplicar em mil para atender as necessidades da vida, até hoje é assim: Cuidam da casa, dos filhos, trabalham fora, estudam, cuidam dos maridos e ainda assumem outras atividades.

Na verdade a mulher tenta abraçar o mundo com suas mãos. Veja, essa característica em si só, não é pecaminosa, mas junto a sagacidade da serpente em fazê-la uma “deusa” ou uma super mulher, certamente aguçou os seus desejos femininos mais internos.
Por último, acrescento que a mulher tem uma capacidade de persuasão fora do comum.
As mulheres sabem seduzir bem o homem quando estão interessadas em alguma coisa, aliás, existem bastantes relatos bíblicos e históricos que nos remetem a essa verdade. Na verdade o homem comeu influenciado e persuadido pela mulher: O ditado: “Por trás de todo grande homem, há sempre uma grande mulher”, não deve ser entendido como depreciativo, mas como a evidência de que a mulher está por trás de quase todo projeto masculino, direta ou indiretamente, e o homem, apenas leva a fama.

Portanto, para compreender o relato da tentação, não podemos desconsiderar as realidades, o caráter e as necessidades femininas, naturais e abençoadoras, mas que podem ser utilizadas nas tentações diárias como aconteceu naquela primeira lá no Éden. Nem podemos ser simplistas em achar que essa tentação foi corriqueira e banal, deve ter durado o tempo necessário para que a serpente atingisse a mulher de forma completa, e produzir o resultado esperado.

O diabo usou de astúcia, e a sua primeira vítima foi a mulher, usando as suas características mais íntimas. Poderíamos dizer que o homem ouviu a mulher sem medir conseqüências e ser conduzido ao erro por uma variedade de características ao seu próprio caráter, que justificam a dura punição que recebeu, junto a sua esposa, de acordo com suas próprias peculiaridades também.

sexta-feira, 2 de maio de 2008


CUIDADO COM O CÃO - ISSO NÃO É BRINCADEIRA


“O que, passando, se mete em questão alheia é como aquele que toma um cão pelas orelhas. Como o louco que atira tições, flechas, e morte, assim é o homem que engana o seu próximo, e diz: Fiz isso por brincadeira.” Pv 26:17 a 19


O livro de Provérbios, escrito por Salomão, deveria ser objeto de constante consulta por nós cristãos. Ao escrevê-lo, o autor buscou nas experiências da vida, uma fonte inesgotável de ensinamentos e assim, traduziu em linguagem simples, mas inspiradas por Deus, provérbios que nos ensinam a lidar com o nosso próximo numa relação interpessoal melhor.
Entre muitos ensinamentos deste livro, temos estes dois supracitados: O primeiro deles resume-se no seguinte: Cuidado ao se envolver com brigas alheias. Acaba sobrando para você. Se você quer entender como isso acontece, é só puxar a orelha de um cão, que por bonzinho que seja, há de reagir imediatamente com uma mordida, se não para atacar, ao menos para se defender. Tem gente que não perde a oportunidade de se envolver em brigas dos outros, e vive reclamado pois “não entende porque sempre é mal compreendido”, e não se cansa de levar mordidas, e nem de pegar cães pelas orelhas.
O segundo ensinamento bíblico mencionado no texto refere-se ao comportamento cínico de gente irônica, que atira flechas, joga com palavras, e muitas vezes, palavras que matam, pois segundo a bíblia “a morte e a vida estão no poder da língua” Pv 18:21, e depois dizem cinicamente: - Fiz isso por brincadeira. - O que disse não era para ser levado à sério, - Eram apenas palavras ao vento, - Mas você acreditou no que eu disse?, etc. Uma coisa é certa, na linguagem de Salomão, muita gente usa este artifício para enganar o seu próximo. Se você não se comporta assim, mas gosta muito de brincar com as palavras. Cuidado! Veja se você não está usando a brincadeira para dizer coisas sérias, ou se não está sendo irônico demais ao ponto de atirar flechas contra o seu irmão. Não quero dizer com isso que não podemos brincar, rir e ter um comportamento alegre com o próximo, mas devemos sempre ter o cuidado de viver aquele ensinamento da Palavra de Deus: “Seja sempre o vosso sim, sim e o vosso não, não.” (Tg 5:12) Isto é, seja sempre honesto no falar, nos momentos de brincadeira ou de seriedade. A verdade deve marcar o nosso comportamento, até porque está escrito: “Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. ”Mt 12:36. Portanto, meu irmão, cuidado com as mordidas de cães e com as brincadeiras nas palavras.

Você já pisou em sepultura?
Pastor Neucir Valentim

“Ai de vós! porque sois como as sepulturas que não aparecem, sobre as quais andam os homens sem o saberem” . Lc 11:44

Segundo a lei mosaica, se um homem passasse por cima de uma sepultura sem o saber estaria imundo por sete dias, precisando submeter-se ao cerimonial judaico de purificação. Por isso um judeu tinha o cuidado de identificar as sepulturas a fim de não se tornar imundo por causa de, num descuido, pisar numa sepultura não identificada. Os fariseus sabiam disso. Conheciam a lei mosaica e ensinavam a religião, mas na linguagem de Jesus eles eram como estas sepulturas! Jesus foi, portanto, duro demais com eles ao identificá-los assim, não acha? Não! O Senhor estava retratando uma realidade espiritual de forma perfeita. Isto porque ele está falando para uma gente religiosa que colocava a religião acima da justiça, do amor de Deus, daqueles que buscavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus, daqueles que contaminavam os outros ao invés de salvá-los. Para estes não existia uma definição melhor! Sepultura oculta, escondida, pronta para tornar os incautos em vítimas de sua própria impureza. Quantos de nós já fomos vítimas destas sepulturas errantes e destes túmulos ambulantes que estão em nosso meio hoje? Gente com cara de santo, com jeito de santo, mas amarga e insensível para com tudo e para com todos. Gente legalista, que dá mais valor à regras do que ao espírito da lei, que é o amor. Gente que gosta de ser espiritual sem mostrar o fruto da piedade na existência. Como diz Paulo em II Tm 3:5 “tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder(..)”. Isto mesmo, gente que vive uma religião de fachada, que amaldiçoa ao invés de abençoar, que entristece ao invés de alegrar, que promove atrito e não a comunhão, que traz imundície a e não a santidade, que em última análise, traz morte e não vida, por onde passa e com quem se relaciona. Para esse tipo de gente só há uma orientação clara e objetiva na Palavra de Deus, no complemento do texto de II Tm 3:5 já citado: Afasta-te desses! Que saibamos identificar as sepulturas escondidas em nosso caminho.